quarta-feira, 22 de junho de 2016

Repolho "Vol. 1" (Grenal Records, 1997)


                  Depois de três demo-tapes que colocaram o Repolho no mapa do underground brasileiro os anos 90 e apresentaram o rock de colono para além dos limites curtos do oeste catarinense, eis que o Repolho chegou ao primeiro disco.

Showbizz, ed. 152, março de 1998
              Um disco de rock, mas que não se prende às marcas de estilo. Passeia por referências geograficamente próximas, tais como DeFalla, Graforreia Xilarmônica e Teixerinha, nominalmente citados da hilariante “Guadalarrara”, mas se mostra aberto para outras interferências, principalmente quando estas se encaixam nas características de quem se encontra no elo entre a permanência da tradição rural e a insistente contemporaneidade urbana de interior, da qual ‘rock de colono’ consegue ser uma tradução bastante humorada.

              O samba torto “A fossa nova do astronauta” faz citação “incidental” ao hit “Papel machê”, do João Bosco, tente não rir ao desvendar a adaptação da vocalização original. O rap “Chapecó” presta tributo pouco elogioso à cidade natal do Repolho, enquanto “Funke tchuca” traz linguagem localizada de alto teor alcoólico. O álbum traz mais outras ótimas canções, como "Bunitinho", "Lasanha", "Tiquitita duque mellow]" e o reggae "Uêra uê"

               “Vol. 1” foi lançado apenas em CD pelo selo Grenal Records, propriedade fonográfica independente com apenas dois discos no catálogo, capitaneada pelo produtor do disco, Marcelo Birck, produção dividida com Thomas Dreher.

                 Uma produção não convencional, na qual a fidelidade de timbres e execução perde espaço em meio a colagens, ruídos de fundos e possibilidades de virar arranjos pelo avesso. Uma constante troca entre elementos kitsch e cult que no final dão num disco muito divertido.

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terça-feira, 21 de junho de 2016

Pin Ups "Jodie Foster" (Devil Discos, 1995)


                 O quarto disco do Pin Ups - incluindo o projeto acústico Gash - A mellow project by Pin Ups - é marcado por uma série de rupturas e continuidades. 

               As rupturas se deram na formação e na sonoridade. "Jodie Foster" é o último álbum que contou com a participação de dois membros originais, o vocalista Luís Gustavo e o baterista Marquinhos (aka Marco Butcher). O som aqui deixa de ser o noise/guitar/shoegaze, que marcou a primeira fase barulhenta da banda, e passa para sons mais melodiosos, com um pé fincado no estilo de bandas do underground norte-americano.

Bizz, ed. 120, julho de 1995
                  Das continuidades, o álbum abriu caminho para que o Pin Ups entrasse numa nova fase, agora com a baixista Alê assumindo o microfone em todas as músicas. também é o primeiro disco que leva como título o nome de algum ator conhecido do cinema internacional, a mesma tática seria usada nos dois álbuns seguintes.

                  É um ótimo disco, ainda que divida opiniões entre os próprios membros da banda, com atesta a entrevista publicada no livro "Rcknrll", de Yury Hermuche, lançado em 2015. Traz canções que figuram entre os melhores momentos do repertório do Pin Ups, como "Feel do strange" e "Sell out". Além de "Witkin", um hit do disco, que também ganhou vídeo-clipe, levado pela voz da Alê.

                   "In a hole" é o único cover presente no álbum, original do Jesus and Mary Chain. No final do disco, um bônus track apresenta uma sessão de Pin Ups em formato acústico, com um jeito bastante próximo do que a banda soaria nos anos seguintes.

                  "Jodie Foster" foi o segundo e derradeiro trabalho da banda lançado pelo selo Devil Discos. A capa pavorosa (que balinha desfocada é essa?) é obra do Rafael Lain, que também assinou as capas dos álbuns seguintes. O disco teve boa repercussão e a mídia especializada foi bastante elogiosa ao quarteto.

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terça-feira, 7 de junho de 2016

Adão Dãxalebaradã "Escolástica" (Ambulante Discos, 2003)


               No filme "Cidade de Deus" uma cena apresenta um guia espiritual batizando Dadinho com seu novo nome, Zé Pequeno. Essa é a cena mais conhecida de Adão dos Santos Tiago (1955-2004), mas Adão teve muitas outras atividades além de ator de poucas cenas. 
              De passagens pelo tráfico às atividades sociais, da prisão ao pacifismo, com espaço para a música e composição. Conta-se mais de quinhentas canções compostas por Adão, poucas gravações, sendo que algumas estão registradas somente em vídeo, como as presentes no documentário "Adão ou Somos Todos Filhos da Terra", de 1998.

                  Outra parte das músicas, primeiramente acompanhadas somente pela voz e o atabaque de Adão, está no álbum "Escolástica", lançado pouco antes da morte de Adão Dãxalebaradã, nome de origem iorubá que significa "princípio, meio e fim". Trata-se de uma produção esmerada de Antonio Pinto, que ficara cativado quando visitou o barraco de Adão no Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro. Um ponto de encontro entre o Brasil e a África.

                 A África é um tema recorrente e a musicalidade do álbum também transita pelos sons do velho continente, com passagens pelo rap, reggae e outros arranjos com harmonias suaves e por vezes melancólicas, incluindo até a sertaneja "Vida curta". 
     
                  "Armas & paz" abre o disco com mensagem pacifista e anti-bélica, o que gerou uma "antipatia" com traficantes da comunidade de Adão, a divisão rítmica da métrica aponta para os raps próprios do funk carioca, mas música foge das batidas convencionais do funk carioca ao oferecer um recheio rico de programações eletrônicas, guitarras limpas e mixagem dub, o que aparece em boa parte do disco.

              A sequência, "África", carrega um pouco do banzo e olha com saudade e tristeza para as origens negras. O reggae "Computador" traz mensagem solidária aos marginalizados, personagens caros aos versos de Adão, tais como proletariados explorados, favelados, negros e crianças de rua, personificados também na letra que dá título ao único disco de Dãxalebaradã, "Escolástica".

                  O material do álbum foi reunido em sessões separadas, numa delas Adão gravou as vozes em estúdio. O produtor Antonio Pinto se encarregou de montar a banda de Adão a partir das gravações das vozes, um trabalho que levou bastante tempo, mas que teve colaborações importantes, como Rappin' Hood, em "Deus é um negrão", e Céu, em "Xirê", por exemplo. Além das 11 canções, o CD traz mais dois remixes, "Vida curta", por DJ Periférico, e "Armas & paz", com o DJ Camilo Rocha e DJ Yah!


                 O disco é como uma pesquisa etnográfica-social. Apresenta valores culturais afro-brasileiros, como a Umbanda e Candomblé, presentes também na pesquisa de timbres, sons e na inserção por gêneros negros e mundiais da música.

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Rock do Curdistão "O melhor e o pior do Rock do Curdistão" (2MG, 2001)


                 Quem vê a capa cima, estranha, com dois pequenos fantasmas, um tocando guitarra e outro segurando um bebê, sob a fotografia de uma paisagem árida de algum lugar do Oriente Médio, não desconfia que dentro da embalagem de acrílico se encontra um dos discos mais complexos e fortes do rock brasileiro produzido fora dos grandes esquemas.

                   “O melhor e o pior do Rock do Curdistão” é o único álbum da banda de Marcos Andrada, projeto criado no final dos anos 90 para dar vazão às músicas que Marcos compôs após o fim do Vultos, banda paulistana que lançou o LP “Filme da alma”, pela Baratos Afins, em 1989, e participou do segundo volume da coletânea “Não São Paulo”, de 1987.

                 No Rock do Curdistão, Marcos Andrada se colocou na condição de cidadão curdo do rock no Brasil, relegado ao ostracismo de seu próprio quarto, à falta de reconhecimento e à desilusão de ter batalhado na música, mas sem maiores êxitos públicos.

                 Com mais de uma hora de duração, espalhado em 15 temas de autoria própria, o álbum mostra vários tipos de composições, barulhos, efeitos psicodélicos e o uso do estúdio como laboratório para compor, característica que dá em algumas canções lo-fi. As músicas soam diferentes entre si, tal como se fossem compostas por várias bandas, todas existentes dentro da mente de seu idealizador. 

                   O idioma se alterna entre inglês e português e a gravação volta e meia esbarra em algum erro de execução, porém, nada que incomode um ouvido atento à pedra preciosa em estado bruto que é "O melhor e o pior do Rock do Curdistão". 

                 O lançamento teve boa repercussão, principalmente após a participação do Rock do Curdistão no programa Musikaos, da TV Cultura, em 2001, na qual o desempenho de “Rock de Front”, “Tears of na actress” e “Porsche de James Dead”, mostraram força e tensão capaz de serem captadas até por quem assistia a banda pela TV.

                 Parte da história de Marcos Andrada está brevemente registrada no documentário “Incógnito”, de 2016, dirigido por André Pagnossim e Otávio Bertolo, no qual pode-se perceber o quanto os sonhos proporcionados pelo amor à musica são capazes de colocar alguém em outra órbita.

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

V.A. "Banguela Hits - O último dente" (Warner, 1995)


                     Em 1993/94, depois da “derrocada” do rock brasileiro dos anos 80 e do estouro da Axé Music, Lambada e outras modas, havia muita banda nova de rock no Brasil, que em nada emulavam o rock que se popularizou na década anterior. 

                       Festivais independentes (Juntatribo, BHRIF, BIG e National Garage) e gravadoras independentes (Tinitus, Radical, Rockit!, dentre outras) davam conta de divulgar o novo cenário do rock brasileiro e fomentavam uma cena que começou a acreditar na vida além underground. As revistas especializadas em música apostavam nas novas bandas e o Banguela surgiu com esta proposta, lançar parte do bom material espalhado pelo Brasil. 

                Logo no primeiro lançamento do selo, em 1994, o homônimo disco do Raimundos, banda e selo se deram bem. O álbum (lançado nos formatos LP, CD e K7) em pouco tempo vendeu 100 mil cópias e alavancou as produções do selo. Ainda no ano de 1994 o Banguela lançou também os primeiros registros do mundo livre s/a e Little Quail & The Mad Birds.

                          Não é necessário afirmar que nenhum dos outros lançamentos foi páreo de vendagem em comparação ao “Raimundos”, entretanto, isso envolve outros fatores, tais como, divulgação, distribuição, aparição em TV, rádio e outras mídias, além da aceitação do gosto popular.
Revista Rock Press, edição 01

                      O Banguela lançou ótimos registros, mas não trabalhava os mesmos depois de lançados, com exceção do disco do Raimundos, todos os outros ficaram apenas em sua tiragem inicial de 3 mil cópias, saíram de catálogo em pouco tempo. Sem vendagens expressivas o selo encerrou atividades no seu segundo ano de vida.

                     "Banguela Hits - O último dente" saiu depois que o Banguela fechou as portas. A coletânea foi uma iniciativa da Warner, que distribuía os discos do selo, que organizou uma seleção com sete bandas que deixaram seus primeiros álbuns completos dentro do catálogo do Banguela. Cada banda foi contemplada com três músicas, com exceção à Graforreia Xilamônica que entrou aqui apenas com duas canções. É um bom trabalho, mas não conseguiu dar conta da abrangência de sons e estilos que o selo publicou. 

                      O Banguela saiu de catálogo para entrar pra história. Ganhou documentário em 2015, o “Sem dentes”, e hoje tem seus discos reavaliados dentro da importância musical dos 90’s.

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sábado, 28 de maio de 2016

Arthur Franquini "A guide to suicide - EP" (2004)


                  A foto acima não se trata da capa do disco perdido do Arthur Franquini, e sim da lista das músicas do EP "A guide to suicide", o álbum que sucedeu o segundo disco do Arthur Franquini, que também está "perdido", ou melhor, não disponível.

               "A guide to suicide" foi gravado cerca de um ano antes da morte do Arthur, em 2005. Produzido por Eduardo Ramos num esquema lo-fi, apenas voz e violão. O disco traz oito das últimas gravações de Arthur deixou, incluindo duas versões, "Excuse me while I break own heart tonight", do balada alt-country do Whiskeytown, e  "Too loose", do D Generation, a única canção com produção 'encorpada', na qual foram adicionados ruídos, efeitos no vocal e programação de bateria.

           O álbum não chegou a ser lançado em nenhum formato, exceto mp3. Por um tempo ficou disponível para download no site Trama Virtual, mas após a morte do Arthur o EP foi retirado do ar.
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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ação Direta "Risotto Bombs live in Slovenja" (Bombardeio, 2000)


                 O quinto disco do Ação Direta comemorou os 15 anos de vida do quarteto de hardcore de São Bernardo do Campo/SP. Trata-se de um disco gravado ao vivo num squat, o Koper, na Eslovênia, uma das rotas dos 22 shows que o Ação Direta fez em sua turnê europeia de 1999.
   
                  O disco é cru e flagra bem a sessão daquela noite no leste europeu, a gravação do show está fidelizada no CD que não recebeu nenhum tratamento posterior no áudio. São 29 sons em mais de uma hora, em velocidade sônica, de hardcores com influências de grind, crust, metal e punk rock. Os melhores momentos são os que trazem as músicas do excelente álbum anterior, “Entre a bênção e o caos” (Pecúlio Discos, 1997), como “Miséria: mercado alvo”, “A vida sem arte”, “Por qual razão” e “Deuses, dogmas e a violência”.

              O título do disco, “Risotto bombs”, se relaciona com os pacotes de risoto recebidos como cachê e que serviram como alimentação diária durante boa parte dos shows pela Europa.

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Pavilhão 9 "Cadeia nacional" (Paradoxx, 1997)


                O quarto disco do Pavilhão 9 também é o álbum mais representativo comercialmente da discografia da banda. Se antes o P9 estava restrito à periferia paulistana, com “Cadeia nacional” o, então, septeto alcançou ouvidos por todo o Brasil, aqui com uma formação nova e produtores integrados com a produção de um disco de rap com  banda, a cargo do Edu K e Beto Machado.

                         “Cadeia nacional” dá nome também à faixa de abertura, uma vinheta editada por Edu K com scratches do DJ Branco, por sinal o que não falta ao álbum do P9 são os scratches muito bem aproveitados em meio à cozinha experiente de Marinho (baixo) e Thunder (bateria). Em seguida surge um dos hits do disco, “Mandando bronca”, que trouxe os irmãos Igor e Max Cavalera juntos, inclusive no clipe, pouco antes da cisão no Sepultura. As batidas fortes de alfaia em "Bem bolado" fazem parte da homenagem ao Chico Science, morto pouco antes do P9 entrar em estúdio para registrar o álbum. 

Showbizz, edição 147, outubro de 1997
                      Outras pedradas do disco também derrubaram a porta da grande mídia, como “Cada um cada dois” - com participação de Marcelo D2 -, “Otários fardados” e "Opalão preto", que recebeu dois bônus mix no final do CD. Naquele momento da segunda metade dos 90’s era surpreendente ligar a TV e ouvir sons tão provocadores, até mesmo na TV aberta. O juiz Siro Darlan ficava louco com a cena!

             "Cadeia nacional" vendeu bem e a molecada gostou no novo som do P9. O trabalho seguinte, “Se deus vier que venha armado” (Paradoxx, 1999), continuou tenso, mas aí a poeira já tinha baixado.

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Harry "Vessel's town" (Stiletto, 1990)


                           O Harry chegou aos anos 90 numa condição razoavelmente boa para uma banda que desde 1985 buscava espaços na música brasileira sem ter absolutamente nenhuma referência em música feita no Brasil. Por sinal o Harry sempre esteve na contramão de qualquer linha evolutiva da música nacional.
Bizz, ed. 72, julho de 1991

                   Em 1990 o Harry era nome conhecido no underground, tinha seus admiradores, uma boa quantidade de aparições na mídia e já tinha consolidado sua importância em disco com o álbum anterior, “Fairy tales” (Wop Bop, 1987).

                “Vessel’s town” tinha tudo para ser o trabalho definitivo do Harry, e possivelmente o seja, traz boas músicas e uma produção que fizeram o álbum soar grande, volumoso e denso. Algo sem parâmetros na música eletrônica feita no Brasil até então, da qual o Harry é um dos precursores – tá, antes tinha o Azul 29 e Agentss, mas o Harry é bem mais rock, e pesado, que seus pioneiros contemporâneos.

               Também era para ser o disco do Harry com a melhor distribuição e divulgação, por conta do contrato com o mítico selo Stiletto, uma da experiências fonográficas mais interessantes surgidas entre as décadas de 1980-90. Contudo, o selo fechou as portas abruptamente pouco tempo após o lançamento do terceiro disco do Harry, que logo se tornou o item mais obscuro da discografia do trio.

            “Vessel’s town” foi relançado dentro da caixa “Taxidermy: boxing Harry” (Fiberonline, 2005) que atualizou a discografia da banda santista, depois acrescida com o "Eletric fairy tales", de 2014. 

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Karine Alexandrino "Querem acabar comigo, Roberto" (Tratore, 2007)


              
             “Querem acabar comigo, Roberto” é o segundo disco da cantora Karine Alexandrino, uma das vozes femininas mais interessantes surgidas no novo milênio. 

                       Diferente de boa parte das cantoras da música brasileira, Karine Alexandrino não segue uma linha evolutiva das vozes de mulheres, não presta loas à Gal/Elis/CássiaEller, não é hippie/bucólica, muito menos compõe pensando na novela. Pelo contrário, faz música eletrônica e está inserida num universo cosmopolita mesmo distante do eixão sudeste.

                 O álbum traz 10 canções, a maior parte composta pela dupla Karine Alexandrino e Dustan Gallas, que também assina toda a produção e edição do disco. Uma das melhores é o big beat “Loca pos ti”, que brinca com a fonética do sotaque cearense. 

               As três versões demonstram a versatilidade na escolha do repertório, do sucesso infantil “O elefante”, do Robertinho de Recife, passando pela ótima "Kiss kiss kiss", da Yoko Ono, até a balada italianíssima “Dio como ti amo”, grande momento do disco que não é um tributo a obra do Roberto Carlos.

                 É um trabalho essencialmente eletrônico, mas com rompantes orgânicos, como na balada "Tenho febre, mas vou buscar nosso dinheiro". É eletrônico, mas não avançou pelo trip hop ou flertou com o drum'n'bass, muito menos teve a pecha de lançar a nova onda, ainda assim garantiu à Karine Alexandrino o reconhecimento da crítica especializada, esta já um tanto embasbacada com a primeira pedrada, “Solteira producta”, de 2002. 

               Um ótimo álbum de uma cantora que pode ser definida a partir do que ela não é.

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V.A. "Grooves from Rio" (Groove Estúdio, 1996)


            "Grooves from Rio" é uma coletânea que reuniu seis bandas/artistas do Rio de Janeiro em um CD lançado pelo Estúdio Groove - depois Groove Records. Boa parte da seleção privilegia artistas de Niterói e, pelo menos, dois nomes presentes na coletânea foram aproveitados pelo "mercado".
         
                 Quem abre esse disquinho com pouco mais de 20 minutos é o Falso Inglês com o charm 'informe se esse é o som". Na sequência o veterano guitarrista Cezar Nine (ex-Juliete e Finis Africae) mostra o suingue de violão de aço em "Velhos tempos".

               O Squaws, representante da Hemp Family, aparece com a música cartão de visita "Quem são vocês?". "Estilo do gueto" é primeira aparição do Black Alien solo num disco, que fecha com o Tornado, banda do incansável Gilber, o 'local hero' do rock de São Gonçalo.
               
              Boa parte da história de produção do álbum está no livro "Brodagens: Gilber T e as histórias do rap e do rock carioca", de Pedro de Luna, que aproveita a biografia do Gilber T (do Tornado) para contar boas histórias da cena carioca dos anos 90. 

          Dentre os causos relatados, há uma parte dedicada ao "Grooves from Rio", selecionamos o trecho no qual o dono da Estúdio Groove, Ronaldo Pereira, fala sobre a coletânea:
Em 1995, no Rio de Janeiro e arredores, estava desabrochando uma geração de bandas de rock com influência de black music e de rap. Mesmo que com um som mais para o rock, as levadas e melodias estavam pontuavam a música com balanço: Planet Hemp, O Rappa, Squaws, Black Aline, etc. Sempre gostei de coletâneas que apresentam uma cena musical específica, sem radicalismos (...) eu queria mostrar para a imprensa e as gravadoras as novidades em primeira mão. Deu certo, pois o Squaws foi contratado pela Universal através dela. Também a faixa do Black Alien, a primeira que saiu em um CD, quase fez assinar com outra gravadora na época. Aproveitei e coloquei duas bandas minhas, o Falso Inglês e o Papparazi, que na formação contava com o Kassin no baixo. Pena que não teve o volume 2 do "Grooves from Rio".
                                                                                                                      (Ronaldo Pereira)

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mechanics "Sex, rockets and filthy songs" (Monstro Discos, 1998)


               “Sex, rockets and filthy songs” é um compacto com cinco canções que tirou o Mechanics das gravações lançadas somente em cassete.
Rock Press, Ed.15, Agosto de 1998

                 O som é bem sujo, podrão, do tipo cuspa-cerveja-na-minha-cara, característica intrínseca de uma das bandas que mais agitavam os puteiros em Goiânia. Traz os hits “Sex misery machine” e “Satan's surf”. Em "Love and rockets" o Mechanics dá uma aliviada na sujeira e se aproxima do power pop.

                  O vinilzinho azul de projeto gráfico caprichado marcou o início das atividades da Monstro Discos, que poucos anos depois se transformaria em um dos principais selos independentes brasileiros, responsável por boa parte da movimentação independente do novo milênio.

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Dândi "Blackout" (Effeket Discos, 1993)


                   Dândi é o nome da banda de rock formada em Picos/PI ainda nos anos 80 e “Blackout” é seu primeiro disco.

                 Um LP curto com seis canções de autoria própria, sendo a faixa de abertura uma improvável versão em português para “Here comes your man”, do Pixies, transformada em “Veja aqui teu bem”. Vale pela curiosidade!

              A banda tem os pés fincados na tentativa de fazer um pop rock com alto teor radiofônico, como na balada “Sem você”. E mesmo quando enveredam por arranjos mais rápidos/distorcidos, ainda assim mantêm um sabor pop ingênuo, ouça o lado B do disco e comprove.

                De Picos o Dândi migrou para Teresina, deu um intervalo e voltou no final dos 90’s com novos planos. Migraram novamente, dessa vez para o Rio de Janeiro.

                Na capital carioca a banda batalhou para entrar no circuito de shows e conseguir um contrato para registrar seu primeiro disco completo, o CD "Através do espelho" produzido por Caros Trilha, lá também estava boa parte do repertório presente nesse “Blackout”.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Picassos Falsos "Novo mundo" (Psicotronica, 2004)


            16 anos depois de um fim abrupto, que acompanhou a onda de demissões de bandas contratadas por grandes gravadoras no final dos anos 80, o Picassos Falsos retornou do ponto onde parou.

             A formação também é a mesma que deixou dois ótimos primeiros álbuns, reforçada na química entre a alma de letrista da Lapa de Humberto Effe e a guitarra hendrixiana de Gustavo Corsi, aqui com os dotes também a serviço do cavaquinho.

Outracoisa, ed. 06, 2004
          Quem esperou por um Picassos Falsos voltado para os anos 80, com um quê de pós-punk, não deve ter se dado muito bem com as 12 canções de "Novo mundo", que tem uma sonoridade próxima do cultuado "Supercarioca", porém ainda mais carioca/brasileiro. 

             A sequência de "Presidente Vargas", "Rua do desequilíbrio" e "Zig Zag" dá uma mostra da diversidade sonora que o quarteto buscou, sendo que "Rua do desequilíbrio" é o melhor samba do disco, que também traz outro ótimo samba em "Pra deixar de ficar só".

         Ismael Silva, cujo samba "Se você jurar" havia aparecido incidentalmente no hit "Carne e osso" do primeiro disco, homônimo de 1987, volta numa releitura para "Me diga seu nome", única composição do disco que não é de autoria de Humberto Effe. Os rocks estão em "Eletricidade", no blues "O filme" e nas baladas "Novo mundo" e "Até onde for seguir".

         O álbum estreou o selo Psicotronica e botou o Picassos Falsos novamente na estrada, ainda que por pouco tempo. Um show do Tim Festival de 2004 consagrou a retomada, mas logo o quarteto voltaria ao ostracismo confortável que tão bem lhe recebe.

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domingo, 24 de abril de 2016

Killing Chainsaw "Slim fast formula" (Roadrunner, 1994)


               O segundo disco do Killing Chainsaw mostrou o outro lado do som do quarteto de Piracicaba/SP, alçado naqueles anos a condição de uma das principais e promissoras bandas do cenário independente nacional.

              Se no primeiro disco, homônimo de 1992, o Killing Chainsaw chamava a atenção do ouvinte ao promover um som sujo, de guitarras que gritavam aos ouvidos, em “Slim fast formula” surgem mais cadenciados. Menos sujos, pois melhor produzidos, desaceleraram seu som e trocaram o timbre outrora seco das guitarras por um som mais encorpado. Continuaram demonstrando capacidade de composição acima da média nacional, aqui com direito a ótimas passagens por outros terrenos, como nas homenagens ao Kiss, “Rocket ride”, e DeFalla, “Woke of Jo”. Outro repertório revisitado traz a gravação definitiva para o ‘hit’ do quarteto, a velha “Evisceration”.

Revista General, edição 08
             “Slim fast formula” foi gravado no estúdio Bebop, em São Paulo/SP, durante a Copa do Mundo de 1994 em meio à gravação de outros discos importante para a década de 90. Antes disso, o segundo disco do KC havia sido cogitado para inaugurar o selo Caffeine, do jornalista Marcel Plasse, no qual receberia o título de “Killing time”. O Caffeine lançou duas coletâneas importantes, os dois volumes da série “No Major Babes” – o segundo volume com o Killing Chainsaw. Logo o selo daria lugar a editora que publicou a revista Vírus, iniciativa editorial importante para o cenário independente que florescia naquela metade de anos 90.

               O disco mostrou uma banda madura, pronta até mesmo para o mercado gringo. A distribuição internacional da gravadora holandesa Roadrunner, que naquele ano juntou no mesmo pacote quatro bandas brasileiras (a saber: Sepultura,  “Refuse/Resist”, Ratos de Porão, “Just another crime...”, Garage Fuzz, “Relax on your favorite chair”, e “Slim fast formula”) para promover internacionalmente, fez o disco chegar a lojas de discos do mundo todo.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

The Ess "Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava" (GGG, 2005)


                Parece Madchester, mas é Curitiba. O The ESS se influenciou pelos sons ingleses que buscavam um sonoridade entre o rock e as possibilidades das batidas eletrônicas, coisa de quem ouviu Primal Scream, Charlatans e Leftfield nos anos entre as décadas de 80 e 90.

Gazeta do Povo, 18/02/2005
               O ESS surgiu em 1997 como um duo em meio à guitarras e bateria eletrônica, com o tempo o grupo foi pesquisando novas sonoridades e adicionando ingredientes e integrantes à proposta sonora, que sempre se manteve na busca de fazer rock + musica eletrônica de sequencers, programações de batidas e efeitos sintetizados.

               Gravaram um EP em 2001 e caíram no gosto de quem não nunca ouviu Novos Baianos. Em 2003 tocaram no Curitiba Pop Festival, abrindo para o excelente Rubin Steiner, e depois em outras capitais. Foram cogitados a lançar o primeiro disco pela Midsummer Madness, mas o projeto não vingou.

                Em 19 de fevereiro de 2005 o ESS, agora como quinteto, foi convidado para tocar e registrar um disco ao vivo dentro da primeira temporada do projeto A Grande Garagem que Grava. 

            O disco com cinco faixas abre climático na instrumental "Easy way" e segue num crescendo no qual detalhes são adicionados ao arranjo, que se torna cada vez mais preenchido, no meio traz o "hit" do ESS, "Rock is my soul".

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sábado, 9 de abril de 2016

V.A. "Flying music 4 flying people" (Cogumelo Records, 1996)


                Na metade dos anos 90 o lendário selo mineiro Cogumelo Records abriu o seu catálogo para outras vertentes do rock além do metal extremo. Essa iniciativa pôs no mercado CDs de bandas independentes em discos que podem ser considerados como os "alienígenas do catálogo da Cogumelo". "Flying music 4 flying people" é um exemplar desa leva.

              O álbum trouxe quatro bandas do underground brasileiro, todas identificadas com a parte mais melódica do hardcore, que poucos anos mais tarde seriam responsáveis por influenciar uma geração de bandas de hardcore na virada do milênio.

              "Flying music 4 flying people" abre com os curitibanos Pinheads, a cultuada banda de hardcore melódico que fazia um dos melhores shows do cenário underground da época. As oito canções curtas do Pinheads são as únicas do trio lançadas em CD. Hoje tidas como clássicas, ganharam aqui suas gravações definitivas.

             O Dread Full saiu do prolífico cenário de bandas de hardcore de Belo Horizonte/MG daqueles idos dos 90’s. Aqui a banda se dedica somente ao lado melódico do hardcore, depois o quinteto enveredaria pelo skacore para finalmente voltar ao hardcore praticado nos primeiros anos dessas seis músicas.

             O Primal Therapy veio de Santos/SP, cidade com outra cena forte de hardcore, e trouxe seis músicas bem construídas, com backing vocals caprichados e detalhes nos arranjos que mostram o esmero na produção das músicas. Todas muito boas.

               Quem fecha o disco é o Noisegrind, de Porto Alegre/RS, que não tem nada de Noise ou Grind no som, que na verdade é um hardcore rápido com forte influência de skate punk. Foi banda "menos conhecida dounderground" a entrar nesse 4-way split.

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

clonedt "O azul, o vermelho e o preto" (Independente, 2001)


                O clonedt atende pelo nome de uma única pessoa, o produtor curitibano Paulo de Tarso. “O azul, o vermelho e o preto” é seu terceiro disco completo, certamente seu trabalho de música eletrônica mais acessível.

             As cores citadas no título nomeiam as três partes em que o álbum se divide. A primeira, “o azul”, traz seis temas acessíveis aos ouvidos, na qual a produção eletrônica se encarrega dos efeitos e ruídos de fundo, enquanto a parte orgânica se ocupa de deixar tudo confortável.

            “O vermelho” é preenchido com cinco temas eletrônicos atmosféricos, menos orgânicos e com os efeitos em primeiro plano. Tal como uma ponte entre os momentos inicial e final do disco. 

                A derradeira suíte eletrônica, “o preto”, abre com o remix eletrônico/industrial do Chipset Zero para “QWERTY”, passa pela desconstrução digital de “Tempo perdido”, da Legião Urbana, quase irreconhecível e se encerra com três movimentos chamados “Álbum de família”, recortes editados da trilha sonora da peça homônima de Nelson Rodrigues, produzida pela Cia do Fogo e encenada em 1994.

              Lançado de forma independente, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, trata-se de um álbum difícil - com exceção à parte “azul” – recomendado para produtores iniciados e/ou fãs de música eletrônica, não exatamente dançante, mas que deve funcionar em público, quem sabe com as sinapses embaralhadas.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

Fellini "Amor louco" (Wop Bop, 1990)


                  O Fellini começou lançando sinais de sua passagem meteórica pela vida musical no underground brasileiro dos 80’s. Enganaram seus entusiastas com títulos de despedida e sobrevidas das quais nem os próprios integrantes pareciam acreditar.

                     Gravaram três discos pela Baratos Afins e logo conquistaram o título de banda cult do rock nacional, até porque não tinham pares em sua sonoridade, fruto de um amontoado de sons vindos do pós-punk/pré-new wave e com referências brasileiras das quais poucas bandas estavam interessadas naqueles idos.

                   Tudo isso, somado ao talento literário do compositor Cadão Volpato, ainda não torna capaz uma definição simples da música do Fellini, quem sabe no primeiro disco, o ótimo “O adeus de Fellini”, de 1985.

                 Entretanto, algo no Fellini era facilmente perceptível: o modo de produção caseiro, de baixa fidelidade, e o uso do porta-estúdio Tascam, também conhecido como o quinto Fellini, em 1985, promovido a terceiro, em 1986, e abandonado em 1989, ano em que foi gravado o “Amor louco”.

                   Lançado em 15 de fevereiro de 1990, o quarto disco do Fellini é tido como o melhor disco da banda. Diferente dos anteriores, o álbum não faz alusão à despedidas e trouxe a chancela de um novo selo, além da volta do guitarrista Jair Marcos e a presença de um produtor/engenheiro de som, o RH Jackson.
          “Comecei a produzir o disco colocando as bases e bolando uma certa estética acústica pro disco. O trabalho de estúdio se estendeu, provavelmente porque estávamos nos divertindo muito, mas eu tinha uma viagem marcada pra Índia. Então demos um tempo nas gravações, com eles só gravando o estritamente necessário. Um dia o Thomas Pappon me ligou em Dheli me intimando a voltar e acabar o disco. Quando voltei, achei as gravações muito boas e pra terminar foi rápido. Eles sabiam muito bem o que estavam fazendo” (RH Jackson)
               O repertório reuniu a melhor safra de canções do Fellini. Algumas testadas ao vivo antes de ganharem registro definitivo, caso de “Chico Buarque song”, repleta de sons de violões sob versos românticos, todos em inglês. Idioma que também traduz os três versos de “Love till’ the morning”, momento mais eletrônico/dançante do disco.
         “O “Amor louco” foi sucesso de crítica, mas não de vendas. Acho que o grande diferencial são as letras e, na época, um certo toque de Samba e Bossa Nova ainda era novidade” (Ricardo Salvagni)
Bizz, edição 58, maio de 1990
              A maioria das canções tem estrutura baseada em violões, baixo marcado e economia na programação de batidas eletrônicas. As letras de “Clepsidra” e “LSD” se relacionam com memórias do autor, característica do texto do Cadão Volpato, que parece transformar cada disco do Fellini em um álbum de fotografias.

             Também é o disco em que o quarteto mais se envolve com o Samba, ouça “Cidade irmã”, “Kandisky song” e “Samba das luzes”. “Cittá piu bella” é a mais densa, um blues carregado com refrão em italiano. Sim, volta e meia eles inseriam outro idioma no meio, mesmo valorizando o texto em português.
           “Tudo era tão intuitivamente mental que o espaço para o produtor permitia experimentações. Sou orgulhoso de ter participado desse álbum, um misto de sonoridade ‘Roquerural’ e Violent Femmes pra fazer “Bossa Nova” (risos). O desafio era manter o Fellini das gravações anteriores sem provocar alterações no conceito da banda. O “Amor louco” não deixava de ser Lo-Fi só era um pouco mais complexo, foi gravado pelos mesmos artistas, da mesma maneira, mas ali tinha um material apaixonante!” (RH Jackson)
A produção ocupou cinco meses de um estúdio de 16 canais, contabilizando mais de 100 horas de gravações. Algo inédito para uma banda que economizava tempo de produção e que raramente deixava sobras. A tiragem de mil LPs encomendada pela Wop Bop à RCA foi parcialmente atendida, pois rendeu 880 unidades do “Amor louco”, um risco que os selos independentes corriam ao encomendar prensagens às grandes gravadoras.
              “O Thomas Pappon tem carisma e poder de persuasão. Ele negociou com o meu sócio, o Antonio Albuquerque, o lançamento do disco pela Wop Bop. Nós não acompanhamos nada da produção do “Amor louco” e o que eu conhecia do Fellini eram aqueles discos (mal) gravados do selo do Luiz Calanca. Lembro-me de ter ficado impressionado quando soube que a gravação seria “digital”. Resultou em um álbum muito bom, provavelmente o melhor editado pelo selo, mas que merecia melhor sorte. Devia ter sido editado por uma gravadora "de verdade", não era o caso da Wop Bop.” (René Ferri)
Bizz, edição 65, dezembro de 1990
               

         O "Amor louco" teve excelente repercussão enquanto lançamento. Não gerou hit de rádio, muito menos alavancou a carreira da banda que já não tinha pretensões comerciais. Mas garantiu ao Fellini shows memoráveis, como aconteceu em Porto Alegre e no Brazilian Rock Night, ambos em 1990, no qual só puderam viajar para Nova Iorque apenas Cadão e Thomas (leia ao lado).
Em 2000 o disco voltou à ordem do dia remasterizado em CD, iniciativa de Alex Cecci (Estúdio YB e baterista com gosto pela surf music e swing jazz) e da RDS Fonográfica que reeditou quase todo o catálogo da Wop Bop. Dessa vez foram prensadas mil cópias, evaporadas rapidamente.
 
                 
         A edição do “Amor louco” em CD acompanhou seguiu a edição original em cassete e trouxe os bônus presentes na fita k7, “É o destino” e “Aeroporto”. A última foi retirada da derradeira aparição televisiva do Fellini, no Programa Livre. É essa edição que você pode conferir nos links abaixo:

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quarta-feira, 16 de março de 2016

Suínos Tesudos (Plug/BMG, 1996)


             Sabe aquela banda que tem um nome divertido/interessante e um disco com uma ótima capa, mas que você sabe que não vale nada mesmo sem precisar ouvi-la? Lhe (re)apresento o Suínos Tesudos!

            É um disco do rock dos anos 90, criado na busca incessante de reinvenção que levou o rock nacional as amálgamas mais variadas com outros gêneros e ritmos, que deram resultados geniais, sem dúvida, mas que também resultaram em produtos pouco amadurecidos e musicalmente burros.


Showbizz, ed. 134, setembro de 1996
             O caso do Suínos Tesudos é ainda mais crônico, pois a amálgama não fica definida em nenhum momento, sobra referências de fora, realmente o Metallica influenciou um monte de merda por aí. “Jesus era rastafari” não tem graça nenhuma, não chega nem a ofender o velho mito judeu. A produção é boa, tem riff de guitarra pra caralho, se fosse um disco instrumental até que seria um bom disco. Mas as letras... 

           Ah, as letras  são horríveis. Nenhuma consegue salvar esse engodo musical lançado pela segunda encarnação do selo Plug, vinculado à gravadora BMG, que pôs no mercado pelo menos meia dúzia de ótimos discos, mas desperdiçou o investimento no único disco do Suínos Tesudos.

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