terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Loxoscele "A day-dream" (Independente, 2002)


               Os ruídos conhecidos de um disco na vitrola antecipam a abertura de "Opivm" e abrem o único disco do quarteto curitibano Loxoscele.

               A produção é caprichada e os arranjos surgem amadurecidos, o Loxoscele tinha apenas um ano de existência até então, no álbum que se divide entre momentos mais densos e outros mais acessíveis. Notadamente se pescam referências às bandas do começo dos anos 90, aquelas chamadas de grunge, mas sem soar óbvio. 

              As letras em inglês - com exceção de "Veludo", "Willian Blake Brazil" e a metade da bela "Without a rhyme" - ajudam na busca de referências externas, afinal não há quase nada de brasileiro no som do Loxoscele. Os vocais muitas vezes lembram os melhores momentos do Afghan Whigs, como em "Infinite". "Astro-now" beira o metal underground norte-americano dos anos 90. Em contraste com a parte acústica de "Willian Blake Brazil", bastante brasileira, uma poesia de Hamilton de Locco. "Dead trip" é um dos destaques do álbum e entrou na coletânea "Novos sons fora do eixo", que capturou a produção musical curitibana pós 2001. O final com "It hurts to be alone" faz homenagem a Tom Waits e chega a enganar o incauto ouvinte que acredita ser uma canção do próprio bardo gárgula.

          Lançado de forma independente, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, "A day-dream" teve uma repercussão mediana até mesmo na capital paranaense, de onde o quarteto não saiu.

              Quer ouvir? Download aqui!
              Também disponível no Youtube!

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