quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cabeça "Na medida do impossível" (Groove Records, 1997)


                  O Cabeça foi uma das bandas mais queridas do underground carioca. Era a banda do baixista Fabio Kalunga, figura conhecida da turma que transitava entre o Garage e o Circo Voador, entre a hemp family e a galera do hardcore. 

                 Gravaram algumas demo-tapes bem divulgadas e seu som logo foi caracterizado como skate punk. Até aí tudo bem, realmente algumas letras versam sobre skate e outras tantas estavam próximas dos temas que incomodavam à literatura punk.

             Acontece que no disco as coisas não funcionaram muito bem, tanto que quase não há diferença entre “Na medida do impossível” e as demos que o Cabeça gravou anteriormente. 

                O problema está nas letras, muito fraquinhas, algumas ainda são capazes de corar o ouvinte mesmo vinte anos depois de gravadas, como “Não pode mais ficar parado”, “Propaganda”. Engraçado como eles sempre dão um jeito de colocar a palavra ‘cabeça’ no meio das letras, tem 'cabeça' até de trás pra frente.
Showbizz, edição 146, setembro de 1997

                 Por outro lado, a execução das músicas é boa e a produção crua de Ronaldo Pereira (dono da Groove Records e baterista do brasiliense oitentista Finis Africae) deixa arestas importantes para se construir um disco de skate punk, como os volumes altos, a pouca variação de timbres e o jeitão de gravação ao vivo. O que pega aos ouvidos está na inocência do conteúdo, algo que perseguiu o Cabeça por toda sua existência.

                  Quer ouvir? Download aqui!
                  Também disponível no Youtube!

Nenhum comentário:

Postar um comentário