quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

V.A. "The Sexual Life of the Savages" (Soul Jazz Records, 2005)


                      O título dessa compilação foi retirado de um verso do hit “Nosso louco amor”, da Gang 90 & As Absurdettes. ‘A vida sexual dos selvagens’ também é o nome do raro livro escrito pelo vocalista da Gang 90, Julio Barroso (1953-1984), pouco antes do estouro nacional de sua banda, pioneira ao arrebentar as portas dos anos 80 para o rock nacional que tomaria grande parte da produção musical brasileira ao longo daquela década.

                20 anos depois o casal Bruno Verner e Eliete Mejorado, que na Inglaterra formam o duo eletrônico Tetine, se voltaram ao post-punk paulistano com a intenção de preparar um especial sobre as Mercenárias para o programa Slum Dunk Radio, que apresentavam na Resonance FM. 

            A seleção das músicas chamou a atenção do selo inglês Soul Jazz e o resultado capturou 18 canções de 12 formações paulistas bastante conhecidas do underground daqueles anos.

           É um disco de sub-hits, alguns até chegaram a frequentar a programação das rádios, como “Rock europeu” do Fellini, “Ilha urbana” do Muzak e “Sobre as pernas” do Akira S & As Garotas que Erraram.

              A maioria das canções foram retiradas dos álbuns oficiais, muitas vezes os únicos discos completos das bandas, lançados de forma independente através de selos fundamentais para o período, como a Baratos Afins e a Wop Bop. Somente quatro formações tiveram seus fonogramas lançados por grandes gravadoras, a Gang 90, Nau, Gueto e a Patife Band.

             “The sexual life of the savages” abre com o post-punk cru da Mercenárias, “Inimigo” e “Pânico”. Segue com o funk branco do Akira S & As Garotas que Erraram, “Eu dirijo o carro bomba” e "Sobre as pernas", esta com a participação da trompa de Holger Czukay, do Can, referência cara àquelas bandas, principalmente das que traziam influências kraut e kingcrimsonianas.

               O Fellini também entrou com duas canções, “Rock europeu” e “Zum zum zazoeira”, assim como o post-punk-trip-hop do Chance, “Striptease de Madame X” e “Samba do morro”, e a Patife Band, com as sensacionais “Poema em linha reta”, poema de Fernando Pessoa musicado em compassos inéditos até mesmo para a abrangência rítmica do post-punk, e “Teu bem”, o hit do disco “Corredor polonês” (WEA, 1987).

                 Da estreia da Gang 90 foi pinçada uma canção sombria da banda mais new wave do rock paulistano, não por acaso “Jack Kerouac” traz muitas referências das fontes em que bebeu o post-punk brasileiro. Do Gueto veio “Borboleta psicodélica”, canção carregada de groove e que impulsionou o primeiro disco da banda, “Estação primeira” (WEA, 1987). A Nau também trabalha com groove na ótima “Madame oráculo”, revelou uma das melhores vocalistas daquela geração, Vange Leonel (1963-2014).

                “Tão perto” do Cabine C parece saída de algum single da Factory, trata-se de outro bom momento do post-punk paulistano e que marcou o final de um ciclo, lá por 1987/88 aquele post-punk sorumbático já estava praticamente morto no underground, seu lugar de origem. O Smack, banda do Pamps (1953-2015) e de outras figuras frequentes na cena, participou com duas canções retiradas do primeiro e clássico disco do quarteto, o “Ao vivo no Mosh”, (Baratos Afins, 1985). A última banda da coletânea é o Harry, de Santos/SP, banda pioneira na fusão de sintetizadores com o rock, apresentou uma faceta do post-punk menos privilegiada no compilado.

              “The Sexual Life of the Savages” foi lançado em CD e LP, um trabalho de esmero raro se comparado com a forma com que essas bandas e o seu cenário são tratados por aqui. Traz um encarte de 16 páginas com fotos e textos (em inglês) com uma boa descrição do período na capital paulista e das produções musicais, incluindo punk rock e Vanguarda Paulistana. Ouça!

             Quer ouvir? Download aqui!
             Também disponível no Youtube!

2 comentários:

  1. Eu Tõ ouvindo muito essa essa fase do rock nacional desde o ano passado. Vou até organizar um post sobre isso no meu (futuro) blog. Consegui Fellini e Harry em vinil e vi que a qualidade do trabalho é sensacional. Parabéns pelo post. Essa coletânea é foda.

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