terça-feira, 15 de setembro de 2015

Rogério Skylab "II" (Independente, 2000)

               
                     O segundo disco do serial recorder Rogério Skylab é um trabalho inspirado.
             Se no primeiro registro da série, Skylab pareceu contido pela produção do guitarrista Robertinho do Recife, é nesse segundo item da série que conseguiu imprimir a pungência que suas letras precisavam. A gravação ao vivo garante força interpretativa necessária para dar “realidade” às letras e lançou uma fórmula que seria adotada em seus próximos discos, a gravação ao vivo.

               Em “II” estão boa parte de suas músicas mais conhecidas do Skylab. Abre educadamente com “Metrô” para logo chocar os desavisados com os primeiros versos de “Jesus”, uma linda letra de amor gay entre o negro Jesus e um dermatologista, mas confesso que fiquei confuso/curioso pela buceta de Jesus.

                  “Carne humana”, um dos pontos altos da poesia skylabiana, recebeu um arranjo caprichado, cheio de groove. Por sinal, a banda que acompanha Skylab é excelente.

                      “Naquela noite” volta aos temas sádicos, mas carregado de um lirismo caro à MPB, cria mais um daqueles deliciosos paradoxos com que o Skylab sabe lidar tão bem. O mesmo acontece na ótima “Matadouro das almas”. Que letra, que música! Já “Privada entupida” pega emprestado a música de “Since I don't have you", (The Skyliners/Don McLean/Guns’n Roses -!?) e a inspiração na letra de "Cagar é bom", do Língua de Trapo.

                  A inspiração nos pássaros, digna de um Tom Jobim, demoveu nobreza usurpada ao Urubu. “Cu e boca” volta a cena do amor em ato, que antes deu a letra de “Jesus”, e mostra como o começo e final do aparelho digestivo muitas vezes estão em completa sintonia.

                  “Samba”, a mais carioca das músicas de “II” traz a participação especial do peido vocal de Lois Lancaster, vocalista e compositor do Zumbi do Mato, inspiração estética essencial para o trabalho de Rogério Skylab. Com direito à citação incidental e não creditada para “Aviso aos navegantes”, doo Lulu Santos.

             O fato é que tem hit pra caralho em “II”. “Moto-serra” (sic), “Convento das Carmelitas” e “Carrocinha de cachorro quente” não saem do set list dos shows. O maior sucesso ficou para o final “Matador de passarinho”, nessa o público até arriscou acompanhar.
                 Agora, o grande mérito de “II” não está no seu conteúdo sonoro e sim no material gráfico. A capa da artista plástica Solange Venturi, autora da maioria das capas do Slylab, é uma das mais belas artes para discos de toda MPB. A mordida de amor (e desde quando galinha morde?) entre duas cabelas de galinhas dá margem para muitas interpretações. Excelente trabalho! As vísceras ficaram para a foto da bandeja do CD.
                    Lançado de forma independente, “II” se esgotou rápido.

                    Quer ouvir? Download aqui!
                    Tambémdisponível no Youtube!

2 comentários:

  1. "uma linda letra de amor gay entre o negro Jesus e um dermatologista" ?!?!?! Tá de sacanagem, né?!?!
    Se tu REALMENTE não tiver entendido: "Jesus!" é interjeição, filho. Ele tá chupando a buceta da mulher (ela, sim, negra) e ao ver o "ponto branco", que ele sabe ser vitiligo, já q é dermatologista, exclama tal interjeição. Fim.
    Não existe nada de "amor gay", já q não tem nenhum cara chamado Jesus na música e a citação a "chupar buceta" não podia ser mais clara.

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    1. Sunda Sunda!
      brigado pela ajuda interpretativa. Não saquei a interjeição "Jesus". Agota tudo ficou mais claro. Que pena que não era um amor gay heheheh
      obrigado!

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