quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

OZ "Sangre de Dios" (Berlin Records, 1995)



               Um trio de doido. Alucinados fãs de Pixies e de alguma substância natural, que deve ser a mesma que faz presença na mão do alienígena que ilustra a capa do primeiro e único disco do OZ.

              Formado em Brasília em janeiro de 1992, o OZ chamava a atenção por construir uma sonoridade influenciada pelo rock alternativo norte-americano, mas com uma liberdade criativa que permitia o uso de bateria com latas para acompanhar riffs de guitarra e letras em inglês de versos curtos e nonsense. André "Pac Man" (guitarra e vocal), André "Mowgly" (bateria) e Marcelo "Bighead" (baixo e vocal), este posteriormente conhecido como Nego Moçambique, conquistaram um considerável público em Brasília e a demo-tape "Très bien mon ami" é objeto cultuado entre os aficionados pelos registros em k7 das bandas do underground brasileiro.

            O álbum só veio em 1995. "Sangre de dios" foi gravado em São Paulo e lançado pelo selo brasiliense Berlin Records, a ocasião de lançamento rendeu um público de 5 mil pessoas para assistir o OZ. 


          Com 22 músicas distribuídas em 39 minutos o OZ esbanja barulho e maluquices, "Space cake" é praticamente um hit da banda e vem daí a sua comparação com o Pixies, impossível não lembrar de Black Francis ao ouvir o vocal anasalado e o jeito de cantar de Pac Man, isso sem falar na ode a maconha presente na receita deste bolo espacial. "Walk like an egyptian" é a única canção não composta pelo trio, pois trata-se de um clássico do Bangles, aqui numa bela versão hardcore.
  
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domingo, 19 de janeiro de 2014

Burt Reynolds "We came in peace for all mankind" (Monstro Discos, 1999)



                    Em meados, mais precisamente entre 1993 e 1998, festivais independentes eram organizados e uma "teia" se formava para o bem do underground brasileiro, que incluía jornalistas especializados, selos independentes e casas de show dispostas a receber bandas, que cantavam e inglês e pouco se comunicavam com a geração rock Brasil dos anos 80, ou mesmo da décadas anteriores.

            Cada cidade tinha a sua cena, obviamente isso não aconteceu em todos os municípios, mas muitos se autointitulavam como a "Seattle brasileira" e se vangloriavam por ter a maior quantidade de bandas de garagem por  metro quadrado, tal como aconteceu nos cenários de Curitiba, Piracicaba, Goiânia, e Jundiaí. Esta não apenas usou do título, que era transferível para cada cidade, mas também o transformou em nome de selo independente exclusivamente de fitas demo, Visite Jundiaí: a Seattle brasileira records. Por trás da iniciativa que ganhou meia página do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 1995 estava o quarteto Burt Reynolds, que por sua vez emprestava o nome do famoso ator do cinema norte-americano - qualquer semelhança com o Pin Ups, que a partir do segundo disco intitulava seus álbuns com nomes de atores, deve ser mera coincidência.

             O Burt Reynolds deixou apenas um registro, exceto demo tapes, o compacto "We came in peace for all mankind". O disco traz quatro canções em 12 minutos e se aproxima do som guitar brasileiro, guitarra em volume alto, arranjos simples, letras em inglês tosco e o vocal melodioso de Paula. Ora mais dançante, "Andrea true", ora mais punk "Out of control", destaque para as guitarras em "The lake".

           O álbum foi o segundo lançamento do selo goiano Monstro Discos, o compacto vermelho foi embalado num projeto gráfico caprichado de Fabio Cobiaco (capa) e Pedro Cobiaco (encarte) e há muito se encontra fora de catálogo.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Vzyadoq Moe "O ápice" (Wop Bop, 1988)


           Formado em abril de 1986 o quinteto de Sorocaba/SP Vzyadoq Moe chamava a atenção da mídia, e de uma pequena parcela do público, com seu som pós-punk à base da desconstrução musical. Vocais fora do tempo e bateria "artesanal", que misturava peças do instrumento com caixa de papelão, latas e uma placa de metal, somados a arranjos de baixo e guitarra repetitivos, tiveram seu som rotulado como um industrial desplugado. Na verdade, foram mais um eco do pós-punk paulista que deu outros bons nomes na década de 80.

Bizz, edição 34, maio de 1988
       

               O disco se divide entre o "Ápice da finitude carnal", o Lado A, e "O ápice da ressurreição", o Lado B. Nas 10 canções encontramos arranjos caóticos para as letras, ou anti letras, expressionistas/dadaístas de Fausto Marthe. "Junto ao céu" abre o "O ápice" com bateria acelerada, baixo galopante e guitarras caóticas, uma mostra do que surge no restante do álbum. Apesar do disco ser todo construído sem instrumentos digitais, com exceção de um sampler, muitas vezes as latas de Marcos Stefani soam como uma bateria eletrônica, como em "O último desígnio". A parte percussiva também dá em dois sambas, "Redenção" e "Não há morte", antecipou em seis anos as misturas que caracterizariam o rock nacional dos anos 90, aqui mais densas e sombrias.



            O disco foi produzido pelo jornalista e também integrante do grupo pós punk paulistano Chance, José Augusto Lemos, o Scot, e as gravações ocuparam duas semanas do Estúdio Eldorado. O lançamento ficou para o lendário selo/loja de discos Wop Bop. "O ápice" teve uma boa repercussão, ainda que sonoramente o álbum não transmitia o impacto das apresentações do Vzyadoq Moe, foi relançado em CD pela RDS Fonográfica em 2000, numa tiragem de mil unidades tão raras quanto o LP. O Vzyadoq Moe tinha a intenção de fazer um som único, "de não se parecer com nada", como diziam na época, e conseguiram.

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