terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Vzyadoq Moe "O ápice" (Wop Bop, 1988)


           Formado em abril de 1986 o quinteto de Sorocaba/SP Vzyadoq Moe chamava a atenção da mídia, e de uma pequena parcela do público, com seu som pós-punk à base da desconstrução musical. Vocais fora do tempo e bateria "artesanal", que misturava peças do instrumento com caixa de papelão, latas e uma placa de metal, somados a arranjos de baixo e guitarra repetitivos, tiveram seu som rotulado como um industrial desplugado. Na verdade, foram mais um eco do pós-punk paulista que deu outros bons nomes na década de 80.

Bizz, edição 34, maio de 1988
       

               O disco se divide entre o "Ápice da finitude carnal", o Lado A, e "O ápice da ressurreição", o Lado B. Nas 10 canções encontramos arranjos caóticos para as letras, ou anti letras, expressionistas/dadaístas de Fausto Marthe. "Junto ao céu" abre o "O ápice" com bateria acelerada, baixo galopante e guitarras caóticas, uma mostra do que surge no restante do álbum. Apesar do disco ser todo construído sem instrumentos digitais, com exceção de um sampler, muitas vezes as latas de Marcos Stefani soam como uma bateria eletrônica, como em "O último desígnio". A parte percussiva também dá em dois sambas, "Redenção" e "Não há morte", antecipou em seis anos as misturas que caracterizariam o rock nacional dos anos 90, aqui mais densas e sombrias.



            O disco foi produzido pelo jornalista e também integrante do grupo pós punk paulistano Chance, José Augusto Lemos, o Scot, e as gravações ocuparam duas semanas do Estúdio Eldorado. O lançamento ficou para o lendário selo/loja de discos Wop Bop. "O ápice" teve uma boa repercussão, ainda que sonoramente o álbum não transmitia o impacto das apresentações do Vzyadoq Moe, foi relançado em CD pela RDS Fonográfica em 2000, numa tiragem de mil unidades tão raras quanto o LP. O Vzyadoq Moe tinha a intenção de fazer um som único, "de não se parecer com nada", como diziam na época, e conseguiram.

              Quer ouvir? Download aqui!

7 comentários:

  1. Esse disco é uma pérola perdida, sem dúvidas! Grande contribuição. Quem tiver juízo tem que baixar... Obrigado!

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    1. Valeu Sérgio! Qualquer pedido, estamos aí!

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  2. PUTZ!! FALOU SERISSIMO AGORA!!! ESSE DISCO FALTA NA MINHA COLEÇÃO (Embora tenha o CD...) Se puder entre em contato para eu mandar uns zines
    smartalexster@gmail.com
    para punk rock
    www.vontadeluta.blogspot.com
    para quadrinhos
    www.favodefelcomics.blogspot.com
    a porra toda
    www.encrewzilhada.blogspot.com
    forte abraço

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  3. No final dos anos 90 conheci o VZ com alguns relançamentos do selo WopBop, e entrei em contato com o Degas (Edgard Steffen), acho que por e-mail pra ter mais infos sobre a banda... e o cara de forma extremamente gentil me enviou em CDR uma cópia desse álbum, do Hard Macumba e mais um CD de sua outra banda (Low Key Hackers). Nunca tive oportunidade de agradecer o cara por isso, então aqui vai minha chance: Grande Degas, se tu passar por aqui, muito obrigado! Banda realmente incrível, digna de figurar entre as mais criativas e bacanas de nosso país!

    Leandro A

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  4. Alguma informação se a banda The Name tem remanescentos do Vyzadoq Moe?

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    1. Brutal420!
      Eu procurei esta informação aqui e não achei. Mas no youtube tem um vídeo com o The Name mais o baterista do Vzyadoq Moe e do Wry. Bem legal por sinal. Violento.

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  5. Dois projetos do interior paulista de tirar o fôlego: Vzyadoq Moe (Sorocaba) e a banda Diamante cor-de-rosa (Franca).

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