sábado, 31 de agosto de 2013

Baixo Calão "Atmo mediokra" (HC80/Distro Rock Records/Rola Bosta Discos, 2012)


           O quinteto de grindcore de Belém/PA lançou seu primeiro disco, "Atmo mediokra", depois da boa repercussão que tiveram com os três primeiros registro em CD demo.
  
            O Baixo Calão faz parte de uma cena de bandas de grind/crust e hardcore que tem bandas espalhadas por várias cidades do norte e nordeste brasileiro. "Atmo mediokra" traz 17  sons próprios espalhados em 26 minutos, é uma porrada atrás da outra. As letras, a maior parte composta pelo vocalista Leandro Pörcko, falam da mediocridade humana, distribuídas em temas como ganância, "Signo da absurdidade", exploração, "Homem contumaz", fast food, "Coprofagia", e outros. 

           É Interessante observar nas letras, que só podem ser entendidas com o apoio do encarte, o uso de palavras rebuscadas distante da linguagem formal e que só podem ter sido compostas com o auxílio de um dicionário. Os arranjos são bem cuidados e a guitarra de Danilo Leitão dispara riffs violentos e envenenados, bem acompanhados pelos vocais alternados de Leandro e Beto Core.

           "Atmo mediokra" foi gravado em Belém/PA e teve excelente repercussão, com este trabalho o Baixo Calão foi convidado a participar do Obscene Extreme Festival, na República Tcheca, o maior encontro de bandas extremas do planeta. O disco pode ser adquirido com os distribuidores Distro Rock Records e HC 80.

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[Livro + CD] Maria Estrela "Rádio Fluminense FM: A porta de entrada do rock brasileiro nos anos 80" (Editora Outras Letras, 2006)



          No dia 1º de março de 1982 o som de "The kids are alright", do The Who, ecoava no dial carioca e uma voz anunciava a novidade. A voz era do locutor Amaury Santos e a boa nova era a Fluminense FM, a rádio já existia desde 1972, mas naquele momento entrava no ao a nova Fluminense FM. Reformulada, a rádio trazia uma nova proposta, uma programação musical mais jovem assim como locutores, principalmente mulheres - sem nenhuma outra experiência de rádio -, com um bom texto, humor e inteligência, algo sempre raro nas rádios brasileiras.

            O livro de Maria Estrella busca estas histórias. A autora, que era ouvinte fiel da Maldita, auto apelido dado à rádio que se diferenciava na frequência modulada do Rio de Janeiro, se baseou em entrevistas com diretores, como Luiz Antonio Mello - que é autor do primeiro livro sobre a Fluminense FM, "A  onda maldita", de 1992 -, locutores e bandas que tiveram seus primeiros sucessos veiculados pela Fluminense FM.

           O rock brasileiro dos anos 80 deve muito a rádio. Não é a toa que toda bibliografia que trate do assunto rock no Brasil em alguém momento tem suas páginas dedicadas a explicar o apoio que a rádio deu para uma geração nova de músicos com suas fitas demo de baixo do braço à procura de rádio para apresentar seus trabalhos e consequentemente conseguir contratos de gravações e locais para tocar. Isso aconteceu com Os Paralamas do Sucesso, que estouraram "Vital e sua moto", Legião Urbana, Celso Blues Boy, Blitz e muitos outros. A rádio também abriu seus alto-falantes para outros segmentos do rock, como o  heavy metal, bandas como Dorsal Atlântica e Azul Limão frequentaram a programação da Maldita antes mesmo de chegar ao seus primeiros discos. A rádio também foi porta de entrada para grupos paulista desconhecidos no Rio de Janeiro, como Rumo, Premeditando o Breque e Arrigo Barnabé. 

Bizz, edição 206, setembro de 2006
          Toda a trajetória da Fluminense  FM foi dedicada ao rock em suas mais diversas manifestações, nomes do mainstream e do underground recebiam o mesmo tratamento, obviamente nem todos estouraram, mas muitas vezes isso era menos importante, entrar na programação ou participar de programas especiais também era objetivo de artistas que cresceram sob a influência das canções que rolavam na programação da Maldita.

            O livro de Maria Estrella fala sobre tudo isso, e tem mais. Um CD encartado no final do livro dá uma amostra da produção da Fluminense, vinhetas, fala de locutores e canções das bandas Bacamarte, Dorsal Atlântica e Rumo nos levam aos anos 80, era de ouro da Maldita.

          Nos anos 90 a rádio começou a perder ouvintes assim como o rock nacional oitentista, que entrou na nova década mostrando notáveis sinais de cansaço e ressaca criativa. A falta de renovação da programação, que ainda dedicava boa parte de sua seleção a nomes do rock internacional dos anos 70, como Led Zeppelin, Deep Purple, Yes e nomes populares do rock nacional agora em fase baixa, fez com que a rádio caísse nos níveis de audiência e logo a falta de anunciantes e de um novo planejamento levou a Maldita a decretar seu primeiro fim.

Revista Pipoca Moderna, edição 04 Fevereiro/março de 1983 
       A rádio nunca chegou a ser a primeira em audiência no Rio de Janeiro, mas o bom trabalho desenvolvido nos seus primeiros anos respaldou a a Fluminense FM a conquistar admiração de público, artistas e gravadoras. Em 1983 saiu pela EMI a primeira coletânea da Maldita, chamada apenas de Fluminense 94,9 FM, o LP trazia 12 bandas e nenhum nome brasileiro, o álbum se dividia entre um lado heavy com Iron Maiden, Marillion, Jon Lord, e o lado B com nomes da new wave que ainda não tinham disco no Brasil, como Gang of Four, Classic Nouveaux, Missing Persons e outros.

         A Maldita já teve três vidas desde que popularizou como rádio rock lá no começo dos anos 80. A proposta de levar nomes desconhecidos e executar fitas demo foi pioneira e única até os dias de hoje. A experiência da rádio provou que é possível conquistar respeito e audiência sem ceder às práticas desonestas do jabá, uma verdadeira instituição dentro da frequência modulada das rádios brasileiras.
   
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

mundo livre s/a "Guentando a ôia" (Excelente Discos, 1996)

                          

             Depois do primeiro disco, "Samba esquema noise" de 1994, aclamado pela imprensa e praticamente desconhecido do público, o mundo livre s/a (assim em minúsculas mesmo) voltou para São Paulo/SP para registrar as canções compostas e pré-produzidas em Recife/PE que ganhariam as faixas do segundo disco.

        "Guentando a ôia" chegou aos ouvidos dos interessados com expectativa, afinal, a mistura de ritmos e a linguagem própria que fundou o mangue bit receberia mais um capítulo, era a vez de comprovar se tudo aquilo que explodira em 1994 era tudo isso mesmo. Os segundos discos do mundo livre s/a e Chico Science & Nação Zumbi, lançados quase que simultaneamente, provaram que toda espera fora recompensada.

           O disco abre com umas das melhores canções. "Free world"  funciona como um bom cartão de visitas do disco, agrada a quem se entusiasmou com o cavaquinho em meio a riffs de guitarra, cheia de groove a canção cita nomes de linhas de ônibus de Recife "De Rio Doce a Piedade, de Barra de Jangada até Casa Caiada". "Pastilhas coloridas" virou hit do disco por conta de sua letra sobre drogas. "Computadores fazem arte" tem participação de Chico Science nos vocais. "Destruindo a camada de ozônio" traz uma reflexão sobre uma discussão não tão vigente na época, mas que ganharia os círculos intelectuais na virada do século, a  discussão entre o global e o local, periferia e centro e sua realimentação, o feedback tão estudado nas áreas humanas do ensino superior. "Militando na contra-informação" tem letra retirada da conversa comprometedora entre o ex-ministro da fazenda Rubens Ricúpero com o jornalista Carlos Monforte. O samba lamentação "Leonor" foi gravado com a voz embriagada de Fred 04, conta-se que o álbum todo foi gravado sob altas garrafas de cachaça, preferencialmente a Pitú.

          Assim como no titulo do álbum, muitas canções têm títulos com palavras em gerúndio: "Roendo os restos de Ronald Reagan", "Tentando entender as mulheres", "Girando em torno do sol" e a faixa título que encerra o álbum são alguns exemplos, propositais ou 'desafiando' a norma culta dos títulos bem construídos.

         "Guentando a ôia" foi o último disco do mundo livre s/a gravado com o percussionista Otto, que na turnê do álbum largou a banda para se dedicar às composições próprias, criadas com frequência, que inventaram uma forma 'tecno' de se fazer MPB, pelo menos foi assim que se definiu o trabalho inovador do ex-percussionista.

         Lançado pelo selo Excelente Discos e produzido por Carlos Eduardo Miranda, o mesmo de "Samba esquema noise" e responsável pela vinda do quinteto para São Paulo, "Guentando a ôia" seguiu quase o mesmo caminho que o primeiro álbum, bem recebido pela crítica, mas pouco acessível ao público, seja pelo aspecto estético pouco comum às frequências moduladas viciadas, seja pela divulgação e distribuição da Excelente Discos, esta outra propriedade de Miranda criada após a dissolução do selo Banguela.

        O projeto gráfico é bem construído com destaque para a bela capa de Michel Spitale, daquelas que numa loja de discos chama a atenção do cliente sem a necessidade de realmente conhecer a banda. "Guentando a ôia" foi relançado na caixa "Bit" que reúne os primeiros quatro discos do mundo livre s/a.

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tiroteio "República Federativa Brasil Pavão" (Primal Records, 1997)


               O octeto se Santos/SP Tiroteio surgiu na grande mídia depois de ceder a canção "Eu não aguento" para o disco "Domingo" do Titãs. Durante uns poucos meses o vocalista Sérgio Boneca apareceu em programas da MTV, seja falando sobre o Tiroteio, futebol ou sobre "Eu não aguento". 

           "República Federativa Brasil Pavão" traz 12 canções típicas do rock brasileiro dos anos 90 naquilo que ele tinha de mais novo, a mistura de ritmos sem preocupação de ousar. No Tiroteio é possível ver ecos de outros nomes contemporâneos como mundo livre s/a, Karnak, Beijo Aa Força. A percussão e metais acompanham letras nem sempre bem inspiradas, como a faixa título. Um verdadeiro carnaval que relaciona a nação brasileira a figura do Pavão "Visto de cima belo leque, visto de baixo feios pés". "Chulapa Free" homenageia o jogador encrenqueiro Serginho Chulapa, funciona como uma resposta brasileira à contemporânea "Tyson Free" do 'grupelo' carica Sublimes, esta sim de total mal gosto anos 90.

             A maioria das canções tem participação do Pavilhão 9, eles deviam gravar no mesmo estúdio no mesmo momento em que o Tiroteio registrava seu primeiro disco, não é possível uma outra forma de uma banda estar presente em mais da metade das canções. O Tiroteio fez uma versão muito boa para "Conversa de Botequim", de Noel Rosa e Vadico. "Balança mais não cai" tem participação de Sergio Britto, Branco Mello Skowa. "Toc toc" também está presente na coletânea "Brasil Compacto".

         O álbum foi lançado pelo selo Primal Records e teve repercussão mediana, bem menor que "Eu não aguento", a produção é de Skowa (ex-A Mafia e Trio Mocotó). O projeto gráfico é confuso e faz falta um ordem direta das faixas, a lista de agradecimentos é tão grande que mereceu o mesmo espaço dado para as letras.

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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Questions "Strenght!" (Fuerza Records, 2002)


             Formado em 1999 o quarteto paulistano Questions conquistou em pouco tempo uma quantidade considerável de fãs pelo Brasil. O hardcore com influências de bandas novaiorquinas como Agnostic Front, Madball e Biohazard, também chamou a atenção de organizadores de shows e da mídia especializada. Com apenas uma demotape, "We shall overcome", de 2000, emplacaram o clipe de "Real enemy" e venderam 800 cópias do K7.

             O passo seguinte foi a gravação do single "Strenght!" que abre com a canção título e única inédita do disco de apenas quatro faixas. "Union/Respect" e "Questions" foram retiradas da demo boa de vendas. O disco inclui também "Real enemy" e a versão multimídia do vídeo clipe.

          O single produzido por Wagner Bagão foi lançado pelo selo Fuerza Records numa tiragem de 1000 cópias e teve excelente repercussão. O projeto gráfico é caprichado e traz muitas fotos da banda no rodapé, a capa é autoria de Claudio Sanches. No acrílico que protege o CD um selo mostra o valor máximo a ser cobrado pelo disco, módicos 5 mangos.

           "Strenght!", junto com o home-vídeo "São Paulo Hardcore Scene", um vhs com as bandas Questions, Paura, Food4Life, Fistt e Drop Your Guns, lançado pela Highlight Sounds, alçou o Questions aos ouvidos de ainda mais pessoas e consolidou a banda dentre os principais nomes do hardcore brasileiro de início de século.

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Wander Wildner "Baladas sangrentas" (Fora da Lei/Tinitus, 1996)



             Em 1996 Wander Wildner já tinha uma extensa trajetória no punk rock e na música brasileira. Depois de quase dez anos, e três discos, dedicados ao Replicantes, experiências como iluminador e diretor de palco, e vocalista das bandas Máquina Melequenta, Sangue Sujo e Los Encarnados, todos criados depois que se tornou um ex-Replicante. Enfim, chegou a vez de Wander reunir suas baladas compostas ao violão, garimpar canções de amigos, como Frank Jorge e Flávio Basso, e assinar o primeiro rebento da carreira solo.

              O começo da história de "Baladas sangrentas" remonta a um período melancólico da vida do autor. Wander Wildner fora buscar sua namorada no aeroporto e no momento do reencontro recebeu a notícia de que o relacionamento do casal chegara ao fim. O pé na bunda virou motor para uma série de canções de exacerbado romantismo, como "Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo", e outras facilmente caracterizadas como bregas.

         
Bizz, edição 150, janeiro de 1998
 O estopim havia sido dado e o caminho foi formar o repertório, ainda no esquema punk-romântico-brega vieram "Freira desalmada", parceria com Thedy Corrêa, "Bebendo vinho" e "Lonely boy" versão da canção dos Sex Pistols, presente na trilha sonora do filme "The Great Rock'n'Roll Swindle", que havia sido gravada por Wander com o Sangue Sujo, presente na coletânea "Assim na terra como no céu" e na demotape "Punk rock que matou a modelo". "Burguês", parceria com a banda punk de Porto Alegre ORTN, também faz parte da mesma demotape, único registro do Sangue Sujo.

           "On the road" foi pinçada da banda Los Encarnados e chegou inclusive a ganhar um vídeo clipe raramente exibido pela MTV Brasil. "Lugar do caralho" foi retirada da excelente demotape do Júpiter Maçã e os Pereiras Azuis. "Empregada" saiu do repertório da Graforréia Xilarmônica, mas ganhou versos adicionais retirados da balada, legitimamente brega, "Quarto de empregada" de Luiz Carlos Magno, não creditado no disco. 

          Para gravar as canções Wander Wildner recebeu o apoio do amigo, guitarrista e produtor Tom Capone, que abriu as portas do AR Estúdio, no Rio de Janeiro, e produziu o álbum. Tom ainda participou da idealização do selo que lançou "Baladas sangrentas", assim surgiu o Fora da Lei, que apesar da curta trajetória inicial de apenas três discos - "Na fé" do Baia & Rockboys, um ao vivo do Replicantes, com Carlos Gerbase de volta ao microfone, e "Baladas Sangrentas" -, conseguiu levar o disco ao público interessado. 

           


  Pelo Fora da Lei "Baladas sangrentas" recebeu duas tiragens, cada uma com uma capa diferente. No mesmo ano o disco chegou às mãos do produtor Pena Schmidt que negociou a re-prensagem do álbum pelo selo Tinitus com outra capa e mudança na ordem das músicas. Pelo novo selo "Baladas sangrentas" teve melhor distribuição, feita numa parceria da Tinitus com a Velas, mas nada bom o suficiente para dar o reconhecimento merecido.


            Tal reconhecimento até que não demorou tanto tempo para chegar. Logo o primeiro trabalho solo de Wander Wildner ganharia status de álbum cult e suas canções gradativamente ficaram mais conhecidas, mesmo que com outros intérpretes.

              Atualmente "Baladas sangrentas" está entre os principais discos brasileiros. Em 2013 ganhou uma reedição, de novo com outra capa, e pode ser encontrado em CD no site do Wander Wildner. O punk brega nunca foi renegado pelo seu autor, tanto que depois virou nome do selo de Wander Wildner para o terceiro disco, "Eu sou feio mas sou bonito". A alcunha define bem o trabalho, afinal, quem disse que para ser punk não pode ser apaixonado? Altamente recomendável para quem ouve Waldick Soriano e Ramones. 

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Randal Grave "Likes to do girlie stuff sometimes!" (Barulho/Sacaiuca Records, 2002)


             O quinteto de skacore de Ribeirão Pires fez do seu segundo disco um EP de covers de canções internacionais bastante populares nas FMs brasileiras, e no mundo. Com exceção da releitura de um hit oitentista do Elton John, e de "Forever young" do Alphaville, que entrou de bônus, todas as canções têm em comum a voz feminina da versão original.
   
Rock Press, edição 52
            "Likes to do girlie stuff sometimes!" traz oito regravações, o disco abre com uma balada romântica do Roxette, "Listen to your heart", numa versão acelerada e com o trompete, comandado pelo também vocalista Pino, rasgando o arranjo. O disco segue a mesma linha do começo ao fim e a intenção é realmente trazer diversão ao ouvinte. Canções boas de pista como "Girls just wanna have fun", Cindy Lauper, e "Material girl", Madonna, continuaram dançantes. Outras menos agitadas, "The winner takes it all", Abba, e "Luka", Suzanne Vega, ganharam peso e se deram bem. Outras atraem pelo inusitado como as versões skacore de "Nikita" e da canção tema do filme Top Gun, a eternamente irritante "Take my breath away".

             O EP é um trabalho caprichado lançado pelo selo curitibano Barulho Records, em parceria com o selo da banda Sacaiuca Records. O disco traz duas músicas do Randal Grave de bônus e uma faixa multimídia com release, fotos e vídeos. Um projeto único e muito bem realizado.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Madeixas (Independente, 2000)


                  No final da década de 90 o quinteto de Blumenau/SC Madeixas podia ser visto com uma certa frequência no finado programa Lado B, da MTV Brasil. A canção era "Spring dream" e chamava a atenção por trazer melodias e barulhos, o clipe não era uma superprodução, obviamente, e  a simplicidade das cenas cotidianas chamava a atenção. A música também, cheia de partes durante 4 minutos e meio.

Bizz, edição 173, dezembro de 1999
            O álbum, sem título, é o segundo trabalho da banda. Um EP de seis faixas que mostram um pouco mais do som guitar com arranjos doces para as vozes dos irmão James e Camila Zoschke. Um disco curto, mas, com algumas canções marcantes. Abre com "Drunk joke", também conhecida da coletânea "Controle", o "hit" "Spring Dream" fecha o álbum, a canção também entrou na coletânea em CD "Rock na rua".

               O projeto gráfico do disco é mal planejado, a capa desbotada com imagem da banda em foto estourada em tons azuis é de mal gosto, o encarte acompanha letras e ficha técnica. O EP abriu as portas para o Madeixas e a banda pode trocar em várias capitais brasileiras. Por um tempo o Madeixas frequentou mais os palcos curitibanos do que as próprias bandas da capital paranaense.

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sábado, 17 de agosto de 2013

Anões de Jardim "Real deal" (Tamborete Entertainment, 1998)


       O Anões de Jardim foi uma das principais bandas do hardcore de Curitiba. Quem acompanhou a movimentação do underground brasileiro que ganhou os palcos curitibanos deve ter visto alguma apresentação do quinteto.

        "Real deal" é o primeiro e único registro em disco do Anões de Jardim, depois de algumas elogiadas demo tapes, lançado numa época em que a banda já não estava tão ativa, mas que precisava definitivamente ter um álbum.

           O disco é curto e rápido como todo bom disco de hardcore, são 13 sons em meia hora, poucas ultrapassam os dois minutos. O disco abre com a pedrada "Open your eyes" e já dá mostras que o hardcore do A.D.J. tem os dois pés fincados naquilo que ficou conhecido como Hardcore Novaiorquino, seguem outras canções boas para mosh NY Classic Style como "Harmfull attitudes", "Altered mind " e "Owner", esta também está presente na coletânea de bandas curitibanas "Lototol". O álbum fecha com um cover do Agnostic Front como bônus track.

             O álbum é o 4º disco do selo carioca Tamborete Entertainment, "Real deal" teve uma repercussão razoável, restrita à capital paranaense. O projeto gráfico é cheio de informações, além de fotos, letras, ficha técnica e reprodução de alguns cartazes e flyers com bandas que o Anões de Jardim já dividiu palco, dentre estas: Sick of it All, Fugazi, Mickey Junkies e outras.

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Kongo "Kongo ataca outra vez!!!" (Manguaça Beat Records, 2000)


            O combo carioca Kongo foi a primeira banda brasileira  assumidamente de ska. Formada na primeira metade da década de 80 a banda conseguiu na época bons resultados com uma fita demo, produzida por Bi Ribeiro, que parou na programação da rádio Fluminense FM e levou os, então cinco rapazes e uma garota, ao contrato com a EMI-Odeon. Pela gravadora lançaram um único disco, um mini-LP que deixou o sub-hit do rock brasileiro "Biquini defunto", canção que ganhou um dos vídeo clipes mais divertidos da década de 80.

              Logo após o quase sucesso e com o contrato rompido o Kongo encerrou atividades para retornar dez anos depois, já no final da década de 90, com o segundo disco, "Kongo ataca outra vez!!!"

          Da formação original, permaneceram os três irmãos Edinho, Nelson e  Nilton Cerqueira, e o percussionista Luluci, entraram na nova formação dois Big Trep, o fundador e baixista Eduardo Garcia e o baterista Robson. O Kongo e o segundo disco ainda seguem o ritmo jamaicano que fez sucesso mundo afora quando adotado por bandas inglesas entre o final dos 70's e primeiros anos dos 80's. 

         "Kongo ataca outra vez!!!" traz 10 canções em pouco mais de meia hora, quase todas inéditas, com exceção da nova versão para "Bikini defunto" e para a gravação de "Murder", do Selecter, canção que frequenta o repertório do Kongo desde seus primeiros dias de vida. A banda mostra que os anos de inatividade não interromperam a criatividade e capacidade de criar boas canções, pelo contrário, "Gema bruta", "Solução" e "Rudie" são de riscar o salão. Em "Sincopada" o sexteto presta homenagem ao ritmo ao qual dedicam a existência do Kongo.
Bizz, edição 176, março de 2000

           Lançado por conta própria pelo selo Manguaça Beat Records, é um trabalho bastante caprichado e bem produzido, tanto sonora quanto visualmente. O projeto gráfico traz uma bela capa e encarte com fotos do sexteto, letras e ficha técnica. Infelizmente o álbum teve repercussão restrita ao Rio de Janeiro, por onde a banda fez muitos shows, e aos fãs de ska.

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The Krents (Baratos Afins, 1997)


              Primeiro disco da banda psychobilly paulistana The Krents. Formada por garotos que mal chegaram a maioridade (vide fotos do encarte), tem a frente Luiz Teddy, filho de Eddy Teddy (1951-1997), um dos heróis do rock brasileiro de todos os tempos.

             O álbum sem título traz 15 canções em 54 minutos, apenas 6 são composições da banda, as demais são sobras e parte do repertório do Coke Luxe, "Não beba papai" e "Adorável vagabunda", e outras de Eddy Teddy, como "Carol", "Alta tensão", "Rachando com o diabo" e "Meu corpo entrou no seu", com participação do próprio. O disco ainda traz as boas "O suicida", a versão para o clássico escolar "Vomitaram no trem", rebatizada de "Psycho-Billis"; e "Homenagem a três" de Little Piga, guitarrista e compositor de vários rockabillys do Coke Luxe. O som da banda é rápido, o The Krents senta o braço e aproxima o topetes de moicanos.

                O projeto gráfico traz várias fotos da banda realizadas num única sessão, as letras do encarte acompanham as cifras. O álbum foi produzido por Luiz Calanca e lançado em CD pelo seu lendário selo Baratos Afins. ainda pode ser adquirido pelo site do selo.

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Shed "Now available in stereo" (Highlight Sounds, 2001)


          "Now available in stereo" é o segundo disco do quarteto paulistano Shed, um trabalho cheio de boas ideias mas que, infelizmente, não seguram o álbum ao longo dos seus 47 minutos divididos entre 12 canções.

        O álbum começa bem com uma sequência empolgante de "Routine", "It's today" - que ganhou vídeo clipe bacana do tipo "Clube irmão caminhoneiro" -, "Fast track" - possivelmente a melhor do disco - e "Since 1323". Não espere nenhuma originalidade do Shed, não que originalidade seja algo importante, não é, mas aqui as matrizes do rock norte-americano são tão explícitas que não dá para ouvir "Now available in stereo" sem lembrar de Sunny Day Real Estate, Hot Water Music, Seaweed e Foo Fighters, esta última principalmente. Os momentos fracos estão em "For you" e "Happiness" nas quais o quarteto perde habilidade na criação de melodias, as letras e previsibilidade também cansam. 

         Lançado pelo selo paulistano Highlight Sounds, o álbum teve uma boa repercussão e o Shed fez alguns shows elogiados chegando inclusive a participar de festivais de bandas independentes. O projeto gráfico é bem construído, apesar da péssima fonte que atrapalha a leitura das letras e dados técnicos do álbum. A caixinha de acrílico na cor violeta dá um charme ao trabalho, esmerado no visual, mas irregular sonoramente. O disco foi masterizado pelo guitarrista Ken Olden em Washington D.C.

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Siegrid Ingrid "The corpse falls" (Cogumelo Records, 1999)


             O quinteto de Carapicuíba/SP Siegrid Ingrid surgiu em 1989 e passou por várias mudanças de formação até chegar ao segundo disco, "The Corpse Falls", o primeiro pela Cogumelo Records. Antes de assinar com o lendário mineiro a banda lançou, em 1992, um raro compacto e, em 1996, o primeiro disco, "Pissed off", pelo selo paulista Rotthenness Records, especializado em sons extremos (black, death, noise, crust, grind) com distribuição na Europa e Japão.

           "The corpse falls" é tão rápido quanto agressivo, tem 10 músicas próprias em 28 minutos e logo nos primeiros segundos já mostra o que o álbum tem pela frente, riffs bem sacados, bateria precisa de arranjos cuidadosos, vocais raivosos com letras em inglês de temas comuns ao universo do death/thrash/crossover, que podem ser observados pelos títulos "Murder", "Suicide", "Depressed"... os destaques ficam para os vocais de Punk e bateria de Evandro Jr., ainda que os arranjos de guitarras em "The path of nothingness" e "Your trivial world" também sejam destruidores, assim como o hardcore de 40 segundos "Demencia".

            O álbum tem projeto gráfico simples, mas completo. Traz letras, ficha técnica e foto, tudo nas cores amarelo e preto. A produção do álbum é de Heros Trench, os trabalhos anteriores foram produzidos por Dick Siebert, ambos do Korzus. Com este trabalho o Siegrid Ingrid tocou em eventos importantes e em vários buracos do Brasil.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pitbulls on Crack "Lift Off" (Primal Records, 1996)


           O Pitbulls On Crack foi um quarteto formado por veteranos do rock no Brasil e no exterior, tais como o baixista Luiz Tigueis, ex-A Chave do Sol, e o vocalista e guitarrista Chris Skepis, ex-integrante da lendária banda punk inglesa Cock Sparrer.

                A banda lançou demo tapes e fez muitos shows na capital paulista antes de chegar a "Lift Off", seu primeiro e único disco. O som é totalmente calcado na década de 70, ecos de Made in Brazil, Casa das Máquinas, e do glam rock de Mott the Hoople e Slade estão por toda parte, incluindo até mesmo a arte do álbum, toda colorida, lisérgica e cheia de astros flutuantes.

               "Lift Off" tem 12 músicas, todas próprias e em sua grande parte compostas por Chris Spekis, se não é uma garantia de que as letras sejam boas, pelo menos garante que sejam em bom inglês, o que também vale para as interpretações. No meio do revival setentista do disco, salvam-se boas canções como "Nevermind" - que numa resenha de demotape a revista Dynamite afirmou semelhança com alguma outra do repertório do Pixies -, os toques orientais em "Candle light" e "You've got me on the run". 
Dynamite, edição 23, dezembro de 1996

              O álbum lançado pelo selo Primal, com distribuição da Velas - que também é a editora das canções -, teve uma boa repercussão e a banda fez muitos shows, incluindo um show de lançamento cheio de atrativos e que foi divulgados em duas páginas da Dynamite. Entretanto, os resultados lentos não garantiram a sobrevivência do Pitbulls on Crack.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Arrigo Barnabé e A Banda Sabor de Veneno "Clara Crocodilo" (Independente, 1980)


                Pianista de formação erudita, Arrigo Barnabé surgiu para o grande público em 1979 no I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, organizado pela RTC (Rádio e Televisão Cultura de São Paulo). Arrigo defendeu "Diversões eletrônicas", acompanhado da Banda Sabor de Veneno, e levou o 1º lugar. O trabalho chamou a atenção da mídia e do público, pois apresentava influências musicais até então inéditas na música popular, como a música dodecafônica e concreta, além de uma interpretação de canto-narrado caótico, teatral e urbano - Moreira da Silva fazia algo semelhante há 20 anos de "Clara Crocodilo", mas o samba de breque narrado não era tão urbano.

            Arrigo estava com "Clara Crocodilo" pronto e buscava um suporte juntos às gravadoras para lançar o trabalho. Num reunião com executivos da PolyGram Arrigo descobriu que a melhor forma de concretizar suas canções em disco era fazer um LP independente. Se o trabalho já era visto com estranheza pelo público, quem diria os dirigente das grandes gravadoras que viam "Clara Crocodilo" totalmente fora dos padrões comerciais. Na época a PolyGram ofereceu o lançamento, mas o disco receberia o tratamento de um trabalho instrumental, com capa simples em poucas cores.

Revista Pipoca Moderna, Edição 04, fevereiro/março de 1983

         Lançado no final de 1980, sem apoio de gravadora ou selo independente, na contra capa lê-se "Produção independente de Robinson Borba", "Clara Crocodilo" teve excelente repercussão e venda, ganhou os palcos espalhados pelo Brasil e gerou hits como "Orgasmo total", "Acapulco drive-in", "Clara Crocodilo" e "Diversões eletrônicas". As tiragens de "Clara Crocodilo" se somavam e esgotavam rapidamente.

           O projeto gráfico com uma bela e marcante capa de Luiz Gê é um dos fatores que justificam os bons resultados obtidos com o álbum. Além da capa dupla o disco traz foto da banda de 14 integrantes, letras e ficha técnica. Um trabalho esmerado sonoramente, visualmente e no conteúdo.

          Mesmo sendo um trabalho pouco convencional, em 1982 a RGE, uma grande gravadora vinculada à Som Livre, e obviamente ao conglomerado Globo de comunicações, comprou os direitos do álbum e relançou o trabalho. Em 1999 Arrigo e Banda Sabor de Veneno revisitaram "Clara Crocodilo" numa gravação ao vivo que ganhou edição em CD com distribuição da gravadora Eldorado.

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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Câmbio Negro "Diário de um feto" (Discovery, 1995)


          A capital do Brasil não é Brasília. E sim Ceilândia. A cidade satélite com altos índices de miséria e violência representa o Brasil: a margem do poder, com história construída a partir dos feitos de chefes de Estado e nomes influentes, sem oportunidades e ouvidos. Foi em Ceilândia que surgiu o quinteto Câmbio Negro e "Diário de um feto" é o seu segundo disco. A banda formada em 1990 lançou em 1993 o disco "Sub-raça" e chamou atenção do público e mídia com letras politizadas e mostrou um Rap feito com banda e Dj's.

       "Diário de um feto" traz 10 músicas próprias, todas as letras foram compostas pelo vocalista X, e lançam farpas para todo lado. "Os escroques" fala sobre produtores inescrupulosos, proprietários de rádios mercenários, empresários, donos de selos e rappers que não valorizam seu trabalho e são explorados por produtores interesseiros. "Ceilândia" é uma declaração de amor a quebrada do Câmbio Negro. "A profecia" poderia ser um Rap cristão. "Diário de um feto", uma das melhores, narra uma história de miséria e derrota familiar contata a partir da perspectiva de um feto prestes a ser abortado. A banda responde bem às letras e algumas músicas ganham muito com as guitarras distorcidas, wah-wahs, baixos cheios de grooves e cozinha firme, como em "Boicote" e no funk "Introdução". "A volta" tem samples de Thaíde & Dj Hum..

      O álbum lançado em CD e LP pelo selo e loja de discos de Brasilia Discovery teve excelente repercussão, alcançou a marca de 2 mil cópias vendidas em menos de um mês. O projeto gráfico em preto e branco é caprichado com arte de capa ilustrada por Mario César, na qual se vê o quinteto; e contra capa a cargo de Kid Ventania com cenas desenhadas do Hip Hop do cerrado: breakers, skatistas e imagens de Brasília. O encarte é fartamente ilustrado e traz todas as letras.

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The Cigarettes "Bingo" (Midsummer Madness, 1997)


              Depois de duas demo tapes elogiadas, lançadas pelo fanzine de fitas K7 Midsummer Madness, chegou a vez do trio carioca The Cigarettes estrear em disco. "Bingo" marca também outra boa surpresa, a passagem do zine Midsummer Madness para a produção de CDs.

             O primeiro disco do The Cigarettes traz tudo que toda banda indie guitar gostaria de ter, vocais melodiosos, daqueles que parecem ter sido gravados logo após uma noite de sono e preguiça, harmonias caóticas, guitarras saturadas e efeitos/barulhinhos perdidos, bem ao estilo do selo inglês Sarah Records.

           "Bingo" traz 16 canções, todas de autoria de Marcelo Colares, vocalista, guitarrista e mentor da banda. Dentre as excelentes canções vale destacar "Gap" com os vocais de Daniela Matera e letra em francês, a melancolia matinal de "Naturally sad" e "Friendship",  e mais as belas "Happiness" e "Annabel Lee".

            O álbum tem projeto gráfico simples e quase nenhuma informação, não há letras ou fotos e a ficha técnica é curta e grossa. O único detalhe gráfico fica por conta da capa opcional, a arte do disco é obra do eterno Second Come Fábio Leopoldino (1963-2009), que também assina o desenho do satélite logotipo do selo Midsummer Madness. "Bingo" teve boa repercussão e não ficou por muito tempo no catálogo do selo.

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sábado, 3 de agosto de 2013

V.A. "Vampiros de Curitiba" (Solo Records, 1990)


         A segunda coletânea do rock na capital paranaense levou pouco tempo para sair, afinal, o primeiro registro coletivo das bandas curitibanas, "Cemitério de Elefantes" (Vinil Urbano, 1989), mal havia completado um ano de vida. O fato é que a primeira coletânea trazia apenas 5 bandas, muito pouco para dar conta da abrangência do cenário rock local.

Bizz, edição 65, dezembro de 1990
         "Vampiros de Curitiba" traz 10 bandas inéditas em disco, exceto Pós Meridion e Tessália que haviam entrado com duas músicas cada na compilação "Cemitério de Elefantes". O lado A abre com o Pós Meridion arriscando repertório em inglês com o heavy groove de "Between your legs". O álbum segue heavy com o Abaixo de Deus e a canção "The end of the world is now". Tripa Identidade surge como uma das boas canções do disco, "A mensagem", sombria e densa, típico pós punk curitibano, se é que isso existe. O Infernal aparece em disco pela primeira vez com a canção "Fear of death" e representa a parte do metal extremo, para provar que a coletânea cobriu indiscriminadamente o cenário rock de Curitiba. O lado A fecha com outro bom nome revelado na coletânea o quarteto O Corte em "The runner".

          O lado B abre com o Tessália, menos etéreos que "The Pessimist", por sinal a única que não tem letra no encarte. O disco segue com duas das melhores bandas da coletânea Missionários, pioneiros do psychobilly local com "The neandhertal woman", letra de Marcos Prado, e Opinião Pública, já veteranos e com a bela "Nós do miocárdio". O disco ainda traz o trio Jully Et Joe com "Eternity" e o funk branco do Fobos D'deimos em "Siga esse trem". 

Jornal Gazeta do Povo
          
       Lançado pelo estreante selo local Solo Records, com o lendário produtor Victor França como técnico de gravação e mixagem - Solo era o estúdio em que o álbum foi gravado, local também no qual aconteceram as principais gravações da música curitibana. O disco recebeu o apoio da clássica loja Temptation Discos e teve uma boa repercussão, ainda que restrita à capital, os show de lançamento aconteceram no Aeroanta, na época em que a franquia era uma nova opção de diversão na noite curitibana. O projeto gráfico é bastante completo, traz encarte com letras escritas à mão por Luiz Alberto Cruz (Foca), que também assina a ilustração da capa, a contra capa apresenta fotos de Moacir Guimarães para todas as 10 bandas.


"Bandas como Pós Meridion, Tessália, O Corte e Tripla Identidade eram consideradas de atitude e passavam bem um conceito e diversidade sonora que vivíamos. Quem eu mais curtia era o Abaixo de Deus, que tinha um público fiel. Lembro que pouco antes do lançamento do "Vampiros de Curitiba" produzi junto com o Edson Vulcanis um show com o Abaixo de Deus e Pupilas Dilatadas (RS) no Berlin Bar, onde hoje fica o Hermes Bar, com lotação esgotada. Bebíamos muito e a diversão era garantida. O rock curitibano foi mais divertido!"
                                  Neri da Rosa,Último Volume  
     "Vampiros de Curitiba" relevou uma grande quantidade de boas bandas. Poucas chegaram a registrar um disco próprio e muitas encerraram atividades pouco tempo depois do disco chegar as lojas. Nada que comprometa a boa fotografia monocromática do cenário fértil do rock curitibano do começo dos anos 90.

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