sábado, 11 de julho de 2015

Plato Divorak & Os Exciters (Krakatoa Records, 2011)



                  Plato Divorak é um herói do rock! Sim, ele pode te salvar, mas não pense que você vai sair ileso aos super poderes lisérgicos deste gaúcho cultuado por muitos, conhecido por outros, mas ouvido por poucos. Plato tem uma quantidade imprecisa de discos, já tocou muito e registrou seus trabalhos de tantas formas que a organização de sua discografia merecia o trabalho de um pesquisador atento. Montou e desmontou bandas, lançou demo tapes, participou de coletâneas, fez parcerias e assumiu a condição de ídolo pop do underground. Tão curiosa quanto sua figura british-hippie-chinelão é sua devoção ao rock’n’roll.

                Na abertura do disco Plato apresenta sua melhor representação, em “Eu sou um ídolo pop” assume a persona fictícia de Paul McCartney, mas vai além, erra a dose do LSD e se vê num espelho, também falso, como um beatle, porém bonito, atributo fácil para galantear as jovens. As letras são do Plato, também autor de parte dos arranjos, outras têm a participação do guitarrista Leonardo Bonfim.  A banda é matadora e a crueza gravação mostra isso.

               “Casal beat” é um mod dos bons, rápida, com baixo pulsante, backing vocals e dá-lhe gritos. O mesmo vale para “Harmonix: o pior planeta”, os efeitos de flanger conduzem Plato numa viagem intergaláctica entre boletas e Fanta. “Maquiagem tropicalista” é o que o The Who faria se visitasse a Bahia, local que excita a inspiração imagética de Plato. “A dança do Exciter”, também gravada em compacto pelo Rock Rocket, é outro mod até a medula. “Úrsula” também segue a mesma linha e tem a letra mais surreal do álbum.

                  “Many years young” é uma balada stoneana de arranjo muito bem cuidado com sopros e piano. Um das melhores do disco. Os sopros também esquentam a urgente “A Pow of trainta”. “Canção de amor” quebra a urgência do disco com seus tons bucólicos, flauta, violão, e sim, realmente Plato fez uma canção de amor, não traz a pessoa de volta a mulher amada, mas dá uma trégua ao disco que vem abaixo de novo com “Sonâmbulos da Motor-Magic”, parceria com Frank Jorge, meio bubblegum, meio Jovem Guarda.

                 “Jacqueline dos theatros” beira à condição de hit do disco, carregada de groove afiado entre a Jovem Guarda e o Kraut Rock. Como as demais boas canções do disco, sempre descamba para uma fritação. “Puressence oscillator” segue pelos trilhos sem rumo do Kraut Rock e lembra os bons momentos do Can. “Baby Denmark” fecha o disco da melhor forma, afinal ocupa até o último segundo que a mídia permite, quase quarenta minutos de ruídos e barulhos no estúdio de Thomas Dreher.

                 Um álbum bastante inspirado e que demorou cinco anos para ser lançado, se não demorasse não seria do Plato. A tiragem é pequena, estima-se que menos de 300 unidades foram feitas. O CD é caseiro, mas é um CDr caprichado com artes de Diego Medina que ilustram a capa e encarte, lançado pelo próprio selo de Plato, a Krakatoa Records. Tem pouco, mas ainda tem. Corra atrás antes que acabe!

                 Quer ouvir? Download aqui!
                 Também disponível no Youtube!

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