segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

V.A. "Jam 80" (Rockit!/Showbizz, 1999)


             A final de um festival/concurso de bandas - Skol Rock, em 1997 - trouxe de volta aos palcos Dado Villa-Lobos. Para completar o time, que homenagearia o rock brasileiro dos anos 80, chamou os amigos Herbert Vianna, João Barone, Bi Ribeiro, Tony Platão, Dinho Ouro Preto, Jander "Ameba" Bilaphra, Alvin L. e Fausto Fawcett. O resultado deste encontro deu no registro de um trabalho despretensioso. Sim, a maior qualidade de "Jam 80" é que é tudo muito cru, com erros e improvisos e escolhas feitas no calor do momento.
    
         Poucos dias depois do show do Skol Rock, em dezembro de 1997, novamente a turma da "Jam 80" se reuniu. O nome do projeto, primeiramente chamado de "Fuckin'80's", se encontrou no estúdio AR, sob a direção de Tom Capone (1966-2004), para registrar o repertório de sucessos tal como uma "big band" do rock brasileiro dos anos 80. O resultado deu neste CD, lançado pelo selo de Dado, a Rockit!, e distribuído dentro da revista Showbizz. As sobras do encontro no AR deram em outros dois trabalhos, o CD "Combat Rock", também lançado pela Rockit!, em 2001, e o disco "Combat Rock Jam Session", lançado pela EMI em 2005. Cada álbum traz uma nova "sobra" da gravação no estúdio AR. 

          "Jam 80" é um trabalho de canções curtas e que traz boas versões. A produção é crua e não recebeu muito polimento por parte de Tom Capone, ora alguns vocais surgem baixos, como os de Herbert Vianna, ora guitarras somem e reaparecem. O mais interessante, para os que gostam do rock brasileiro dos 80's, é a despretensão que transparece na reunião, possivelmente seu maior mérito.

          Dado Villa-Lobos estreia, de pé esquerdo, no microfone em "Toda forma de poder", hit do Engenheiros do Hawaii. Dinho Ouro Preto tem melhor sorte com "Fui eu", do Paralamas do Sucesso. Fausto Fawcett acelera "Kátia Flávia, a godiva do Irajá" e de improviso cita um trecho de "Suicide Blond", do INXS, banda do então recém falecido vocalista, Michael Hutchence.

Showbizz, edição 165, abril de 1999

           Roger Moreira participou à distância com os vocais de "Sheena is a punk rocker", do Ramones - estes quase mentores do projeto vide sua característica "one, two, three, four", ou seja, sem frescura. Alvin L., ex-Rapazes de Vida Fácil e Sex Beatles, recupera o sucesso new wave-surfista-carioca "Popstar", do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Herbert Vianna encara uma homenagem à Legião Urbana com "Geração Coca-Cola" e no final volta ao lado de Jander para uma versão quase fiel de "Sexo e Karatê". O álbum ainda traz Jander assumindo todas as partes de "Ate quando esperar" -  a Plebe Rude ainda não havia retornado - e Tony Platão seguindo a trilha de Fausto Fawcett, ao escolher o hit de sua ex-banda, o Hojerizah, com a bela "Pros que estão em casa", Tony também é o responsável pelos vocais da segunda homenagem à Legião Urbana presente no disco, em "Será".

        O final da década de 90 marcou um revival da "Era de ouro" (?!) do rock brasileiro dos anos 80. Pelo menos se tivermos como comparação as páginas da revista Showbizz. Quase todas as edições, entre 1999 e 2000, traziam páginas dedicadas ao rock dos anos 80, seja em reportagens especiais divididas em partes sobre o rock de Brasília ou numa busca por elencar todos os nomes de sucesso do rock brasileiro dos 80's. Era uma resposta a um desejo do público e a edição que trouxe o disco "Jam 80" de brinde vendeu aos tubos.
       
        Quer ouvir? Download aqui!

2 comentários:

  1. Eu já ouvi esse CD e é muito foda! Uma porrada nos ouvidos made in 90s mas como se soasse ainda nos anos 80!

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  2. Do you drink Pepsi or Coca-Cola?
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