domingo, 7 de junho de 2015

Ratos de Porão "Guerra civil canibal" (Pecúlio Discos, 2000)



                  O 10º álbum do Ratos de Porão marcou a maioridade da banda. “Guerra civil canibal” é curto e rápido. O disco, um EP, traz sete músicas em menos de 15 minutos, uma porrada sônica calibrada pelo ódio e pelas circunstâncias daquele momento, que iam desde os problemas de saúde no frontman, causados pela ressaca dos excessos dos anos 80/90, até a instabilidade do comando das quatro cordas, aqui conduzida por Fralda.

                O EP também marcou um momento importante para a banda. Por mais que o RxDxPx sempre tenha trilhado os caminhos dos selos independentes, foi neste álbum que pela primeira vez a banda assumiu todo o processo de confecção de um disco, da gravação, com Marcelo Pompeu (Korzus), até o lançamento/distribuição, através do selo Pecúlio Discos, do baterista Boka.

                 Pode-se dividir os 14 minutos do disco em duas partes. As três primeiras canções instauram o caos sonoro, “Obesidade mórbida constitucional” tem parte da letra com o laudo médico de João Gordo narrado pelo próprio, enquanto “Toma trouxa” e a canção título do EP se destacam como um dos temas mais agressivos gravados pelo RDP. 
                 A segunda parte alivia o peso e a velocidade ao aproximar a banda de uma quase-zoeira-new-wave, como no cover de “Fire to burn” do Half Japanese, obscura banda norte-americana capitaneada pelo inquieto Jad Fair, este deve ter ficado surpreso com a gravação do RDP. “Cola” não passa de uma "descontração" com aditivos químicos usados em sapatarias. Uma versão podrona de "Biotech is Godzilla", letra do Jello Biafra gravada pelo Sepultura no "Chaos AD", retoma o peso ao disco que se encerra com a brincadeira "Kill the Varukers", lendária banda inglesa com a qual o RDP dividiu van e turnê europeia em 1998.

                 “Guerra civil canibal” teve edição em CD pela Pecúlio Discos e também recebeu uma tiragem em compacto amarelo pelo selo Monstro Discos, além de ser lançado em CD na Europa pela Munster. A capa mostra sintonia com o álbum ao selecionar uma imagem de um conflito civil em Serra Leoa.

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