terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mombojó "Nadadenovo" (L&C Editora, 2004)


             No festival recifense Abril Pro Rock de 2002 um septeto formado por meninos recém saídos da adolescência chamou a atenção do público e imprensa que acompanhava o festival. Tratava-se do Mombojó e sua mistura de Samba + Bossa Nova + Surf Music + Stereolab que atualizou o som produzido em  Recife/PE, agora um pouco mais distante dos ritmos folclóricos, como o Coco ou o Maracatu, e mais inserido num cenário de pop rock carregado de referências externas à música, como cinema, artes visuais e literatura.

          Não que as bandas do manguebeat não trouxessem paisagens visuais além da música, pois elas estavam lá (ainda estão), nas letras que revelaram uma ficção científica inserida no mangue, na literatura de Josué de Castro e Euclides da Cunha, ou mesmo no "slogan" da parabólica enfiada na lama. Entretanto, no Mombojó a busca de referências permeiam o som sem bandeiras/discurso, sem alfaia, sem guitarra pesada. Ficou a bateria simplificada, apenas bumbo, caixa e pratos e a eletrônica diluída e confortável.

             Da descentralização estética sobrou a liberdade de fazer músicas sobre amor e de trabalhar arranjos em que tudo coubesse. Neste sentido, o título "Nadadenovo" pode soar paradoxal, afinal as referências são tão novas assim, mas a reinserção mostra uma banda atualizada e com um som realmente novo.

              Gravado com o apoio da Prefeitura de Recife, o álbum abre com "Cabidela", curtinha, funciona como uma introdução ao disco, à mundo livre s/a, uma referência bem próxima ao Mombojó. "Adelaide" traz energia jovem guardista tal como uma balada de amor, uma das poucas a ganhar vídeoclipe. A surf music dá a vez na introdução de "Deixe-se acreditar", uma das melhores do disco. Faz uma boa sequência com a melancólica "Nem parece", com destaque para a flauta de Rafael "O Rafa" Torres (1982-2007).

           Curiosamente, o disco sempre carrega alguma surpresa na introdução das músicas, logo os primeiros segundos dão espaço para outras músicas, mais ou menos como se houvessem trechos de músicas na totalmente desenvolvidos e inseridos dentro de uma mesma música, como o reggae que antecede "O céu, o sol e o mar". As letras revelaram o talento de Felipe S., algumas feita em parceria com China, como "Estático", "Adelaide", "Cabidela" e "Deixe-se acreditar". 
Revista Outracoisa, março de 2004


        A vinheta "Discurso burocrático" emenda com "A missa", tratada como um hit do Mombojó, um tanto soturna "A missa" já havia aparecido na segunda coletânea da Revista Frente, sob um remix do coletivo Re:combo. "Faaca" tem um dos refrões mais bonitos do repertório do Mombojó e depois de um momento noise emenda com a melancólica "Baú", novamente aquela flauta faz toda a diferença harmônica nas canções.

           "Nadadenovo" Chegou às bancas de todo país junto com a Revista Outracoisa em março de 2004 no valor de r$11,90 vendeu bem e "Nadadenovo" recebeu elogios por toda parte. O projeto gráfico traz o ilustrações de fotos do trabalho "Impressões sobre minha vagina", obra de Christina Machado, mãe de Vicente e Marcelo, respectivamente bateria e guitarra do Mombojó. O disco rendeu shows pelo Brasil, participações em projetos como Trama Universitário e um DVD com o registro de "Nadadenovo" lançado pelo projeto Itaú Cultural. Anos depois ainda é lembrado com um dos melhores discos da primeira década do novo milênio.

            Quer ouvir? Download aqui!

3 comentários:

  1. Me caro disco_furado, sensacional esse seu blog! Curti muito encontrar músicas/banda que marcaram minha adolescência, como Okotô, Defalla, Patife e tantos outros que ninguém mais fala... um que senti falta foi o Yo-Ho Delic, lembra deles? Obs: o download do Kingzobullshitbackinfulleffect'92 não está funcionando... grande abraço.

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  2. muito bacana esse album, me lembro de escutar muito nas tarde de minha adolescencia, parabéns pelo blog (y)

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