quarta-feira, 16 de setembro de 2015

V.A. "O som do sul 2" (Independente, 1989)


            O segundo volume dessa coletânea de bandas do Rio Grande do Sul, organizada pelo jornalista Bibo Nunes, traz 11 bandas de Porto alegre, muitas com características em comum, principalmente no tocante à polidez e ao atraso. Em pleno 1989 ainda tinha banda tentando o sucesso naquela velha fórmula que deu notoriedade ao rock brasileiro dos anos 80.
         Quase todas se parecem com aquelas bandas de um hit só, o suficiente para frequentar a frequência das rádios por um curto tempo e angariar algum contrato efêmero. O necessário para viver o sonho de estrela do rock.

              Nenhuma destas 11 bandas teve êxito além da participação na coletânea, e é bem possível que muitas tenham registrado canção apenas nesse segundo volume de “O som do sul”.
              Tem as bandas pop que funcionam bem apesar de completamente datadas, como o Logos, “Veste o verde”; o 525, “Tudo less em Ibiza”, melhor fotografia da new wave tardia de PoA junto com o Retrato  Falado, em “Sonhos”, e a ótima “Hoje eu choro”, do Luta.

          O lado mais sombrio do disco é um destaque, com Zabrinskie, Vergonha da Família e Êxito Letal. Em comum, todas são de uma inocência que aquela década já havia deixado para trás há pelo menos meia dúzia de anos.

           Aquele som de plástico do pop dos anos 80 percorre o álbum todo, como no pop rock do Fluxo M, “Degraus das catedrais”, e na influência de funk branco, estrategicamente percussivo do Capitães da Areia, “Alienação”, que traz à lembrança o som pavoroso do Biquíni Cavadão.

             A produção independente deu sequência à coletânea “O som do sul 1” e teve uma boa repercussão local, não alçou nenhuma banda à carreira fora da capital gaúcha, mas promoveu um documento importante dos últimos suspiros do rock brasileiro que então agonizava publicamente.

            Quer ouvir? Download aqui!

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