terça-feira, 20 de janeiro de 2015

The Gilbertos "Um novo ritmo vai nascer" (Midsummer Madness, 2014)



              O The Gilbertos nos pega desprevenidos. O projeto gestado em solo europeu por Thomas Pappon, há 22 anos, chega ao quarto álbum e com ele uma proposta já desenhada nos discos anteriores: a emergência de um novo ritmo.
                Neste caso, o 'novo ritmo' prometido no título é um caminho que o The Gilbertos trilha desde sua criação e que envolve aspectos menos ortodoxos da MPB e do rock com pesquisas de ritmos folclóricos brasileiros, e que também podem absorver outras influências, até mesmo da música pop. Algo novo vindo de um amálgama tão regional quando cosmopolita. O que nos remete aos trabalhos de Oswald e Mário de Andrade nas primeiras décadas do século XX, com Mário saindo a campo em busca de registros para suas pesquisas folclóricas-etnográficas e Oswald desenvolvendo conceitualmente o manifesto antropofágico que libertou a arte brasileira para chafurdar em sua própria essência.
               "Um novo ritmo vai nascer" é o primeiro álbum do The Gilbertos a ganhar formato físico somente em fita cassete, com tiragem limitada a 108 cópias. O disco também está disponível digitalmente, com direito a faixa bônus.
                  Segue abaixo uma entrevista exclusiva com Thomas Pappon:

[Disco Furado] São Paulo te influencia? Você compõe pensando na cidade?
         [Thomas Pappon] Sim, muito. Todos os quatro álbuns têm músicas ligadas às memorias de São Paulo, ou fazem algum comentário, às vezes poético. É uma cidade que inspira - o Adoniram Barbosa que o diga.

[Disco Furado] "Um novo ritmo vai nascer" tem realmente novo?
             [Thomas Pappon] O 'novo ritmo' a que me refiro é um caminho - estou apontando um caminho que deve ser desbravado para que surja um novo ritmo, nascido de uma 'dança ancestral', que pode ser o samba ou mesmo o rock. A MPB nos anos 70, com a ajuda do rock, desbravava várias trilhas, os caras eram como os bandeirantes, Caetano era um Borba Gato, Gil um Raposo Tavares...e isso acabou no final dos anos 70. A música parou de se aventurar por novos caminhos, pelo menos nos caminhos possíveis apontados pela experimentação com o rock  - que é o que sempre quis fazer, desde o Fellini. Agora faço isso de uma forma um pouco mais consciente e militante.


[Disco Furado] O formato de disco em fita cassete te agrada? 
               [Thomas Pappon] O cassete foi mais uma onda, não estou seriamente apostando num formato de apelo completamente saudosista - pouca gente ouve cassete e duvido que alguém se ligue na qualidade do 'som' do cassete. Quem comprar o cassete vai poder baixar o álbum de graça. O verdadeiro formato do álbum é digital. E está bem difícil de aceitar esta realidade, de ter um álbum num formato praticamente virtual. Acho uma lástima que um álbum tão bacana não saia em vinil ou CD.

                    Quer ouvir? Download aqui!

2 comentários:

  1. Como assim "irmãos Oswald e Mário de Andrade"?

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    1. Que burro! Dá zero pra mim. Achava que os Andrade fossem irmãos. Erro consertado, eu acho. Obrigado Beta Melo!

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