segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

V.A. "São Paulo e a Lua" (Lua Discos, 2004)


                    Em 2004 a cidade de São Paulo completou 450 anos e de presente ganhou dois discos com reinterpretações de músicas importantes que cantam a maior cidade brasileira. Os álbuns “Sim São Paulo” (Unimar) e “São Paulo e Lua”. Este, além de comemorar o aniversário de São Paulo, também reuniu o elenco da gravadora Lua Discos que completara cinco anos de atividade.

                    Trata-se de um álbum bem conduzido e abrangente, abre com a veterana, e voz pouco solicitada na última década, Angela Maria, e traz revelações então limitadas ao cenário alternativo, como Josias Damasceno, Juliana Amaral & Renato Martins Lupa Mabuze.

                   O repertório escolhido passa de forma reverente pelas odes mais populares à terra da garoa. O bonde baiano/tropicalista, tão bem recebido pela capital paulista, ressurge nas vozes de Rebeca Matta (“Augusta, Angélica e Consolação”), Nancyta & Os Grazzers (“Pânico em SP”), Moisés Santana (São São Paulo”) e Rodhanna (“Punk da periferia”).

Revista Zero, edição 03            

      
    Como não poderia faltar, Adoniran Barbosa, que deveria receber uma homenagem conjunta à cidade que mais o inspirou, é revisitado em “Saudosa maloca”, agora um reggae na voz de Maurício Pereira, outro paulistano ilustre; “Trem das onze”, no drum’n’bass de Josias Damasceno, e “Samba do Arnesto”, com Moacyr Luz, que também cuidou do arranjo de “Ronda”, uma das mais belas músicas a locar as ruas do túmulo do samba, na voz do Jards Macalé, não menos do que o melhor momento do disco.


            
                  Rita Lee está representada na voz de Isabêh com o hit melancólico “Lá vou eu”. A poética “Sampa”, do Caetano Veloso, recebeu a delicadeza da voz de Virgínia Rosa. O lado menos cosmopolita de São Paulo está representado nas belas homenagens caipiras de “Lampião de gás”, com Guilherme de Brito, e “Saudosa garoa”, com Filó Machado.

              
                Sobre esta última, vale lembrar que a composição do santista Passoca também frequenta o rol dos clássicos da Vanguarda Paulista. Do “movimento” Vanguarda Paulista foi pinçada “São Paulo, São Paulo”, a homenagem 'singing in the rain/kitsch' do Premeditando o Breque, aqui na voz do “dono do boteco”, Thomas Roth, que além de chefe da Lua Discos também idealizou esse disquinho da hora, meu.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

V.A "Musikaos" (Revista Trip, ed. 81, 2000)


               O Musikaos foi revolucionário. Exibido pela TV Cultura entre 2000 e 2004, o programa, apresentado pelo ex-VJ da MTV Brasil Gastão Moreira, cumpriu um papel importante por levar à TV aberta bandas que batalhavam espaços no underground, artistas consagrados da música brasileira e até mesmo nomes internacionais, que de passagem pelo Brasil, também deram as caras no programa. Contudo, o Musikaos não era só música, mas também artes plásticas, poesia e o que mais coubesse no palco do histórico Sesc Pompeia.

                  O primeiro ano do Musikaos está representado, em parte, nessa coletânea encartada na edição 81 da Revista Trip. O disco traz 10 nomes que passaram pelo programa em fonogramas retirados dos discos oficiais das bandas. O CD funciona como uma “rádio Musikaos”, com três blocos de músicas antecedidos pela locução do Gastão.

                   O primeiro bloco de canções traz os então novatos Sheik Tosado e Autoramas. E fecha com o veterano Inocentes, banda do produtor musical do Musikaos, Clemente Nascimento.

                   O segundo bloco segue a mesma lógica, duas bandas relativamente novas, Oito e Mopho, e o veterano Violeta de Outono. O álbum fecha com o Astromato, Devotos, Olivia, que entrou de última hora no CD, e o mestre Itamar Assumpção.

              O Musikaos foi importantíssimo para aquele período, nos moldes do que aconteceu com o programa Fábrica do Som, também exibido pela TV Cultura, nos anos 80. Quem acompanhou dificilmente ficou incólume àquilo, alguma coisa estava acontecendo (sempre está) e o Musikaos foi a melhor janela para saber o que rolava. No Youtube tem vários vídeos doo programa, inclusive no canal Disco Furado. Confira lá... e pau na máquina!

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Spots "Victoria" (Holiday Records, 1998)


                Esse trio de Araras/SP batalhou no underground durante a segunda metade dos anos 90, gravou muitas demo tapes, fez shows em outros estados, frequentou fanzines da época e chegou ao primeiro disco completo, “Nice price” (Ordinary Recordings, 2000), antes de pendurar os instrumentos.

            “Victoria” antecipou o primeiro disco do Spots. Trata-se de um EP com apenas três canções de inspiração indie rock, melodiosas e um tanto sujas. pretensamente desleixadas, mas com boa execução.

         O disco foi lançado pela Holiday Records, selo de Americana/SP que botou no formato CD boa parte das bandas do interior de São Paulo que buscavam espaços com suas cassetes debaixo do braço.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Medialunas "Intropologia" (Transfusão Noise Records, 2012)


              O underground brasileiro é primoroso em revelar boas bandas de inspiração shoegaze/guitar e o duo de Porto Alegre/RS Medialunas entra fácil no rol das principais bandas nacionais do estilo surgidas nos últimos dez anos.

               As guitarras aqui são fortes, altas e distorcidas a ponto de preencherem todos os espaços. Por vezes estas também trocam figurinhas com referências sonoras além do guitar/shoegaze, como nos riffs pesados da linda abertura, “Arboles de navidad”, próximos do metal alternativo, e no arranjo torto de “Cheese, chester and onion”.

           “Humming” traz melodias encantadoras e um solo noise que ao vivo deixaria qualquer um com as orelhas em pé e os ouvidos zunindo por dias. “Memorabilia” pesca inspiração explicita em “Soon”, do My Bloody Valentine.

               As letras se alternam entre inglês, português e espanhol, este um idioma novo para o guitar nacional que tem o inglês como idioma pátrio. Todas as músicas são da dupla Liege Milk (Loomer) e Andrio Maquenzi (Superguidis), que também revezam os vocais.

               O lançamento ficou por conta da junção dos selos Transfusão Noise, Punch Drunk, Bataclava, Rajada Records e do braço fonográfico do Coletivo Fora do Eixo. Se você gosta do estilo, ouça com atenção, pois esse pode se tornar o seu disco preferido!

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Musa Junkie "Soul do tempo antigo" (Solaris Discos, 2002)


                Musa Junkie é uma das formações veteranas do rock de João Pessoa/PB; Começaram como um duo em 1990 sob o nome de Musa Junkie Suicida. No final daquela década, já como trio e com o nome abreviado apenas para Musa Junkie, registraram a demo tape "Boemia" com cinco canções que davam uma mostra do passeio sonoro do trio, entre o rock nacional com cara de anos 80, e o punk rock melódico com doses de surf music.

                 "Soul do tempo antigo" é o segundo registro do Musa Junkie. Um EP de quase 20 minutos divididos entre oito canções próprias, traz momentos mais pop, "W3 Sul" e "Cruella de Vil", e algumas mais próximas do punk, "Gramoxone" e a ótima surf instrumental sem título que fecha o disco e que também está presente na demo tape "Boemia", de 1998.

                Esse EP lançado pelo selo Solaris Discos, de Natal/RN, foi o último lançamento do Musa Junkie antes do hiato que só seria rompido no final da década seguinte.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Dago Red "Spleen" (Independente, 1999)


           
          Uma banda que tira seu nome de um livro do John Fante merece sempre ser ouvida!

        Dago Red, a banda, surgiu em 1992 em Fortaleza/CE com a intenção de fazer um som calcado no lado mais pop do punk rock, de Ramones e Buzzcocks, e nas bandas dos anos 80 que colocaram o idioma de Oscar Wilde no dial pop das FMs, tais como The Smiths e Pixies. Gravaram demo tapes, editaram fanzine e chegaram ao primeiro disco completo no final dos 90's.

         "Spleen" traz 15 canções curtas que se alternam entre ótimos momentos energéticos, "All lovers must die", "Playing" e "Today", com outros em que o violão conduz a melodia, "Tidal wave" e "Marianne, Teddy bears and flies".

       O álbum foi antecedido por uma demo tape de mesmo título, que trouxe quatro canções das boas canções de "Spleen". O projeto gráfico é do Weaver Lima, fanzineiro, editor do Seres Urbanos, e figura conhecida da cena rock de Fortaleza. O disco não circulou muito além da região nordeste, uma pena, mas sempre podemos tirar esse atraso!

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Luisa Mandou um Beijo (Midsummer Madness, 2005)


                   Formada em 1999 como um projeto do guitarrista Fernando Paiva, o/a Luisa Mandou um Beijo registrou uma demo e ao longo dos anos seguintes ganhou forma de banda com a entrada de novos integrantes.

                 A capa acima ilustra o primeiro disco do septeto carioca, um álbum notadamente influenciado por Bossa Nova e Indie Rock. Já na abertura, "Amarelinha", as referências se mostram claras, como nas citações ao Corcovado e ao jogo riscado no chão do playground do condomínio. 

                 É um tipo de som de apartamento, com muita doçura e coisas fofas, como ratifica o trompete e a voz melodiosa de Flávia Muniz, ainda bem que eles esqueceram de gravar o som das palmas. Tudo muito forjado, romântico, na busca de criar paisagens visuais banais, "Com um pote de geleia de morango nas mãos". O disco ajuda ao não se prolongar tanto além dos 30 minutos, se você conseguiu passar da versão de "Carinhoso" (Pixinguinha/João de Barro), parabéns!

               As músicas são bem conduzidas e nos momentos mais acelerados,"Julia", mostram alguma vida. "Anselmo" homenageia o ator/diretor Anselmo Duarte, com direito à inserção de um diálogo retirado de cultuado "Deus e o Diabo na Terra do Sol", do Glauber Rocha.

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sábado, 13 de fevereiro de 2016

V.A. "Psychorrendo" (Living Dead Records, 1997)

          
                  “Psychorrendo” é a primeira de coletânea de bandas psychobilly nacionais lançada em CD. O disco traz seis bandas, três de São Paulo e três do Paraná, cada uma com quatro canções. Apresentou uma parte da segunda geração do psychobilly brasileiro.

                   O  abre com a maior referência do psychobilly nacional, os pioneiros Kães Vadius, presentes na primeira coletânea nacional de psychobilly, “Devil Party” (Devil Discos, 1989).Três músicas do Kães terminam em "fade out", será que essas canções foram "mutiladas"?   

                 Das bandas da segunda geração, o destaque é o psycho-punk’a’billy do Ovos Presley, com as divertidas “Defuntos também sabem dançar” e “Ruas inundadas”, bastante influenciados pelo Kães Vadius.

Showbizz, edição 144, julho de 1997
               O Mongolords, bastante ativos naqueles idos de 1997, temperam o psychobilly com outros gêneros, como o ska em “Skafajeste” e punk rock. O Krápulas fez aqui um psychobilly clássico, tradicional e muito bom. O Krents era uma banda bem recente em 1997, mesmo ano em gravaram seu primeiro disco, contém o clássico "Adorável vagabunda"! E o Maniac Rockers é a única banda da coletânea com letras em inglês.

             Lançado pelo selo Living Dead, vinculado ao Mongolords, “Psychorrendo” teve shows de lançamento e distribuição da Devil Discos. Até a virada do milênio a coletânea ainda podia ser encontrada com facilidade, hoje é artigo disputado, principalmente no meio da ‘saicarada’.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cidadão Instigado "O Ciclo da Dê.Cadência" (Instituto, 2002)


                    O primeiro álbum completo do Cidadão Instigado é quase um disco conceitual, repleto de informação, musicalmente variado. É progressivo e psicodélico. Popular e erudito, mas uma erudição descentralizada, quase sertaneja, retirante, como gosta de apontar as análises feitas pela crítica musical das composições de Fernando Catatau, o homem por trás do Cidadão Instigado.

               As músicas funcionam como trilhas para as letras de Catatau, que criam metáforas para chegar direto ao ponto. Retratam o rito de passagem que marcou a difícil instalação da banda na região sudeste, algo tentado sem sucesso ainda na primeira metade dos anos 90.

                   “O ciclo da Dê.Cadência” é dividido em cinco partes de suítes longas, para além do 10 minutos, como na parte II, o baião progressivo “O caboré e o presidente”. Outros ótimos momentos estão no psico-bolero “Minha imagem roubada” e na pinkfloydiana “Vento é dinheiro enquanto não sai por detrás e entra venta adentro”.

                 Lançado em CD pelo selo Instituto, o primeiro disco completo do Cidadão Instigado foi bem recebido pela crítica especializada e frequentou as listas dos melhores discos de 2002. O projeto gráfico idealizado e conduzido por Catatau traz as letras escritas à mão e demonstra sintonia imagética com a forma com que as músicas estão ordenadas. É um trabalho difícil, daqueles que desafiam o ouvinte, merece ser ouvido com atenção. Altamente recomendável!

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

V.A. "The Sexual Life of the Savages" (Soul Jazz Records, 2005)


                      O título dessa compilação foi retirado de um verso do hit “Nosso louco amor”, da Gang 90 & As Absurdettes. ‘A vida sexual dos selvagens’ também é o nome do raro livro escrito pelo vocalista da Gang 90, Julio Barroso (1953-1984), pouco antes do estouro nacional de sua banda, pioneira ao arrebentar as portas dos anos 80 para o rock nacional que tomaria grande parte da produção musical brasileira ao longo daquela década.

                20 anos depois o casal Bruno Verner e Eliete Mejorado, que na Inglaterra formam o duo eletrônico Tetine, se voltaram ao post-punk paulistano com a intenção de preparar um especial sobre as Mercenárias para o programa Slum Dunk Radio, que apresentavam na Resonance FM. 

            A seleção das músicas chamou a atenção do selo inglês Soul Jazz e o resultado capturou 18 canções de 12 formações paulistas bastante conhecidas do underground daqueles anos.

           É um disco de sub-hits, alguns até chegaram a frequentar a programação das rádios, como “Rock europeu” do Fellini, “Ilha urbana” do Muzak e “Sobre as pernas” do Akira S & As Garotas que Erraram.

              A maioria das canções foram retiradas dos álbuns oficiais, muitas vezes os únicos discos completos das bandas, lançados de forma independente através de selos fundamentais para o período, como a Baratos Afins e a Wop Bop. Somente quatro formações tiveram seus fonogramas lançados por grandes gravadoras, a Gang 90, Nau, Gueto e a Patife Band.

             “The sexual life of the savages” abre com o post-punk cru da Mercenárias, “Inimigo” e “Pânico”. Segue com o funk branco do Akira S & As Garotas que Erraram, “Eu dirijo o carro bomba” e "Sobre as pernas", esta com a participação da trompa de Holger Czukay, do Can, referência cara àquelas bandas, principalmente das que traziam influências kraut e kingcrimsonianas.

               O Fellini também entrou com duas canções, “Rock europeu” e “Zum zum zazoeira”, assim como o post-punk-trip-hop do Chance, “Striptease de Madame X” e “Samba do morro”, e a Patife Band, com as sensacionais “Poema em linha reta”, poema de Fernando Pessoa musicado em compassos inéditos até mesmo para a abrangência rítmica do post-punk, e “Teu bem”, o hit do disco “Corredor polonês” (WEA, 1987).

                 Da estreia da Gang 90 foi pinçada uma canção sombria da banda mais new wave do rock paulistano, não por acaso “Jack Kerouac” traz muitas referências das fontes em que bebeu o post-punk brasileiro. Do Gueto veio “Borboleta psicodélica”, canção carregada de groove e que impulsionou o primeiro disco da banda, “Estação primeira” (WEA, 1987). A Nau também trabalha com groove na ótima “Madame oráculo”, revelou uma das melhores vocalistas daquela geração, Vange Leonel (1963-2014).

                “Tão perto” do Cabine C parece saída de algum single da Factory, trata-se de outro bom momento do post-punk paulistano e que marcou o final de um ciclo, lá por 1987/88 aquele post-punk sorumbático já estava praticamente morto no underground, seu lugar de origem. O Smack, banda do Pamps (1953-2015) e de outras figuras frequentes na cena, participou com duas canções retiradas do primeiro e clássico disco do quarteto, o “Ao vivo no Mosh”, (Baratos Afins, 1985). A última banda da coletânea é o Harry, de Santos/SP, banda pioneira na fusão de sintetizadores com o rock, apresentou uma faceta do post-punk menos privilegiada no compilado.

              “The Sexual Life of the Savages” foi lançado em CD e LP, um trabalho de esmero raro se comparado com a forma com que essas bandas e o seu cenário são tratados por aqui. Traz um encarte de 16 páginas com fotos e textos (em inglês) com uma boa descrição do período na capital paulista e das produções musicais, incluindo punk rock e Vanguarda Paulistana. Ouça!

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Low Key Hackers "Trick or treat 2.0" (89 Records, 1997)


                   Low Key Hackers é um projeto/banda de um dos produtores mais requisitados pelas bandas independentes brasileiras da primeira metade dos anos 90, o guitarrista e programador RH Jackson.

              "Trick oor treat 2.0" é o primeiro disco da banda, um álbum essencialmente eletrônico, com flertes com partes orgânicas pesadas e densas, bem próximas daquilo que se convencionou chamar de Industrial, o que pode ser observado na canção que dá nome ao álbum.
   
             Conceitualmente, o álbum estava vinculado com as produções de música eletrônica do mundo, ainda que menos calibrado tecnologicamente. Uma busca futurista que apontava futuros atrasados para o rock de vanguarda no Brasil.

               “Nós na contra mão” apresenta a parte mais orgânica do disco. "LoKy" traz ruídos numa base no wave desconstruída. A percussão étnica de Teo Ponciano, um dos fundados do LKH, dá as caras em “Emotionless”, com a guitarra de RH Jackson navalhando notas em movimento, um equilíbrio entre a música orgânica e a eletrônica do disco. “Idiot” beira à EBM.

             O álbum teve duas edições. A primeira tiragem de 1000 cópias se esgotou rapidamente. Foi relançado pelo selo da rádio paulistana 89 FM, experiência fonográfica de curta duração. Apesar da boa distribuição, a cargo da Paradoxx, o Low Key Hackers passou quase despercebido e a nova tiragem de 7000 discos encalhou no mercado.

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