segunda-feira, 31 de março de 2014

Stela Campos "Dumbo" (Independente, 2013)


         O quinto disco da paulistana Stela Campos surge atípico na discografia da multiinstrumentista. "Dumbo" é o trabalho mais intimista e confessional de Stela, composto a partir de canções engavetadas, algumas com mais de 10 anos e que ficaram guardadas à espera de um bom momento de ganhar um registro. 

                      Todas as letras são em inglês. O álbum se divide em partes mais acústicas em que o violão soa alto, "Be a bad son", "Candy shop fire" e "She's leave town", e outras mais etéreas, em "Take me back to planet earth" e "Work" , esta ganhou um belo vídeo-clipe da cineasta Maria Clara Escobar, criado a partir de imagens captadas pela própria Stela. "Dumbo" também traz uma canção estradeiras, "Traveling man", e o romantismo melancólico lo-fi de "Are you mad at me?". Em "I walk alone" Stela Campos revela sua porção PJ Harvey, um destaque do elogiado álbum. 

                   "Dumbo" é o primeiro trabalho da Stela Campos a sair somente em vinil, a versão em MP3 está disponível no site do iTunes. A prensagem é da M4M, fábrica localizada na República Checa e que frequentemente presta serviços para os discos independentes brasileiros. A bela capa é de Juliana Pontual.

                Segue abaixo uma breve entrevista do Disco Furado com a Stela Campos na qual falamos sobre "Dumbo", Vinil e Daniel Johnston! Aproveite para conhecer o raro EP em homenagem ao "doidão" preferido do indie rock norte-americano.

                [Disco Furado] "Dumbo" surge meio atípico na tua discografia, não pela sonoridade, mas sim pelas letras, desta vez todas as canções são em inglês. Naquela busca de canções para o disco já havia a necessidade para tudo ser em inglês?

                [Stela Campos] Sim. Havia um montante de canções engavetadas em inglês que eu considerava como parte muito íntima do meu repertório. Coisas que eu venho juntando há muito tempo. Elas tinham de vir à luz do dia de alguma forma - e eram muitas canções em inglês para serem pulverizadas nos meus álbuns tradicionais. O melhor seria reuni-las numa mesma coleção. Na verdade, esse material engavetado ainda me tenta... Eu queria fazer o sucessor de "Mustang Bar" - quarto disco de Stela, de 2008 - voltar às crônicas em português. Mas, o repertório original de "Dumbo" tinha mais de 30 músicas. Ou seja, eu já tenho um álbum inteiro no gatilho e ainda não sei o que vou fazer. Em inglês, a gente se expressa de um jeito mais confessional, com certeza. É como se houvesse uma tela protetora em cima do que estamos dizendo. 

             [Disco Furado] Em 2013 você participou dos shows do Daniel Johnston no Brasil e  você já tinha um EP com cinco regravações de um dos heróis do underground norte-americano. Como foi participar do show? O Daniel ouviu teu disco, chegou a lhe dizer algo?

Capa do EP "Daniel Johnston". Download aqui!
              [Stela Campos] Eu gravei o EP em 2006 e lancei em 2008, o que, no final, foi uma grande e feliz coincidência. Eu dei a ele uma cópia do EP e ele retribuiu com um abraço caloroso, mas não sei se chegou a ouvir. Integrar sua banda de apoio foi uma das grandes emoções da minha carreira. Não só no que diz respeito ao show. A passagem de som foi arrepiante. O irmão-produtor disse que o Daniel ia passar trechinhos de cada música, mas ele se empolgou: cantou as músicas do começo ao fim, com os nervos à flor da pele, dando tudo de si. Toda a banda ficou extasiada.

               [Disco Furado] "Dumbo" foi gravado já com o pensamento em se tornar um LP e hoje vemos uma revalorização deste suporte. Você acredita nesta "tendência de mercado" que vê no vinil a volta do consumo de música no formato físico?

            [Stela Campos] Eu sou do tempo do vinil. Sempre gostei do formato, que é visualmente muito mais impactante que o CD e, por isso, mais colecionável. Não vou entrar em discussões de som. Acho que o CD também tem vantagens. Não arranha fácil, por exemplo. Grande parte da minha coleção de discos é de CDs, pois era o que rolava na década 90. Naquela época, não se achava lançamentos em long play, simplesmente. Na verdade, com o advento do CD, a moda era rejeitar o vinil. Lembro que completei minha coleção do Lou Reed por uma bagatela. É um grande paradoxo com o que rola hoje em dia. Mas, sim, curto o revival, absolutamente. A ideia de dividir o repertórios em dois lados é algo que sempre sonhei - e o mesmo digo sobre a arte ampliada. Mas acredito que logo surgirá uma mídia que tornará esses formatos obsoletos. O Neil Young não para de fuçar na tecnologia revolucionária que vem desenvolvendo, a Pure Sound. Torço por ele. 

                 Escute "Dumbo" aqui!

terça-feira, 25 de março de 2014

Debate (Amplitude, 2006)


              Com o fim do Diagonal, em 2004, surgiu na capital paulista o trio Debate. A proposta entre as duas bandas carrega alguma semelhança, porém o Debate soa ainda mais experimental, pesado e com letras em português.

             A influência de bandas dos selos norte-americanos Dischord e Touch and Go é notável, volta e meia surge algum arranjo de guitarra que remete aos bons momentos do Fugazi, ou vocais que te levam ao disco "Who put out the fire?", do The Monorchid. O disco  é preenchido por guitarras distorcidas em volume alto, mas também guarda surpresas em arranjos inusitados, como os violões nos minutos finais de "Galope". São canções longas, com exceção da última, sem título, de sete segundos.

                O primeiro trabalho do Debate foi lançado pelo selo da própria banda, Amplitude. Chancela de vida e catálogo curtos, mas o suficiente para colocar em disco registros de bandas únicas, como PexbaA, SOL, Elma, Satanique Samba Trio e outras. Uma característica marcante dos álbuns da Amplitude era o cuidado com o acabamento gráfico, no disco do Debate isso não podia ser diferente, apesar da falta de maiores informações sobre a banda, por exemplo. Falta das letras, o que é proposital, afinal até mesmo os títulos das canções ficam escondidos no rodapé.

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quarta-feira, 19 de março de 2014

Aaaaaa Malencarada (Tó Records, 2002)


              Final dos anos 90 e dos restos da lendária banda Skijktl surgiu na capital paranaense o quarteto Aaaaaa Malencarada. De vida curta e intensa, a banda de nome esquisito deixou-nos apenas um registro, o seu único registro oficial.

            O álbum despeja em 46 minutos toda crueza punk rock que derrubava a energia elétrica pelos palcos em que o Aaaaaa Malencarada passava. Nem mesmo o vocal de Cris Thainy foi capaz de imprimir alguma doçura nestas 18 canções, cujos autores também comparecem no microfone, como o guitarrista  Norberto e o baixista Marcus "Coelio" Gusso. Numa das melhores do disco, "Amanhecer", quem aparece é Carlo Rettamozo. Antes de chegar ao disco o Aaaaaa Malencarada teve vídeos filmados por Peter Baiestorf e participou da coletânea em VHS "Os canibais-mabusiânus também dançam Vol. 1", de 1998.

                 A produção é tosca. O álbum soa como uma demo-tape, os pratos de bateria só vibram alto, por sorte não mais alto do que os vocais. Contudo, nada que também não acompanhe toda a urgência das letras e interpretações. A repercussão do disco foi mínima, ficando restrita aos poucos palcos curitibanos que abriram espaço para os shows imperdíveis do Aaaaaaa Malencarada.

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                     Também disponível no Youtube!

terça-feira, 18 de março de 2014

Second Come "Super Kids, Super Drugs, Super God and Strangers" (Rockit!, 1994)


                 "Super kids, super drugs, super god and strangers" veio no ano seguinte à estreia em disco do quarteto carioca Second Come. A mais cultuada das guitar bands brasileiras, junto com o Pin Ups, havia conquistado público e feito bons shows com "You", seu primeiro álbum, e surpreendeu quando em menos de um ano já chegaram com o segundo registro. Infelizmente, também o último.

               Comparativamente, "Super kids..." é melhor produzido que "You" e mostra que o Second Come conseguiu chegar bem rápido ao resultado final de suas canções. O que "You" tinha de esporrento, de uma urgência quase grunge, Super kids..." tem de calma. Ainda que barulhento, a pegada aqui é mais shoegaze.

               A produção do disco ficou a cargo de Dado Villa-Lobos e Second Come, assim como no primeiro disco, que inaugurou as atividades de selo independente para a loja de discos do guitarrista da Legião Urbana em parceira com André X, baixista da Plebe Rude. É um trabalho bastante adaptado ao formato CD, tanto que é carregado de barulhinhos, programações de bateria eletrônica e um ruído de frequência que toma os 15 minutos da última faixa. O disco abre com "High, high", com citação inicial de "Looking smiles", esta uma das melhores do álbum, e trompete de Daniel Castelo. Canções rápidas e curtas, como "Interference", "Wait" e "Aircrafts and boots", lembram os bons momentos do primeiro disco, outras passam dos cinco minutos, "Little friend" e "Airhead" e são as novidades do SC. Todas as letras são em inglês, óbvio, e autorias de Fábio Leopoldino (1963-2009).
Bizz, edição 107, junho de 1994

                 A segunda vinda do Second Come ganharia o título de "Record", o que foi mudado na última hora, tanto que nas revistas especializadas e fanzines da época o título já havia sido anunciado antes do álbum. "Super Kids..." saiu apenas em CD e teve uma excelente recepção, era muito comum ler comentários que afirmavam que se o quarteto não fosse brasileiro, teriam muito mais chances, compreensível, pois qualidade não faltava. O projeto gráfico é simples com destaque para a boa capa com foto de válvulas e transistores, obra de Rodrigo Lariú, capo do selo/zine Midsummer Madness e fã nº 1 do Second Come. O encarte de duas páginas traz letras, mas elas não pedem para ser acompanhadas, pois estão escritas à mão, obra do guitarrista e vocalista Fábio, que assina as ilustrações do trabalhos do SC. O disco teve sua tiragem inicial esgotada rapidamente e hoje em dia é objeto cobiçado.

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quinta-feira, 13 de março de 2014

V,A, Vou tirar você desse lugar - Tributo a Odair José" (Allegro Discos, 2006)



             A estrada que levou a carreira de Odair José de "o cantor das empregadas" para "ídolo indie" tem neste tributo o seu pavimento definitivo. Aqui o bom repertório do goiano de Morrinhos é revisitado de maneira respeitosa por 18 bandas brasileiras, em sua grande maioria identificadas com o indie rock.

             O álbum abre com um dos maiores sucessos de Odair José, não é por acaso que também dá título ao tributo. "Vou tirar você desse lugar" ganhou uma versão mais rock e direta com Paulo Miklos, ainda que mantenha o mesmo arranjo, com direito à citação incidental de "Candy", de Iggy Pop.
Bizz, edição 199, março de 2006

              O Pato Fu conseguiu imprimir uma emoção que "Uma lágrima" parecia não carregar em sua gravação original. O primeiro sucesso de Odair José coube tão bem aos mineiros que passaria tranquilamente como uma canção própria do Pato Fu, e tem um solo extraordinário da guitarra inventiva de John.

          Da beleza bubblegum melancólica do Suzana Flag na "Vida que não pára" para as versões com vocais doces do Leela e Columbia, em "E ninguém liga pra mim" e "Eu queria ser John Lennon", respectivamente, tem-se a sensação de que a Jovem Guarda, da qual Odair José chegou atrasado, se encaixou bem na adaptação dos grupos do novo milênio.

         O pernambucanos do Mombojó arriscaram um novo arranjo para a linda "Ela voltou diferente" com excelente resultado. A mesma sorte não teve o mundo livre s/a que não soube experimentar a releitura de "Deixe esta vergonha de lado", e olha que geralmente o mundo livre s/a cria boas versões em discos tributo. O Shakemakers injetam rock'n'roll na potente versão de "Nunca mais" do disco conceitual, obscuro e provocador disco "O filho de José e Maria", de 1977.
  
        Zeca Baleiro parece íntimo de "Eu, você e a praça", outro dos grandes sucessos do ídolo brega. O Picassos Falsos ressurge do ostracismo e ganham em "Esta noite você vai ter que ser minha". Outras boas versões são "Foi tudo culpa do amor" com os brasilienses do Suíte Super Luxo, "Uma vida só (Pare de tomar a pílula)" impecável com Arthur de Faria e Seu Conjunto e a releitura em portuñol do Los Pirata para "Cotidiano nº3". Num tributo que ainda conta com Terminal Guadalupe, Volver, Poléxia, Sufrágio e Jumbo Elektro.

            Geralmente este tipo de homenagem tende a resultados medianos, mas aqui a maioria das bandas se sentiu bastante à vontade com o repertório, e olha que ainda faltaram outras boas canções que mereciam uma revisita, como "Em qualquer lugar" e "Viagem". 

        "Vou tirar você desse lugar" saiu pelo selo conterrâneo do homenageado, Allegro Discos, um trabalho muito caprichado tanto pela seleção de artistas e repertório, quanto pela parte gráfica, impecável desde a foto da capa, passando pelas imagens de arquivo e pelo texto do encarte, autoria do professor e pesquisador de MPB Paulo César de Araujo, autor do livro "Eu não sou cachorro, não", obra definitiva para quem quiser conhecer sobre a história da música cafona brasileira.

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Sonic Junior (Nikita, 2001)


                  Juninho era baterista do Living in the Shit, uma instituição do rock em Maceió/AL, mas no final dos anos 90 já demonstrava cansaço com a demora que as coisas levavam para acontecer quando se está numa banda com mais cinco pessoas. Foi então que conheceu um equipamento que mudou seu modo de produzir, o modulador Groovebox. Alí nasceu o Sonic Junior, ainda uma "banda"-de-um-homem-só que gravava e editava batidas, baixos e efeitos eletrônicos com uma gama de referências que vão do trip hop, ao funk, passado por reggae e samba e o que mais coubesse em meio aos arranjos. Para preencher os espaços e dar mais groove para o som foi convidado o guitarrista Aldo Jones.

                 Logo a dupla registrou em CDr duas demo-tapes que demonstravam a qualidade do material, o contato com o selo carioca Nikita abriu as portas para a chegada do primeiro disco. Considerado um dos melhores álbuns dos anos 00, Sonic Junior, o disco, atualizou o manguebeat, mas sem a necessidade de se mostrar regional e cosmopolita ao mesmo tempo, sem a urgência da turma de Recife/PE e com a mesma liberdade de criação que permitia você ser uma banda esteticamente indefinida, ainda que conceitualmente ser uma banda de rock, um duo, no caso.
Bizz, edição 188, março de 2001

                  O disco abre com um cartão de visita dos bons, "Acelerou, bateu", cheia de funk, com barulhinhos e um modulador de voz bem sacado, este onipresente no disco. As letras não estão num primeiro plano e funcionam como um complemento às batidas saídas do sequenciador de Juninho, somadas às guitarras chacoalhantes de Aldo Jones. O álbum carrega uma psicodelia eletrônica um pouco por conta das referências de Dub na produção, como pode-se observar na instrumental "Shinga". As levadas hipnóticas de "Raga Jazz/U41-42", com participação vocal de Wado, e o trip hop de "Ouro Preto" surpreendem. Com exceção da versão arrasadora de "O telefone tocou novamente", do não menos sensacional álbum "Força bruta" de Jorge Ben, todas as outras canções são autorias da dupla Juninho & Aldo.

                Gravado e mixado no próprio estúdio da banda, o Sonic Estúdio, o primeiro registro do Sonic Junior foi muito bem recebido pela mídia especializada que não poupou elogios a estreia. Para o lançamento a dupla veio para o sudeste e ganhou público com seu potencial sonoro de banda e boa presença de palco. Os shows não deviam nada ao som que no disco conquistou admiradores. Em nenhum outro disco o Sonic Junior se igualou ao que temos aqui.

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terça-feira, 11 de março de 2014

Name It Yourself "Quero ser Paulo Ricardo" (Independente, 2005)


          A obsessão do Name it Yourself pelo decadente galã do rock brasileiro dos anos 80 Paulo Ricardo talvez seja a culpada pelo quinteto paulistano não ter recebido muita atenção com seu primeiro trabalho. Pelo título e pela arte gráfica do envelope que embala o CD, "Quero ser Paulo Ricardo" tem tudo para ser uma piada sem graça. E consegue ser uma piada sem atrativo, mesmo fazendo graça com a capa do filme "Quero se John Malkovich", de Spike Jonze.

          Entretanto, é quando o CD roda no aparelho que toda a "graça" da capa e do título passam a não ter importância. O que temos em "Quero ser Paulo Ricardo" são 12 hardcores muito bem gravados e executados com um vocal ora beirando o grindcore, "Eu não bato palmas" e "Falou", ora mais melódicos, A alma do negócio" e "Camisa cor de rosa". E tem boas letras, como "Pau no cu da cena" e "Esquadrão de ouro", esta sobre parte dos 21 anos de Regime Militar, um tema nada frequente em bandas de hardcore, principalmente nas surgidas depois da virada do milênio.

           O álbum levou mais de um ano entre 2003 e 2004 para ser gravado. A produção é do Fernando Sanches e a gravação ocorreu no seu estúdio, o El Rocha, local onde foram gravados muitos discos conhecidos do hardcore brasileiro da última década. A mal resolvida arte gráfica é autoria do vocalista do Name it Yourself, 286.

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Índios Eletrônicos & Angelo Esmanhotto "Hindustrial" (Peligro, 2007)


             "Hindustrial" é o nome do disco que uniu a dupla João XXIII e André Ramiro, os Índios Eletrônicos que também são parte do ruido/mm, com o multi instrumentista e pesquisador de música indiana Angelo Esmanhotto. Um trabalho que passou despercebido quando lançado, mas que faz parte dos bons discos de post rock brasileiro, se é que podemos chamar o projeto desta forma.

            São 5 longas faixas instrumentais, a última, "Sonata para elefantes", tem mais de 15 minutos, sendo a maior parte preenchida com silêncio. Pode-se observar que os arranjos de cítara foram bem trabalhados por Angelo Esmanhotto, enquanto o duo Índios Eletrônicos se encarrega de criar o clima atmosférico ao fundo, como os ruídos tirados de frequências fora de sintonia. Os títulos das canções dão conta do experimentalismo, tal como "Anjo anjo", "Lobisomen tubarão" e "Orfanato de cobras".

            O álbum foi lançado pelo selo paulistano Peligro Discos e recebeu pouca divulgação. O trabalho gráfico segue a linha de outros lançamentos do selo: CDr com envelope pardo sobre a arte adesivada.

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Jello Viagra "Pra quem é... tá bom!" (Seven Eight Life Recordings, 2003)


              Primeiro: Jello Viagra é um dos melhores nomes que uma banda de brasileira de hardcore pode ter. Segundo: seu único disco é muito bom.

                 O quarteto de Santo André/SP se deu bem nos rápidos 18 minutos de "Pra quem é... tá bom!", o som é hardcore old school, mas com uma forte influência de bandas como Mukeka di Rato e F.Y.P. Os temas das letras não fogem muito ao que é próprio das bandas de hardcore: exploração cristã, "Templo é dinheiro", imperialismo norte-americano, "Tio Sam", influência da TV, "Televisão é a imagem da besta" e "Senhor Abravanel". O destaque fica para a banda que segura muito bem as canções rápidas, assim como riffs distorcidos da guitarra de Fernando e os gritos insanos de Gonta. A única versão fica por conta da regravação em velocidade sônica para "I don't wanna hear it", do Minor Threat. Como eles mesmo dizem HC dü Kapeta!

               O álbum foi o terceiro lançamento do selo paulistano Seven Eight Life Recordings, que nos anos seguintes se notabilizou por lançar discos e agenciar turnês de bandas hardcore envolvidas com o "movimento" Straight Edge, o que parece não ser a opção do Jello Viagra.

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quarta-feira, 5 de março de 2014

V.A. "Rock Baixada" (Mosh Records, 1993)


        "Rock Baixada" é uma coletânea com 6 bandas que tocavam no bar Tutti Frutti Rock Point, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense/RJ. O disco foi idealizado por Reginaldo Ferreira, que tocava no Ocaso, e convidou outras bandas para participar do projeto coletivo. As bandas que aceitaram entraram no projeto com uma música, retirada de demo-tape autoproduzida, e mais parte da "vaquinha" para prensar o disco, por sinal o financiamento do LP recebeu contribuições de Dado Villa-Lobos e o corte foi feito na "brodagem" por Nunes, da EMI  - o que garantiu a boa qualidade do áudio, mesmo se tratando de um álbum de demo tapes sem retoques.

               Todas as bandas são da Baixada Fluminense, com exceção do Wild Sex Machine, que é da Zona Sul do Rio de Janeiro e entrou no disco porque participou da divisão de custos. 
        
                 Em 24 minutos "Rock Baixada" apresenta bandas com trabalho autoral que pode ser dividido entre os que ainda se mantinham influenciados pelos anos 80 - ManifestoOcaso e Degrau 5 -,  e as bandas que já mostravam um pouco do que acontecia e ganharia parte do anos 90 - PoindexterWild Sex Machine e Children Sex. Nesta caso as últimas se saíram melhor, com destaque para o Poindexter, um dos pais de uma cria carioca chamada Rapcore, bem comum em algum momento dos 90's, a única das bandas da coletânea a chegar ao primeiro disco cheio . 

                   Da ala oitentista não dá salvar muita coisa, o Ocaso traz um clima denso bem gótico calcado na cama de teclados e sinos em "Depois, anterior ao fim". O Degrau 5 faz uma choradeira sentimental em "Ao seu redor", esta é bem anos 80 mesmo. O Manifesto soa ingênuo na letra de "Desistência civil", mas mantém uma relação com o desgosto de ser brasileiro depois de 21 anos de Regime Militar, somados ao desmandos de Sarney e da corrupção do Collor.

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