sexta-feira, 16 de maio de 2014

Graforréia Xilarmônica "Chapinhas de ouro" (Zoon Records, 1998)


             Há 16 anos a Graforreia Xilarmônica lançou seu mais recente disco de canções inéditas. Na verdade, não tão inéditas assim, afinal, a demo tape "Com amor carinho"(Vórtex,1988) já trazia boa parte das canções que foram divididas entre o primeiro disco, "Coisa de louco II" (Banguela, 1994) e "Chapinhas de Ouro". Acontece que a GX sempre teve uma penca de canções, um repertório de boas letras e uma facilidade de criar arranjos criativos para embalar um vasto repertório próprio.

           "Chapinhas de Ouro" saiu num momento em que a banda, agora novamente um quarteto com a entrada do guitarrista Eduardo Christ, resistia à sobrevivência. Mantinha seu QG no Sul e poucas vezes arriscava vôos interestaduais, por mais que a popularidade da GX tivesse ascensão inversamente proporcional à existência em palcos e álbuns. Por falar nestes, "Chapinhas..." levou pouco tempo para ser gravado, processo analógico e rápido totalmente realizado em Porto Alegre/RS pela banda e o produtor Thomas Dreher.

                 O disco traz um punhado de hits em desfile. Seis destes velhos conhecidos daquela demo tape que te falei, são "Fulvio Silas", "Eu gostaria de matar os dois", "Colégio interno", "Baby", "Benga minueto" e "Eu". Das novas, outras pérolas como "Meus dois amigos", "Beethoven" e "Mixto quente". Esta, por sinal, é uma das grandes obras da GX, linda letra sobre a incompatibilidade térmica de um casal, cai num refrão com citações de atores populares com direito a solo de piano, o arranjo acompanha a beleza da letra.
Bizz, edição 193, fevereiro de 1999

            "Pensando nela" é a única regravação do álbum, hit da Jovem Guarda na voz do Golden Boys, perfeitamente adaptada ao "cancioneiro graforréico". "Iluminados monstros do amor" vem da aproximação entre dois personagens fundamentais do rock gaúcho, Frank Jorge, baixista da GX, e Plato Divorak, a letra da dupla segue a linha do desbunde tão anárquico quanto psicodélico das obras do Plato.

            "Chapinhas de ouro" foi lançado pelo pequeno selo local Zoon Records, com patrocínio do Guaraná Nevada. A repercussão do disco foi boa, apesar de ficar restrita à localidade da banda, o disco evaporou e poucas unidades cruzaram a fronteira do Rio Grande do Sul. Em janeiro de 2000 um show no Bar Ocidente encerrou as atividades da Graforréia, um ultraje à curta discografia do quarteto/trio/quarteto. Mas foi por pouco tempo - ufa! - cinco anos depois o trio voltou aos palcos para registrar um álbum ao vivo.

               Quer ouvir? Download aqui!

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Oh Zé Colmeia! Legal! Esperarei a carta. Peguei uma edição encadernada com as três primeiras edições da Tarja Preta e tem uns trampos teu lá! Muito bom! abraços!

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