quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cabeça "Na medida do impossível" (Groove Records, 1997)


                  O Cabeça foi uma das bandas mais queridas do underground carioca. Era a banda do baixista Fabio Kalunga, figura conhecida da turma que transitava entre o Garage e o Circo Voador, entre a hemp family e a galera do hardcore. 

                 Gravaram algumas demo-tapes bem divulgadas e seu som logo foi caracterizado como skate punk. Até aí tudo bem, realmente algumas letras versam sobre skate e outras tantas estavam próximas dos temas que incomodavam à literatura punk.

             Acontece que no disco as coisas não funcionaram muito bem, tanto que quase não há diferença entre “Na medida do impossível” e as demos que o Cabeça gravou anteriormente. 

                O problema está nas letras, muito fraquinhas, algumas ainda são capazes de corar o ouvinte mesmo vinte anos depois de gravadas, como “Não pode mais ficar parado”, “Propaganda”. Engraçado como eles sempre dão um jeito de colocar a palavra ‘cabeça’ no meio das letras, tem 'cabeça' até de trás pra frente.
Showbizz, edição 146, setembro de 1997

                 Por outro lado, a execução das músicas é boa e a produção crua de Ronaldo Pereira (dono da Groove Records e baterista do brasiliense oitentista Finis Africae) deixa arestas importantes para se construir um disco de skate punk, como os volumes altos, a pouca variação de timbres e o jeitão de gravação ao vivo. O que pega aos ouvidos está na inocência do conteúdo, algo que perseguiu o Cabeça por toda sua existência.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Lulina "Bolhas na pleura" (Peligro, 2005)


                       Lulina é uma garota recifense que compõe com grande facilidade, talvez isso explique a grande quantidade de discos que grava. Boa parte destes com produção bastante simples, nada de grandes recursos ou estúdios, pelo contrário, todo emprenho de execução das canções e gravação estão voltados a conseguir uma sonoridade lo-fi.

                     O álbum traz 13 destas canções simples, todas conduzidas por violão e vocais pouco expressivos, metricamente repetitivos, o que dá numa característica quase infantil. Parece até que o álbum foi composto sob o efeito de uma dose excessiva de cataflan ou benflogin. Sem nenhum desmerecimento, tem canções ótimas, como o sambinha "Faxina no juízo" e "Eu amava novalgina".

                Os temas envolvem um universo particular, neste disco quase conceitual, sobre doenças, medicamentos e até mesmo a morte sem morbidez. A voz, violão e efeitos atenuam qualquer possibilidade de tristeza nesse passeio farmacêutico e sonoro de Lulina.

                   “Bolhas na pleura” é o quinto disco caseiro da Lulina, o primeiro em que deixou a produção a cargo de Leo Monstro, parceiro nas produções posteriores. Foi lançado em CD, embalado no formato envelope, pelo caprichoso selo paulistano Peligro.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Garrafa Vazia "Back to bacana" (Pé de Macaco S/A, 2014)


                      “Back to bacana” é o quinto trabalho do Garrafa Vazia, trio punk rock de São Carlos/SP. Rock pauleira deveria ser o nome mais próprio para o som do Garrafa Vazia, aqui nada é muito polido, pelo contrário, o som é sujão e a produção é tosca. As oito músicas são curtas e em 12 minutos está tudo liquidado.

                     Os vocais alcoolizados de Mariones parecem saídos de uma caverna. Mas apesar de toda crueza, o Garrafa Vazia também mostra um senso de melodia e humor, que perpassam boa parte das canções, principalmente em “Maçãs Carlos”, “Hardrock no pesqueiro” e “Cistite cerebral”, esta na voz do guitarrista Hebert Nascimento, que também faz os backings nesse disco.

                    “Back to bacana” foi lançado pela própria banda e recebeu capa do desenhista Luiz Berger. Se você gosta de rock sujo e malvado, deixe o Matanza de lado e dê uma chance ao Garrafa Vazia!

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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pacto Social "Hasta la lucha y viva Zapata" (Independente, 2003)


                  “Hasta la Lucha y Viva Zapata” é o terceiro disco do Pacto Social. Lendária banda punk rock protesto do Rio de Janeiro, liderada pelo insistente Wladimir Palmeira.

             O álbum é quase que uma coleção de hinos contra opressores e de reconhecimento pelos direitos dos excluídos, sejam estes palestinos, sem terras ou a própria América Latina.

                     Como o próprio título induz, o disco revitaliza o ideal libertário zapatista. Todas as letras são de Wladimir, mas o disco também conta com participações especiais das vozes de Redson Pozzi (“É neste mundo”), Toni Platão (“Vírus do sistema”), Rey Biannchi (“Reforma agrária já”) e Marcelo Yuka (“Eu vou à forra”).

                   Apesar das participações especiais, o álbum não traz nenhum maior cuidado com a produção, tudo soa pouco polido e deve ser assim. Se você gosta desse estilo, conhecer Pacto Social é obrigatório!

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Superguidis (Senhor F, 2006)


                O primeiro disco do Superguidis mostrou uma banda bastante afiada e com uma sonoridade identificada no indie rock dos primeiros anos do novo século, mas com isso não espere nada muito “fofinho”, como atesta os versos de “O raio que o parta”, canção que abre o álbum. 
        
           As guitarras em volume alto clamam aos ouvidos, às vezes melodiosas, mas ásperas na maior parte do disco. Algumas canções tem grande potencial de hit, como “O tranqueira” e as ótimas “O manual de instruções” e “O veio máximo. “Spiralarco-irís” é outro grande momento, se uma canção serve para sintetizar um disco, pode ser essa. 

           A estreia do Superguidis saiu em CD pelo selo Senhor F e teve uma boa repercussão na época. Um dos melhores discos do ano de 2005 e que continua soando muito bem! 

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

V.A. "CEP 20.000 - O celeiro do underground carioca" (Revista Trip, ed. 83, 2000)


               O CEP 20.00 é o nome de um evento que idealizado, em 1990, pelos poetas Chacal e Guilherme Zarvos com a intenção de reunir poetas, músicos, artistas plásticos, de teatro, críticos de arte, e quem mais quisesse experimentar toda e qualquer manifestação artística.

               No Centro de Experimentação Poética 20.000, boa parte do público também frequentava o palco, o que corresponde a intenção de construir um espaço de experimentação e improviso. Um palco intermediário, o primeiro para muitos, único para outros. Espaço de arte ilimitado, tanto que virou ponto de convergência de muitos cenários artísticos cariocas.

           Para comemoras os 10 anos de CEP 20.000 a revista Trip encartou em sua edição 83 um CD com mais de uma hora de produções de artistas vinculados ao centro de experimentação  poética. 

            São 33 faixas entre músicas e gravações de poetas feitas no CEP 20.000. A música está por toda parte, como fundo da poesia falada, ou metricamente musicada num poema e também a letra de música como poesia. E também tem poesia espalhada por tudo.

        As faixas das canções foram reunidas da seleção de discos lançados pelos selos Dubas e Net Records, além de fonogramas independentes, inclui as ótimas "Tema universal das carnes", do Carne de Segunda; "Artista é o k", Rubinho Jacobina; "Xuxa preta", Boato; "Matador de passarinho", Rogério Skylab e outras.

          Certamente o lançamento do CD trouxe mais público ao CEP 20.000. Trata-se de um ótimo compilado com uma pequena amostragem da abrangência total desse centro cultural. Os anos seguintes trouxeram instabilidade à resistência milagrosa do CEP 20.000, agora com um quarto de século de vida. 

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Muzzarelas "Jumentor" (Devil Discos, 1995)


               “Jumentor” é o primeiro disco do Muzarelas, quinteto de Campinas/SP e um dos expoentes do punk rock/hardcore nacional dos anos 90.

              O Muzzarelas se notabilizou por compor os punk rocks mais divertidos de sua geração. Diversão que também acompanhava suas apresentações energéticas. As letras em inglês cruzam passagens divertidas com o som idem. Coisa de quem gosta de ficar em casa lendo Batman e Mad, escutando Ramones e Motörhead.

                “Jumentor” traz os hits “Sometimes I cry when I watch TV”, “Oh shit! It’s Monday again” e “Mushroom tea” e mais um monte de ótimas canções, "The Flash", "The attack of the hippie mutants", ouça alto e tenha uma cerveja! Tem uma faixa escondida no final, bem trilha de vídeo game.

               O álbum produzido por João Gordo e RH Jackson foi lançado apenas em CD pelo selo lendário paulistano Devil Discos, o mesmo selo que lançou a coletânea "Fun, milk & destroy!" (1994), que traz o Muzzarelas e outras bandas de hardcore do estado de São Paulo.

              A arte gráfica segue o padrão de qualidade que o Muzzarelas mostrou em todos os seus trabalhos, bastante ilustrado, divertido e cheio de referências. "Jumentor" é bom pra caralho!

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Matalanamão (Candeeiro, 2000)



                      Logo nos primeiros segundos da primeira musica do álbum se ouve um grito: “– Hardcoreee!”. Confesso que fiquei animado, mas era zoeira, como boa parte das músicas do primeiro disco do quarteto de Alto José do Pinho, bairro da periferia de Recife/PE.

                  No Matalanamão nada é muito sério, a começar pelo nome da banda, que ganhou uma definição digna de Houaiss no encarte. Matalanamão é uma gíria adolescente para bronha, punheta, e todas as derivações nominais que o ato masculino de se masturbar pode ganhar.

                    Ouvindo o álbum fica mais compreensível entender de onde surgiu o nome da banda. Todas as músicas rondam um único tema, a mulher. Reverenciada e homenageada de todas as formas. É quase um disco conceitual em torno de mulher e sexo, os títulos das canções dão uma mostra, tais como “Os peitinhos”, “Priminha”, “Pôster, “5 contra 1”, “Maria Gasolina”, “Prikita” e a faixa que dá nome à banda. 

               "Os peitinhos" ganhou um vídeo clipe dirigido por Bidu Queiroz, dizem que foi banido da MTV Brasil por conteúdo impróprio, há de se averiguar, afinal a emissora já exibiu vídeo clipes mais explícitos em sua fase áurea.

             O disco foi o primeiro lançamento do selo Candeeiro e teve produção de Pupillo (Nação Zumbi). O projeto gráfico traz ilustrações de Jorge du Peixe (Nação Zumbi) e na última canção “Matala on night” que assume a produção é Helder Aragão, mais conhecido como DJ Dolores.

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Oito "Alguma coisa mais pra frente" (Independente, 2000)


                   O Oito surgiu na capital paulista na segunda metade dos anos 90, gravaram uma demo-tape e aos poucos foram conquistando adeptos ao seu som neopsicodélico e pop até os ossos.

                    Uma apresentação no programa Ultrasom, da MTV Brasil, foi o suficiente para a banda conseguir mais um aliado e fã, o VJ Gastão Moreira. Depois da boa repercussão na TV o Oito botou o pé na estrada, mais precisamente no nordeste, com um turnê para divulgar a banda sem disco. 

Showbizz, edição 171, outubro de 1999
                  Este só veio em 2000. Um single bem produzido, a cargo de Beto Machado, com apenas três canções, sendo “Alguma coisa mais pra frente” o hit do disco, canção que provou o seu potencial quando foi gravada posteriormente por Wado no excelente “A farsa do samba nublado”, de 2004.

               O Oito não resistiu à espera do primeiro disco completo, ficou com uma discografia disforme, com apenas um single e demo-tapes. 

                  Abreviados antes do tempo, pelo menos tiveram oportunidade de tocar no programa Musikaos, exibido pela TV Cultura, e também de entrar na coletânea do programa, encartada na revista Trip. É, o Gastão gostou mesmo desse septeto.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

5 Generais "Onde estão as pessoas?" (Devil Discos, 1989)


                 Brasília rendeu muitas bandas sombrias nos anos 80. Muitas destas vieram na cola das bandas brasilienses que emplacaram na primeira divisão do rock brasileiro dos 80’s. O 5 Generais é uma delas.

                   As tentativas de contrato com uma major falharam na medida em que o rock da capital nacional se arrefecia e dava origem a uma nova geração de bandas. Restou ao 5 Generais registrar suas músicas por um selo, no caso, coube à paulista Devil Discos a tarefa de transformar uma parte do repertório da banda num mini LP com seis canções.

                 O som é todo calcado numa new wave monocromática, pós punk deprê (quanta redundância) daquelas que nublaram o caminho de muitas bandas que chegaram tarde à festa do rock nacional oitentista. Quando mais 'punks', “Ratos de Brasília” e “Ronda", se dão melhor. Nas outras ficam devendo, principalmente para quem pensou que houvesse algum conteúdo politizado, tanto pelo nome da banda quanto pelo título do álbum. Ledo engano.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Arrigo Barnabé "Suspeito" (3M, 1987)



                  Arrigo Barnabé chegou à segunda metade da década de 80 numa condição quase favorável. Antes havia inserido elementos novos à MPB conquistando lentamente o público com um trabalho que causou estranhamento inicial, mas que foi corroborado como inventivo por boa parte da MPB vigente.
        
                    Depois de dois discos bem sucedidos, e diferentes entre si, para seu terceiro álbum novamente Arrigo se reinventou e buscou inserção logo no terreno mais pantanoso para alguém com tantas referências eruditas, o pop comercial.

                     Em “Suspeito” Arrigo pouco lembra o pianista que lidera a Banda Sabor de Veneno, não fosse a insistência em trazer os vocais femininos que caracterizam suas músicas, seria outro Arrigo. 

                    O disco traz pop cafajestemente bobo, o hit “Uga Uga”; Charleston, em “Mr. Walker e a garota fantasma”; Bossa Nova, “A serpente”, com direito à inserção em francês, além do Rap “Dedo de Deus”e do lindo brega "Amor perverso" "Diabo no corpo" é a que mais se aproxima da fase "Clara Crocodilo", uma das melhores do disco.

Revista Roll, edição 57, ano V

                    A bossa “Já deu pra sentir” de Itamar Assumpção traz a participação do Nego Dito. Esta e "Dedo de Deus" foram regravadas por Cássia Eller no seu disco de estreia, em 1990.

                   Produzido por Dino vicente, "Suspeito" chegou ao mercado através do selo 3M, embrião fonográfico da empresa multinacional de materiais plásticos, e teve uma boa repercussão. Na mídia o disco foi saudado pelo inesperado/ousado.

                    “Uga uga” entrou no rádio, mas “Suspeito” não emplacou, ainda erudito demais para o padrão raso do público consumidor de discos. Arrigo sucumbiu à arriscada pop e a 3M foi pro beleléu. Nessa “Suspeito” se perdeu.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Hateen "Dear life.." (sHort Records/Playstereo, 2000)


                “Dear life...” é o segundo disco do Hateen, uma das principais bandas do hardcore nacional. O quarteto paulistano tem a característica de representar por aqui um hardcore no qual a melodia é mais importante do que velocidade. Outrora intitulado de emo.

                  O som é melodioso e há uma melancolia que paira sobre o álbum todo. As letras são todas em inglês e habitam o terreno das incertezas da juventude.

                  Boa parte das canções traz os vocais divididos entre Koala e o baixista Cesinha, como em “We two feel blue” e “About to blow”. O disco tem ótimas canções, como “404 not found”, “Big life (one last goodbye)”, com vocais de apoio do Farofa (Garage Fuzz/Safari Hamburguers) e “Danger drive”, esta posteriormente regravada no primeiro disco em português, “Procedimentos de emergência” (Arsenal, 2006).

                 O álbum traz as últimas canções da primeira fase da banda, que depois de um álbum ao vivo e outro em inglês, "Loved", enveredaria para as composições em português sem que isso trouxesse mudanças de temas ou das músicas. Certamente o Hateen ficou mais “famoso” depois, mas o ouro está aqui.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Arnaldo Baptista "Let it bed" (L&C Editora, 2004)


               Desde “Singin’ alone” (Baratos Afins, 1982) Arnaldo passou por várias, perambulou pela capital paulistana, gravou um disco terapêutico, “Disco Voador” (Baratos Afins, 1986), ganhou tributos, foi reconhecido internacionalmente e se isolou em Juiz de Fora/MG.

                      Voltou ao disco em 2004, pelas mãos cuidadosas dos produtores John Ulhoa, Rubinho Troll, da dupla Digitaria, e pela direção artística de Lobão, então “messias dos independentes”.

               Todo o processo de confecção do disco levou dois anos, mas “Let it bed” já estava na cabeça e nos planos do próprio Arnaldo desde antes. Musicalmente é um trabalho bem resolvido, mas sem esconder a condição do próprio Arnaldo, em eterna recuperação e milagrosamente produtivo.

                    Abre infantil e rural em “Gurum gudum”. Segue ingênuo na interpretação para o tema cantado pelo Pica-Pau, “Everybody thinks I’m crazy” com um Fred Astaire trôpego sapateando ao fundo. Propicia ao ouvinte uma viagem na mente do próprio Arnaldo em “LSD”, canção bastarda dos lindos sonhos delirantes de Lucy no céu com diamantes.

                 “Cacilda” saiu de uma fita cassete e lembra os tempos hard/heavy de fins dos 70’s, originalmente gravada apenas com piano e voz, recebeu instrumentos adicionais no estúdio por John. Uma das poucas que tiveram a interferência da banda invisível do estúdio. A faixa foi pescada do acervo do Luiz Calanca, que tem mais uma boa quantidade de horas inéditas do Arnaldo no seu baú de tesouros. 

                  Aqui Arnaldo tocou tudo. Não há participações especiais, além dos produtores. Em “To burn or not to burn” experimentos bigbeat dão num insight dançante. A melancólica e bela “Bailarina” foi umas das então novas composições. “Encantamento” faz par em melancolia com outros bons momentos do disco que se encerra amadurecido e triste em “Tacape”, outra que saiu da K7, preservada em sua estrutura sonora original.
Folha de S.Paulo, 31 de agosto de 2004

                  A produção do disco reuniu muitas horas de gravação, picotadas e editadas por John e Rubinho. Certamente causou estranhamento ao próprio Arnaldo, mais afeito às válvulas do que aos efeitos que a produção digital inseriu em suas pedras brutas.

               “Let it bed” chegou às bancas de jornal, ao valor de R$ 12,90, em setembro de 2004. Legitimou um projeto que já havia rendido excelentes trabalhos, a revista Outracoisa. Recebeu críticas elogiosas e adentrou nas listas de melhores daquele ano. Merecidamente. Um trabalho que já nasceu histórico.

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Thaíde & DJ Hum "Pergunte a quem conhece" (Eldorado, 1989)


               O primeiro álbum da dupla Thaíde e DJ Hum foi gestado após a boa repercussão que o primeiro disco rap nacional, “Hip Hop Cultura de Rua”, teve. Nele Thaíde apareceu em disco pela primeira vez.

             A aproximação com DJ Hum veio depois, por intermédio de Nasi. O vocalista do Ira! estava encantado com as possibilidades musicais do rap, a ponto de incluir um rap no disco “Psicoacústica”, e organizou festas e encontros com o pessoal que ficava na estação São Bento, que outrora fora ponto de encontro de outra turma jovem da periferia paulistana, os punks.

              Nasi e André Jung produziram “Pergunte a quem conhece”. Um disco que também reuniu uma boa quantidade de convidados da cena funky/rap/vanguarda de São Paulo, tais como MC Jack, Skowa (A Máfia), Marcio Werneck (Fabrica Fagus), Tuba (Clínica), Marco Mattoli, Bocato, além da formação do Ira!.

             O disco tem uma sonoridade bem fraquinha. Sobram participações. Falta groove e peso. As letras também não são as mais inspiradas e algumas esbarram numa ingenuidade, “Minha mina”, da qual o rap nacional tratou logo de se desvencilhar. “(Claudio) eu tive um sonho” beirou o hit, a homenagem ao amigo rapper assassinado recebeu uma releitura de Marcelo D2 para o disco “Acústico MTV”, 15 anos depois.
Bizz, ed. 51, outubro de 1989

           . “Coisas do amor” não encanta, e passa como uma investida da dupla no funk-charm. Enquanto “Consciência” traz um riff de guitarra, o que remete ao Miami Bass, influência notável para os primeiros anos de rap brasileiro. Em “Final dos tempos”, levada praticamente com percussão eletrônica e baixo, faltam até os obrigatórios scratches e vup-vups do gênero.

               “Pergunte a quem conhece” vendeu bem na época, ultrapassou as 20 mil cópias, e consagrou a dupla como o primeiro nome do rap paulistano a romper barreiras das rádios comerciais e casas de show.

               Não é o melhor trabalho de Thaíde & DJ Hum - que gravaram outros bons discos na década seguinte, sendo o disco “Preste atenção”, de 1997, o ápice do trabalho conjunto – mas é uma boa introdução para quem quer conhecer sobre os primeiros anos do rap nacional.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cherry Bomb "Bombs to you..." (Bagaço Records, 1998)


                Primeiro disco do trio de Londrina/PR. Um álbum que transita entre punk 77, Ramones e mod, tudo temperado com um pouco de bubblegum.

              “Bombs to you...” traz uma banda quase apaixonada, sem medo de tratar de temas banais e com um inglês bastante limitado, algo que não assusta nenhuma banda nacional que tenta se enveredar pelo idioma de Paul Weller. “Crazy for you” trama uma introdução à New York Dolls, mas logo se derrete toda.

            Os melhores momentos do disco estão nas baladas descaradas, como em “My mind turns around the city”, que mostra que a banda ensaiou direitinho os coros e backing vocals. No boogie/pub rock de “C-Rex man” e na certeira “I hate your friends and U2”. 

              É um disco bastante acessível, poderia render algum hit, que não houve, mas que não deixaram de ser hits das apresentações da banda. E olha que eles tocaram bastante enquanto mantiveram a banda ativa. Hoje, se apresentam esporadicamente.

          “Bombs to you...” foi lançado pelo selo Bagaço Records e só está disponível no formato LP. Ponto pro Cherry Bomb, na época em que preparou sua estreia em vinil poucas bandas se arriscavam no velho formato físico, quase renegado ao lixo. Certamente é um disco procurado nos dias de hoje.

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Wado "O manifesto da arte periférica" (Dubas, 2001)


                O primeiro álbum solo do Wado, apelido de Oswaldo Schlickmann, foi uma das maiores surpresas que a música independente brasileira poderia dar para o início do século XXI.

              Apesar de catarinense, Wado é radicado em Maceió/AL, e sua construção musical não se localiza em nenhum lugar próprio, mas sabe-se que neste lugar incontido deve ter um belo mar que embala todas as composições, por vezes é possível ouvir um barulho do mar que não está em parte alguma do disco.

           As 11 músicas são curtas e em menos de meia hora você já pode reiniciar toda audição. É um passeio por um repertório de ouro. Fica até difícil destacar algumas canções, mas vale indicar “Alagou as”, que ganhou um vídeo clipe na época, e as quase vinhetas emendadas, a ótima “Feto” com a calmaria de “Diluidor”. 

            As boas letras não apelam para refrães fáceis, mesmo quando poderia se arriscar em formatos mais comerciais/acessíveis.  

           Tudo aqui é feito basicamente de samba e musica brasileira, mas tudo muito diluído. “Uma raiz, uma flor” é um dos poucos sambas do disco. O groove (sem samba) “Ontem eu sambei” tem um dos melhores refrães do disco e “A linha que cerca o mar” poderia tocar facilmente em qualquer rádio, como anunciou o CD que veio encartado na primeira edição da revista Frente e que pinçava esta canção primeiro pé na porta de Wado.

             Apesar da aparente calmaria, o álbum também é político. Uma questão de afirmação que está relacionada com a turma de Alagoas que então buscava seu espaço na música nacional. Também justificada no título.

            “Manifesto da arte periférica” foi lançado pelo selo Dubas Música e ganhou distribuição da Universal Music, o que não garantiu com que o disco fosse bem distribuído. 

              Saudado pela mídia especializada como um dos nomes promissores da MPB do novo século, Wado trilhou disco a disco seu caminho até ver sua música reconhecida pelo público.

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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Nut (Cogumelo Records, 1995)


                Quem responde pelo Nut são duas figuras conhecidas do underground nacional dos anos 90. Um veterano do cenário heavy, Wladimir Korg (Chakal, The Mist, Junkie Jesus Freud Project) e Ronaldo Gino (Virna Lisi). Da união dos dois rendeu o Nut e seu único disco.

              É um trabalho bastante experimental, a começar pela abertura mezzo oriental de “Catatonia”. Na sequência, batidas pulsantes à heavy de Seattle dão as caras em “Hourglass” e “Insane brain”.

           As músicas são longas e dialogam com instrumentos atípicos no rock, como o berimbau em “the last unicorn”. Noutros arranjos apontam para uma pesquisa acústica de timbres de cordas, “Delirium”, e efeitos de estúdio. “In jail” se arrisca no idioma pátrio da dupla, e se dá mal.

             O disco foi lançado pela lendária Cogumelo Records, selo que sempre recebeu as ideias musicais de Korg, e teve pouca divulgação por parte da gravadora, que na época abria seu catálogo para trabalhos mais distante do metal que lhe dera o sucesso comercial dos primeiros anos. Caiu no esquecimento público tão logo chegou ao “mercado”. Um disco que passou despercebido e que ainda figura no limbo do rock nacional.

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Os Cachorros das Cachorras (Independente, 1997)



                    Este é o único disco de uma das principais bandas de Brasília da década de 90, Os Cachorros das Cachorras. 
      
                 Álbum totalmente integrado com a renovação da música brasileira da segunda metade da década de 90, repaginada esta que envolve os projetos regionalistas/globais anunciados pelo manguebeat poucos anos antes, e da nova MPB, aqui representada pela participação do Chico César em "O sexo dos animais (Vovô ja teve volúpia)", também adaptada no repertório do Zeca Baleiro.

             O álbum é cheio de informação, musicalmente variado, transita entre vários gêneros sem medo, tem bolero, reggae, levadas de maracatu, maxixe, rock e "um tiquinho assim" de forró. Os arranjos de sopro demonstram uma preocupação com a construção musical do disco, que soa grande.

              Algumas letras são bem humoradas e provocativas, revelaram um dos bons compositores daquela geração, Gérson Deveras, ou KaphaGérson. O reggae "O amor louco de pedra (mancoeba's reggae)" é hilariante.

              O álbum Os Cachorros das Cachorras também contou com a participação de uma das maiores vozes da música brasileira. Abaixo, Gérson dá detalhes do dia em que Nelson Gonçalves gravou "Baião de dois Bolero-lero".


Naquela mesa (de som) tava faltando ele

                                                                                              (por Gérson Deveras)

                             Foi uma aventura muito espontânea a de gravar com o Nelson Gonçalves nos idos de 90. Assistimos a um show dele dentro de um projeto do qual também participamos chamado Temporadas Populares e como tenho uma música chamada Baião de Dois Bolero-lero que eu entoava imitando o Metralha* e que entraria no nosso disco, eu e o Alfredog (Alfredo Bello), resolvemos convidá-lo a gravar conosco, com fé em nosso trabalho e no altruísmo daquele sujeito sensato e positivo com quem nos deparamos. 

                     Ele topou fazer a gravação de pronto, com a mesma disposição de um motorista que pára para dar carona a alguém num reflexo de bondade súbita. Disse que o procurássemos no hotel no dia seguinte e assim o fizemos, munidos de um gravador dat, cedido pelo amigo pianista Ricardo Nakamura. Ao subir para o seu quarto, autorizados por ele, recebeu-nos se esgueirando, com metade do corpo atrás da porta, provavelmente pra esconder sua lendária prótese peniana, pois estava de ceroula. Pediu que o esperássemos na barbearia do hotel. 

                   Desceu em poucos minutos meio pigarreando, sentou-se na cadeira do barbeiro, tomou os óculos do mesmo emprestado e lendo a letra que eu havia anotado numa folha de papel, pediu que eu repetisse umas duas ou três vezes a melodia e gravou dois trechos da música com a precisão de um exímio espadachim, sem no entanto deixar de observar o inusitado da situação num comentário que reproduzimos na track: "tsé mas isso nunca aconteceu comigo na minha vida, é a primeira vez". Primeira e única. Viva o eterno Boêmio do Brasil!

* apelido que o Nelson tinha por causa da gagueira, flagrante quando não cantava 

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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sonic Disruptor "Poppers" (Open House, 1996)


                      O Sonic Disruptor fecha a quina das principais guitar bands brasileiras dos anos 90 e “Poppers” é seu único disco.

                       O quinteto era nome fácil em shows do underground paulistano da época. Também era frequente na mídia que cobria a movimentação noturna da capital paulista, além dos fanzines.

Sonic Disruptor (Nota: Não sei quem é autor da foto)
                “Poppers” abre com a bela “Cover star” tão apropriada ao gênero guitar/shoegaze que poderia passar tranquilamente como canção perdida de algum disco do Galaxie 500. “Plastic sunny car” é o “hit” do disco que também traz outras canções estreladas, como “Angel wheels” e “Sweet cool (Acid test)”.

               Tudo cabe bem à proposta sonora da banda, até mesmo quando tangenciam partes etéreas, como em “Solipsism”, que emenda com “Emigravity”, e no garage rock “Maverick”, que encerra o álbum.

            A produção de “Poppers” ficou a cargo do Kid Vinil, entusiasta da banda de Guarulhos/SP e guru da turma do shoegaze nacional dos anos 90. O lançamento é do próprio selo da banda, a Open House. Se você encontrar este álbum em algum lugar, não duvide, leve “Poppers” para casa!

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Okotô (Eldorado, 1988)



             
          O Okotô chamou a atenção da mídia musical nacional assim que foi formado, mais pela curiosidade de ser uma dupla, pelos instrumentos inusitados, Kotô e Shamisen, e pelas influências orientais do casal.

Bizz, ed. 52, novembro de 1988
              O duo formado por Cherry Taketani e André Fonseca, ex-guitarrista da Patife Band, não demorou para entrar em estúdio e registrar suas músicas que transitavam entre o pop oriental, ainda desconhecido por aqui, e uma new wave sintetizada. Tal como uma ponte entre as influências dos pós-punk e o lado “new progressive” incutido na própria new wave. Foram sub aproximados de nomes da new wave paulistana, notadamente o Metrô, como a resenha de Arthur G. Couto Duarte (ao lado) admite, erroneamente.

           As letras em português, exceto "Xixiun-Ki", são abstrações e marcam as melodias pontuadas pela percussão minimalista que acompanha as canções, aí está o lado do pop oriental que foi mal compreendido por aqui. Todas as composições são da dupla, com exceção de '33 rotações", que tem letra da modelo Bronie Lozneanu, e da instrumental "Too young chineses", adaptação do tema de domínio público.

             O disco marcou a primeira fase do Okotô, que nos anos seguintes seguiu carreira discográfica bissexta e bastante distante da proposta de seu álbum de estreia.


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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Psycho Drops "Medo de ninguém" (WEA, 1996)


             Você deve estar pensando: O que um disco da Warner faz num blog sobre discos independentes brasileiros? 

Showbizz, ed. 132, julho de 1996
             Digo-lhe que a segunda investida discográfica do Psycho Drops não foi planejada para fazer parte do catálogo da Warner, e sim do Banguela Records, empreitada de Carlos Eduardo Miranda em parceria com alguns membros do Titãs que contratou o Psycho Drops pouco antes de decretar o fim de atividades do selo.

            Ruim pro Psycho Drops, que levou mais um ano para ver seu disco em português ser lançado. Ruim também para a Warner que assumiu a batata quente do Banguela e mal trabalhou “Medo de ninguém”, o disco que esgotou todo o barulho e diversão que restava ao quarteto.

             Para não duvidar que o disco poderia/deveria ser chancelado pelo Banguela, basta ouvir a canção que abre o álbum, uma versão heavy para “Coroné Antônio Bento”. Mas o amálgama do rock com algum ritmo nacional parou por aqui.

           “Estou só” aproxima a banda de um pop fácil, os arranjos vocais lamentavelmente lembram duplas sertanejas notáveis da década de 90. Pule essa. Pule as seguintes também. “Matar você” deve ter alguma referência remota em “Jessica Rose”, do Cascavelettes. 

           
            “Estarei por perto” é pavorosa, até parece música gospel. A segunda parte do álbum traz músicas rápidas, alguns hardcores, como “Estatal”, “Raiva” e “Treta”, e homenagens aos primeiros anos do punk rock nacional, as releituras de “Vida Ruim”, do Ratos de Porão, e “Delinquentes”, do Fogo Cruzado, ambas presentes no precioso “Sub”. Mas nada aqui é suficiente para fazer chover nesse deserto, que não traz medo pra ninguém.

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cólera "Tente mudar o amanhã" (Ataque Frontal, 1985)


                  Depois de seis anos de atividade, participação nas três primeiras coletâneas de punk rock nacional – “Grito Suburbano”, “Começo do Fim do Mundo” e “Sub” – o Cólera estreou em disco com “Tente mudar o amanhã”. 

                Mesmo sendo uma das formações pioneiras do punk rock paulistano, e brasileiro, o Cólera foi uma das últimas a registrar um disco completo. E olha que não foi por falta de envolvimento com o “movimento” ou de conhecimento das possibilidades do D.I.Y. (Faça você mesmo) que o trio não só viveu como também gritou em sua poesia punk libertária e pacifista.

             O álbum abre com a catastroficamente profética “1.9.9.2.”, ainda sob o medo nuclear, assim como em “Duas ogivas”, sobre a usina de Angra dis Reis. Se volta contra as guerras na antimilitar “Marcha” e à exploração social em “Em você”.

                 Dedica ódio à cidade de São Paulo nas clássicas “São Paulo” e “C.D.M.P.”, sigla que quer dizer “Cidade dos meus pesadelos”, cujos versos esbanjam niilismo punk, “puta merda de lugar” e “sem futuro”, versos presentes nas duas canções respectivamente.

               Grande parte das músicas clama por ação, “Agir” e “Rasgando o ar”. Convida às ruas contra o fascismo em “Passeatas”, contra a miséria, “Sarjeta”, e contra a verticalização da justiça nacional em “Violar suas leis”.

              Musicalmente não há grandes diferenças entre as canções. O baixo às palhetadas em volume alto segue a melodia dos vocais, com refrões cantados em três vozes, que é a melodia que se esconde no efeito serra-elétrica da guitarra. A bateria de Pierre é quase que um esquema que se repete em todas as músicas, sibila pratos de versos cantados em coro, economiza nas viradas, mas parece sempre bastante segura.

Cartaz de show na Holanda, turnê de 1987
           “Tente mudar o amanhã” teve sua primeira edição em vinil lançada pelo selo Ataque Frontal, que até então mantinha parceria do Redson, que nos anos seguintes assumiria a produção de muitos discos lançados pelo selo. As edições seguintes do álbum ficaram por conta do selo Devil Discos, casa de outros tantos discos do trio paulistano após a cisão com a Ataque Frontal.

                O disco teve uma boa repercussão, mas o bicho pegou mesmo foi no segundo LP, “Pela paz em todo mundo”, de 1987, quando as vendas esgotaram tiragens e pavimentou a estrada para a lendária turnê europeia, realizada no mesmo ano.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Kangaroos in Tilt "Alone" (Spider/Thirteen Records, 1996)


            O Kangaroos In Tilt frequentou por um período curto de tempo o séquito das principais bandas de hardcore brasileiras. Antes de registrarem o primeiro disco de uma curta trajetória, haviam participado na clássica coletânea “Fun, milk, destroy!”, que cobriu a cena punk/hc da capital e do interior de SP da primeira metade dos anos 90.

               “Alone” é um trabalho vigoroso, tanto na parte de execução das musicas quantos nos vocais de Kichi. As letras são todas em inglês e o som flerta com um pouco de hardcore nova-iorquino, mas sem deixar de ter uma sonoridade bastante old school, voltada às bandas do harDCore. 

                São 10 músicas em exatos 20 minutos. Tempo suficiente para “Alone” entrar em qualquer lista que relacione os principais discos de hardcore gravados no Brasil. É uma porrada na frente da outra, sem descanso. “No choice” faz a vez de hit do disco, que também tem em “Violent truth” e “Cry for help” outros bons momentos.

                O disco foi lançado pelo desconhecido selo Spider Records e recebeu distribuição da Thirteen Records, selo do André ‘Tor’ Tauil que iniciou sua trajetória da fonografia independente naqueles bons anos do hardcore brasileiro dos anos 90. 

                O Kangaroos in Tilt não durou muito após o lançamento de “Alone”. Se você gosta de hardcore, é obrigação conferir este álbum.


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