sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cólera "Tente mudar o amanhã" (Ataque Frontal, 1985)


                  Depois de seis anos de atividade, participação nas três primeiras coletâneas de punk rock nacional – “Grito Suburbano”, “Começo do Fim do Mundo” e “Sub” – o Cólera estreou em disco com “Tente mudar o amanhã”. 

                Mesmo sendo uma das formações pioneiras do punk rock paulistano, e brasileiro, o Cólera foi uma das últimas a registrar um disco completo. E olha que não foi por falta de envolvimento com o “movimento” ou de conhecimento das possibilidades do D.I.Y. (Faça você mesmo) que o trio não só viveu como também gritou em sua poesia punk libertária e pacifista.

             O álbum abre com a catastroficamente profética “1.9.9.2.”, ainda sob o medo nuclear, assim como em “Duas ogivas”, sobre a usina de Angra dis Reis. Se volta contra as guerras na antimilitar “Marcha” e à exploração social em “Em você”.

                 Dedica ódio à cidade de São Paulo nas clássicas “São Paulo” e “C.D.M.P.”, sigla que quer dizer “Cidade dos meus pesadelos”, cujos versos esbanjam niilismo punk, “puta merda de lugar” e “sem futuro”, versos presentes nas duas canções respectivamente.

               Grande parte das músicas clama por ação, “Agir” e “Rasgando o ar”. Convida às ruas contra o fascismo em “Passeatas”, contra a miséria, “Sarjeta”, e contra a verticalização da justiça nacional em “Violar suas leis”.

              Musicalmente não há grandes diferenças entre as canções. O baixo às palhetadas em volume alto segue a melodia dos vocais, com refrões cantados em três vozes, que é a melodia que se esconde no efeito serra-elétrica da guitarra. A bateria de Pierre é quase que um esquema que se repete em todas as músicas, sibila pratos de versos cantados em coro, economiza nas viradas, mas parece sempre bastante segura.

Cartaz de show na Holanda, turnê de 1987
           “Tente mudar o amanhã” teve sua primeira edição em vinil lançada pelo selo Ataque Frontal, que até então mantinha parceria do Redson, que nos anos seguintes assumiria a produção de muitos discos lançados pelo selo. As edições seguintes do álbum ficaram por conta do selo Devil Discos, casa de outros tantos discos do trio paulistano após a cisão com a Ataque Frontal.

                O disco teve uma boa repercussão, mas o bicho pegou mesmo foi no segundo LP, “Pela paz em todo mundo”, de 1987, quando as vendas esgotaram tiragens e pavimentou a estrada para a lendária turnê europeia, realizada no mesmo ano.

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