segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Próspero Albanese "Esbaforido rock'n'roll (Dentre flatulências explícitas...)" (Independente, 2013)


                  Próspero Albanese é a voz do Joelho de Porco. Mais precisamente, Próspero é a primeira voz da banda que ajudou a fundar junto com o baixista Tico Terpins, falecido em 1998, este pode ser definido como a alma do quarteto mais anárquico e irreverente do rock brasileiro, pelo menos se você considerar o primeiro disco, o obrigatório “São Paulo 1554/Hoje”.

                 Entretanto, a primeira voz do Joelho pendurou o microfone logo após a estreia. Fora substituído pelo Billy Bond, o “Carlos Imperial da Argentina”, mas o Joelho de Porco já não era o mesmo, nunca mais tão rock’n’roll quanto nos tempos com o Próspero, não mais tão corrosivo e surpreendente. Próspero reassumiria a frente do quarteto em 1983, no álbum "Saqueando a cidade".

             Foi com a morte do Tico Terpins que Próspero Albanese decidiu gravar seu primeiro disco do solo. Pode-se afirmar que foi uma tarefa árdua, pois consumiu mais de uma década até sua finalização. Acontece que a música não é mais a prioridade na carreira do vocalista e advogado, tanto que a realização do disco só se tornou possível por causa da produção do guitarrista Guto Marialva, a quem o disco é creditado. Guto faleceu em 2014 e também era conhecido como o primeiro guitarrista do RPM, quando o grupo ainda se chamava Aurora. 

         A volta do Próspero é um revival de memórias do rock’n’roll. Um disco essencialmente saudosista e reverente, a irreverência de antes é tangenciada de leve, mais no subtítulo do álbum do que nas canções.

           “Esbaforindo rock’n’roll” abre com uma canção que reapresenta Próspero ao rock, “Ahippyando”, a voz continua a mesma, mas os efeitos de estúdio auxiliam e às vezes exageram. Segue com saudosismo paterno, “Meu velho pai”. Lamenta o fim da beatlemania , “E o sonho?”, e homenageia Rita Lee, “Rocker Rita”.

             Solteiro convicto, condição assumida no texto do encarte, Próspero nos brinda com sua acepção do amor matrimonial em “O jogo do amor” e volta ao tema amoroso na melancólica “Lágrimas”. Do baú do Joelho de Porco resgata “Está chegando o apagão”, de Tico Terpins e Zé Rodrix (1947-2009), que ficou de fora do disco “Saqueando a cidade”. A luz volta a ser tema, mas desta vez em forma de canção apaixonada,  na balada rock “Adagas de luz”.

              “Esbaforindo rock’n’roll” não é totalmente bom e nem é esta a sua intenção. É, sim, um disco de rock’n’roll, nostálgico e feito com dificuldades. Feito para quem já conhece o seu interprete, para fã. Além disso, é o álbum de um sobrevivente, uma figura única de uma banda tão cultuada quanto incompreendida, que seguiu caminhos tortuosos e pagou o preço de suas escolhas.

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