terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Lory F. Band (Cogumelo Records, 1996)


                  Lory Finocchiaro não chegou a ver seu único disco pronto. A roqueira gaúcha morreu antes, em 1993, vitimada pela AIDS. Durante seus 34 anos Lory gravou várias demo tapes e desde que se descobriu doente, em 1988, juntou forças para finalizar um disco. Um álbum de fôlego, mas incompleto. Este só viu as luzes na noite em 1996 a partir da iniciativa familiar das irmãs Laura e Deborah Finocchiaro e Fernanda Chemale, com financiamento da Prefeitura de Porto Alegre e lançamento do selo mineiro Cogumelo Records, então distribuído pela Velas. 

Showbizz, ed. 136, novembro de 1996
             O disco respira ares setentistas divididos entre rocks pungentes, "Baleada noturna", "Forças" e "Wasting time", esta com Lory no baixo, seu instrumento habitual, e voz de Chico Ferretti. Transes folk na ótima "Time runaway" com seus vocais embalados em gospel-soul. Edu K dá as caras em "Get together".

                 Há baladas dignas dos bons momentos do rock brasileiro dos anos 80, "Pro amor viver em paz", "Fera solitária" e "Vantagem", ambas com o sax onipresente de King Jim, parceiro de Lory e figura importante no álbum que também presta homenagem ao guitarrista Marcio Ramos falecido em 1994 em decorrência da mesma enfermidade que abateu Lory.

                Um bom disco de rock'n'roll, um tanto triste pelas circunstâncias em que veio ao público, mas bastante feroz. Se havia algo a ser dito e uma memória musical que não podia permanecer escondida, este álbum cumpre muito bem a sua função.

                Quer ouvir? Download aqui!

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