terça-feira, 16 de setembro de 2014

Querosene Jacaré "Você não sabe da missa um terço" (Paradoxx, 1998)


                     Dentre as bandas de Recife/PE da década de 90 nem todas estavam de olho no som do futuro com suas parabólicas fincadas na lama, o Querosene Jacaré é uma destas exceções. Ao invés da alfaia e do maracatu, o sexteto preferia o rock setentista, estava mais para Ave Sangria do que para Lia de Itamaracá, ainda que o seu único disco ainda traga alguns momentos de influência nos sons folclóricos locais.


Rock Press, edição 15, agosto de 1998
                      "Você não sabe da missa um terço" abre pesado com "Mandacaru" e aos poucos vai assumindo outras faces, sempre em meio às guitarras ruidosas e carregadas de riffs. "O boby" traz pandeiro e se aproxima do repente, enquanto a canção que dá título ao álbum beira o hardcore. "Catador de papelão" tenta unir hardcore e pandeiro. "Meu corpo" é um funk de guitarras dançantes que combina com a letra. Por sinal, as letras ficam aquém à sonoridade do Querosene Jacaré, um melhor trabalho nos vocais de Ortinho fariam bem à produção do disco que sobra guitarra, como atesta a instrumental "Coice da jumenta". 
             
            O álbum foi lançado pelo selo paulistano Paradoxx, provavelmente o selo independente que mais vendeu discos no final do anos 90, e produzido por Zé da Flauta e Paulo Rafael, dois conhecidos músicos pernambucanos dos anos 70. A arte do CD traz uma capa em total sintonia com a década do rock pesado no nordeste, pois utiliza a mesma arte do tradicional combustível de lampião Querosene Jacaré. O disco que revelou o Ortinho teve uma repercussão mediana na mídia e não rendeu nenhum hit. 

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