quarta-feira, 16 de março de 2016

Suínos Tesudos (Plug/BMG, 1996)


             Sabe aquela banda que tem um nome divertido/interessante e um disco com uma ótima capa, mas que você sabe que não vale nada mesmo sem precisar ouvi-la? Lhe (re)apresento o Suínos Tesudos!

            É um disco do rock dos anos 90, criado na busca incessante de reinvenção que levou o rock nacional as amálgamas mais variadas com outros gêneros e ritmos, que deram resultados geniais, sem dúvida, mas que também resultaram em produtos pouco amadurecidos e musicalmente burros.


Showbizz, ed. 134, setembro de 1996
             O caso do Suínos Tesudos é ainda mais crônico, pois a amálgama não fica definida em nenhum momento, sobra referências de fora, realmente o Metallica influenciou um monte de merda por aí. “Jesus era rastafari” não tem graça nenhuma, não chega nem a ofender o velho mito judeu. A produção é boa, tem riff de guitarra pra caralho, se fosse um disco instrumental até que seria um bom disco. Mas as letras... 

           Ah, as letras  são horríveis. Nenhuma consegue salvar esse engodo musical lançado pela segunda encarnação do selo Plug, vinculado à gravadora BMG, que pôs no mercado pelo menos meia dúzia de ótimos discos, mas desperdiçou o investimento no único disco do Suínos Tesudos.

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The Concept "Reconstruction" (Volume 1, 2011)

       
                  “Reconstruction” é um single de retomada do The Concept, uma das mais frequentes bandas do indie rock da Rua Augusta durante a metade intermediária da primeira década do novo milênio.

                     Além da canção que deu origem ao single, o britpop “Reconstruction”, o disco traz como bônus a ótima “Truth telegram”, e mais ouras duas canções. É fácil de captar que o Teenage Fanclub fez a cabeça dos rapazes, não é a toa que a banda se chama The Concept, nome de um dos maiores hits da banda de Glasgow.

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terça-feira, 15 de março de 2016

Dinho Ouro Preto (Rockit!, 1995)


                Na metade dos anos 90 Dinho Ouro-Preto vivia uma fase de ostracismo involuntário. Egresso do Capital Inicial, que ainda se mantinha em atividade com outro vocalista, Dinho tentava seguir fazendo música.

                   No ano anterior ao lançamento de seu primeiro disco solo, Dinho tinha colocado no mercado seu primeiro trabalho após a saída do Capital Inicial, o Vertigo. Banda que trazia na formação o baixista Mingau (ex-365 e RDP) e o guitarrista Kuaker (ex-Yo-Ho Delic), que seguiriam com Dinho na primeira empreitada que levaria apenas o nome do vocalista. O álbum do Vertigo não tirou Dinho da condição de esquecido do rock nacional dos anos 80, o disco passou despercebido e mesmo quem ouviu, não gostou.

Showbizz, ed. 127, fevereiro de 1996
            Para o disco seguinte, que receberia apenas o nome Dinho Ouro Preto, a estratégia foi outra. O que havia de rock no Vertigo foi substituído pelas possibilidades da música eletrônica, imposição criativa da produção esperta de Mitar Subotic, o Suba (1961-1999), que substituiu a função do produtor Dado Villa-Lobos, aqui reduzido a mecenas.

             E se o disco tem algum mérito, ele está na produção do Suba, que tirou dos músicos aquilo que não lhes era qualidade, a economia. “Irresistível” abre o disco e serve como exemplo dessa economia, não há explosão, refrão ou algo que grude nos ouvidos. Têm a economia de timbres e uma percussão repetida entrecortada ao silêncio e às camadas etéreas criadas por Suba. A mesma fórmula foi usada em “Ela morde”. 
                 
            Os maneirismos vocais que deram personalidade (irritante) à voz principal quase desapareceram por completo, ótima economia! “Marcianos invadem a terra” surge pela primeira vez em disco, a velha canção de Renato Russo, da fase Trovador Solitário, seria buscada na raspa de tacho “Uma outra Estação”, póstumo da Legião Urbana de 1997. “Castles made of sand”, de Jimi Hendrix, é parcialmente assassinada, não fosse o bom solo de guitarra no final.

            O segundo disco do Dinho Ouro Preto fora do Capital Inicial não alavancou a carreira solo do ex-sex symbol, agora ofuscado por outro Dinho, mais jovem, menos viciado, igualmente patético. Ouro Preto só conseguiria retornar ao holofote público no final dos 90’s, de novo à frente do Capital Inicial, num daqueles casos de ressurgimento das cinzas que não se vê todo dia.

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Autoramas "¡Mucho gusto, Autoramas!” (Scatter Records, 2007)


              Os primeiros anos do Autoramas estão representados na coletânea “¡Mucho gusto, Autoramas!”, que compilou 17 canções dos três primeiros discos da banda. Os três que trouxeram a formação (quase) original do trio garage rock nacional, que contava então com Simone (baixo) e Bacalhau (bateria), além do homem por trás do Autoramas, o inquieto Gabriel Thomaz.

               A seleção das músicas, por conta do Gabriel, privilegiou as canções do primeiro disco, “Stress, depressão e síndrome do Pânico” (Astronauta Discos, 2000) e do terceiro álbum, tido como o melhor da trilogia inicial, o “Nada pode parar os Autoramas” (Monstro Discos, 2003).

            Não faltam os primeiros hits, as provocativas “Fale mal de mim”, “Ex-amigo” e “Carinha triste”, e “Rei da implicância”, um sucesso do terceiro álbum. Além de três músicas instrumentais, “Souvenir” (versão para OMD), “Jogos olímpicos” e “Multiball”. 

               Dois dos melhores momentos do disco menos incensado, “Vida real” (Astronauta, 2001), também estão representados aqui, nas ótimas “História da vida de cada um” e “Paciência”.

            “¡Mucho gusto, Autoramas!” foi lançado em CD somente no mercado argentino, através da Scatter Records. O encarte traz comentários sobre todas as canções, escritos em espanhol por Gabriel Thomaz, além de todas as letras. A foto da banda traz a formação da época em que o disco foi lançado, com a baixista Selma Vieira, mesmo que ela não tenha tocado em nenhum dos discos dos quais foram pinçadas estas músicas.

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sábado, 12 de março de 2016

brincando de deus "Better when you love (me)" (Self Records, 1995)


             “Better when you love (me)” é o primeiro disco do  brincando de deus (assim com minúsculas mesmo), uma das principais guitar bands nacionais dos anos 90 e um patrimônio do rock baiano até os dias de hoje.
   
fanzine/catálogo do brincando de deus
              Fundada em 1992, a banda soteropolitana apoiava seu som no lado soturno do Joy Division e nas possibilidades melódicas do Velvet Underground para construir arranjos que contrastavam o ruído das guitarras com as harmonias dos vocais quase sussurrados. 

           Traz momentos gloriosos, como em “My butterfly dived in wine”, “So strange” (que ganhou videoclipe), “De profundis” e “Christmas falls on a Sunday”. As duas últimas também presentes na demo tape que antecedeu a estreia do brincando de deus em disco.

               “Better when you love (me)” foi lançado pelo selo do vocalista Messias Bandeira, a Self Records, que também funcionou como loja de discos em Salvador/BA durante um pedaço da década de 90. 

            O álbum recebeu um fanzine de divulgação (que pode ser conferido na foto ao lado). Trata-se de um trabalho bem distribuído e que solidificou o nome do quarteto no cenário underground da época. 

             O projeto gráfico não traz imagens do brincando de deus, e sim uma foto nefelibata de fundo, a mesma que foi reproduzida, em parte, no compacto lançado pela banda em 1997. Na capa de acrílico do estojo do CD aparecem serigrafados o nome da banda e do disco.

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quinta-feira, 10 de março de 2016

The Krents "Unção do inferno - live" (Independente, 2013)


            O segundo disco do The Krents flagra ao vivo a banda da segunda geração do psychobilly brasileiro e pouco lembra o Krents do primeiro disco, com exceção à presença do vocalista e fundador Luiz Teddy. Aqui os Krents estão mais nervosos, maldosos e sacanas do que antes. O som aparece mais vigoroso, rápido e sujo e a gravação ao vivo dá mostras de que aquele evento foi um puta lazer. O que uma edição de áudio não é capaz de fazer!

            São 13 canções de psychobilly com tudo o que você pode esperar das músicas desse gênero. Letras sobre álcool, sadismo, assassinatos em série juntas ao som rápido com raízes no punk rock, surf music, rockabilly e blues.

            Traz uma versão em português para “Strychnine”, do Sonics, e uma visita para a ‘namoradinha’ do Kães Vadius, além das próprias e divertidas “Suicida” e “Vovó Candonga”. Em 36 minutos o culto acaba. Tempo suficiente para os gritos do pastor do inferno Luiz Teddy te converter à horda psycho Krent!

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terça-feira, 8 de março de 2016

Chronic Missing "Sonic_tide" (Solaris Discos, 2006)


              Incrustados na extremidade setentrional do país, o trio Chronic Missing pouco frequentou o seleto grupo das guitar bands nacionais mais conhecidas dos anos 90. Uma injustiça com o trio de Natal/RN. Contudo, se o Chronic Missing não chegou a ser nome conhecido no cenário independente das regiões que ditam regras, no seu lugar de origem a banda ainda é tratada como a melhor banda do seu estilo.

               “Sonic_tide” reúne dois EPs do Chronic Missing gravados em 1998 e 1999. “About loveless” e “Away” demonstraram a capacidade da banda em compor canções barulhentas, mas com um senso de composição quase pop, com refrão e partes definidas. A produção escorrega um pouco, principalmente na bateria repetitiva, por isso o melhor resultado da etérea “Around me”. Entretanto, a voz doce de Chris Pimenta salva qualquer vacilo de estúdio.

               O segundo momento do disco traz o EP “Away”, melhor resolvido do que “About loveless”, ao mesmo tempo em que também é mais abrangente em referências, como no dreampop de “How everything’s going wrong” e “Oceanaway”, e no powerpop à Camper Van Beethoven de “Every old sunday”.

                Os EPs reunidos em “Sonic_tide” foram lançados pela Solaris Discos, um dos principais selos independentes da região nordeste, capitaneado por Alexandre Alves, guitarrista e produtor do Chronic Missing e posteriormente mentor do The Automatics.

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domingo, 6 de março de 2016

The Maybees (Polythene Pam, 1998)


               O ruído de uma agulha riscando o sulco de um disco de vinil marca os primeiros segundos do primeiro álbum do Maybees. A referência retrô, um tanto precoce para 1998, se encaixava na proposta sonora do quinteto de São Paulo.

             O álbum sem título traz o Maybees em busca de sons dos anos 60, canções bubblegum (“Chatting room”), baladas de filme jovem na sessão da tarde (“Mary & Moon”), indie rock 90’s (“Misty eyes”), powepop (“Scream queen”, “Bubble in my blood”)) e pop radiofônico (“You’re back”). 

             Não foi à toa a comparação (involuntária) do primeiro disso do Maybees com um possível revival de Jovem Guarda no underground brasileiro. Havia um senso de composição bastante aguçado entre o quinteto, a capacidade de compor boas canções pop se mostrou inegável logo no primeiro disco, como em “Hey Great!”. 

              O Maybees se destacou num cenário underground em que cantar em inglês não era empecilho e assim chegaram ainda melhores ao segundo disco, o derradeiro com o nome Maybees. Logo as letras ganharam versos em português e a excelência pop, camuflada sob o idioma de Morris Albert, passou a assinar com o nome (provisório) Supertrumfo, e depois Ludov.

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