segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Coisa Linda Sound System "Da vida e do mundo" (Independente, 2009)


           "Da vida e do mundo" é o segundo disco o duo de Maceió/AL Coisa Linda Sound System. Formado por Aldo Jones e Marcelo Cabral, o disco, um SMD (Semi Metalic Disc) muito bem produzido, tornou o trabalho da dupla mais conhecido fora de Alagoas. Os dois músicos são figuras conhecidas do rock alagoano, Aldo Jones foi guitarrista da primeira, e melhor, fase do Sonic Junior, um duo que causou surpresa positiva quando desceu para os ouvidos do sudeste.
         O disco é rock com um jeito bastante pop e cheio de groove, poderia facilmente tocar em qualquer rádio, as letras são muito boas e os arranjos cuidadosos, vide "À toa" e o reggae "Dharma dub". O som da dupla é preenchido com programações e efeitos. Tem participações dos músicos Rodrigo Peixe (bateria) e Dinho Zampier (teclados) e vocal de Wado em "O último dia do rio", esta outro bom momento de "Da vida e do mundo". "Temp 02", de Aldo Jones, é instrumental e "Estação" é uma parceria de Marcelo Cabral com Alvinho Cabral, que se repete em "Só", faixa bônus registrada em 2000.
        O projeto gráfico luxuoso é ilustrado por Rafael Sica numa embalagem do tipo envelope, faz falta um encarte com letras e ficha técnica. Na capa há a indicação do valor do disco.

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V.A. "Ipanema FM - As 15 mais" (Antídoto, 1998)


          Se existe rock gaúcho, esta criatura de canto arrastado, linguagem particular e várias identidades, a culpa é da Ipanema FM. A rádio inaugurada em 1983 se orgulha de ter lançado praticamente todas as bandas gaúchas, tornou-se referência nacional em programação de qualidade voltada ao público jovem. A rádio tem uma forte concorrente, a Atlântida FM, mas o rock mesmo está na Ipanema.

Para comemorar os 15 anos de atividade da rádio, em 1998 foi lançado a coletânea "As 15 mais" que reúne uma parte considerável de bandas do rock gaúcho, todas conhecidas na frequência 94,9 FM. A seleção privilegiou os verdadeiros hits da rádio, apenas duas são músicas gravadas especialmente para a coletânea, Zé do Bêlo com o sambão chinelagem "Samba enredo" e J.J. CO com "Mogadon". As demais incluem clássicos como "Bebendo vinho" de Wander Wildner, "Miss Lexotan 6 mg garota" de Júpiter Maçã, "Sob um céu de blues" do Cascavelletes, "Rock Star" do Replicantes. 
Publicidade Ipanema FM (Revista Outracoisa, Ed.16, 2006)

       Outras são menos conhecidas nacionalmente, mas fazem parte da história do rock gaúcho dos anos 90: Ultramen com "Bico de luz", Tequila Baby com "Sexo, algemas e cinta-liga", Acústicos & Valvulados com "A 100 por hora" e a parceria do eterno crooner Julio Reny com o rapper Piá em "Jovem cowboy" gravada com o Cowboys Espirituais. 

           A seleção traz outros nomes fundamentais do rock dos pampas como TNT, Garotos da Rua, Colarinhos Caóticos e a pior música já gravada pela Graforréia Xilarmônica, "Sei que cê tá lôca".

         A produção e coordenação do projeto ficou é da lenda do rock gaúcho Egisto Dal Santo, talvez isso explique a presença de Zé do Bêlo e J.J. Co, bandas pertencentes ao seu selo Purnada Y Pranada. "As 15 mais" foi lançado pelo selo Antídoto e teve uma boa repercussão, foi bastante promovido na rádio. O projeto gráfico traz a ficha técnica das gravações e pequenas fotos de arquivo das bandas, além de um texto homenagem à Ipanema FM escrito pela diretora de programação Katia Suman.

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Psycho 69 (Primal Records, 1996)


            O Psycho 69 foi formado em Nova Iorque, em 1994, com o nome de Mad Parade. A banda se apresentava em muitas casas e adotava um som tipo metalcore, na linha de bandas como Dog Eat Dog e Madball. No mesmo ano um amigo da banda se convida para assumir os vocais do Mad Parade, seu nome era Supla.

Bizz, edição 129, abril de 1996
             Supla já havia feito muita coisa no Brasil, do sucesso comercial com o Tokyo à carreira solo do tipo clone do Billy Idol - armações da indústria do disco. O certo é que o começo da década de 90 foi tenebroso para quem fez fama no oba-oba do rock nacional dos anos 80, a ascensão de gêneros populares como a Lambada e o Sertanejo somados à crise econômica do governo Collor devastou a trilha roqueira nacional e deixou uma sensação de ressaca criativa dos grandes nomes.

             Supla, que também era um nome expressivo do BRock (créditos a Arthur Dapieve), não suportou a barra e se mudou para Nova Iorque, no bairro do Queens começou a trabalhar de mecânico de motos, pintor de parede e pedreiro. Mas este mundo paralelo longe dos palcos (será verdade mesmo?) não durou muito tempo. Logo começaram os ensaios e gravações do Mad Parade com novo vocalista, a banda mudaria de nomes às vésperas de lançar seu primeiro e único álbum.

           O disco foi gravado todo em Nova Iorque, em 1995, com produção da própria banda. Todas as letras são em inglês e compostas por Supla em parceria com o baterista Louie Gasparro. O som é calcado no metal, tem um jeitão meio bad boy NY, o que se reflete também na arte do álbum, autoria de Louie.

          No mercado internacional o Psycho 69 não fez nem cócegas, mas foi bastante promovido no Brasil. As canções "The deal" e "Trip scene", esta uma das melhores do disco com participações vocais de Vinny Stigma (Madball) e Jimmy (Murphy's Law), ganharam vídeo clipes veiculados com frequência na MTV Brasil. Outros bons momento do álbum estão no arranjo de bateria de "Non stop action" e no funk fantasmagórico de "No space".

            O disco foi lançado no Brasil pelo selo Primal, com distribuição da Velas, teve uma boa recepção, bastante elogiado pela mídia especializada, mas com vendas medianas. Para promover o disco o Psycho 69 veio ao Brasil abrir um show da última turnê do Ramones. A apresentação na casa de shows paulistana Olympia teve má recepção do público que jogou objetos no palco e não deu ouvidos ao Psycho 69. Pouco tempo depois a banda encerrou atividades, mas Supla ainda levaria mais alguns nos para retornar ao Brasil.

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Porcas Borboletas "A passeio" (Mais Brasil/Alvo Discos/Fora do Eixo Discos, 2009)


                O segundo disco do sexteto de Uberlândia/MG Porcas Borboletas foi saudado com grande surpresa pela mídia. Se no primeiro disco, "Um carinho com os dentes" (Independente, 2006), a banda chamava a atenção pelo som experimental e cheio de referências que lhe renderam comparações com a música produzida pelo pessoal da Vanguarda Paulistana no começo da década de 80, em "A passeio" a banda investiu ainda mais num som sem estética definida e com influências que não se prendem sempre à música.

          "A passeio" tem 12 canções distribuídas em 37 minutos e muitas participações especiais. Por sinal, os número de convidados foi o primeiro ponto a chamar a atenção para o álbum, estão lá Arrigo Barnabé, Paulo Barnabé, Arthur de Faria, Bocato, Junio Barreto, Simone Sou, Marcelo Jeneci, a atriz Leandra Leal e outros.

               O disco abre com "Menos", rock com interpretação bem "mais ou menos" de Banzo, a letra foi composta em parceria com Clara Averbuck. "Nome próprio" é puro Patife Band, mas Paulinho Barnabé não participa desta e sim de "O Rato", em voz e piano elétrico, uma das melhores do disco. A faixa título acalma o andamento pesado do álbum e tem participação de Marcelo Jeneci, que volta com o acordeão na última canção, "Caminhar a dois", outro destaque do álbum. "Tem gente" tem um bom arranjo folk, mas péssima letra.

             Outros bons momentos estão em "Super-herói playboy", com versos cantados por Junio Barreto, Leandra Leal e Arrigo Barnabé; "Dinheiro" tem letra divertida sobre as agruras do investimento financeiro afetivo e "Estrela decadente" narra um pouco sobre aquelas noites frustrantes de domingo com a TV ligada no programa do Silvio. 

             "A passeio" foi lançado pelo selo Mais Brasil com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais e da empresa de telefonia celular Vivo. A distribuição ficou a cargo do selo Alvo Discos e do projeto Fora do Eixo Discos. A filiação ao Fora do Eixo garantiu ao Porcas Borboletas tocar em festivais espalhados por vários estados e se tornar um nome conhecido pelo Brasil. 
       
            O álbum foi gravado em São Paulo nos estúdios El Rocha e Terreiro du Passo com produção de Alfredo Bello, que também participa de várias canções. O projeto gráfico é caprichado, obra do tecladista e multi-instrumentista Ricardim, traz letras e ficha técnica, não há fotos.

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domingo, 29 de setembro de 2013

Noção de Nada "Manifestos líricos" (Barulho, 1999)


           "Manifestos líricos" é o primeiro registro em disco do quarteto carioca Noção de Nada, um dos principais nomes do hardcore brasileiro do final dos anos 90.

           O álbum traz 10 canções próprias com letras em português, algo até então raro nos discos e bandas do gênero no Brasil. A execução das músicas é um dos pontos altos do Noção de Nada, assim como o vocal do baterista Bil, bem emotional hardcore. Nem sempre dá para entender o que se canta. As letras existencialistas e sem esperanças não têm muitas variações de temas, os melhores resultado estão em "Tristes fins", "Outros meios de se ter", "Regressão" e "Por você", esta com participação de Clarice nos vocais.

          O projeto gráfico é do ilustrador e baixista de várias bandas cariocas Flávio Flock, a capa cheia de manchas e em baixa resolução não dá ideia do bom conteúdo de "Manifestos líricos". O encarte traz letras, fotos e ficha técnica, mas não há informações sobre as cinco faixas adicionais.

           O disco foi o primeiro lançamento do selo curitibano Barulho Records de uma banda não sediada na capital paranaense, por sinal Curitiba foi uma das cidades que mais receberam shows do Noção de Nada. O disco teve excelente repercussão e vendas, foi relançado pela Barulho em 2002.

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Willy Verdaguer "Informal" (Medusa Records, 2003)


             Em qualquer enciclopédia de rock brasileiro que se preze um verbete para o baixista Willy Verdaguer é obrigatório. Argentino radicado no Brasil, Willy chegou no Brasil em 1967 com sua banda Beat Boys. 

             Abraçados por Caetano Veloso, os Beat Boys ajudaram-no a defender "Alegria, alegria" no Festival da Record do mesmo ano. A introdução da canção ficaria marcada para sempre na história da MPB, assim como o uso da guitarra elétrica, até então um "quase demônio imperialista" na tradição da música popular brasileira. O mito elétrico quebrado pelos tropicalistas deve muito a participação daqueles argentinos cabeludos.

        Willy Verdaguer gostou do que viu e criou residência no Brasil. No início dos anos 70 mais uma vez sua mão ajudaria numa nova revolução musical tupiniquim, desta vez como baixista e arranjador do Secos & Molhados. Willy também se dedicou à pesquisa e manutenção da música folclórica latino-americana no grupo Raíces de América, se o resultado mercadológico não pode ser comparado à experiência com o Secos & Molhados, pelo menos rendeu muitos discos.

           Nos anos 90 foi a vez do projeto Humahuaca de trajetória curta e apenas um registro em disco. Os anos seguintes levaram Willy Verdaguer a produção musical de espetáculos teatrais e criação de óperas, além de acompanhar artistas de produção bissexta, como Walter Franco.

        Em 1999 surgiu o convite dos músicos Alberto Vanasco e José Carmo Fren para a gravação de um trabalho descompromissado, algo como uma "jam" na qual os músicos acompanhariam as ideias criadas no baixo elétrico de Willy. A gravação do álbum não foi concluída naquelas sessões que geraram apenas duas canções, as primeiras que abrem "Informal", sendo recomeçadas em 2003, momento em que a ideia de recuperar o trabalho iniciado quatro anos antes renderia o primeiro disco solo de Willy Verdaguer.

         "Informal"  tem 6 canções instrumentais nas quais Willy desfila seu total controle sobre o instrumento de quatro cordas. O álbum sem guitarras não é um disco fácil, tem uma grande variedade de improviso, temas e climas, poderia ser chamado de um disco de post-rock se fosse esta a intenção.

  Lançado pelo selo argentino Medusa Records numa tiragem de apenas 500 unidades, o álbum é quase desconhecido no Brasil. O projeto gráfico é bastante informativo com textos biográficos sobre Willy Verdaguer, além de dados precisos sobre a gravação e o contato com os músicos, um dos textos é de autoria de Willy. Um trabalho que busca dar vez a um dos principais nomes da música brasileira, ainda que nem sempre reconhecido.

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Cold Beans "Fighting together" (sHort Records, 1995)


             Em 1995 o quinteto paulistano Cold Beans aprontou aquele que seria conhecido como o primeiro CD de hardcore lançado no Brasil. Obviamente, no Brasil já haviam sido feitos alguns discos de hardcore, mas "fighting together" foi o primeiro disco do gênero a ganhar a mídia digital, então cada vez mais popular, ainda que nem tanto dentre as produções independentes.

Revista RockPress, edição 01, 1995
          O álbum é um EP, um disco curto com 5 canções em 11 minutos, o som é hardcore melódico, algo bastante comum nas bandas daquela época dos 90's. A ideia inicial era a de registrar o primeiro trabalho em fita cassete, daquelas bem produzidas confeccionadas em fábrica, quando Fernando Steler e Fabiano Mutz (respectivamente guitarra e baixo do Cold Beans) saíram para fazer o orçamento descobriram que a diferença de valores entre uma fita "mais profissa" e um CD era pequena, e preferiram lançar o disco em CD. O momento também ficou marcado, pois ali também surgiu a sHort Records.

          "Fighting together" tem como ponto alto a boa execução das canções, mas perde no vocal inexpressivo de Cesar Campanez, um destaque fica para a canção que fecha o álbum "Other ways". A parte gráfica é o melhor do disco, fartamente ilustrada por José Luís G.L., um trabalho muito caprichado.

        O disco teve excelente repercussão, principalmente nos fanzines que saudaram a novidade. O jornalista e fanzineiro "dazantiga" Marcelo Viegas, que ajudou na divulgação e distribuição do álbum e que nos anos seguintes assumiria a sHort Records, disse um pouco mais sobre a repercussão que "Fighting together" recebeu na época e suas impressões sobre o álbum:
"Já pensei muito sobre isso e tenho um sentimento dividido em relação à este disco. Se por um lado concordo que é um disco musicalmente fraco, com gravação muito estridente e poucos sons, por outro lado ele foi um "divisor de águas". Então, ele cumpriu o seu papel muito bem, mesmo que eu não queira nunca mais ouvi-lo, reconheço a importância do "Fighting together" para a cena. É um bom exemplo de iniciativa DIY (Do It Yourself), ainda que musicalmente não seja exemplo de muita coisa"      Marcelo Viegas
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

V.A. "Pushing the stone - A homage to Rot" (Rotten Foetus/DFL Productions, 2011)



            O grindcore é um estilo niilista que tem paternidade tão desconhecida como questionada. Reivindica-se ao brasileiros do Brigada do Ódio o título de criadores por fazerem um som rápido, sujo e um tanto minimalista num LP-Split dividido com o Olho Seco em 1985. Outros afirmam que o grindcore surgiu com o LP "Scum", lançado pelos ingleses do Napalm Death em 1987. Se o grindcore é brasileiro ou não, o certo é que o Brasil teve durante 18 anos seu principal nome, o quarteto do ABC Paulista Rot.


             Três anos depois de decretado o fim de suas atividades, o Rot ganhou um disco tributo. Não se trata exatamente de um tributo e sim de uma homenagem, ou como diz o texto do encarte "um tributo não-oficial" a banda que conquistou espaços e notoriedade puramente por seu som e por seus muitos discos, EPs, splits, fitas cassete, VHS e fanzines.

             O Rot não apenas levou o estilo a um nível de profissionalismo sonoro, no Brasil, como também ajudou a construir uma cena grind/gore/splatter fortalecida nacionalmente através de correspondências e trocas de material durante a década de 90. Era comum ver discos do Rot em catálogos de distribuidoras de várias partes do país, principalmente as do interior de São Paulo. A banda também fazia uma quantidade razoável de shows, sempre nos lugares mais improváveis e com ingressos acessíveis. Ter contato com o Rot também era a porta de entrada para conhecer muitos outros nomes importantes do grindcore no Brasil e  no mundo.


           "Pushing the stone" traz 41 bandas, nem todas são de grindcore, há bandas punk/hardcore, outras levam o grindcore a níveis mais extremos como o noise core, e tem muita banda grind e crust. 29 bandas são brasileiras, muitas são contemporâneas e chegaram a dividir discos com a banda homenageada, caso do Cruel Face, Death Slam e C.H.C. Outras 12 são de várias partes do mundo, algumas de influência explícita para o Rot, como Jan AG & The Cadja que traz à frente o líder da lenda grind/mince core belga Agathocles; ainda tem nomes conhecidos como Unholy Grave, Ulcerrhoea e Malignant Tumour. Curiosamente, no disco não há bandas norte-americanas. 

          O grindcore tem esta característica descentralizada de produção, as bandas mais conhecidas, ou que ganham projeção, são muitas vezes de lugares desconhecidos, ou, em princípio, improváveis como Salvador/BA e Presidente Prudente/SP. Isto também se aplica às bandas espalhadas pelo mundo, não é sempre que se tem contato com bandas de Cingapura, África do Sul ou do leste europeu.

               Na homenagem muitas bandas aproveitam para gravar duas canções, outras emendam e conseguem colocar quatro sons numa mesma faixa, proeza conquistada pelo New York Against Belzebu em apenas 17 segundos, mas NYAB é noise core, portanto, é outra história. Alguns sons se repetem, mas nada que comprometa o bom resultado final. Tem muitos destaques e vale ouvir atentamente as versões das bandas C.A.D., Demisor, Moléstia, Syndrome of Terror e Grandma, esta última com um gore/splatter bastante técnico para "Cruel face of life". Só para citar, as bandas estão em ordem alfabética, o que ajuda na hora de procurar aquele som ou banda específica.

             "Pushing the stone" foi lançado numa parceria dos selos brasileiros Rotten Foetus e Deranged For Leftovers Productions e pode ser comprado nos sites das gravadoras. O projeto gráfico traz informações de contatos das bandas e nome das cações, além de um pouco sobre a história do tributo não-oficial além de uma breve apresentação do Rot.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Fanfarra Paradiso (Midsummer Madness, 2008)


       Um SMD (Semi metalic disc) de cinco faixas é o primeiro trabalho do noneto carioca Fanfarra Paradiso. Um disco curto e muito caprichado tanto no som como no acabamento gráfico.

          São cinco canções próprias bastante classudas, todas instrumentais e com belos arranjos de metais, por sinal há solos de trompete, flauta, trombone e detalhes espalhados por todo álbum. São muito instrumentos, mas há espaços para cada um e todos ao mesmo tempo. O disco não segue um estilo, "Café margoso" é mais jazz, enquanto "Operação Benjamin" esbarra no fusion, ora soam como trilhas para filmes enfumaçados ainda não realizados em "Cilada no armazém 14" e "5:55"

            Lançado pelo selo carioca Midsummer Madness, o álbum levou quase um ano para ser gravado. O projeto gráfico é bem cuidado e bastante ilustrado, obra de Gustavo Bragança - que também é baixista do Fanfarra Paradiso - e Ana Carolina Porto, com receitas aplicadas ao mini javali. O disco ainda pode ser adquirido no site na gravadora, o preço ainda é o mesmo que está indicado na capa.

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Frenetic Trio "Bad vibrations - EP" (Desgracera Records, 2003)


           Em 2002 surgiu em Londrina/PR um trio de psychobilly muito pesado e rápido. Guitarras distorcidas, baixo elétrico e vocais guturais mantinham distância do rockabilly misturado com punk rock que caracterizavam o psychobilly tradicional. O que o Frenetic Trio fazia os aproximava do brutal psychobilly, que tinha no trio curitibano Os Catalépticos uma influência explícita.

O EP "Bad vibrations" foi o primeiro trabalho do trio. O peso começa na abertura com a faixa título, segue mais "dançante" com "Give me your soul" e depois descamba pra porrada rápida em "Bring me another beer" e "Poison mind", os urros do vocalista Zóio não dão espaços para os conhecidos "Wreeeckkk!" do estilo.
          Lançado pelo Desgracera Records, propriedade de Ronaldo Nikolaiko, mais conhecido como Bufunfa, o trabalho foi bem recebido pelos fãs de psychobily e permitiu ao Frenetic Trio participar de eventos importantes, como a abertura da primeira turnê brasileira dos mestres do psychobilly The Meteors, e fazer shows nos Estados Unidos. O projeto gráfico é simples, a capa no formato envelope não traz mais do que ficha técnica e nomes das canções, o EP antecedeu o primeiro e, até hoje, único disco completo da banda.

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Jards Macalé "Amor, ordem & progresso" (Lua Discos, 2003)


          As décadas de 80 e 90 foram tenebrosas para o carioca Jards Macalé. Cultuado por uma parcela do público, mas fora dos objetivos das grandes gravadoras, Macalé fora dispensado da Som Livre depois de "Contrastes" (1977), que vendeu 50 mil cópias, mas não o segurou dentro da empresa. De contrato com a CBS não pode realizar nenhum disco, a gravadora dispensou Macalé e preferiu assumir uma ação judicial movida pelo artista. Em seu primeiro disco depois de dez anos Jards Macalé reuniu repertório de Lupicínio, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola e lançou pela Continental o bem recebido álbum "4 Batutas e & Coringa". Depois amargou outros longos anos distante do disco e com poucos shows.

          O silêncio fonográfico foi quebrado com o lançamento do CD "Let's play that", gravado em 1982 o disco reuniu Jards e Naná Vasconcelos, foi lançado pelo selo Rock Company em 1993. O pequeno selo caprichou na redescoberta e relançou no formato digital quase todos os outros discos de Jards, com exceção do álbum da Som Livre. Com tiragem pequena e distribuição precária os discos logo sumiram das prateleiras e há muito são itens raros.
Foto: Geraldo Luís Gomes, retirado de Bizz, ed.18, janeiro de 1987

            No final dos 90's Jards Macalé entrou novamente nos trilhos do trabalho, mas distante de produzir material inédito. No discos "O q faço é música" (Atração, 1998) boa parte do repertório foi composto por novas visitas às canções dos dois primeiros discos. Em "Macalé canta Moreira", de 2001, Jards homenageia os sambas de breque do amigo e influência explícita Moreira da Silva. Até 1998 a produção de discos de Jards Macalé ganhou grandes intervalos de tempo, na virada do século  a situação mudou, e para melhor.

        Em 2003 o selo Lua Discos lançou o 9º disco de Jards. "Amor, ordem & progresso" inaugurou uma nova reivindicação de Jards Macalé, a campanha pela inclusão da palavra amor na bandeira nacional. Em princípio a campanha não ganhou adeptos, muitos menos foi levada a sério pela mídia, para Macalé ela é legítima, faz parte do lema positivista atribuído a Augusto Comte, intitula o álbum e também é tema e letra do samba "Positivismo", de Noel Rosa e Orestes Barbosa. Por sinal, do repertório de Noel Rosa também foi pinçada "Falam de mim", aqui com o acompanhamento luxuoso do pandeiro de Robetinho Silva. 

        Há uma economia de músicos no disco, apenas quatro, mas estes esbanjam talento. Além de Robertinho Silva na percussão, tem a guitarra blueseira de Victor Biglione, Arismar do Espírito Santo no baixo e Moacyr Luz no violão e produção. O álbum abre com um clássico da MPB, "Consolação", de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Tom Jobim é reverenciado em "Foi a noite", parceria com Newton Mendonça. Paulinho da Viola é relembrado novamente na bela "Roendo as unhas". Ary Barroso, possivelmente o maior compositor brasileiro de todos os tempos, surge em "Por causa dessa cabocla". Do jornalista e compositor Antonio Maria, em parceria com o violonista Luiz Bonfá, Jards interpreta "Manhã de carnaval". De Macalé mesmo só tem o samba "Pano pra manga", que encerra o disco, "Amo tanto", "Canção singela" e a magnifica revisita a "Meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata" com destaque para a guitarra rasgante de Victor Biglione.  

         Discos do Jards Macalé são imperdíveis, uma por serem bons e chamarem a atenção do ouvinte atento em sambas, misturas e reinvenções, outra por serem difíceis de se encontrar. "Amor, ordem & progresso" ganhou tiragem de mil unidades e não faz mais parte do catálogo da Lua Discos.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

[Livro + CD] V.A. "Cogumelo 30 anos" (Cogumelo, 2012)




          Se Belo Horizonte/MG é a capital do metal nacional o fator determinante é a loja Cogumelo Discos. Criada em 1981 pelo casal João Eduardo e Pat Pereira, a Cogumelo logo se tornou ponto de encontro de jovens roqueiros na capital mineira. Antes da inauguração não era possível prever a quantidade de adolescentes ávidos por rock em BH, até quando o público começou a lotar o espaço localizado na rua Augusto de Lima, chegando a reunir frequentadores que ficavam do lado de fora e causavam transtornos na vizinhança. Em 1985 a loja transformou-se em gravadora independente ao editar um bem recebido split com duas bandas mineiras, Overdose e Sepultura, a primeira era mais conhecida e já tinha uma trajetória no rock local, a segunda era praticamente desconhecida, mas chamava a atenção do público por fazer um death metal sujo, feito por uma molecada. O disco "Século XX/Bestial Devastation" impulsionou as atividades do selo.

              Para comemorar os 30 anos da Cogumelo foi lançado pelo próprio selo, com apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, o livro "Cogumelo 30 anos". A obra reúne um apanhado de todas as capas e descrições técnicas dos discos lançados até 2012. São 151 capas originais, mais recortes de revistas, jornais, fotos e textos dos fundadores do selo e do jornalista Arthur G. Couto Duarte, que acompanhou in loco toda a segunda onda de bandas mineiras. Um trabalho bastante cuidadoso e fonte de pesquisa imprescindível para quem gosta e acompanha o metal nacional e, principalmente, as produções do maior selo brasileiro dedicado à música extrema.
Bizz, edição 68, março de 1991

             Num primeiro momento o que mais chama a atenção é o capricho das capas, vale o destaque para as criações de Jimmy Leroy, Gavião, Kelson Frost e os trabalhos gráficos de Jim Lee e Ibsen Otoni. Muitos discos ganharam fotos dos processos de criação de capas e das fitas masters de álbuns clássicos como "Cada dia mais sujo e agressivo", "I.N.R.I." e "Campo de extermínio", entre outros...

            O livro é dividido cronologicamente. A década de 80 é chamada de "Os anos do metal" e resgata o momento de criação e ascensão rápida da Cogumelo a partir da recepção excelente que tiveram os discos "Mordid Visions" e "I.N.R.I.", cujas vendas são responsáveis por boa parte do financiamento do catálogo do selo. A Cogumelo chegou a lançar novos LPs mensalmente. Foram 31 discos até 1990.

            A década de 90 recebeu o  nome de "Os anos da queda" e mostra mudanças no catálogo com o investimento em projetos distantes do padrão thrash/death/heavy que marcou a primeira década de atividade, são da década de 90 discos que ficaram conhecidos como "alienígenas da Cogumelo": "Rotomusic de Liquidifcapum", "Kingzobullshitbackfulleffect'92", e bandas que passaram praticamente despercebidas como Yellowfante, Nut e Chemako. Ao mesmo tempo, os anos 90 marcaram a renovação do catálogo com as reedições em CD e busca do mercado internacional, um passo dado ainda nos anos 80 quando bandas do metal mineiro começaram a interessar aos ouvidos europeus. A década da queda também foi o período em que a Cogumelo mais lançou bandas de black metal, o estilo estava em alta e o Brasil rendeu ao selo discos consagrados do Amen Corner, Murder Rape, Akerbeltz e Sarcófago, o último nome pode ser considerado a "galinha dos ovos de ouro" da Cogumelo. Foram lançados 82 discos até o ano 2000.

        A primeira década do novo milênio recebeu o nome de "O novo milênio - o metal sobrevive" e documenta um momento de recuperação e renovação no metal nacional, o investimento em discos de novas bandas revelou outro nome bom de vendas, o Drowned, além dos álbuns de estreia de Hammurabi e Sarcasmo. Das formações veteranas do catálogo o novo milênio marcou a volta de bandas importantes como Witchhammer, Cirrhosis e Kamikaze. A Cogumelo lançou apenas 38 discos entre 2000 e 2012. entretanto, fez vários relançamentos e tiragens especiais.

            O livro acompanha a coletânea "Cogumelo 30 anos" com uma seleção de 18 bandas de todas as décadas, cada uma com uma canção, tem alguns lados B da gravadora: Aamonhammer, Expulser, Pathologic Noise e Calvary Death. E bandas consagradas: Sepultura, Sarcófago, Drowned, Chakal, Vulcano, Sextrash, Mutilator e Holocausto. A seleção não privilegia clássicos ou trabalhos com bons resultados de mercado, é uma compilação do casal proprietário do selo e suas preferências.

            O livro tem tiragem limitada, mas ainda pode ser adquirido no site da Cogumelo, assim como mutos discos deste extenso catálogo. Vida longa a Cogumelo Records!  

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Fat Marley "New old world/future sun" (Outros Discos, 2003)


            Numa cena do filme Durval Discos (direção de Anna Muylaert, 2002) Durval, dono de um decadente sebo especializado em LPs, recebe a visita de dois ilustres clientes, o DJ Théo Werneck e seu amigo Marley ou Fat Marley. Ali se deu a primeira e, talvez, única aparição pública do autor de "New old world/future sun". Quem vê Fat Marley no vídeo sabe quem está por trás do coadjuvante silencioso que saúda uma cópia em vinil de "Kaya" retirado da prateleira, trata-se do velho conhecido André Abujamra.
Fat Marley (ou André Abujamra) Théo Werneck e Ary França em cena do filme Durval Discos

          Fat Marley gerou apenas um disco. Um projeto despretensioso no qual o autor se esconde, não há ficha técnica nem qualquer informação que apresente o inquieto gordinho das telas e da música. "New old world/future sun" tem 14 faixas próprias, todas muito longas, construídas com batidas eletrônicas repetitivas, samplers de cantos ritualísticos e barulhinhos de fundo. São 70 minutos nos quais fica difícil destacar alguma canção, afinal, elas não querem dizer nada, a começar por títulos como "Criy", "Vuba", "Huiie", "Zoiprumis", dentre outras. "Skankdinamite" tem participação dos companheiros de Karnak Sérgio Bartolo, no baixo, e Kuki Stolarski, na bateria.

        O álbum foi lançado pelo selo paulistano Outros Discos e passou praticamente despercebido, não chamou a atenção da mídia que mal soube se tratar de um projeto de André Abujamra. No projeto gráfico apenas ilustrações e fotos distorcidas. a pintura da capa é de autoria do alter ego de Fat Marley.

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domingo, 8 de setembro de 2013

Bnegão & Os Seletores de Frequência "Enxugando gelo" (Net Records, 2003)


         Em novembro de 2003 uma nova publicação chegava às bancas de várias cidades brasileiras. Era a revista Outracoisa, idealizada por Lobão depois de suas experiências como artista independente com distribuição em bancas de revistas. Na Outracoisa a cada edição viria encartado um CD inédito de algum artista ou banda que permanecia à margem das grandes gravadoras. O primeiro número da revista trazia um nome não tão novo, mas cujo trabalho já despontava em festivais e ganhava as páginas de jornais antes mesmo de chegar aos ouvidos do público interessado. Era o primeiro trabalho solo de Bnegão & Os Seletores de Frequência.

        O álbum foi muito bem recebido. A mistura de ritmos e a liberdade criativa cravaram "Enxugando gelo" nas listas dos principais discos lançados naquele ano. No meio underground a novidade era esperada, afinal, o Seletores de Frequência trazia um monte de macaco velho do cenário carioca: o guitarrista Gabriel Muzak tocara no Funk Fuckers com Bnegão; Pedro Garcia, bateria, e Fábio Kalunga, baixo, eram parte do Cabeça; Paulão, vocais, já era a lenda perdida do Gangrena Gasosa; DJ Rodrigues comandou o Speed Freaks; e Pedrão, trompete, vinha da instituição do guitar nacional Pelvs.

Revista Zero, edição 12
       "Enxugando gelo" traz uma coleção de sons dentro do funk e abre espaço para mais intervenções, tem hardcore, dub, rap e o que mais couber. Cheio de participações especiais, o álbum abre com "O primeiro passo/a palavra" com a produção do coletivo paulistano Instituto. "Nova visão" é um funk pesado com metais em brasa, das melhores do disco que é repleto de bons momentos, como em "(Funk) até o caroço" e na canção título. Um dub chapado leva o nome da banda que acompanha Bnegão. "Qual é o seu nome?" quebra o ritmo lesado e cai no hardcore. "A verdadeira dança do patinho", resgatada dos tempos de Funk Fuckers, relata parte da experiência de quem já se deu mal com o convívio das majors e apresenta outras ilusões de quem volta e meia se vê como o próprio patinho das situações."V.V" injeta samba no disco e Muzak troca a guitarra pelo cavaquinho. "Dorobô" traz  a participação de Sabotage num duelo Brasil-Japão com Bnegão, esta que é uma das últimas gravações do rapper revolucionário da música brasileira que viria a morrer assassinado menos de dois meses depois sem ouvir o trabalho finalizado, a produção da canção também caiu nas mãos do Instituto. O álbum se encerra com o dub "Prioridades" e traz as participações de Dengue (Nação Zumbi) e Alexandre Basa (Mamelo Sound System).

            A maior parte de "Enxugando gelo" foi gravada no estúdio de Pedro Garcia. O disco vendeu mais de 14 mil cópias junto com a Outracoisa e comprovou a eficiência da distribuição em bancas de revistas. Depois o álbum ganhou distribuição da Tratore e foi disponibilizado para download gratuito no site de Bnegão. O projeto gráfico é completo com detalhada ficha técnica, letras e ilustrações. Com este trabalho Bnegão & Os Seletores de Frequência tocaram extensamente pelo Brasil e Europa, onde chegaram a fazer três turnês e participar de festivais.

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Gritando HC "ande de skate e destrua" (Voice/Gritando HC Records, 2000)


             O quinteto paulistano Gritando HC chegou ao segundo disco com uma grande quantidade de fãs, principalmente no estado de São Paulo onde era fácil encontrar punks com camisetas da banda. O disco foi recebido com expectativa e assim como o anterior também conseguiu boas vendas, acompanhado de farto merchandising.

                   O álbum abre com a canção título, um grito skatista contra os que ainda vêem o skate com maus olhos. Segue com momentos em que o hardcore do Gritando HC flerta, de leve, com o hardcore melódico "É hora almoçar" e "Onde as crianças vão ficar?". Ainda assim trata-se de um disco punk nos temas e sons vide "Escuto tiros", "Farra do boi" e "Tem que por fogo em Brasília", esta uma das melhores composições do grupo.

            Com "Ande de skate e destrua" o Gritando HC revitalizou o cenário punk rock/hardcore brasileiro que naquele final de anos 90 precisava de um gás, uma força que se perdia numa cena hardcore de bastante público, mas com bandas distantes dos temas inconformados e de protesto. Foi o último trabalho do Gritando HC gravado com o vocalista Marcelo Donald.

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Cris Braun "Cuidado com pessoas como eu" (Fullgás, 1997)


               Na segunda metade da década de 90 Cris Braun já acumulava experiência na música. Desde o final da década de 80 se dedicou a cantar letras de Alvin L. à frente do Sex Beatles e agora chegava a vez de se arriscar no primeiro trabalho solo.

Bizz, edição 154, maio de 1998
              "Cuidado com pessoas como eu" é um trabalho curto, oito canções em pouco mais de 30 minutos. Ao contrário do título é um álbum de pop rock inofensivo que traz como novidade algo que na década seguinte tomaria conta da MPB, a mistura de música eletrônica com orgânica. Não foi à toa as comparações com o disco "Contrasenso" de Paulinho Moska, por acaso, os dois trazem o mesmo produtor, Nilo Romero, e parte dos músicos, como Marcos Suzano, Sacha Amback e o próprio Moska.

           As canções têm com interpretações sutis, destaque para a bela regravação de "Brigas", grande sucesso de Altermar Dutra, que ganhou pequenas alterações na ordem dos versos originais. Outros bons momentos estão no arranjo da balada "Dry martini" e na canção que dá título ao álbum.

             "Cuidado com pessoas como eu" foi lançado pelo recém criado selo de Marina Lima, Fullgás, com distribuição da PolyGram. O projeto gráfico é bem conduzido com fotos de Cris Braun, letras e ficha técnica. O álbum teve repercussão mediana quando lançado e não demorou para ser esquecido, assim como a experiência fonográfica da autora de Fullgás.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

V.A. "Marcação Cerrada" (Jethro songs, 1998)


              "Marcação cerrada" não é exatamente uma coletânea, como informa a palavra abaixo do título, e sim um split dividido entre três bandas curitibanas: Zigurate, Estigma e Ovos Presley. Não, também não é um split, e sim uma reunião de demotapes das bandas envolvidas.

Bizz, edição 159, outubro de 1998
            Cada banda entrou com seis canções retiradas de registros anteriores lançados em fitas cassete. O disco abre com o som darkwave do Zigurate e começa como primeiro "hit" da banda, "Pedra", segue com outras boas canções sombrias como "E pra você também" e "Becos", com destaque para a bela voz de Patrícia Bauducco. Das três demo tapes presentes na coletânea, o trabalho do Zigurate é o mais bem produzido.

               A segunda banda é o Estigma, quarteto que misturava rap e hardcore, não fugia muito do que já havia sido feito por outras bandas brasileiras de rap-core. O disco fecha com a demotape de uma instituição do punk'a'billy nacional, o quarteto Ovos Presley que já chega disparando um verdadeiro clássico do psycho brasileiro, "Cadilac podreira", canção presente no repertório da banda até os dias de hoje. Notadamente é a melhor banda do disco, valem ouvir outras boas como "Defuntos também sabem dançar", "Filho de Elvis" e "Voodoo".

            Das três bandas apenas o Estigma não chegou a gravar um disco cheio. "Marcação Cerrada" foi o primeiro lançamento do selo cooperativo Jethro Songs, uma união de bandas com a intenção de por discos no mercado curitibano e brasileiro. Pelo selo foram lançados quase vinte álbuns, a grande maioria apenas de repercussão local. O projeto gráfico é simples e tem poucas informações além de ficha técnica das gravações e agradecimentos, a capa reproduz as imagens das fitas demos das bandas.

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

3 Hombres "De volta ao oeste" (Baratos Afins, 1993)


                O quarteto paulistano formado em 1987 por Thomas Pappon, Daniel Benevides, Minho K, e Sweet Walter, levou seis anos para chegar ao primeiro e, até hoje, único disco. Neste tempo planejaram um primeiro álbum não realizado, "Você no oeste", de 1989; sofreram mudanças de formação com a saída do fundador Pappon para a entrada de Jair Marcos e participaram de coletâneas, "Enquanto isso..!?" (Manifesto, 1991), "Sangunho novo... Arnaldo Baptista Revisitado" (Eldorado, 1989) e "Clip Independente" (Rádio Brasil 2000 FM, 1992). Todo este material está presente na reedição em CD de "De volta ao oeste", as participações em coletâneas foram incluídas como bônus escondidos na última faixa, a versão ao vivo para "Geladeira amarela", que traz também a canção solo de Minho K, "Drunk rock", presente na coletânea "Rock de autor" (Manifesto 1991).

Bizz, edição 99, outubro de 1993
               O álbum traz 15 canções de autoria própria e bastante influenciadas pelo rock''n'roll sulista norte-americano, pelo folk e por nomes da new wave como Violent Femmes, Nick Cave e Cowboys Junkies, whisky e cigarros. Um clima rural permeia o álbum, desde a capa às canções, tente ouvir "Um tonel da estrebaria", "O trem" e "Hotel" e não criar imagens estradeiras interioranas. Outros destaques ficam as belas "Aventura" e "No hang, no knife", esta a única canção do álbum com letra em inglês.

             "De volta ao oeste" foi produzido por Luiz Calanca e lançado em LP em 1993 pela Baratos Afins, o disco recebeu uma caprichada reedição em CD em 1997. O projeto gráfico é bastante completo, com todas as letras, fotos e ficha técnica. Depois de um longo hiato e perda de dois integrantes, Sérgio Alaune (1965 - 1996) e Minho K (pseudônimo do jornalista e guitarrista Celso Pucci, 1960 - 2002), o 3 Hombres voltou a fazer shows com parte da velha formação e ainda pode ser visto em alguma ocasião especial. 

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           Também disponível no Youtube