segunda-feira, 13 de abril de 2015

Jupiter Apple "Plastic Soda" (Trama/Matraca, 1999)


            Dois anos após o lançamento de "A sétima eferverscência", o aclamado disco de estreia do Flávio Basso/Júpiter Maçã, eis que o artista retorna ao estúdio e promove uma reinvenção de sua obra e, porque não, de sua persona. O rock nacional e a MPB não estavam preparados para "Plastic Soda".

          Sob um novo pseudônimo, Jupiter Apple raramente lembra o roqueiro sixtie alucinado de ácido que dava características próprias ao personagem que circundava as letras do primeiro disco. Com novo nome e novas letras, todas em inglês, Apple atualizou suas referências dos anos 60 com um som Easy Listening, meio franco-inglês-brasileiro. No que antes havia rock gaúcho agora tem Samba e Bossa Nova, o que já parecia psicodélico agora virou vanguarda de experimentos analógicos.

                O mais curioso é que Jupiter fez quase tudo sozinho. Se no primeiro disco ele estava cercado de amigos em busca de conferir qualidade as suas composições, agora Jupiter comandava a si próprio, não se conta mais do que meia dúzia de participações especiais em "Plastic Soda", mas com o resultado semelhante a uma grande produção.

                É um disco difícil e vale cada tentativa de absorvê-lo - não pense que vai ser tão fácil desta vez. "A lad & a maid in the bloom" beira os dez minutos de duração e em sua atmosfera psicodélica se abre um portal para o lado mais joãogilbetiano do rock feito no Rio Grande do Sul. "Plastic Soda" volta aos 60's, lá no começo, uma Bahia Invasion, se esta houvesse. Um fade out emenda com a fuzzy "The true love of the spider", ruidosa do começo ao fim, lá no fundo é que as coisas acontecem, onde os sons se encontram e se digladiam, os efeitos vocais e solos de cravo abraçam os ouvidos. Parece coisa do Marcelo Birck, basta uma olhada na ficha técnica para saber que ele realmente passou por ali

               A Bossa Nova forjada, meio gringa/meio portalegrense, ataca novamente em "Over the universe", "Please don't disturb" e "Bridges of redemption park". "Morning intuition man" remete à canção norte americana, com arranjos de cordas e interpretação à Sinatra. Logo descamba numa viagem que funciona como vinheta para o "hit" do disco, uma gota lisérgica chamada "Head Head", sixtie com tempo para uma passagem rápida em Bangladesh, com direito à cítara e reminiscências orientais. Há também temas de vanguarda, ou melhor: avant garde, como os longos dez minutos da instrumental "Wasn't it?".

                Lançado pela gravadora Trama - um selo independente, mas de grande porte, pois contava com financiamento do grupo de serviços VR, sim aquele do Vale Refeição - como parte dos projetos de descoberta de artistas, um selo interno chamado Matraca, coordenado por Carlos Eduardo Miranda, "Plastic Soda" teve uma boa repercussão na mídia, que enfim reconheceu Flávio Basso como um dos melhores compositores de fim de século XX. Realmente, não estávamos preparados para entender "Plastic Soda" e seu mentor, um gênio em duas personas agora (des)conhecido como Jupiter Apple.  

              Quer ouvir? Download aqui!
              Também disponível no Youtube!

3 comentários:

  1. mestre Flavio Basso RIP.... o rock farroupilha perdeu. O brasil perdeu... perdemos

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  2. mestre Flavio Basso RIP.... o rock farroupilha perdeu. O brasil perdeu... perdemos

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  3. Baita Blog! Valeu por disponibilizar esse material todo! Abraços e saúdos de um gaúcho morando no exterior há tempos...

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