terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os Dinamites - EP (Independente, 2009)


                   Brasília é uma cidade que volta e meia dá boas bandas de rockabilly, foi assim com o Little Quail & The Mad Birds nos anos 90, com o Sapatos Bicolores nos 2000 e com Os Dinamites no final da primeira década do século XXI. O quarteto formado em  2008 lançou seu primeiro registro neste EP.

                     O álbum produzido de forma caseira e traz oito canções próprias cheias de detalhes próprios do rockabilly clássico, como backing vocals, teclados, banjo e sax, os dois últimos por conta das participações especiais de André Vasquez (Sapatos Bicolores) e Vincent (Bois de Gerião). As letras são bastante divertidas, como a história do "Cowboy de entrequadra" e "Rei do rock (Baby i'm a king)". Há também uma versão em português para "Folsom prison blues", de Johnny Cash.

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sábado, 16 de agosto de 2014

Os Poetas Elétricos "Poemas eletri-ficados & outros que foram embora..." (Mudernage Diskos, 2004)



             O (des)serviço de procurar ouro em discos desconhecidos, com o objetivo de disponibilizar aqui neste blog, gera algumas alegrias: quando realmente encontro ouro, ou quando encontro um vestígio de ouro, ou até mesmo quando me deparo com aquele "ouro dos tolos". Noutros casos o garimpo inglório me apresenta a discos e músicas que eu realmente preferia não ter conhecido. Sobre este último caso, eis o disco d'Os Poetas Elétricos.

                O projeto dos potiguares Carlito e Edu Gomez tem a intenção de musicar de forma experimental poemas curtos, que poderiam até ser experimentos de alguma linguagem poética, mas que não passam de versos mal pensados e igualmente escritos, alguns próximos da poesia concreta, como o horrível "A sina de Ína" e "Os inícios", este dá até vergonha - ainda bem que os poemas são curtos. Tem outros péssimos exemplos, mas não vale a pena citá-los, a vaquinha atolou lá no brejo.

            Confesso que não é agradável perder tempo para escrever um texto sobre um trabalho tão razoável (sim, estou assoprando, mas com as mandíbulas pingando) assim como não é agradável ouvir este disco mais de uma vez. Entretanto, vai que alguém gosta. Quer se arriscar? É por sua conta e risco.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

May East "Tabaporã" (Wop Bop, 1987)


                   Egressa como absurdette da fantástica Gang 90, May East já havia dado um bom ponta pé inicial na sua carreira solo com o disco "Remota batucada" (EMI, 1985), no qual experimentou uma forma brasileira de se fazer new wave, menos sombria e urbana que a experiência com a Gang 90 mostrou, mais próxima da influência nativa e folclórica brasileira, tal como uma música eletrônica orgânica e de pesquisa. 

                    "Tabaporã", o segundo disco, aprimorou o que se esboçava no primeiro registro solo. As experiências de viagens e o contato com as raízes indígenas brasileiras misturada com a música oriental, pop e eletrônica fez com que o disco soasse com uma proposta bastante original. De certa forma, este álbum integrou um momento de redescoberta da música pop no mundo, que ocidentalmente foi nomeada de world music, porém mostrou ao mundo trabalhos poucos conhecidos de países e continentes que não tinham sua produção de música pop reconhecida.
Bizz, edição 25, agosto de 1987

                   O álbum é curto, em menos de meia hora May East apresenta sete temas próprios. A "new wave indígena" já dá as caras logo na primeira canção, "Esferas", "Zarabatana" tem toda a letra composta em guarani. "Bamboo dance" é mais pop, e outras como "Vênus petrificada", "Mar egeu" e "Earth beat" se aproximam da new age. O disco foi produzido pelo tecladista do RPM, Luiz Schiavon, e a participações de Akira S. dividindo a programação eletrônica com a própria May East.

                   Os disco foi lançado e distribuído na Europa pouco depois de ser editado em LP pela Wop Bop, fato que levou May East a se apresentar em palcos do velho mundo e posteriormente a uma mudança definitiva do Brasil. Por aqui "Tabaporã" teve uma repercussão mediana, foi um tanto incompreendido  por apresentar um gênero até então desconhecido por estas bandas, a new age. Curiosamente, o LP foi um dos maiores encalhes do selo Wop Bop, uma nova tiragem erroneamente encomendada fez com que mais de mil unidades do disco ficassem esquecidas em um depósito depois que a Wop Bop fechou as portas. "Tabaporã" foi reeditado em CD em 2000 com outra capa.

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Canastra "Chega de falsas promessas" (L&C Editora, 2007)


Bizz, ed. 214, junho de 2007
                   "Chega de falsas promessas" é segundo trabalho do septeto carioca Canastra, quase uma big band a serviço do swing/jazz/rockabilly, um disco recheado de excelentes canções, daquelas que fazem você ouvir o álbum batendo palmas, ou os pés, ou então riscando o piso do salão.

                    O disco abre com "Chevete vermelho", um rockabilly  com metais bem sacados, é daquelas canções que poderiam conquistar a programação das rádios, assim como outras excelentes canções do álbum Tal como o dixieland "Quando sim quer dizer não" e "Miss simpatia", esta uma parceira de Renato Martins e Gabriel Thomaz que já havia sido gravada pelo Ultraje a Rigor no disco "Os invisíveis". Outras participações especiais, são a voz de Nina Becker na balada romântica e praieira "Volte sempre" e o piano do lendário Lafayette.

                   "Chega de falsas promessas" foi gravado com a ajuda de um prêmio recebido pelo Canastra no concorrido concurso Tem Peixe na Rede, promovido pela empresa de telefonia Oi. O prêmio garantiria um contrato de gravação pela Sony/BMG, o que obviamente não aconteceu, tal fato também pode explicar o título do álbum.

                   Lançado e distribuído  pela revista Outracoisa, o disco  teve uma boa repercussão. O projeto gráfico é bem trabalhado e traz imagens conhecidas do público rockabilly, tais como dados, cartas de baralho e dançarinas de ula-ula, além de foto e letras.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

No Class "Want something" (Teenager in a Box, 1998)


                        Das bandas do interior de São Paulo dos anos 90, aquelas que levantaram poeira no Festival Juntatribo e foram sucumbindo aos poucos até o final da última década do século XX, muitas chegaram ao primeiro disco pouco depois da terceira ou quarta demotape, outras abandonaram o projeto de álbum próprio quando a vida no underground mostrou sinais de cansaço. Há também as que demoraram tanto tempo para debutar que quando chegaram ao primeiro registro cheio já não faziam mais parte de cena alguma - o que não quer dizer nada, afinal pertencer a uma "cena" não faz uma banda "melhor/pior" -, mas este é o caso do No Class.

                     O quinteto de Campinas/SP pode ter demorado um pouco para chegar ao primeiro disco, mas também dá para afirmar que o tempo de espera fez bem para as canções do No Class, pelo menos se comparado ao que fora registrado na coletânea "Pircorócócór" (Banguela, 1995). O álbum abre com "Too tired to think", rápida e melódica, assim como boa parte do álbum. Os vocais de apoio funcionam bem e dão os detalhes de outras boas canções, como "Fake it" e "Spare change". 

                    "Want something" foi lançado pelo pequeno selo paulistano Teenager in a Box, propriedade de Nenê Altro, numa embalagem simples do tipo envelope. Com distribuição e tiragem limitadas, o álbum passou praticamente despercebido.

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