quinta-feira, 13 de março de 2014

V,A, Vou tirar você desse lugar - Tributo a Odair José" (Allegro Discos, 2006)



             A estrada que levou a carreira de Odair José de "o cantor das empregadas" para "ídolo indie" tem neste tributo o seu pavimento definitivo. Aqui o bom repertório do goiano de Morrinhos é revisitado de maneira respeitosa por 18 bandas brasileiras, em sua grande maioria identificadas com o indie rock.

             O álbum abre com um dos maiores sucessos de Odair José, não é por acaso que também dá título ao tributo. "Vou tirar você desse lugar" ganhou uma versão mais rock e direta com Paulo Miklos, ainda que mantenha o mesmo arranjo, com direito à citação incidental de "Candy", de Iggy Pop.
Bizz, edição 199, março de 2006

              O Pato Fu conseguiu imprimir uma emoção que "Uma lágrima" parecia não carregar em sua gravação original. O primeiro sucesso de Odair José coube tão bem aos mineiros que passaria tranquilamente como uma canção própria do Pato Fu, e tem um solo extraordinário da guitarra inventiva de John.

          Da beleza bubblegum melancólica do Suzana Flag na "Vida que não pára" para as versões com vocais doces do Leela e Columbia, em "E ninguém liga pra mim" e "Eu queria ser John Lennon", respectivamente, tem-se a sensação de que a Jovem Guarda, da qual Odair José chegou atrasado, se encaixou bem na adaptação dos grupos do novo milênio.

         O pernambucanos do Mombojó arriscaram um novo arranjo para a linda "Ela voltou diferente" com excelente resultado. A mesma sorte não teve o mundo livre s/a que não soube experimentar a releitura de "Deixe esta vergonha de lado", e olha que geralmente o mundo livre s/a cria boas versões em discos tributo. O Shakemakers injetam rock'n'roll na potente versão de "Nunca mais" do disco conceitual, obscuro e provocador disco "O filho de José e Maria", de 1977.
  
        Zeca Baleiro parece íntimo de "Eu, você e a praça", outro dos grandes sucessos do ídolo brega. O Picassos Falsos ressurge do ostracismo e ganham em "Esta noite você vai ter que ser minha". Outras boas versões são "Foi tudo culpa do amor" com os brasilienses do Suíte Super Luxo, "Uma vida só (Pare de tomar a pílula)" impecável com Arthur de Faria e Seu Conjunto e a releitura em portuñol do Los Pirata para "Cotidiano nº3". Num tributo que ainda conta com Terminal Guadalupe, Volver, Poléxia, Sufrágio e Jumbo Elektro.

            Geralmente este tipo de homenagem tende a resultados medianos, mas aqui a maioria das bandas se sentiu bastante à vontade com o repertório, e olha que ainda faltaram outras boas canções que mereciam uma revisita, como "Em qualquer lugar" e "Viagem". 

        "Vou tirar você desse lugar" saiu pelo selo conterrâneo do homenageado, Allegro Discos, um trabalho muito caprichado tanto pela seleção de artistas e repertório, quanto pela parte gráfica, impecável desde a foto da capa, passando pelas imagens de arquivo e pelo texto do encarte, autoria do professor e pesquisador de MPB Paulo César de Araujo, autor do livro "Eu não sou cachorro, não", obra definitiva para quem quiser conhecer sobre a história da música cafona brasileira.

           Quer ouvir? Download aqui!

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