segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Tek Noir "Alternative" (Stiletto, 1990)



               Tek Noir é o nome da dupla formada por Marcelo Donolo e Filipo, aqui conhecidos como Mark Rhiley e Phillip Ashley, respectivamente, e "Alternative" é seu primeiro, de dois, álbuns. A dupla formada em 1988 foi, e é até hoje, a maior investida em se fazer tecnopop, ou synth pop, no Brasil. Tal título pode até ser questionado, mas o caráter pop radiofônico deste álbum é insuperável no gênero, não é para menos que um trabalho desvinculado das grandes gravadoras e até então quase ultrapassado e vinculado aos apreciadores do estilo, tenha se tornado um bom vendedor do selo Stiletto. Uma representação inglesa que botou no mercado nacional de fim dos anos 80 discos absolutamente fantásticos do Joy Division, The Fall, Durutti Colomn... e teve poucas investidas em grupos brasileiros, como no terceiro disco do Harry, além das estreias do Pin ups e Tek Noir.

            "Alternative" traz músicas longas, boa parte com mais de cinco minutos, mas que são características do tecnopop . O ouvinte pode ser enganado muitas vezes e pensar que se trata de um disco de um disco do Pet Shop Boys. Aqui tudo é feito para conquistar o mercado internacional, desde os nomes dos integrantes, um brasileiro, outro argentino, até a produção, dividida entre Mark Brydon, que assinara trabalhos importantes do Yazz e Cabaret Voltaire, e Dino Vicente, cuja experiência com sintetizadores incluía trabalhos com Rita Lee, Joelho de Porco e Som Nosso de Cada Dia.

           O lado A abre com um hit de rádio, principalmente das programações especializadas em música eletrônica, "Beat the rhythm" traz uma batida eletrônica acrecida de vocais robóticos, ecos, backing vocals e sussurros, um excelente cartão de visitas ao tecnopop brasileiro para exportação.  "Drawing of sorrow" é outro hit, dançante, podia ser a nova do Bomb the Bass, refrão grudento e efeitos de synth simulando um cravo em volume alto, muito pop. Em "Talk of desire" os teclados fazendo ambientação sobre efeitos eletrônicos de blips blops, vocais femininos que garantem a melodia e o som de um triângulo marca, tal qual um mentrônomo, toda a extensão da música. Em "One way or another" sobra um pouco de sotaque, mas isso é só uma chatice para quem quer provar que o Tek Noir realmente foi formado no Brasil. O lado B traz a soturna, robótica, e boa "In the name of father" e "Hemispheres divide", bem pop, mais suave, talvez a "balada" do disco, com um potencial de hit não aproveitado.
"O Marc e o Philip tinham todas as composições prontas e eu fiz a pré produção no meu estúdio antes de irmos pro estúdio Mosh. re-sequenciamos todas as tracks e adicionei os meus synths analógicos para deixar o som mais pesado.Lembro de ter usado bastante o Mini Moog e o Pro One SCI. O Mark Brydon chegou na segunda fase do projeto, e adicionou uns samplers. Sem deixar de anotar que a boa vontade do Oswaldo Malagutti Jr, dono do Mosh, tornaram esse projeto possível" 
                                                           Dino Vicente (co-produtor de "Alternative")
Bizz, edição 61, agosto de 1990
              Por mais que não tenhamos números, é possível afirmar que "Alternative" teve um boa vendagem, afinal é fácil encontrar algum exemplar dando sopa despercebido nos sebos. O disco teve boa repercussão, com exceção à resenha destruidora que André Forastieri escreveu para a Bizz, e chegou às rádios de várias partes do Brasil. Mas o "sucesso" não foi suficiente para deslanchar a carreira internacional do Tek Noir, que antes de debutar em disco chamava atenção do público com a abertura dos shows da primeira turnê brasileira do Information Society, e nem o suficiente para segurar o selo Stiletto em atividade. A falta de uma estrutura fez com que o selo fechasse as portas com pouco mais de dois anos de existência, deixando um belo cadáver de discos que possivelmente nunca teriam uma edição brasileira - afinal, qual gravadora estaria interessada num disco do Felt? Obrigado Stiletto! 

                  Quer ouvir? Download aqui!
                  Também disponível no Youtube!

10 comentários:

  1. Eu tive esse vinil. Era bem na onda information society e human league. o vocal é até bem parecido.
    Vi uns videos deles no you tube dia desses. Pra quem gosta dessas oitentices (apesar do disco ser 90s), dá pra ouvir até hoje.

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  2. richardjal!
    Acho o som bem datado nos 80's, como vocês disse, o fato de termos um lançamento deste em 1990 até não surpreende, mesmo nesta época os estúdios aqui ainda não davam conta deste tipo de produção. é para quem gosta, eu gostei, mas não vou ouvir muito depois da postagem. ehehehhe

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  3. TENHO O ALBUM E NÃO DESFAÇO DE JEITO NENHUM!"

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  4. Fazia muitos e MUITOS anos que procurava as letras do TEK NOIR.
    O André Forastieri realmente defecou em cima da banda com o comentario que fez na BIZZ jogando uma pá de cal na pretensa música eletrônica brasileira...
    Achei...Vou ouvir com meus ouvidos de anos 80/90 e vou curtir de novo ��

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  5. Fazia muitos e MUITOS anos que procurava as letras do TEK NOIR.
    O André Forastieri realmente defecou em cima da banda com o comentario que fez na BIZZ jogando uma pá de cal na pretensa música eletrônica brasileira...
    Achei...Vou ouvir com meus ouvidos de anos 80/90 e vou curtir de novo ��

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  6. Thanks for the nice comments, guys.

    - Marc

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    1. Tek Noir é uma de minhas bandas favoritas. top 10 fácil.

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  7. Tenho até hoje o vinil, me lembro que eles venceram um concurso de bandas na Band TV, em 1989 e daí veio o disco, que era parte da premiação daquele programa.

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  8. TENHO ESSE LP É MUITO BOM ELES SE PARECEM MUITO COM DEPECHE MODE E NEW ORDER

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