terça-feira, 15 de março de 2016

Dinho Ouro Preto (Rockit!, 1995)


                Na metade dos anos 90 Dinho Ouro-Preto vivia uma fase de ostracismo involuntário. Egresso do Capital Inicial, que ainda se mantinha em atividade com outro vocalista, Dinho tentava seguir fazendo música.

                   No ano anterior ao lançamento de seu primeiro disco solo, Dinho tinha colocado no mercado seu primeiro trabalho após a saída do Capital Inicial, o Vertigo. Banda que trazia na formação o baixista Mingau (ex-365 e RDP) e o guitarrista Kuaker (ex-Yo-Ho Delic), que seguiriam com Dinho na primeira empreitada que levaria apenas o nome do vocalista. O álbum do Vertigo não tirou Dinho da condição de esquecido do rock nacional dos anos 80, o disco passou despercebido e mesmo quem ouviu, não gostou.

Showbizz, ed. 127, fevereiro de 1996
            Para o disco seguinte, que receberia apenas o nome Dinho Ouro Preto, a estratégia foi outra. O que havia de rock no Vertigo foi substituído pelas possibilidades da música eletrônica, imposição criativa da produção esperta de Mitar Subotic, o Suba (1961-1999), que substituiu a função do produtor Dado Villa-Lobos, aqui reduzido a mecenas.

             E se o disco tem algum mérito, ele está na produção do Suba, que tirou dos músicos aquilo que não lhes era qualidade, a economia. “Irresistível” abre o disco e serve como exemplo dessa economia, não há explosão, refrão ou algo que grude nos ouvidos. Têm a economia de timbres e uma percussão repetida entrecortada ao silêncio e às camadas etéreas criadas por Suba. A mesma fórmula foi usada em “Ela morde”. 
                 
            Os maneirismos vocais que deram personalidade (irritante) à voz principal quase desapareceram por completo, ótima economia! “Marcianos invadem a terra” surge pela primeira vez em disco, a velha canção de Renato Russo, da fase Trovador Solitário, seria buscada na raspa de tacho “Uma outra Estação”, póstumo da Legião Urbana de 1997. “Castles made of sand”, de Jimi Hendrix, é parcialmente assassinada, não fosse o bom solo de guitarra no final.

            O segundo disco do Dinho Ouro Preto fora do Capital Inicial não alavancou a carreira solo do ex-sex symbol, agora ofuscado por outro Dinho, mais jovem, menos viciado, igualmente patético. Ouro Preto só conseguiria retornar ao holofote público no final dos 90’s, de novo à frente do Capital Inicial, num daqueles casos de ressurgimento das cinzas que não se vê todo dia.

            Quer ouvir? Download aqui!

Um comentário:

  1. Cara. esse disco e aquele do Vertigo são bem legais. Não sei o que diabos acontece com o Dinho quando vai gravar com o Capital :/

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