quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Pin Ups "Bruce Lee" (sHort Records, 1999)


              "Bruce Lee" é um EP de quatro canções, sendo que a última captura o Pin Ups ao vivo num show acústico gravado no Teatro Hall, em São Paulo/SP, no ao anterior. O sexto registro do quarteto veterano também é o último álbum do Pin Ups.

               É um disco que flagra o quarteto em seu momento mais "calminho", aqui as guitarras não estão barulhentas (ah...) e as melodias tomam conta. É possível referenciar um monte de bandas norte-americanas entre as canções, imediatamente vem o Superchunk aos ouvidos, banda "co-irmã" do Pin Ups. Mesmo as músicas elétricas, "To all our friends" e "Growing up", demonstram potencial de formato acústico, parecem prontas para receber violões.
Showbizz, edição 175, fevereiro de 2000

            Por fim, um show acústico escondido, há tempos que o Pin Ups já se deixava levar por este formato, o que resultou no disco/projeto "Gash: A mellow project by Pin Ups" (Zoyd, 1992). Não há no disco a lista das músicas executadas no set acústico, mas as 13 músicas dão conta dos últimos três anos da banda. Abre com "Guts", que também dá nome ao EP 7" lançado pela Fishy Records em 1997, acelera em "It's your turn" e encerra com "You shouldn't go away", ambas do último disco completo do Pin Ups. Também tem covers de Rocket form the Crypt, Kraftwerk, Beatles - "Revolution", bem fraquinha, assim como a terrível versão para "Day in the life", gravada do disco do Gash - e na ótima "The first party", do Superchunk.

        Com "Bruce Lee" o Pin Ups voltou à estrada e preparou o terreno para a sua despedida, pelo menos com esta formação,que já havia registrado o álbum anterior, "Lee Marvin", de 1998. Alguns shows de lançamento trouxeram o Pin Ups acústico novamente, com a adição de convidados no teclado e percussão. "Bruce Lee" passa rapidinho. Um belo cartão de despedida de uma das principais baandas independentes brasileiras de fim de século XX.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Garage Fuzz "Relax in your favorite chair" (Roadrunner, 1994)


             O primeiro disco do Garage Fuzz é o  primeiro disco de hardcore melódico feito do Brasil a atingir um público maior e influenciar bandas. O que o quinteto de Santos/SP fez em "Relax in your favorite chair" a própria banda não realizou nos anos seguintes. Uma porque a sonoridade do Garage Fuzz adotou mais elementos e se tornou menos melódica, outra porque no final dos anos 90 a influência deste disco era espelho para uma grande quantidade de bandas que faziam um som que já estava todo esmiuçado na cartilha deste álbum.

             Apesar das letras em inglês, e de uma certa ingenuidade de temas e abordagens, "Relax..." é um clássico do hardcore brasileiro. O fato de o disco ter sido lançado por uma gravadora de grande porte, a holandesa Roadrunner, pode ser responsável por este feito, afinal o disco foi bem distribuído por aqui e chegou a outros continentes, Europa, Oceania e América do Norte, o que futuramente revelou para a banda a oportunidade de continuar a ter lançamentos internacionais.

             O boa recepção do álbum fez com que a banda caísse na estrada e tocasse onde fosse chamada. "When all the things" ganhou vídeo clipe e  está presente no repertório do Garage Fuzz até os dias de hoje. Apesar de um tanto repetitivo, o álbum traz boas canções, principalmente quando se distancia das melodias rápidas, como em "Chair's nation" e "Self realized people". "Relax in your favorite chair" é clássico mais por ter sido muito ouvido e influente, menos por suas qualidades sonoras. Não vale comparar, mas os discos posteriores do Garage Fuzz são mais bem resolvidos do que sua estreia.

            "Relax in your favorite chair" foi relançado em CD pelo selo Ideal Records em 2009, edição que contou com faixas bônus presentes nas demo tapes posteriores. Em 2014 o disco recebeu uma re-edição caprichada em LP, limitado a 500 cópias, pelo selo Spicoli Discos. Pela primeira vez um disco do Garage Fuzz chegou ao formato vinil. Esta edição traz um encarte caprichado com várias fotos, cartazes de shows da época e uma página com a reprodução de uma reportagem sobre a segunda e última edição do festival Juntatribo, Campinas 1994, que desmistifica o evento ao apresentar uma briga entre banda e público, ocorrida durante o show do Garage Fuzz, que levou os organizadores a abandonarem o projeto do festival.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Lindberg Hotel "II" (Transtorninho Records, 2014)


               Lindberg Hotel é uma banda de um homem só, no caso o multi-instrumentista Claudio Romanichen. O projeto surgiu em 2008 e o acúmulo de composições dos anos seguintes foi o suficiente para gerar discos.

Lindberg Hotel, em pessoa. (foto: Mara Barbosa)
               Em janeiro de 2014 foi lançado o primeiro, uma produção que recebeu o singelo título de "I'. Apenas sete meses, e alguns poucos shows, depois, Claudio retornou ao seu estúdio caseiro para criar uma sequência ao primeiro álbum, assim surgiu "II". As referências de rock inglês presentes no primeiro disco continuam em "II". Logo nas primeiras canções você se sente transportado aos bons momentos de Ride, "Man got to the moon blues", e Teenage Fanclub, "Status Quo" e "Sittin' by the sea". O pé no lado power pop dos anos 60/70 também é uma das referências presentes no álbum, como em "Beggar friend".

            Os momentos mais acústicos e melancólicos, "Golden gate bridge" e "Cotton chains", podem enganar o ouvinte que pensa que uma produção essencialmente caseira pode perder em punch e velocidade, neste caso vale passar pela excelente "Spoiled child".

               "II" foi lançado num esquema totalmente "Faça você mesmo" com o apoio do selo Transtorninho Records, de Recife/PE.

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domingo, 28 de dezembro de 2014

Blind Pigs "São Paulo Chaos" (Paradoxx, 1997)


                    O Blind Pigs surgiu com uma tarefa ingrata para uma banda punk, pois nasceu em pleno berço de ouro. No caso do quarteto, o berço se localizava em Alphaville, uma das regiões da grande São Paulo com maior concentração de renda per capita.

                 Tirando este detalhe, que deve ter facilitado a viabilização da banda, o restante da história dos primeiros anos do Blind Pigs não difere muito da história do começo de todas outras bandas, principalmente as punks.

                 Formados em 1992, a banda atingiu maturidade com o acúmulo de demo tapes, que chamavam atenção por trazer capinhas coloridas e boa qualidade de gravação. No princípio todas as letras eram em inglês e mais identificáveis com o punk rock californiano, notadamente Bad Religion e Rancid.

                As letras em português entraram no primeiro disco por influencia do produtor Jay Ziskrout e foram compostas já com a banda no estúdio. "Conformismo e resistência", que também é o título de um famoso livro da filósofa Marilena Chauí, e "Verão de 68" mostraram que a banda deveria seguir o caminho das letras no idioma de Pedro de Lara, mas o Blind Pigs só veio a fazer isso de vez com o terceiro disco, "Blind Pigs" de 2002, considerado o melhor trabalho da banda.

            Em "São Paulo Chaos" as letras fogem de qualquer tema caótico, muito menos tratam sobre São Paulo. Há um desfile de superficialidades que flagram uma banda ainda em processo de amadurecimento, ainda que gere bons momentos, como em "Fuck the T.F.P." e "Urban paranoia".
      
             O disco foi bancado pela paulistana Paradoxx, com produção de Mingau e Jay Ziskrout. Jay havia sido o primeiro baterista do Bad Religion e naquele momento da década de 90 cuidava dos negócios da perna europeia do selo californiano Epitaph. Jay estava no Brasil em busca de bandas para o seu novo selo especializado em bandas latinas, o Grita!. O selo contratou o Blind Pigs e Jay produziu o disco. O Grita! contava com distribuição em três continentes, incluindo o Brasil, via Paradoxx.

              Com "São Paulo Chaos"o Blind Pigs tocou em muitas cidades do Brasil com a turnê intitulada "Brasil Chaos Tour". Em 1997 todas as cidades em que havia uma filial da casa de shows Aeroanta houve show do Blind Pigs. Um feito e tanto para uma banda que acabara de lançar seu primeiro registro oficial.

                O disco vendeu 10 mil cópias com distribuição nos Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina. No ano seguinte o Blind Pigs encerrou atividades e retornou dois anos depois com um selo próprio, a Sweet Fury Records, criado pelo vocalista Henrike, apenas para lançar material do Blind Pigs, o selo próprio re-editou o CD "São Paulo Chaos" em 2002. Em 2012 o disco foi lançado no formato LP de 10 polegadas pelo selo Hearts Bleed Blue.
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                 A edição de 2002 ilustra este texto e traz como bônus um cover para "The KKK took my baby away", presente também na coletânea "Blitzkrieg over you: A tribute to The Ramones", lançada somente na Alemanha. Uma inédita, "Órfão da ditadura" e mais três canções retiradas da demo tape "Lost cause", de 1995.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Damn Laser Vampires "Three-gun mojo" (Terrotten Records, 2010)


                 De Porto Alegre/RS veio o trio Damn Laser Vampires. Uma puta banda de post punk, ou melhor, goth'a'billy, uma das melhores bandas brasileiras do novo milênio. Pena que duraram tão pouco.

                       Voltando um pouco, que porra é esta de goth'a'billy? Imagine um cruzamento entre os pais de psychobilly com o lado noturno e sombrio do Sisters of Mercy e você chegará perto. O Damn Laser Vampires cuidou bem da tarefa e desfilou aqui 13 canções próprias. É claro que não existe esta "cena" por aqui, o que faz do Damn Laser Vampires a maior banda de goth'a'billy brasileira.

                 "Three-gun mojo" é o segundo disco do Damn Laser Vampires - o primeiro, "Gothan beggars syndicate" foi um trabalho caprichado acompanhado de um fanzine que evaporou e hoje é objeto disputado. O álbum segue uma linha de bastante personalidade sonora, traz momentos mais garageiros, como "That thing you have" e "hit me like a man",. Outros dançantes, "Dancing disease". Tem psychobilly, "Creepy thing", "Shiva bop", "Greets to the gang" e "Rise, weirdo army", esta funciona bem como hino psycho punk. "Car disaster" tem cara de hit dos anos 80 que chegam num crescendo que ocupam o tempo da canção toda, é muito bonita. E, é claro, canções goth'a'billy, como "Shadowmaker" e "three-gun mojo".

                 O álbum gravado no Caffeine Studio em São Paulo/SP tem produção de Marco Butcher e Luis Tissot. O projeto gráfico traz encarte com títulos das canções numa sequência do tipo quadrinhos de terror. "Three-gun mojo" foi lançado apenas em CD pelo selo gaúcho Terrotten Records, especializado em sons extremos, como grind e crust. Ainda pode ser encontrado. E por uma pechincha!

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Bugs (Mudernage Diskos, 2003)


                     De Natal/RN vem o Bugs. Formado em 2002, no mesmo ano o trio chegou ao primeiro EP, "Je suis un révolutionnarie" (Solaris/Mudernage). No ano seguinte o Bugs preparou caminho para o primeiro disco, este sem título.
              
             A sonoridade se divide entre sons mais barulhentos e lentos, notadamente influenciados pelo Velvet Underground e bandas influenciadas pelo quarteto nova-iorquino. Outra parte menos psicodélica, é mais roqueira e rápida, totalmente inserida nos anos 70.

                    As letras, todas em português, são autorias de Joab (bateria) e Paolo (baixo e voz), figuras já conhecidas da cena potiguar por conta dos projetos anteriores, Zaratustra e Casa de Oratis, respectivamente. O ponto alto do disco está na execução das músicas, as melhores são momentos noise de "Bela Kiss" e a 'meio-stooge' "Perfume noturno".

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Boi Mamão "Compre, grave ou roube" (Paradoxx, 1998)


                 A última fase do Boi Mamão revelou uma banda mais próxima do skacore do que do math rock dos primeiros anos. Sobrou um punhado de canções adolescentes, tanto nas letras quanto na sonoridade, sempre com riffs de guitarras distorcidos e e uma levada rápida, agora somados a um trio de metais que transformou o então quarteto curitibano num septeto.

Showbizz, ed. 158, setembro de 1998
             O vocal de Glerm Pawdphita continua ótimo, mas totalmente contido. Não tem quase nada do nonsense das primeiras demo tapes e do lindo compacto de estreia. "Compre, grave ou roube" poderia ter rendido algum hit, "Boneca inflável" tem a cara daquelas canções de rádio dos anos 90 que ficavam dois meses na frequência e logo eram esquecidas. "Bola 8" ganhou vídeo clipe exibido na programação da MTV Brasil. Mesmo sendo um trabalho um tanto irregular, ainda traz boas canções, como o skarnaval "Super fatura", "De novela" e a hilariante "Cola". A versão skacore do clássico "Surfsta calhorda", do Replicantes, é um dos poucos pontos altos do álbum, assim como o ska-bolero "Oncinha", que fecha o disco.
Dynamite (outubro//novembro de 1998)

              O trabalho divide opiniões até entre os membros da banda, uns preferem a primeira fase - eu incluso. Na mídia especializada a cisão também se abateu, na revista Showbizz o disco foi detonado, enquanto na Dynamite o trabalho recebeu elogios de Marcos Bragatto.

                Depois de "Compre, grave ou roube" o Boi Mamão encerrou atividades. Pelo menos deixou um registro bem gravado, qualidade sempre questionável principalmente naquelas belas demo tapes.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pessoas do Século Passado (Slag, 2003)



                 Dodô Azevedo e Gustavo Seabra musicaram trechos do livro Pessoas do Século Passado, autoria de Dodô, e fizeram o disco mais próximo que a Pelvs teria se cantasse em português. Aqui não tem o loud surf presente nos discos barulhentos do quinteto carioca, mas ainda traz aquela melancolia preguiçosa da voz e interpretação de Gustavo. As guitarras barulhentas também dão as caras, mas não conduzem as oito longas canções do álbum que ultrapassa os 60 minutos de duração.

                      A abertura instrumental com "7h da manhã de nossas vidas" funciona com um despertador insistente, ou um toque de despertador que mais parece uma big band invadindo o quarto às sete da manhã. O disco começa mesmo com "Alguma coisinha", canção melancólica que apresenta um sujeito inerte ao seu próprio tempo e espaço, alguém que prefere ficar na cama ao invés de abrir a janela. O som é algo que a Pelvs poderia ter feito, lindas guitarras barulhentas e uma preguiça da existência.

                É um disco melancólico e por vezes triste. Parece envolvo de uma crise existencial, como em "Se  pudesse, reencarnaria vento, ou a cor azul", uma letra e música bastante sensível que começa afirmando que "viver dá tanto trabalho". Num segundo momento o disco ganha a a voz de Fernanda, que conduz as longas "Decibéis que me deixam feliz", "Vai doer, mas eu quero", esta com quase 10 minutos, e "Destempero" que também traz a participação do Grupo Arcos do Choro. O noise só volta na última, a ótima "Coração para amassar"

                      O disco foi lançado pelo selo paulista Slag Records, com produção de Gustavo e Dodô. O projeto gráfico segue uma estética que remete ao conteúdo do álbum, desde o coração da capa até os tons em rosa e as formas geométricas repetidas.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Acabou La Tequila (Excelente Discos, 1996)


               Um quinteto cheio de figurinhas jovens do Rio de Janeiro/RJ, todos com alguma experiência em bandas e muita vontade de juntar as referências em um som próprio. Assim surgiu o Acabou la Tequila, uma das bandas mais influentes para as bandas brasileiras que viriam no novo milênio.
                 A proposta da banda era não ter proposta nenhuma. O Acabou la Tequila era a banda mais sem estilo no Brasil - posto dividido com a curitibana Woyzeck - o que os deixava livres para criar músicas que dialogavam com vários estilos, do baião ao hardcore. 
              Entretanto, o quinteto foi inicialmente catalogado como uma banda de ska, que naquele final de 1996 era esperado como o "som do verão", ou o "som da moda" - curiosamente, o nome dado ao segundo álbum do Acabou la Tequila - e que transformou em disco algumas bandas brasileiras dedicadas ao ritmo. Porém, o "verão do ska" não ultrapassou o inverno de 1997.

Showbizz, edição 125, dezembro de 1995
                   O disco sem título abre com a rápida "Flaming moe", de Donida, o nome remete à bebida criada pelo Homer Simpson e surrupiada pelo Moe, lembra um pouco o que Donida fez com o Matanza poucos anos depois. "Biscoito" é o hit, uma levada sacolejante e um dos melhores refrões dos anos 90. A letra esperta mostra a forma mais divertida de tentar por fim a um relacionamento, carregada de humor.
        "Deus abençoe Pitágoras" apresenta  uma homenagem o "corpo" da mulher amada, principalmente depois dos dias de "fome". Se feministas atuais prestarem atenção na letra do Renatinho, vão amaldiçoar tanto Pitágoras quanto o Acabou la Tequila. O hardcore de "Auto combustão" é a fonte em que o Los Hermanos bebeu para construir seu primeiro disco. "Movimento" também beira o hc, com o vocal de Renatinho um tanto possuído.
               O ska está em "Pra lá em Tijuana", "Persona non grata" e "Eu não preciso de ninguém pra ser feliz". Também há um reggae em homenagem à Rita Cadillac, a "mãe de todos nós", mas naquela época a chacrete mais famosa da Brasileirinhas ainda estava "em cima".  "Disk China" brinca com um som de baile funk e traz outra das boas letras do disco.  "Como vai, senhor?" mistura baião e raggamuffin' com participação vocal de Gustavo Black Alien.

               O resultado da estreia foi muito bom. O disco é cheio de participações especiais (Bacalhau, Berna Ceppas, Kamundjangos, João Donato...) e não sobra espaços vazios. Surpreendente para um trabalho gravado e mixado em apenas uma semana. 
               Pouco após o lançamento o selo Excelente Discos fechou as portas e o contrato do Acabou la Tequila se mudou pra Abril Music - o mundo livre s/a fez o mesmo, e os dois se deram mal. Pior pro Acabou la Tequila que lançou seu segundo disco oito anos depois e com uma epopeia de intervalo. Tempo suficiente para que os cinco integrantes se dedicassem a outros projetos.

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sábado, 13 de dezembro de 2014

Volver "Acima da chuva" (Senhor F Discos, 2008)


              Alçada a condição - incômoda - de ser a banda mais "rock gaúcho" de Pernambuco, o Volver conseguiu reverter um pouco desta impressão com seu segundo disco. "Acima da chuva" traz um punhado de canções que poderiam frequentar facilmente as FMs, as melodias são ótimas, os arranjos bem cuidados e as letras revelaram o talento do compositor Bruno Souto. Um som meio indie rock - se é que isso existe - moldado em sintonia com o cenário pós-Strokes e que mostrou o lado b da cena de Recife, agora cada vez mais distante da necessidade de soar ao mesmo tempo folclórico e universal.

              Dos hits em potencial, vale destacar "A sorte" e "Pra Deus implorar", letras de amor em meio à guitarras barulhentas e melodias que grudam nos ouvidos. Momentos mais acelerados, "Clarice", contrastam com baladas de tom melancólico. A linda "Acima da chuva" emenda com "Dia azul" com suas harmonias de piano e uma referência perdida que lembra "Hey jude". A Jovem Guarda é revisitada em "Tão peto, tão certo" e mostra texturas musicais cativantes até ao coração mais bruto.

              Foram adotados no sul onde eram praticamente impedidos de sair do palco. Assim como no primeiro disco, "Canções perdidas num canto qualquer", o lançamento ficou a cargo do selo brasiliense/gaúcho Senhor F, com produção da banda em parceria com Léo D. e William P., do estúdio recifense Mr. Mouse. O projeto gráfico tem uma bela capa, imagem de arquivo da Praça do Diário, em Recife/PE.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Beach Lizards "Brand new dialog" (Polvo Discos, 1994)


                O começo da década de 90 foi o momento das guitar bands brasileiras. Quase tudo que surgia no underground e que soava meio esquisito e com letras em inglês logo recebia esta alcunha. O Rio de Janeiro/RJ se mostrou com cenário fértil para estas bandas, mas o Beach Lizards caia erroneamente no pacote das guitar bands

                  "Brand new dialog", o primeiro disco do quarteto, é mais influenciado pelo punk rock e hardcore do que necessariamente pelas bandas shoegaze. Mais para Buzzcocks e Bad Religion, menos para My Bloody Valentine. O álbum apresentou a qualidade do Beach Lizards em compor boas melodias pop entremeadas por momentos mais agressivos, o que pode justificar o uso do violão segurando baladas punks, como "Mirrors in affection", "Greedy thing" e "Fine (another silly love song)", com o apoio de backing vocals bem sacados, "Mr. Unconscious" e "Anesthesia". Também há momentos em o grunge, contemporâneo de quem fazia fitas demo durante o estouro das bandas de Seattle, "Keep yourself together", os vocais rasgados de Demétrius por lembra alguns momentos do Kurt Cobain, e isso não é estranho.

           Lançado apenas em CD pelo pequeno selo carioca Polvo Discos, "Brand new dialog" teve uma boa repercussão, mas sumiu do mapa logo após o lançamento, a falta de estrutura de distribuição somadas a uma tiragem pequena faz com que o disco hoje seja tratado como objeto raro.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

V.A. "Brazilian Surf A-Go-Go" (Groovie Records/Gravadora Discos, 2007)


                Pode parecer estranho, mas o Brasil tem uma "tradição" de bandas de Surf Music. O que vem desde a década de 60, com o The Jordans, e Os Incríveis, estes autores do maior clássico brasileiro de Surf Music, o hit instrumental "O milionário". A Jovem Guarda também bebeu da fonte e décadas à frente Dick Dale e Link Wray também fizeram escola por aqui. Toda esta "tradição" deu nesta coletânea, a primeira do gênero a abranger quase que a totalidade das bandas brasileiras dedicadas à Surf Music no novo milênio. 

                   Em "Brazilian surf a-go-go: The atack of the tiki waves Vol. 1" temos 20 bandas em quase 50 minutos. A divisão é simples, dez bandas para cada lado e temas curtos, poucos ultrapassam os dois minutos. O Lado A abre com uma das maiores bandas de Surf Music brasileira de todos os tempos, o Dead Rocks, o trio manda alisa a prancha em "the center of the universe", também presente no disco "Tiki twist". Seguindo a linha do Surf Music tradicional do Dead Rocks também tem o Cochabambas, Surfadélica, Super Stereo Surf, Los Tornados, Surfmotherfuckers (quase um hit do programa de TV Alto-Falante em 2000), Violentures, Erik Von Zipper, Monstros do Ula-Ula e o Frank Simata, esta com a canção que homenageia o maior evento brasileiro dedicado ao estilo, o Campeonato Mineiro de Surf, realizado em Bel Horizonte/MG.

               Saindo do estilo tradicional da Surf Music, há também as banda com nítidas influências de punk rock e que aceleram o estilo, tais como o Los Pirata, Estrume"n'Tal (barulhentos à beça), Ambervisions, Autoramas e Pazuzus com um dos melhores temas do compilado.

                  Há também canções de Surf Music pesadas, como o Pata de Elefante - que não é uma banda Surf, mas que trabalharam muito bem temas instrumentais carregados de peso - e o Los Muertos Viventes - a única banda não-instrumental da coletânea. Dos mais ousados temos um Surf Music do tipo italiano com o(a) Proa - parece tema de desenho animado - e uma "big band surf" com o Capitão Parafina e os Haoles.

           Se a melhor parte de ter uma banda instrumental é por título nas canções, os melhores ficam para o Ambervisions com o impagável "Quem come não é viado" e o Capitão Parafina e Os Haoles com "Fugindo desesperadamente do helicóptero malvado na densa selva sombria e úmida e com muitos perigos", não te disse que os títulos são doidos?

                "Brazilian surf a-go-go: The atack of the tiki waves Vol. 1" foi lançado pelo selo português Groovie Records e a seleção das canções ficou a cargo de Gabriel Thomaz (Autoramas, Little Quail & The Mad Birds), que também cuidou da representação brasileira do álbum através de seu selo Gravadora Discos. Lançado apenas em LP, com um excelente trabalho gráfico, a contracapa traz um texto de apresentação de Paul Dirt, mentor do site reverbcentral.com, uma "bíblia" para os aficionado por este gênero instrumental. Surf's Up!

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mombojó "Nadadenovo" (L&C Editora, 2004)


             No festival recifense Abril Pro Rock de 2002 um septeto formado por meninos recém saídos da adolescência chamou a atenção do público e imprensa que acompanhava o festival. Tratava-se do Mombojó e sua mistura de Samba + Bossa Nova + Surf Music + Stereolab que atualizou o som produzido em  Recife/PE, agora um pouco mais distante dos ritmos folclóricos, como o Coco ou o Maracatu, e mais inserido num cenário de pop rock carregado de referências externas à música, como cinema, artes visuais e literatura.

          Não que as bandas do manguebeat não trouxessem paisagens visuais além da música, pois elas estavam lá (ainda estão), nas letras que revelaram uma ficção científica inserida no mangue, na literatura de Josué de Castro e Euclides da Cunha, ou mesmo no "slogan" da parabólica enfiada na lama. Entretanto, no Mombojó a busca de referências permeiam o som sem bandeiras/discurso, sem alfaia, sem guitarra pesada. Ficou a bateria simplificada, apenas bumbo, caixa e pratos e a eletrônica diluída e confortável.

             Da descentralização estética sobrou a liberdade de fazer músicas sobre amor e de trabalhar arranjos em que tudo coubesse. Neste sentido, o título "Nadadenovo" pode soar paradoxal, afinal as referências são tão novas assim, mas a reinserção mostra uma banda atualizada e com um som realmente novo.

              Gravado com o apoio da Prefeitura de Recife, o álbum abre com "Cabidela", curtinha, funciona como uma introdução ao disco, à mundo livre s/a, uma referência bem próxima ao Mombojó. "Adelaide" traz energia jovem guardista tal como uma balada de amor, uma das poucas a ganhar vídeoclipe. A surf music dá a vez na introdução de "Deixe-se acreditar", uma das melhores do disco. Faz uma boa sequência com a melancólica "Nem parece", com destaque para a flauta de Rafael "O Rafa" Torres (1982-2007).

           Curiosamente, o disco sempre carrega alguma surpresa na introdução das músicas, logo os primeiros segundos dão espaço para outras músicas, mais ou menos como se houvessem trechos de músicas na totalmente desenvolvidos e inseridos dentro de uma mesma música, como o reggae que antecede "O céu, o sol e o mar". As letras revelaram o talento de Felipe S., algumas feita em parceria com China, como "Estático", "Adelaide", "Cabidela" e "Deixe-se acreditar". 
Revista Outracoisa, março de 2004


        A vinheta "Discurso burocrático" emenda com "A missa", tratada como um hit do Mombojó, um tanto soturna "A missa" já havia aparecido na segunda coletânea da Revista Frente, sob um remix do coletivo Re:combo. "Faaca" tem um dos refrões mais bonitos do repertório do Mombojó e depois de um momento noise emenda com a melancólica "Baú", novamente aquela flauta faz toda a diferença harmônica nas canções.

           "Nadadenovo" Chegou às bancas de todo país junto com a Revista Outracoisa em março de 2004 no valor de r$11,90 vendeu bem e "Nadadenovo" recebeu elogios por toda parte. O projeto gráfico traz o ilustrações de fotos do trabalho "Impressões sobre minha vagina", obra de Christina Machado, mãe de Vicente e Marcelo, respectivamente bateria e guitarra do Mombojó. O disco rendeu shows pelo Brasil, participações em projetos como Trama Universitário e um DVD com o registro de "Nadadenovo" lançado pelo projeto Itaú Cultural. Anos depois ainda é lembrado com um dos melhores discos da primeira década do novo milênio.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

V.A. "Jam 80" (Rockit!/Showbizz, 1999)


             A final de um festival/concurso de bandas - Skol Rock, em 1997 - trouxe de volta aos palcos Dado Villa-Lobos. Para completar o time, que homenagearia o rock brasileiro dos anos 80, chamou os amigos Herbert Vianna, João Barone, Bi Ribeiro, Tony Platão, Dinho Ouro Preto, Jander "Ameba" Bilaphra, Alvin L. e Fausto Fawcett. O resultado deste encontro deu no registro de um trabalho despretensioso. Sim, a maior qualidade de "Jam 80" é que é tudo muito cru, com erros e improvisos e escolhas feitas no calor do momento.
    
         Poucos dias depois do show do Skol Rock, em dezembro de 1997, novamente a turma da "Jam 80" se reuniu. O nome do projeto, primeiramente chamado de "Fuckin'80's", se encontrou no estúdio AR, sob a direção de Tom Capone (1966-2004), para registrar o repertório de sucessos tal como uma "big band" do rock brasileiro dos anos 80. O resultado deu neste CD, lançado pelo selo de Dado, a Rockit!, e distribuído dentro da revista Showbizz. As sobras do encontro no AR deram em outros dois trabalhos, o CD "Combat Rock", também lançado pela Rockit!, em 2001, e o disco "Combat Rock Jam Session", lançado pela EMI em 2005. Cada álbum traz uma nova "sobra" da gravação no estúdio AR. 

          "Jam 80" é um trabalho de canções curtas e que traz boas versões. A produção é crua e não recebeu muito polimento por parte de Tom Capone, ora alguns vocais surgem baixos, como os de Herbert Vianna, ora guitarras somem e reaparecem. O mais interessante, para os que gostam do rock brasileiro dos 80's, é a despretensão que transparece na reunião, possivelmente seu maior mérito.

          Dado Villa-Lobos estreia, de pé esquerdo, no microfone em "Toda forma de poder", hit do Engenheiros do Hawaii. Dinho Ouro Preto tem melhor sorte com "Fui eu", do Paralamas do Sucesso. Fausto Fawcett acelera "Kátia Flávia, a godiva do Irajá" e de improviso cita um trecho de "Suicide Blond", do INXS, banda do então recém falecido vocalista, Michael Hutchence.

Showbizz, edição 165, abril de 1999

           Roger Moreira participou à distância com os vocais de "Sheena is a punk rocker", do Ramones - estes quase mentores do projeto vide sua característica "one, two, three, four", ou seja, sem frescura. Alvin L., ex-Rapazes de Vida Fácil e Sex Beatles, recupera o sucesso new wave-surfista-carioca "Popstar", do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Herbert Vianna encara uma homenagem à Legião Urbana com "Geração Coca-Cola" e no final volta ao lado de Jander para uma versão quase fiel de "Sexo e Karatê". O álbum ainda traz Jander assumindo todas as partes de "Ate quando esperar" -  a Plebe Rude ainda não havia retornado - e Tony Platão seguindo a trilha de Fausto Fawcett, ao escolher o hit de sua ex-banda, o Hojerizah, com a bela "Pros que estão em casa", Tony também é o responsável pelos vocais da segunda homenagem à Legião Urbana presente no disco, em "Será".

        O final da década de 90 marcou um revival da "Era de ouro" (?!) do rock brasileiro dos anos 80. Pelo menos se tivermos como comparação as páginas da revista Showbizz. Quase todas as edições, entre 1999 e 2000, traziam páginas dedicadas ao rock dos anos 80, seja em reportagens especiais divididas em partes sobre o rock de Brasília ou numa busca por elencar todos os nomes de sucesso do rock brasileiro dos 80's. Era uma resposta a um desejo do público e a edição que trouxe o disco "Jam 80" de brinde vendeu aos tubos.
       
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sábado, 6 de dezembro de 2014

Orquestra Abstrata "Seven" (Fósforo Cultural, 2007)


            O primeiro disco do quarteto de de Goiânia é um excelente álbum de rock instrumental. "Seven" é curto, traz sete canções em quase meia hora. É instrumental, mas nada de post rock, aqui o rock rola solto.

               O disco é cheio de groove e carrega momentos mais psicodélicos, como em "Vespen" e "Letters". Em "A incrível bicicleta do Dr. Hoffman não desapareceu" há malemolência distribuída num arranjo bem trabalhado, e o título comprova que a melhor parte de tocar numa banda instrumental e por nome nas canções. Em "Forks from hell" os riffs da guitarra de Eduardo Kolody, combinado com o arranjo quebrado da bateria do experiente Rogério Pafa, remetem a uma boa fase do Helmet.

                O projeto gráfico é impecável. Cada uma das sete canções ganhou uma ilustração própria e que poderia ser a capa do disco. Portanto, "Seven" traz sete capas diferentes, todas em tons de amarelo e preto, trabalho de Thiago Xavier. A produção ficou a cargo da Orquestra Abstrata e o álbum recebeu apoio da Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Goiânia, com licenciamento do selo local Fósforo Cultural.

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