sábado, 18 de julho de 2015

V.A. "Isto não é exatamente uma reverência..." (2Discos, 2015)


             Aleluia fellinianos!

          Enfim saiu o disco em tributo a uma das mais cultuadas e influentes bandas do underground brasileiro, o Fellini.

          A ideia inicial do projeto surgiu em 2004 dentro da comunidade do Fellini no Orkut. A comunidade havia sido montada por membros d'Os Gianoukas Papoulas, que então se encarregaram pela produção do disco.

          Ao logo dos anos o projeto foi abandonado e retomado duas vezes, tanto que as gravações recebidas se dividem em os anos de 2005, 2006 e 2010. Em 2010 o disco passou pelos últimos ajustes e chegou a ser resenhado pela revista Rolling Stone, mas o lançamento, então anunciado pela Pisces Records, aconteceu somente para agora, via 2Discos. Uma epopeia entre desistências e continuidades que até combinam com a instabilidade vital do Fellini.

         Entretanto, uma década de espera foi tempo suficiente para que algumas das bandas participantes definissem o seu próprio adeus, caso do OAEOZ, que fecha o tributo. Também há bandas totalmente desconhecidas - JC Magalhães, Gandharvas, Arrivederci - e projetos que só existiram para este tributo, como a parceria entre Rodrigo Carneiro & Anvil FX.

               Nas 19 reinterpretações há os que se arriscam e surpreendem, como Os Gianoukas Papoulas ao acelerar “Teu inglês”. Anvil FX com seu arranjo caprichoso para “Alguma coisa vai dar”. Continental Combo injetando psicodelia byrd em “LSD”. Flu ao mostrar inventividade inédita para "Rio-Bahia" e o OAEOZ ao arrancar um blues carregado de "Città piu bella".

            Também tem os que mais se aproximam do original, o Gunnar Lou com “Rock europeu”, André Revolver em "Love 'til the morning", Os The Darma Lovers ainda folk em "Grandes ilusões", Stela Campos na linda "Chico Buraque song" e Danilo Monteiro no sambão "Samba das luzes".

           Outras releituras justificam o título do álbum e tratam de não reverenciar o homenageado, é o caso do My New Device (quem?) e sua versão em inglês para “Funziona senza vapore”, parece outra canção, e ela é péssima. O Jazz Blaster estuprou “Pai” e o Biônica trocou o funk branco de “Bolero 2” por um arranjo mais dançante e sujo. Por outro lado o Vaca de Pelúcia é que não parece a mesma banda de garage rock com sua gravação eletrônica, barulhenta cheia de ruídos para “Nada”. "História do fogo" perdeu densidade original em meio à massa de distorções do Dito EfeitoIsto não é exatamente uma irreverência...

             O lançamento do selo estreante 2Discos tem um projeto gráfico simples e vem embalado num envelope. No canto inferior esquerdo da contracapa há um aviso: Somente para fãs. Portanto, se contente Fellini-fã, depois de tantos tempo de espera este disco é para você!

2 comentários:

  1. Marcelo, de uma maneira geral fiquei um pouco decepcionado com o disco. Tem momentos bons ou ótimos com releituras bem feitas e até surpreendentes. Gostei muito de Gianoukas Papoulas, Gunnar Lou, Os The Dharma Lovers e OAEOZ, porém achei horríveis, para não falar toscas ou algo pior, algumas versões que não mereceriam estar em um tributo ao Maravlhoso Fellini, casos de Vaca de Pelúcia, Jazz Blaster, Bionica e a péssica versão de "Funziona Senza Vapore" com My New Device. O restante do disco é completo por versões que, se não trazem nada de sublime, não comprometem o trabalho como um todo. De qualquer maneira, parabéns pela postagem e assino em baixo toda a sua resenha, brilhante como sempre.

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  2. em breve teremos as versões digitais na web!

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