domingo, 12 de julho de 2015

V.A. "Grito Suburbano" (Punk Rock Discos, 1982/Gravações Sem Qualidade, 1997)


                    O Punk Rock paulistano de nomes tão niilistas quanto às letras de suas canções e à ideologia do movimento anárquico, como Olho Sexo, Cólera e Inocentes, ganhou seu primeiro registro em disco em abril de 1982. O embrião do álbum estava no projeto “Gritos suburbanos” que levava bandas aos bairros da periferia paulistana. O projeto inicial contava com mais duas bandas, M-19 e Anarkólatras, que pode desentendimentos internos acabaram fora do álbum.

              O LP "Grito suburbano" foi gravado no estúdio da gravadora Continental, o Gravodisc, e lançado pelo selo Punk Rock Discos, propriedade de Fábio Sampaio, vocalista do Olho Seco. O selo surgiu da loja Punk Rock que Fábio mantinha desde 1980 nas Grandes Galerias, na rua 24 de maio no centro velho de São Paulo. Naquele momento, a galeria, depois conhecida como Galeria do Rock, tinha apenas três lojas de discos, Baratos Afins, Wop Bop e Grilo Falante, destas, apenas a última não assumiu-se também como selo independente.

                 Das três bandas, o Olho Seco certamente é mais agressiva, mais próxima do lado mais sujo do punk rock, mais para Discharge, Doom e de bandas finlandesas que depois chegariam ao Brasil por intermédio dos selos Punk Rock Discos e New Face Records. Para a época, o Olho Seco era a banda mais atualizada com o que acontecia internacionalmente no punk rock, então subdividido entre um inquietante e experimental pós-punk e o lado mais extremo, o hardcore.

                 O Inocentes mostra maior conhecimento de melodia e soa próximo às matrizes inglesas do punk rock de 1977. Inclusive com possíveis primeiros “sucessos” do punk rock nacional, tais como “Garotos do subúrbio”, “Medo de morrer” e “Pânico em SP”. O Cólera fica no meio desta equação, tem a capacidade de compor melodias e arranjos rápidos e agressivos, como o Olho Seco, e de compor letras mais diretas e individuais, como o Inocentes. Tanto que muitas músicas gravadas no “Grito Suburbano” acompanham as bandas até os dias de hoje. “X.O.T.”, do Cólera, é um clássico, assim como “Lutar, matar” e “Castidade”, músicas sempre presentes nas idas e vindas do Olho Seco.
Retirado do encarte da reedição em CD do "Grito Suburbano"

                As edições posteriores de Grito Suburbano ficaram por conta de outras iniciativas de Fábio, em LP pela New Face Records, e em CD pela Gravações Sem Qualidade. A reedição em CD está disponível nos links abaixo, uma edição com bônus das três bandas, a baixa qualidade das gravações, retirados de uma fita cassete gravada no show de lançamento do “Grito suburbano” (em que o Inocentes já contava apenas com os vocais de Clemente. Ariel, o ex-Inocentes, já tinha outra banda, o Desequilíbrio) explica o nome do selo de Fabião para o relançamento digital do seu catálogo.

                Quer ouvir? Download aqui!
                Também disponível no Youtube!

4 comentários:

  1. MUITO BACANA ESSA POSTAGEM! OI! OI!

    ResponderExcluir
  2. O show de lançamento desse disco foi o festival punk no Sesc Pompeia, que originou o disco "O Começo do Fim do Mundo". Pra quem gosta de punk rock sem frescuras, o álbum é seminal.

    ResponderExcluir
  3. Cara, seu blog é um achado! Só coisa boa e muitas que vivi, já que tenho 36 anos. Lembro-me das resenhas de muitos discos alternativos na década de 90 que via nas revistas de rock e tinha maior curiosidade de conhecer, mas como morava e moro ainda no interior de Minas (Baependi - MG), era quase impossível numa época que não tinha internet. Parabéns! Virei fã e to baixando tudo, mais como registro histórico pra guardar de lembrança de uma época que eu só podia acompanhar lendo e imaginado. Saudosismo gostoso, daqueles que parece que to resgatando uma época... Obrigado!

    ResponderExcluir
  4. Cara, seu blog é um achado! Só coisa boa e muitas que vivi, já que tenho 36 anos. Lembro-me das resenhas de muitos discos alternativos na década de 90 que via nas revistas de rock e tinha maior curiosidade de conhecer, mas como morava e moro ainda no interior de Minas (Baependi - MG), era quase impossível numa época que não tinha internet. Parabéns! Virei fã e to baixando tudo, mais como registro histórico pra guardar de lembrança de uma época que eu só podia acompanhar lendo e imaginado. Saudosismo gostoso, daqueles que parece que to resgatando uma época... Obrigado!

    ResponderExcluir