domingo, 31 de maio de 2015

Itamar Assumpção "Ataulfo Alves: pra sempre agora" (Paradoxx, 1996)


               Em 1995 Itamar Assumpção (1949-2003) recebeu um convite para que escolhesse o repertório de algum compositor e que revistasse a obra do escolhido em disco. A resposta do Nego Dito foi rápida, queria revisitar as canções do Adoniran Barbosa. Porém, naquele mesmo momento o compositor Passoca, também ligado à vanguarda paulistana, mas com os olhos voltados pro interior, já havia escolhido o sambista italiano do Bixiga como repertório para disco.
                 
                   Itamar teve de mudar de ideia, mas não demorou para que outro compositor lhe viesse à mente, desta vez com o nome de Ataulfo Alves (1909-1969). O desafio estava lançado e Itamar começou a pesquisar o repertório do mineiro de Miraí/MG. Deste pescou 20 peixões, incluindo os clássicos "Atire a primeira pedra", "Laranja madura", "Bonde São Januário" e por aí vai... Itamar azeitou bem sua banda de velhos conhecidos, da Ísca de Polícia às Orquídeas do Brasil, e chamou poucos convidados, resumidos à dupla de violões Duofel e o violão de Jards Macalé.

                 
                 Se o desafio era revisitar 20 preciosidades de Ataulfo, Itamar resolveu aceitá-lo ao pé da letra e escolheu logo a preferida do sambista para abrir o disco. "Meus tempos de criança" começa na voz da gravação de Noite Ilustrada (1928-2003) sob um arranjo de chorinho, mas que poucos segundos depois cadencia a levada para um reggae do tipo Itamar. Ataulfo se surpreenderia, mas na verdade já estava tudo na própria obra do compositor, Itamar e sua perspicácia é que revolveram o arranjo sem perder a força poética da letra melancólica.  
                   
                 A primeira faixa deixou o desafio fácil para Itamar. Em "Saudades da Amélia", representação feminina cara, e rara, na música brasileira, retrato de um personagem quase real, Amélia era empregada da Aracy de Almeida. Nesta a voz do intérprete recebeu arranjo econômico do violão de Jards Macalé. Este volta em voz com "Laranja madura", acompanhado das garotas Vange Millet e Tata Fernandes. "Bom crioulo" remonta à Lei Áurea ao tratar o tema escravocrata basicamente com percussão e vozes femininas.

Showbizz, edição 127, fevereiro de 1996
              "Requebro da mulata" e "Mulata assanhada", ganharam arranjos belos arranjos de violão do Duofel. As cordas de aço inseriram melodia e deixaram que a imaginação do ouvinte encaixasse a percussão nos intervalos das notas. As novas pastorinhas, tão modernas quanto as que acompanharam a voz miúda de Ataulfo, agora dialogam com Itamar, injetam humor ao responder com provocação os anseios de um cortejador de morenas. Os violões iluminam um desfile de vozes.

              O endeusamento à morenas é um tema ocasional de Ataulfo, assim como a melancolia e o sofrimento. Em "Pois é" há abandono e ressentimento, contraponto com "Vai mesmo", que mostra o compositor resignado, o arranjo é outro assombro do álbum, imagine o dia em que a gafieira invadiu o Lira Paulistana. "Errei sim" tem a voz  de Virginia Rosa. Em seguida o erro assumido se divide com "Errei, erramos", sucesso na voz de Orlando Silva. Depois de uma hora de disco entra a versão de "Bonde São Januário", canção de exaltação ao trabalho, mais próxima dos anseios políticos do Estado Novo (1937-1945), quem sabe uma encomenda de Vargas ao compositor que viveu a glória de ser reconhecido com um grande sambista ainda em vida.

                
                  Itamar ocupou até o último segundo da duração suportável pela mídia digital e arrombou a porta do hall dos maiores intérpretes de Ataulfo, de uma vez só se igualou a Wilson Batista e Carlos Galhardo, como um dos mais frequentes vozes para as letras do sambista mineiro. O álbum foi bem recebido, mas merece sempre mais uma ouvida atenta, trata-se de uma pepita da obra de Itamar Assumpção. Quando chega ao fim só um pensamento me vem a mente, como será que ficaria se fosse o Adoniran? 

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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Thee Butchers' Orchestra "In glorious rock'n'roll" (Ordinary Recordings, 2002)



         Logo nos primeiros segundos da vinheta instrumental de abertura, "Overtune", o Thee Butchers' Orchestra (TBO) mostra que seu terceiro disco veio carregado de energia e rock'n'roll cru, sujo e pronto pra fazer chacoalhar a mais dura das cabeças.

         O álbum foi lançado num momento bastante favorável. O segundo disco, "Golden hits by TBO", ainda rendia audições quando o trio surgiu com um terceiro rebento, tão bom quando os dois primeiros, sendo que o primeirão mesmo, "Deluxe 2000", lançado em K7 e CDr, é considerado em trabalho demo.

Revista Zero, Edição 01, 2002
           Aqui o blues punk do TBO conquista o mais incauto ouvinte. "Darlene" é uma das melhores composições dos paulistanos, cheia de groove e gritos de Marco Butcher. "99" ganhou vídeo clipe pouco exibido, mas pode ser considerada um hit do disco, assim como "Break it up", um gospel infernal, e "Rock'n'roll medicine". Sim, no álbum há um culto ao lado mais sujo e sacana do rock'n'roll. O disco ainda traz boas versões para "Tonight" (MC5) e "Are you boy or a girl?" (Barbarians), hit garageiro britânico que tira um sarro dos homens de cabelos compridos.


               "In glorious rock'n'roll" teve produção de Dan Kroha (guitaarrista do Demolition Doll Rods) e lançamento pelo selo paulistano Ordinary Recordings, selo de K7s e CDs responsável pelos primeiros discos do TBO e de outras bandas de garage rock de São Paulo. O álbum teve boa repercussão e elevou o TBO ao posto de uma das principais bandas independentes da época.

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Los Sea Dux (Fishy Records, 1996)


                 A origem do Los Sea Dux remonta a 1993, quando foi criado o Sea Ducks, um trio que fazia um som entre a Surf Music e o Psychbilly e que estava sediado numa agência de artes gráficas, a Estação Manda. Os parcos ensaios e as muitas ideais fomentaram a participação de novos integrantes e um novo nome, agora o octeto Los Sea Dux. E entrada de dois sopros, dois vocalistas e percussionistas adicionou mais molho ao som da banda com vários pés espalhados entre funk, ska, jazz e outros ritmos.

                  O Los Sea Dux contava com 11 integrantes, em 1996, quando lançou seu único registro oficial, um compacto com três músicas divididas em menos de oito minutos. O disco abre com o "hit" da banda. "Funky UFO" é um funk em brasa, os metais comandam a levada dançante e os vocais servem como gritos de boa vinda aos aliens de cabelo Black Power. "Funky UFO" ganhou um divertido demo clipe bastante veiculado pela MTV Brasil. O Lado B traz as instrumentais "Red baboon vs the bird", "parceria" do Los Sea Dux com "Red Monkey" de Billy Childish, gravada pelo Miilkshakes, e "Martians go home", ambas com as antenas fincadas num swing jazz sci-fi.

                  O compacto transparente foi lançado pelo selo paulistano Fishy Records, num pacote que também incluiu o EP "Guts", do Pin Ups. O disco teve uma excelente aceitação, ainda que na época em que fora lançado não havia tanto interesse público por músicas embaladas no formato compacto de vinil. A arte do disquinho é muito caprichada e já valeria o investimento, a capa é de SQZ e o encarte de oito páginas traz várias ilustrações do MZK.

                  Após o lançamento do clipe e do compacto, a formação "big band" do Los Sea Dux deu vez a um formato reduzido e nova grafia. Agora o 3-Dux, com Avenal, Ricardo, Alex, MZK, se voltava a especialidade da surf music com doses quentes de swing jazz e latinidades.


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terça-feira, 12 de maio de 2015

Arthur de Faria e seu Conjunto "Meu conjunto tem concerto" (Barulhinho, 2002)


           O terceiro disco do gaúcho multimídia Arthur de Faria é o primeiro trabalho do compositor e sua banda gravado com a participação de uma orquestra, a Orquestra Unisinos, regida aqui por José Pedro Boéssio. É um trabalho erudito, mas com flertes com jazz, pop, tango, ritmos folclóricos e regionais, mais precisamente dos ritmos da bacia do Prata.

               O álbum começa com um tango e tem uma audição fácil até a chegada dos cinco temas que compõe a "Suíte com vista para o Prata", na qual a música de câmara ganha espaço, arranjos densos que se roteirizados dariam à boa trilha sonora. O disco se encerra com a "Água podrida", do compositor uruguaio Leo Masliah, que já havia sido visitado por Arthur de Faria no espetáculo "Um estranho senhor: Masliah".

              Gravado ao vivo entre 1999 e 2000, "Meu conjunto tem concerto" recebeu apoio da Prefeitura de Porto Alegre e chegou ao disco através do pequeno selo local Barulhinho, experiência fonográfica de curta duração, mas de discos caprichados. O projeto gráfico é bastante completo, traz muitas páginas e fotos, além de letras e ficha técnica detalhada.

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Fungos "Lapis-Lazúli" (Vinil Records, 1989)


                  O Fungos foi formado na capital paulista na segunda metade da década de 80. A ideia principal era fazer punk rock, assim como suas referências paulistanas de anos anteriores. A banda tocou em todos os buracos suburbanos da época e seus integrantes eram figurinhas fáceis em bares do centro velho. Tanto que bar e bebida são palavras que acompanharam o Fungos durante boa parte de sua existência, agora batendo na casa dos 30 anos entre idas e vindas, mudanças e de formação e poucos discos.

                   "Lápis Lazúli" foi o primeiro. Um álbum com 12 canções punks que volta e meia transitam pela new wave, como a abertura "Paixão de verão". Qualquer banda que tenha uma letra de amor já não é tão punk. Neste caso a sonoridade também pega uma carona tardia na new wave, assim como "Coleção de borboletas" e "Lapsus calami". O punk cabe ao Fungos mais à estética do que ao som. Não há momentos acelerados ou riffs sônicos, podia ate tocar no rádio.

                  O gravação é boa e é notável o cuidado com os arranjos, a produção a cargo de Redson e Roberto Oka teve cuidado com o volume dos instrumentos e com os trabalhos vocais, as músicas são cheias de backing vocals. Lançado apenas em LP pelo selo Vinil Records, "Lápis lazúli" foi um dos poucos discos do selo de Roberto Oka surgidos após a dissidência do selo que antes recebia o nome de Vinil Urbano e que contava com a sociedade de Rollando Castelo Junior, baterista da Patrulha do Espaço. O rótulo do LP traz o selo A.Indie, outra dissidência fonográfica independente, desta vez de Redson. A Indie é o nome do selo que Redson criou após o fim da parceria com a Ataque Frontal.

              O Fungos trabalhou bem este disco que era facilmente encontrado em shows punks e nas mãos dos integrantes do Fungos, sempre tentando empurrar "Lápis Lazúli" em alguém razoavelmente disposto a ser convencido.
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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Haroldo de Campos "Isto não é um livro de viagem: 16 fragmentos de Galáxias" (Editora 34, 1992)


             O livro "Galáxias" consumiu 13 anos até ser finalizado. Entre 1963 e 1976 o poeta, ensaísta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) se dedicou à obra, neste tempo também lançou fragmentos do livro, entre ensaios para revista Invenção e outras publicações.
             
          "Galáxias" foi publicado integralmente apenas em 1984. Tido como um livro denso e experimental, distante da poesia concreta que caracterizou os textos mais conhecidos de Haroldo de Campos, abria mão de parágrafos e pontuações para criar relatos de viagem, cósmica por vezes. Não se trata da obra mais conhecida de Haroldo, mas a que exerceu grande influência em outros autores, como no "Catatau", de Paulo Leminski e na obra de Caetano Veloso. Este nos anos 80 recriou "Circuladô de fulô", um dos fragmentos de "Galáxias" presente neste álbum sonoro "Isto não é um livro de viagem."


             No começo da década de 90 surgiu a oportunidade de trabalhar uma outra parte da obra, já guardada nos planos de Haroldo, transformar fragmentos dos poemas/prosa numa leitura interpretativa e rítmica, com a possibilidade de ser gravada em disco. Para esta empreitada Haroldo de Campos convidou o poeta e musico dedicado aos sons orientais Alberto Marsciicano (1952-2013) para introduzir e encerrar o disco.

          As longas pausas entre cada poema funcionam como as páginas em branco do  verso na edição de 1984, da editora Ex-Libris. Foram selecionados 16 fragmentos dos 50 "cantos galáticos" do livro nas quais Haroldo canta/conta os caminhos da viagem. Ora obscuros, ora completamente enegrecidos. O texto oralizado vira mantra e faz mais sentido quando acompanhado à cítara de Marsicano. A gravação recebeu assistência de Arnaldo Antunes e o CD veio encartado à reedição de "Galáxias" pela Editora 34.


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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Leptospirose "Invernada" (Läjä Records, 2005)


                O trio de Bragança Paulista Leptospirose foi formado em 2001 com a intenção de fazer hardcore. Contudo, as músicas do Leptospirose vão além do hardcore, sim, eles têm peso, velocidade e sujeira, mas também trazem tempos quebrados, compassos diferentes, variações rítmicas e estruturas musicais tão rápidas quanto complexas. Quase uma vanguarda do hardcore. Isso sem falar das letras, não queira encontrar algum sentido nelas. Numa metáfora rasteira, o Leptospirose está para o hardcore assim como a Patife Band estava para o punk rock nos anos 80.

             "Invernada" é o primeiro disco completo do trio, depois de demo tapes e CDr's. Um álbum curto que passa numa velocidade sônica, são 15 músicas distribuídas em apenas 15 minutos. Pode-se dividir o disco em duas partes. Até a canção "Ovo de páscoa" é a parte hardcore, com canções pendendo para o crust e grind. De "Só isso?" pra frente surgem as "baladas", que nada mais são do que músicas mais longas, com partes instrumentais mais cadenciadas e ao mesmo tempo experimentais, sem deixar o barulho de lado. Analisando "Invernada" como um todo, dá pra dizer que só tem uma canção hardcore propriamente dito, a autoexplicativa "HC".

              Lançado pelo selo capixaba Läjä Records, "Invernada" abriu caminho para que o Leptospirose se tornasse conhecido nacionalmente, levou a banda a galgar espaços no underground nacional e mostrar seu som hardcore com personalidade genuína, algo difícil de se encontrar nas bandas do gênero.

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Plêiade "FF" (Gramofone, 2008)


          A Plêiade é uma formação veterana de Curitiba/PR. Na verdade não chega a ser uma formação, pois a banda se resume a insistência de seu vocalista, Claudio Pimentel, que desde 1993 tenta reunir instrumentistas em torno de seu projeto.

            A banda já admitiu várias formações e antes de chegar a "FF" já trazia outros dois discos na bagagem, uma discografia bissexta que se seguiu mais frequente após o bom retorno que "FF" trouxe. O nome do disco vem da sigla de fast forward, como o símbolo na capa ao lado do nome da banda aponta. Também é o nome da canção de abertura, uma balada com do melhor tipo anos 80, com destaque para o trompete bem sacado cortando a melodia de violões.

           As letras são intimistas e influenciadas por poesia, cultura pop e letristas brasileiros, algo entre Renato Russo e Cadão Volpato. Algumas letras são melancólicas e bastante maduras, "Minh'alma", mas também admitem lapsos de canções adolescentes, "Soundcar", que tem citações de outras canções influentes à composição de Claudio Pimentel. e experimentos quase de todo instrumentais, "O incômodo espectador". A sonoridade calcada nos 80's, facilita ao ouvinte pescar ecos de Smiths, Prefab Sprout, The Cure, dentre outros.

          "FF" foi gravado em três estúdios diferentes, e teve participação de músicos conhecidos da cena curitibana, como Marcus "Coelio" Gusso e Igor Ribeiro, este quase um Plêiade em tempo integral. O projeto gráfico é bastante caprichado e tem um cuidado especial na diagramação das letras, tudo em duas cores, assim como a capa. O disco recebeu financiamento da Fundação cultural de Curitiba e de outros bares clássicos, como o James e Korova, palcos que sempre receberam a Plêiade.


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quarta-feira, 6 de maio de 2015

V.A. "Nervoso é a mãe!" (Holiday Records, 1998)


              Esta simpática coletânea reuniu alguns bons nomes do hardcore brasileiro da segunda metade dos anos 90. As gravações foram retirada de demo tapes, o que explica a disparidade da qualidade de som, uma forma bem comum para se fazer coletâneas naquela época.

                São 11 bandas, a maioria do estado de São Paulo, cada uma com duas canções e características próprias, ainda que dentro do punk/hardcore. O Djamblê flerta com o reggae/rapcore, enquanto o É! se apropria de efeitos e elementos eletrônicos, por sinal, o É! foi o "embrião" sonoro do Zé Maria, banda de Vitória/ES de música eletrônica orgânica. Aqui é É ocupa o maior tempo da coletânea, quase 15 minutos para desfilar duas canções, para uma coletânea de hardcore é tempo pra caramba. O Maguërbes soa encharcado de guitarras distorcidas e raivosas, fica até difícil de entender o que acontece em meio aos gritos. 

               Jason, Negative Control, Godzilla e Prole se destacam com um hardcore rápido, certeiro e de boas letras, justificam o titulo da coletânea. Outras bandas soam fracas, por ingenuidade, falta de ensaios ou personalidade, como o INP$ (ensaio), Atitude (personalidade) e o Nocautekoice (ingenuidade)

               Os veteranos do DFC encerram bem o disco com duas canções gravadas ao vivo e emendadas numa única faixa, "Coexistência do caos/Pau no cu do capitalismo em posições obscenas", títulos auto explicativos, não precisa dizer mais nada. 

               Lançado pelo selo Holiday Records, de Limeira/SP, o álbum tem um projeto gráfico bagunçado, mas bastante completo, com encarte cheio de páginas, todo ilustrado e colorido. A ilustração da capa é muito boa e divertida.


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Loop B "Midnight Mirage" (Cri du Chat Disques, 1992)



               Loop B é um veterano de experiências que aproximam a música eletrônica com percussão orgânica e "Midnight mirage" é seu primeiro disco. Um álbum essencialmente eletrônico, mas que aceita as interferências da percussão, aqui reprocessadas e diluídas, aproximando o som de Loop B daquilo que se convencionou chamar de Industrial.

             As 13 canções do álbum são carregadas de ruídos e repetições, a percussão metálica surge como instrumento de harmonia sob as bases eletrônicas. As letras em inglês, com tradução no encarte, acompanham as abstrações musicais e os samplers desconstruídos faz com que o ouvinte busque nas canções as vozes de Arrigo Barnabé, Caetano Veloso, Holger Czyukay (Can), a guitarra do Slash e gemidos retirados do filme "Garganta Profunda". Quando Loop B usa a própria voz é perceptível a falta pungência nas interpretações, entretanto as vozes não são o principal elemento sonoro de "Midnight mirage".

                "Midnight mirage" foi um dos primeiros discos do selo paulistano Cri du Chat Disques, especializado em trabalhos nacionais que misturavam música eletrônica e experimentos. Com este trabalho Loop B fez muitos shows e tocou em festivais importantes, como o JuntaTribo e o BHRIF, sempre aprimorando a sua performance, na qual realmente podia se presenciar a construção de um som industrial. Lançado apenas em LP, um trabalho que provavelmente não será reeditado.

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