quinta-feira, 20 de novembro de 2014

DMN "Cada vez + preto" (Zimbabwe Records, 1993)


            Formado em 1989 em São Paulo/SP o DMN chegou ao primeiro disco quatro anos depois. "Cada vez + preto" traz 12 canções que tratam, em sua absoluta maioria, sobre preconceito racial. As letras carregam uma necessidade de conscientizar o ouvinte sobre os valores dos negros e como a intolerância racial está presente no cotidiano. 

            A abertura do lado A já dá mostras do conteúdo. A vinheta "Introduzindo Chaos 92 memória" tem uma colagem de áudios editados do Jornal Nacional que apresentam situações de racismo e injustiça sofrida pelos negros e seleciona um fato marcante daquele ano, o massacre de 111 presidiários no Carandiru. "Já não me espanto" fala de sociedade e Estado opressor, esta faixa foi produzida junto ao KL Jay.

            Mesmo quando as músicas trazem batidas mais dançantes, com influências dos sons dos bailes blacks de São Paulo, as letras ainda carregam revolta e relatam situações em que negros se veem marginalizados, como em "Como pode estar tudo bem?" e "Mova-se", esta diz sobre resistência e a batida convida ao passo à frente.

             "4p" reclama o  poder para o povo preto, recorre aos nomes de negros importantes nas artes e afirma o orgulho de ser negro. O nome 4p também deu origem ao selo do DMN, que neste disco recebia o complemento Ezcur$$ões T-rrori$taz. A vinheta "Errata-ta-ta" abre o lado B e introduz "Considere-se um verdadeiro preto", canção que trata do tema "costumeiro" de chamar o negro de negão e os apelidos derivativos. afirma a valorização da história dos negros e dever de todos em reconhecer os preconceitos escondidos nos hábitos. "Aformaoriginalmental" retoma os momentos mais dançantes do lado A, com uma seleção de samples e um riff de guitarra que atravessa as letras cujos temas lembram colagens do disco, pois já foram abordadas em outras canções. O álbum se encerra com "F... Inferno 93 saindo", instrumental de batida lenta e pesada, uma cara para o tenebroso ano que também se encerrava.

               "Cada vez + preto" foi lançado pelo selo paulistano Zimbabwe, equipe de som e casa dos primeiros discos de Rap feitos em São Paulo, com distribuição pela Continental/Warner, também disponível em k7 e CD, neste formato acrescido de outras músicas. O DMN levou mais quatro anos para registrar seu segundo disco, mas mesmo com poucos registros o grupo se firmou como um dos principais nomes do Rap nacional da década de 90.

                 Quer ouvir? Download aqui!
                 Também disponível no Youtube!

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