quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Wado "O manifesto da arte periférica" (Dubas, 2001)


                O primeiro álbum solo do Wado, apelido de Oswaldo Schlickmann, foi uma das maiores surpresas que a música independente brasileira poderia dar para o início do século XXI.

              Apesar de catarinense, Wado é radicado em Maceió/AL, e sua construção musical não se localiza em nenhum lugar próprio, mas sabe-se que neste lugar incontido deve ter um belo mar que embala todas as composições, por vezes é possível ouvir um barulho do mar que não está em parte alguma do disco.

           As 11 músicas são curtas e em menos de meia hora você já pode reiniciar toda audição. É um passeio por um repertório de ouro. Fica até difícil destacar algumas canções, mas vale indicar “Alagou as”, que ganhou um vídeo clipe na época, e as quase vinhetas emendadas, a ótima “Feto” com a calmaria de “Diluidor”. 

            As boas letras não apelam para refrães fáceis, mesmo quando poderia se arriscar em formatos mais comerciais/acessíveis.  

           Tudo aqui é feito basicamente de samba e musica brasileira, mas tudo muito diluído. “Uma raiz, uma flor” é um dos poucos sambas do disco. O groove (sem samba) “Ontem eu sambei” tem um dos melhores refrães do disco e “A linha que cerca o mar” poderia tocar facilmente em qualquer rádio, como anunciou o CD que veio encartado na primeira edição da revista Frente e que pinçava esta canção primeiro pé na porta de Wado.

             Apesar da aparente calmaria, o álbum também é político. Uma questão de afirmação que está relacionada com a turma de Alagoas que então buscava seu espaço na música nacional. Também justificada no título.

            “Manifesto da arte periférica” foi lançado pelo selo Dubas Música e ganhou distribuição da Universal Music, o que não garantiu com que o disco fosse bem distribuído. 

              Saudado pela mídia especializada como um dos nomes promissores da MPB do novo século, Wado trilhou disco a disco seu caminho até ver sua música reconhecida pelo público.

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