sábado, 28 de maio de 2016

Arthur Franquini "A guide to suicide - EP" (2004)


                  A foto acima não se trata da capa do disco perdido do Arthur Franquini, e sim da lista das músicas do EP "A guide to suicide", o álbum que sucedeu o segundo disco do Arthur Franquini, que também está "perdido", ou melhor, não disponível.

               "A guide to suicide" foi gravado cerca de um ano antes da morte do Arthur, em 2005. Produzido por Eduardo Ramos num esquema lo-fi, apenas voz e violão. O disco traz oito das últimas gravações de Arthur deixou, incluindo duas versões, "Excuse me while I break own heart tonight", do balada alt-country do Whiskeytown, e  "Too loose", do D Generation, a única canção com produção 'encorpada', na qual foram adicionados ruídos, efeitos no vocal e programação de bateria.

           O álbum não chegou a ser lançado em nenhum formato, exceto mp3. Por um tempo ficou disponível para download no site Trama Virtual, mas após a morte do Arthur o EP foi retirado do ar.
             Disponível no Youtube!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ação Direta "Risotto Bombs live in Slovenja" (Bombardeio, 2000)


                 O quinto disco do Ação Direta comemorou os 15 anos de vida do quarteto de hardcore de São Bernardo do Campo/SP. Trata-se de um disco gravado ao vivo num squat, o Koper, na Eslovênia, uma das rotas dos 22 shows que o Ação Direta fez em sua turnê europeia de 1999.
   
                  O disco é cru e flagra bem a sessão daquela noite no leste europeu, a gravação do show está fidelizada no CD que não recebeu nenhum tratamento posterior no áudio. São 29 sons em mais de uma hora, em velocidade sônica, de hardcores com influências de grind, crust, metal e punk rock. Os melhores momentos são os que trazem as músicas do excelente álbum anterior, “Entre a bênção e o caos” (Pecúlio Discos, 1997), como “Miséria: mercado alvo”, “A vida sem arte”, “Por qual razão” e “Deuses, dogmas e a violência”.

              O título do disco, “Risotto bombs”, se relaciona com os pacotes de risoto recebidos como cachê e que serviram como alimentação diária durante boa parte dos shows pela Europa.

               Disponível no Youtube!

Pavilhão 9 "Cadeia nacional" (Paradoxx, 1997)


                O quarto disco do Pavilhão 9 também é o álbum mais representativo comercialmente da discografia da banda. Se antes o P9 estava restrito à periferia paulistana, com “Cadeia nacional” o, então, septeto alcançou ouvidos por todo o Brasil, aqui com uma formação nova e produtores integrados com a produção de um disco de rap com  banda, a cargo do Edu K e Beto Machado.

                         “Cadeia nacional” dá nome também à faixa de abertura, uma vinheta editada por Edu K com scratches do DJ Branco, por sinal o que não falta ao álbum do P9 são os scratches muito bem aproveitados em meio à cozinha experiente de Marinho (baixo) e Thunder (bateria). Em seguida surge um dos hits do disco, “Mandando bronca”, que trouxe os irmãos Igor e Max Cavalera juntos, inclusive no clipe, pouco antes da cisão no Sepultura. As batidas fortes de alfaia em "Bem bolado" fazem parte da homenagem ao Chico Science, morto pouco antes do P9 entrar em estúdio para registrar o álbum. 

Showbizz, edição 147, outubro de 1997
                      Outras pedradas do disco também derrubaram a porta da grande mídia, como “Cada um cada dois” - com participação de Marcelo D2 -, “Otários fardados” e "Opalão preto", que recebeu dois bônus mix no final do CD. Naquele momento da segunda metade dos 90’s era surpreendente ligar a TV e ouvir sons tão provocadores, até mesmo na TV aberta. O juiz Siro Darlan ficava louco com a cena!

             "Cadeia nacional" vendeu bem e a molecada gostou no novo som do P9. O trabalho seguinte, “Se deus vier que venha armado” (Paradoxx, 1999), continuou tenso, mas aí a poeira já tinha baixado.

                     Disponível no Youtube!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Harry "Vessel's town" (Stiletto, 1990)


                           O Harry chegou aos anos 90 numa condição razoavelmente boa para uma banda que desde 1985 buscava espaços na música brasileira sem ter absolutamente nenhuma referência em música feita no Brasil. Por sinal o Harry sempre esteve na contramão de qualquer linha evolutiva da música nacional.
Bizz, ed. 72, julho de 1991

                   Em 1990 o Harry era nome conhecido no underground, tinha seus admiradores, uma boa quantidade de aparições na mídia e já tinha consolidado sua importância em disco com o álbum anterior, “Fairy tales” (Wop Bop, 1987).

                “Vessel’s town” tinha tudo para ser o trabalho definitivo do Harry, e possivelmente o seja, traz boas músicas e uma produção que fizeram o álbum soar grande, volumoso e denso. Algo sem parâmetros na música eletrônica feita no Brasil até então, da qual o Harry é um dos precursores – tá, antes tinha o Azul 29 e Agentss, mas o Harry é bem mais rock, e pesado, que seus pioneiros contemporâneos.

               Também era para ser o disco do Harry com a melhor distribuição e divulgação, por conta do contrato com o mítico selo Stiletto, uma da experiências fonográficas mais interessantes surgidas entre as décadas de 1980-90. Contudo, o selo fechou as portas abruptamente pouco tempo após o lançamento do terceiro disco do Harry, que logo se tornou o item mais obscuro da discografia do trio.

            “Vessel’s town” foi relançado dentro da caixa “Taxidermy: boxing Harry” (Fiberonline, 2005) que atualizou a discografia da banda santista, depois acrescida com o "Eletric fairy tales", de 2014. 

                Disponível no Youtube!

Karine Alexandrino "Querem acabar comigo, Roberto" (Tratore, 2007)


              
             “Querem acabar comigo, Roberto” é o segundo disco da cantora Karine Alexandrino, uma das vozes femininas mais interessantes surgidas no novo milênio. 

                       Diferente de boa parte das cantoras da música brasileira, Karine Alexandrino não segue uma linha evolutiva das vozes de mulheres, não presta loas à Gal/Elis/CássiaEller, não é hippie/bucólica, muito menos compõe pensando na novela. Pelo contrário, faz música eletrônica e está inserida num universo cosmopolita mesmo distante do eixão sudeste.

                 O álbum traz 10 canções, a maior parte composta pela dupla Karine Alexandrino e Dustan Gallas, que também assina toda a produção e edição do disco. Uma das melhores é o big beat “Loca pos ti”, que brinca com a fonética do sotaque cearense. 

               As três versões demonstram a versatilidade na escolha do repertório, do sucesso infantil “O elefante”, do Robertinho de Recife, passando pela ótima "Kiss kiss kiss", da Yoko Ono, até a balada italianíssima “Dio como ti amo”, grande momento do disco que não é um tributo a obra do Roberto Carlos.

                 É um trabalho essencialmente eletrônico, mas com rompantes orgânicos, como na balada "Tenho febre, mas vou buscar nosso dinheiro". É eletrônico, mas não avançou pelo trip hop ou flertou com o drum'n'bass, muito menos teve a pecha de lançar a nova onda, ainda assim garantiu à Karine Alexandrino o reconhecimento da crítica especializada, esta já um tanto embasbacada com a primeira pedrada, “Solteira producta”, de 2002. 

               Um ótimo álbum de uma cantora que pode ser definida a partir do que ela não é.

               Disponível no Youtube!

V.A. "Grooves from Rio" (Groove Estúdio, 1996)


            "Grooves from Rio" é uma coletânea que reuniu seis bandas/artistas do Rio de Janeiro em um CD lançado pelo Estúdio Groove - depois Groove Records. Boa parte da seleção privilegia artistas de Niterói e, pelo menos, dois nomes presentes na coletânea foram aproveitados pelo "mercado".
         
                 Quem abre esse disquinho com pouco mais de 20 minutos é o Falso Inglês com o charm 'informe se esse é o som". Na sequência o veterano guitarrista Cezar Nine (ex-Juliete e Finis Africae) mostra o suingue de violão de aço em "Velhos tempos".

               O Squaws, representante da Hemp Family, aparece com a música cartão de visita "Quem são vocês?". "Estilo do gueto" é primeira aparição do Black Alien solo num disco, que fecha com o Tornado, banda do incansável Gilber, o 'local hero' do rock de São Gonçalo.
               
              Boa parte da história de produção do álbum está no livro "Brodagens: Gilber T e as histórias do rap e do rock carioca", de Pedro de Luna, que aproveita a biografia do Gilber T (do Tornado) para contar boas histórias da cena carioca dos anos 90. 

          Dentre os causos relatados, há uma parte dedicada ao "Grooves from Rio", selecionamos o trecho no qual o dono da Estúdio Groove, Ronaldo Pereira, fala sobre a coletânea:
Em 1995, no Rio de Janeiro e arredores, estava desabrochando uma geração de bandas de rock com influência de black music e de rap. Mesmo que com um som mais para o rock, as levadas e melodias estavam pontuavam a música com balanço: Planet Hemp, O Rappa, Squaws, Black Aline, etc. Sempre gostei de coletâneas que apresentam uma cena musical específica, sem radicalismos (...) eu queria mostrar para a imprensa e as gravadoras as novidades em primeira mão. Deu certo, pois o Squaws foi contratado pela Universal através dela. Também a faixa do Black Alien, a primeira que saiu em um CD, quase fez assinar com outra gravadora na época. Aproveitei e coloquei duas bandas minhas, o Falso Inglês e o Papparazi, que na formação contava com o Kassin no baixo. Pena que não teve o volume 2 do "Grooves from Rio".
                                                                                                                      (Ronaldo Pereira)

         Quer ouvir? Tá no Youtube!