terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viper "Tem para todo mundo" (Castle Brasil, 1996)


                    Quando você vê a capa do último disco da segunda fase do Viper - a primeira com André Mattos nos vocais rendeu dois elogiados discos ao, então, quinteto paulistano - você pensa: "Que capa horrível!" Depois fica difícil de ouvir o disco sem pensar em algum momento: "Que disco horrível!". 

                    É por aí mesmo. O disco que pôs o Viper num jejum fonográfico de 11 anos - teve uma coletânea neste meio de tempo, mas não conta - trazia uma novidade, um repertório essencialmente em português. Poderia ser a chance da banda ganhar público brasileiro, depois de marcar pontos inesperados no disputado mercado japonês e realizar turnês pela Europa, o não aconteceu e nem chegou perto. E por várias razões.

                    Primeiramente, "Tem pra todo mundo" é irregular na proposta. A sonoridade e produção do tipo rock brasil anos 80, a cargo do produtor da maior parte dos discos da Legião Urbana e ex-dono de selo independente Mayrton Bahia, já não agradavam mais. As letras eram péssimas. 
                    
                    Havia uma tentativa de atirar em várias frentes, "Na cara do gol" versava sobre futebol e trazia o apoio do grupo percussivo de Ivo Meirelles, a Funk'n'lata. "Crime na cidade" trazia metais e uma certa alegria que em nada se identificava na letra. "Dinheiro", que abre o disco, até que se esforçava no caminho do pop rock, mas estava longe de ser um hit, trouxe a participação tímida dos vocais de Dado Villa Lobos. "Not ready to get up" é uma das duas com letras em inglês, ganhou um vídeo clipe feito com o resgate de imagens captadas em outros vídeo clipes do Viper, e não passou em lugar nenhum. A única regravação é uma versão de "Mais do mesmo" não tão distante da original cometida no terceiro disco da Legião Urbana (olha eles aí de novo) mas, Renato Russo não ouviu a homenagem no disco em que o Viper mais se aproximava da maior banda brasiliense, pois morrera pouco antes. "Quinze anos" até se arriscava numa melancolia juvenil, mas também não garantia unidade ao disco.

              Vai ver é como o título indica: Tem pra todo mundo. Entretanto não tem pra ninguém. Nem mesmo para o empreendimento fonográfico que estreava no Brasil com o quinto disco de estúdio do Viper. A Castle Brasil fechou as portas por aqui duas semanas depois de pôr o álbum na praça. Como consequência disso, "Tem pra todo mundo" foi mal divulgado, mal distribuído (apesar de esgotado a única tiragem) e levou a banda a um hiato. 

              Quase ninguém ouviu o disco, que talvez não merecesse tantos ouvidos, passou meio despercebido. E ouvindo hoje dá para afirmar que "Tem pra todo mundo" já era velho antes de ter nascido.

               Quer ouvir? Download aqui!

4 comentários:

  1. Eu gosto do Viper de todas as fases (andre matos e fase hard rock) mas nunca ouvi esse aí.
    Vi uma vez o clip de dinheiro e achei horrível. Tu falaste tão mal aí no review que nem vou perder meu tempo hehee

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    1. richardjal!
      Eu gosto do "Coma rage", acho um bom disco de hard rock, mesmo esta não sendo a minha preferência. A fase André Mattos é a mais importante, pois mostrava que uma banda brasileira podia fazer um power metal melódico numa época em que o estilo ainda não havia "estourado".
      Mas ouça o disco. Tem no youtube agora, o link tá aí em cima. Vai que você descobre alguma coisa boa, eu não achei. heheheh Abraços e obrigado pela visita!

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  2. Viper é a banda mais mutante do rock brasileiro. Passeou por aqui e por acolá, sempre com trabalho de qualidade. Se as pessoas ouvissem esse disco sabendo que, sendo Viper, cada disco é uma obra única e pode se entendida independentemente dos outros, veria que tem muitos pontos positivos. De fato, não é o melhor disco da banda. Talvez seja o pior. Ainda assim, se perdessem um pouco o preconceito veriam que é um bom disco.

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