domingo, 28 de setembro de 2014

Faichecleres "Indecente, imoral & sem vergonha" (Fan Music, 2004)

          
             No começo da década passada um trio incendiava palcos pequenos de bares curitibanos. O som era todo calcado nas referências sixties, que também davam as caras nos ternos e nos cabelos. Tudo no Faichecleres tinha jeito e cor do que o mundo viu nos dois anos, 1964/66, da British Invasion. Soma-se a isso pedaços de rock gaúcho e um bocado de álcool e você tem o "Indecente, imoral & sem vergonha".

          O primeiro disco do Faichecleres não trazia nada de novo. Se você conhece Cascavelletes e TNT pode até se enganar e pensar que se trata de algum material inédito destas bandas. O sotaque dos rapazes também nos leva às bandas do Rio Grande do Sul, até porque 2/3 do trio veio de lá. Os temas carregam uma sacanagem que cabe bem ao trio, como os quase-hits "Metida demais" e "Ela só quer me ter". As letras são quase todas sobre mulheres e de preferência sobre mulheres no bar, uma das melhores também dá título ao disco. "Casalzinho pegando fogo" foi retirada da demotape do Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuiz, anterior ao clássico "A sétima efervescência". "Bajulações, modéstia à parte" ganhou vídeo clipe, inserido no disco como faixa multimídia.

             "Indecente, imoral & sem vergonha" foi lançado pelo selo curitibano Fan Music, o braço fonográfico do escritório que agenciava o trio, e recebeu distribuição pelo selo gaúcho Antidoto, incluindo uma tiragem limitada em vinil que logo se tornou edição disputada. Com o primeiro álbum o Faichecleres tocou em vários festivais independentes, como o Goiânia Noise Festival e o primeiro Curitiba Pop Festival, no qual subiram ao palco de fraldas. As apresentações do Faichecleres sempre surpreendiam, diversão garantida para àqueles anos!

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sábado, 27 de setembro de 2014

Singletree (Semi OK Records, 1998)


                  Confesso que pouco, ou nada, conhecia sobre o Singletree.  Portanto me surpreendi quando numa destas de ser "rato de sebo" me deparei num CD com o nome da banda, uma conferida na contracapa foi o suficiente para saber que não estava errado, era a mesma banda que aparecia nas fotos de encarte do split "bike" dividido entre Dominatrix e Dance of Days. A curiosidade por ouvir o Singletree se mantinha e o EP foi pra casa comigo.

                      Ouvir este EP curto, são apenas 4 músicas em 13 minutos, é como fazer uma rápida visita às bandas paulistanas da segunda metade dos anos 90. As canções trazem um pé fincado no hardcore melódico e outro no rock alternativo norte-americano. Aquele conscientemente esquisito, meio guitar, de vocais enterrados na mixagem e um tanto desafinados. Ouça "Antidote" e "August.16" e comprove.

                  Lançado pelo obscuro, pois desconhecido, selo Semi Ok Records, o projeto gráfico não traz letras, apenas ficha técnica, fotos pequenas e endereço de contato, tudo sob um fundo azul, tal como a capa apresenta. 

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Lambda Lambda Lambda (Caustic Recordings, 2005)


               Se você gosta de Replacements e All/Descendents vai descobrir algumas coisinhas perdidas no único registro do Lambda Lambda Lambda. As referências saltam aos ouvidos e estão ali espalhadas nos arranjos, ora mais cadenciados na linha da banda de Paul Westerberg, como em "Spin", ora rápidos nos hardcores "Tripping", "Write a song" e "Revenge of the nerds" - esta inspirada no filme homônimo de onde o trio paulistano tirou o nome da banda, que também pode ser chamada de 3-Lambs ou ΛΛΛ.

                       "Skyway" é a única canção não composta pela banda, foi surrupiada do disco "Please do meet me", do Replacements, aqui numa versão de voz e violão. A fórmula acústica se repete em "Hate list", com uma harmônica tímida ao fundo. Todas as letras são em inglês, autoria de F. Chovich, que também trabalhou na parte gráfica do disco. O primeiro segundo de "10 minutes do lifetime" pode enganar e te fazer responder na lata, é  uma versão para "Brasília" da Plebe Rude, mas não, foi só um riff idêntico. Há também as instrumentais "ctrl + x crtl + v", "Sono" e "I see monstros".

             O álbum sem título foi gravado no estúdio El Rocha, e teve produção de Fernando Sanches e do trio Lambda. Lançado pela Caustic Recordings, selo especializado em bandas de hardcore, o disco recebeu pouca divulgação, mas pode ser encontrado no catálogo do selo. Na dúvida, fique com os originais, mas dê uma chance ao Lambda Lambda Lambda!

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viper "Tem para todo mundo" (Castle Brasil, 1996)


                    Quando você vê a capa do último disco da segunda fase do Viper - a primeira com André Mattos nos vocais rendeu dois elogiados discos ao, então, quinteto paulistano - você pensa: "Que capa horrível!" Depois fica difícil de ouvir o disco sem pensar em algum momento: "Que disco horrível!". 

                    É por aí mesmo. O disco que pôs o Viper num jejum fonográfico de 11 anos - teve uma coletânea neste meio de tempo, mas não conta - trazia uma novidade, um repertório essencialmente em português. Poderia ser a chance da banda ganhar público brasileiro, depois de marcar pontos inesperados no disputado mercado japonês e realizar turnês pela Europa, o não aconteceu e nem chegou perto. E por várias razões.

                    Primeiramente, "Tem pra todo mundo" é irregular na proposta. A sonoridade e produção do tipo rock brasil anos 80, a cargo do produtor da maior parte dos discos da Legião Urbana e ex-dono de selo independente Mayrton Bahia, já não agradavam mais. As letras eram péssimas. 
                    
                    Havia uma tentativa de atirar em várias frentes, "Na cara do gol" versava sobre futebol e trazia o apoio do grupo percussivo de Ivo Meirelles, a Funk'n'lata. "Crime na cidade" trazia metais e uma certa alegria que em nada se identificava na letra. "Dinheiro", que abre o disco, até que se esforçava no caminho do pop rock, mas estava longe de ser um hit, trouxe a participação tímida dos vocais de Dado Villa Lobos. "Not ready to get up" é uma das duas com letras em inglês, ganhou um vídeo clipe feito com o resgate de imagens captadas em outros vídeo clipes do Viper, e não passou em lugar nenhum. A única regravação é uma versão de "Mais do mesmo" não tão distante da original cometida no terceiro disco da Legião Urbana (olha eles aí de novo) mas, Renato Russo não ouviu a homenagem no disco em que o Viper mais se aproximava da maior banda brasiliense, pois morrera pouco antes. "Quinze anos" até se arriscava numa melancolia juvenil, mas também não garantia unidade ao disco.

              Vai ver é como o título indica: Tem pra todo mundo. Entretanto não tem pra ninguém. Nem mesmo para o empreendimento fonográfico que estreava no Brasil com o quinto disco de estúdio do Viper. A Castle Brasil fechou as portas por aqui duas semanas depois de pôr o álbum na praça. Como consequência disso, "Tem pra todo mundo" foi mal divulgado, mal distribuído (apesar de esgotado a única tiragem) e levou a banda a um hiato. 

              Quase ninguém ouviu o disco, que talvez não merecesse tantos ouvidos, passou meio despercebido. E ouvindo hoje dá para afirmar que "Tem pra todo mundo" já era velho antes de ter nascido.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Irmãos Rocha! "Ascensão e queda dos Irmãos Rocha!" (Monstro Discos, 2003)


                 A Associação do Roque Selvagem ganhou um bom registro quando saiu o único álbum do Irmãos Rocha!. Encharcado de blues, surf music e garage punk, o quarteto de Porto Alegre/RS toca alto, rápido e de um jeito simples, às vezes tosco, são 21 músicas em pouco mais de meia hora de disco.

                Vale destacar as canções mais diretas, aquelas em que os três acordes Mi-Lá-Si funcionam bem e as letras não querem dizer nada, como "Bumbababum", "Ugabugababy" e "DVQÈQN", não te disse que era rock selvagem mesmo? "Zen" é regravação de uma canção do Nei Lisboa também presente no álbum "Baladas do Bom Fim", no qual bandas gaúchas prestam tributo à obra de Nei.

              Lançado pelo selo goiano Monstro Discos, "Ascensão e queda dos Irmãos Rocha!" teve uma pequena repercussão, muito por conta da banda ter feito poucos shows. O projeto gráfico todo em preto e branco traz foto, letras e informações sobre as gravações que tomaram longos 5 anos até chegar ao disco completo.

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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Querosene Jacaré "Você não sabe da missa um terço" (Paradoxx, 1998)


                     Dentre as bandas de Recife/PE da década de 90 nem todas estavam de olho no som do futuro com suas parabólicas fincadas na lama, o Querosene Jacaré é uma destas exceções. Ao invés da alfaia e do maracatu, o sexteto preferia o rock setentista, estava mais para Ave Sangria do que para Lia de Itamaracá, ainda que o seu único disco ainda traga alguns momentos de influência nos sons folclóricos locais.


Rock Press, edição 15, agosto de 1998
                      "Você não sabe da missa um terço" abre pesado com "Mandacaru" e aos poucos vai assumindo outras faces, sempre em meio às guitarras ruidosas e carregadas de riffs. "O boby" traz pandeiro e se aproxima do repente, enquanto a canção que dá título ao álbum beira o hardcore. "Catador de papelão" tenta unir hardcore e pandeiro. "Meu corpo" é um funk de guitarras dançantes que combina com a letra. Por sinal, as letras ficam aquém à sonoridade do Querosene Jacaré, um melhor trabalho nos vocais de Ortinho fariam bem à produção do disco que sobra guitarra, como atesta a instrumental "Coice da jumenta". 
             
            O álbum foi lançado pelo selo paulistano Paradoxx, provavelmente o selo independente que mais vendeu discos no final do anos 90, e produzido por Zé da Flauta e Paulo Rafael, dois conhecidos músicos pernambucanos dos anos 70. A arte do CD traz uma capa em total sintonia com a década do rock pesado no nordeste, pois utiliza a mesma arte do tradicional combustível de lampião Querosene Jacaré. O disco que revelou o Ortinho teve uma repercussão mediana na mídia e não rendeu nenhum hit. 

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