terça-feira, 8 de abril de 2014

Violeta de Outono (Wop Bop/RDS, 1986/2000)


                O sucesso do trio paulistano Violeta de Outono foi uma exceção dentre outras bandas de sucesso do rock brasileiro dos anos 80. Primeiramente pelas referências, enquanto boa parte dos nomes representativos da época se espelhavam nas bandas contemporâneas do rock inglês e da new wave norte-americana, o Violeta de Outono vinha com uma carga de influências calcadas na produção roqueira entre os anos de 1967 e 1970. A sonoridade, mais obscura, densa e progressiva. Fatores que tornaram o trio único dentre as bandas da época.
Bizz, edição 10, maio de 1986

                Obviamente, devemos relativizar esse "sucesso", mas podemos afirmá-lo na trajetória da banda. Formada em 1985 por Fábio Golfetti, guitarra e vocais, Ângelo Pastorello, baixo, e Claudio Souza, bateria, o Violeta logo chamou a atenção da mídia e do público com os primeiros shows. No mesmo ano emplacaram uma demo-tape na 89 FM e no ano seguinte inauguraram o braço fonográfico da Wop Bop, até então a principal loja de discos da cidade de São Paulo/SP.

                 Um LP de 12 polegadas com apenas três canções foi o pontapé inicial do Violeta de Outono e do selo Wop Bop. A tiragem inicial de mil cópias foi distribuída, em sua maioria, como brinde aos clientes, logo se seguiu outra tiragem e o disco deixou de ser brinde para ser item procurado na Wop Bop e outras lojas. No final do mesmo ano assinaram um contrato com a gravadora RCA, que naquele momento procurava novas bandas para formar um selo interno, o Plug - em junho de 1987 o Plug/RCA lançou o primeiro álbum cheio do Violeta de Outono e outros discos absurdamente bons de bandas da segunda metade dos anos 80.

Bizz, edição 190, maio de 2001
                      Voltando ao EP. Em apenas 14 minutos o Violeta de Outono construiu um disco clássico. "Outono" entrou na programação das rádios e depois foi regravada no primeiro álbum. O trio esbanjava entrosamento e mostrava arranjos sem precedentes na música brasileira, com destaque para a guitarra segura de Fábio Golfetti. As letras ambientavam lugares distantes, nebulosos, os textos abstratos combinavam com as paisagens criadas nos arranjos, ouça "Reflexos da noite" e procure se confundir entre as guitarras e possíveis sons de pássaros na madrugada. Sim, isto algo meio alucinógeno.

                 O Mini-LP foi relançado pela BMG/RCA como bônus da tiragem em CD do segundo álbum. "Outono" e "Trópicos" foram incluídas no disco "Mulher na montanha" (Voiceprint, 1999) que compila gravações do Violeta entre 1986 e 1995. Em 2000 o EP foi relançado na íntegra em CD pela RDS Fonográfica, a tiragem pequena presentou os fãs com mais oito canções retiradas de projetos posteriores de Fábio Golfetti, como a Invisible Ópera, e mais faixas instrumentais gravadas nas sessões do terceiro disco, "Em toda parte" (BMG/RCA, 1989), e outras surpresas. Esta edição você pode conferir no download abaixo.

                   Quer ouvir? Download aqui!

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito bom Marcelo. Infelizmente não tenho mais este vinil, que é um dos meus preferidos nos anos 80. Esta versão com os bônus é muito interessente, principalmente por incluir a música Numa pessoa só,que também fez parte do conjunto de livreto e cassete, só que essa música veio no formato flexidisc. Essa crítica da Bizz que vc colocou é da época do lançamento do EP , porém quando lançaram o 1º disco, a Bizz fez algumas críticas dizendo que no estúdio o disco era fraco e não se comparava com as apresentações ao vivo. É lógico que ao vivo eles tinham uma dinãmica e uma atmosfera impar, más os trabalhos de estúdio são maravilhosos, principalmente para a época.Sem querer ser pretencioso, acho que na primeira fase da banda eu devo ter assistido pelo menos uns 20 shows deles Obs. Trópico é uma das minhas preferidas, é linda.Parabéns e obrigado por compartilhar mais um material super valioso.

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    1. Fala meu velho Eduardo!
      Eu sei que você é o maior fã do Violeta. Bons tempos hein. Nunca vi a banda ao vivo, mas já troquei um papo legal com o Fabio Golfetti no seu estúdio em SP há uns 12 anos. O Violeta faz poucos shows agora, tá difícil.
      Eu tenho este vinil, uma cópia apenas, mas troco por aquele "Amor louco" do Fellini que você tem. heheheheh
      Tenho umas resenhas do primeiro disco do Violeta que sairam na BIzz, engraçado que quando saiu este disco não teve uma resenha, teve apenas um comentário na seção "rápido e rasteiro", uma pena. Depois eles se arrependeriam de não ter dedicado um espaço para falar do disco quando lançado. Daí numa reportagem especial sobre discos fundamentais do psicodelismo eles incluíram o primeiro EP do Violeta. Mas a resenha que você diz saiu no lançamento do primeiro disco cheio, lançado pela RCA/Plug, aí sim o funado Celso Pucci disse que era fraco e tal. Engraçado que anos depois, quando o mesmo disco foi relançado em CD, o mesmo jornalista, também conhecido como Minho K (guitarrista do Três Hombres) se disse arrependido de não ter dado a devida atenção ao álbum. Coisas do jornalismo musical mambembe dos anos 80. heheheh abraços Eduardo! Obrigado pela visita e pelas palavras generosas de sempre.

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    2. Legal, como sempre vc muito bem informado. Não sabia que o Celso Pucci morreu há tanto tempo (2002).Apesar de polêmico, gostava de suas resenhas e comentários. Por falar em resenhas, estava dando uma lida em algumas revistas Bizz e me deparei com uma das críticas mais ácidas que já lí de um disco, felita pelo André Barcinski sobre o Titanomaquia de 1993. Nunca vi nada igual.Abraços grande Marcelo.

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  3. Muito obrigado, esse disco é belíssimo!!!!!

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