sexta-feira, 31 de maio de 2013

Gabriel Muzak "Bossa nômade" (Independente, 2003)


           O guitarrista, compositor e cantor carioca Gabriel Muzak acompanhou BNegão nas bandas Funk Fuckers e Os Seletores de Frequência. Enquanto preparava este que é seu primeiro disco solo, também mantinha a sua banda, o Rockz. "Bossa nômade" é um álbum de guitarrista, mas não parece, pois tem uma grande participação da banda formada por Guilherme Muniz, baixo, e Lourenço Monteiro, bateria. Numa primeira ouvida você fica procurando a bossa nômade, onde ela se esconde, no final dá para dizer que não tem bossa nenhuma, ao mesmo tempo ela está por toda parte.

             "Bossa nômade" tem 12 canções, compostas por Muzak, em 34 minutos. Abre com "Tropical sound system", que, como o nome diz, tenta fazer um sistema de som que serve abertura para o álbum. Segue com "Minha jaulinha", uma das melhores, na qual Muzak mostra sua habilidade com as seis cordas, cheia de funk. "Estética terceiro mundo" ganhou vídeo clipe que concorreu ao VMB da MTV. Assim como o título índica o disco tenta fazer uma bossa nômade, com visitas a espaços como o rap, "Descompacta"; o trip hop, "Blue tanger"; raggamuffin', "Rude boy", e guitarra distorcida em "Fulana", outra das boas do disco.

            Lançado por conta própria numa tiragem de 500 exemplares, "Bossa nômade" tem projeto gráfico é caprichado, apesar da baixa qualidade da foto da capa,  traz letras, fotos e ficha técnica. O disco teve repercussão mínima entre mídia e público.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

V.A. "Ainda somos inúteis! Um tributo ao Ultraje" (Monstro/Migué Records, 2005)



              A banda mais querida do rock brasileiro dos anos 80, muito contestada por não estar na 'tríade sagrada' do BRock (perdão Arthur Dapieve), ganhou um belo tributo. A ideia inicial era fazer um tributo com bandas de surf music, mas o projeto tomou proporções maiores e angariou 21 bandas interpretando canções de todas as fases do Ultraje a Rigor.
              
             Nem todas as bandas conseguem imprimir as características engraçadas, sarcásticas e irônicas que sempre marcaram o repertório do Ultraje. Contudo, algumas conseguiram bons resultados, principalmente àquelas que trouxeram uma personalidade própria para o tributo. É o caso do Golden Shower com a versão Atari para "Mim quer tocar", rebatizada de "Ich will spielen"; do trio surf music carioca Go! na quase instrumental "Mauro Bundinha", o mesmo vale para os baianos do Retrofoguetes no power-surf music em "A maquininha/Ice bucket" e para os mineiros do Estrume'n'Tal em "Terceiro (Décimo terceiro)" - nesta pecam pela escolha, pois "Terceiro" tem uma letra que não podia ficar de fora num tributo. Os catarinenses do Cochabambas se dão muito bem na versão instrumental para "Ricota", composição de Edgard Scandurra doada para o Ultraje a Rigor, pois não cabia bem ao repertório do Ira! Os Irmãos Leão surpreendem na curta versão em coro para "Eu gosto de mulher" que abre o disco.
         
            O álbum traz versões muito boas e outras que valem pela curiosidade. Das boas tem o peso do trio gaúcho Walverdes para "Se você sabia"; dos brasilienses rockabilly Sapatos Bicolores na lindona "Volta comigo"; Pipodélica com sua psico'pipo'délica para "Eu me amo"; o belo punk rock bubblegum do trio carioca Carbona em "Rebelde sem causa" e do punk rock do Gramofocas na divertida "O chiclete". Os Brilhantines fazem uma 'anna julia' para "A festa" O quinteto goiano Hang the Superstars se dá bem na versão para a única canção do disco "Nós vamos invadir sua praia" que não virou hit de rádio, a não menos legal "Jesse Go", esta canção só não virou sucesso para não usarem o disco todo no rádio - reza a lenda que até mesmo o Ultraje a Rigor pediu para que parassem de mandar 'hit singles' para às rádios.

            Dos pesados: Jason desenterrando "Tuaregue" do disco "Ó". Euthanásia sentando o braço em "Laços de família". Da parte ruim, ou mal aproveitada, temos o quarteto carioca Leela acabando com a graça de 'Sexo!", Os Ambervisions numa surf music pesada que pecam ao errar os versos de "Nós vamos invadir sua praia" - acho que foi proposital.

       Das curiosidades: os chapecoenses do Repolho relembrando em "Crescendo II: a missão" uma situação que o Ultraje passou em Chapecó/SC na qual foram acusados de "corrupção de menores", virou diversão maluca na mãos dos Panarotto. Por fim o quarteto paranaense Limbonautas pegando pesado num dos últimos sucessos do Ultraje, a canção "Domingo eu vou pra praia".

         "Ainda somos inúteis!" foi produzido por Guilherme Zimmer, vocalista d'Os Ambervisions e proprietário da Migué Records, que fez parceria com o selo goiano Monstro Discos para lançar o disco, que ainda pode ser encontrado no catálogo da Monstro (aproveite!). O projeto gráfico falha ao não trazer informações das bandas participantes, se resume apenas ao texto de apresentação escrito pela jornalista Sylvie Piccolotto e agradecimentos.

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Racionais MC's "Holocausto Urbano" (Zimbabwe, 1990)



           "Holocausto urbano" é o primeiro disco do Racionais MC's. Um mini-LP com 6 canções em 29 minutos que tornou o quarteto rapidamente conhecido em São Paulo, cravando hits que não tocaram nas rádios nem frequentaram as TVs, mas que fizeram a trilha sonora de muitos jovens, não necessariamente da periferia, e que levaram o Racionais MC's a abrir os show de Public Enemy e Frighty & Colonel Mite em São Paulo.


Bizz, edição 76, novembro de 1991

            As seis canções são divididas entre vocais de Mano Brown e Edy Rock. O disco abre com Brown num dos primeiros 'hits' do Racionais MC's, "Pânico na Zona Sul", letra que narra as dificuldades de sobreviver em meio à violência, o mesmo tema ressurge em  "Hey boy". Edy Rock manda outras boas canções, como "Mulheres Vulgares", que narra uma conversa telefônica entre Brown e Rock descrevendo futilidades de mulheres vulgares - uma das canções que marcaram o quarteto -, e "Tempos difíceis", com a melhor batida e sampler de James Brown, coincidentemente o mesmo sampler foi usado na canção "Pobrema" do primeiro disco de Thaíde & DJ Hum, "Pergunte a quem conhece", lançado em 1989. "Racistas Otários" apresenta uma das marcas do Racionais MC's, a luta contra o preconceito racial.


Bizz, edição 85, agosto de 1992
            "Holocausto Urbano" se comparado com os trabalhos seguintes do Racionais MC's tem um produção mediana, com batidas simples e quase nenhum sampler. Obviamente tudo isso mudou nos anos seguintes e os discos ganharam pesquisa e produção melhores.

           Produzido por KL Jay e lançado pela Zimbabwe Records, uma equipe de som que animava bailes black na periferia de São Paulo e que foi um dos selos que mais investiram na fase inicial do Rap nacional, lançando muitos discos de grupos paulistanos. "Holocausto urbano" teve uma excelente repercussão de público e mídia, chegou a atingir a incrível vendagem de 30 mil cópias em LP e ganhou reedições em CD ao longo dos anos, contudo a arte original da capa foi alterada.


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domingo, 26 de maio de 2013

Bonsucesso Samba Clube "Tem arte na barbearia" (Independente, 2006)


            "Tem arte da barbearia" é o segundo disco do sexteto de Olinda/PE Bonsucesso Samba Clube, formado por Rogerman, ex-baixista do Eddie, em 2000. Curiosamente, neste disco o Bonsucesso Samba Clube lembra o trabalho do Eddie, principalmente na pesquisa de timbres e experimentos que unem samba, bossa nova, reggae, ritmos latinos e regionais.

              O álbum representa uma mudança em relação ao primeiro trabalho, auto intitulado e lançado pelo selo YB? com produção do coletivo paulistano Instituto. "Tem arte na barbearia" traz 14 canções próprias em 56 minutos. É um disco carregado de percussão e arranjos bem elaborados, apresenta uma calmaria dançante, principalmente pelos vocais preguiçosos de Rogerman, uma característica positiva e que em nada atrapalha o trabalho. As letras são muito boas, ouça "Eu te encontrei" e "Meu jornal", esta uma das melhores do disco junto com "Téo de Tetê" e "Seu nome era eu". 
Revista Outracoisa, ed. 15, 2006

             "Tem arte na barbearia" foi lançado de maneira independente com apoio do Estado de Pernambuco. O projeto gráfico é primoroso e homenageia uma das figuras folclóricas importantes de Olinda, o barbeiro Isnar Colombo, falecido em 2003, e ilustrado em todas as abas do encarte e capa do álbum, cujo título também faz referência à importância de Isnar para a cultura local.

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sábado, 25 de maio de 2013

Concreto "A calma da alma" (Independente, 1998)


              O quarteto de hard rock/heavy metal de Belo Horizonte/MG Concreto, formado em 1993 levou 5 anos para chegar ao seu disco de estreia. Em 1994 tiveram uma grande oportunidade ao editarem um LP picture por um selo norte-americano, com distribuição na Europa e Japão. Contudo os resultados obtidos com o primeiro registro não foram suficientes para que o Concreto tentasse uma carreira internacional, também não deixaram a banda conhecida no Brasil.

             Os anos de espera para chegar em "A calma da alma" são responsáveis pelo resultado positivo do álbum. A produção e o direcionamento do disco não deixam dúvidas do esmero do quarteto no cuidado com letras, arranjos e interpretações. O disco é um destes casos de trabalhos tão bem cuidados que até mesmo quem não é familiarizado ao estilo pode ser cativado.

             Uma característica legal da banda é ter dois vocalistas, o guitarrista Túlio de Paula  e o baixista Marcelo Loss, que se revezam e alternam o vocais, por sinal bastante diferentes, Túlio mais melódico e Marcelo mais blueseiro.
Revista Dynamite, ed. 35 Fevereiro/Março de 1999

            "A calma da alma" traz 17 canções em 60 minutos. Abre com a excelente faixa título e já dá mostras do que vem pela frente: riffs pesados, levada carregadas à Black Sabbath, incursões mais blues e letras em inglês e português. O álbum segue com outras boas faixas, como "Alegria e dor" - que ganhou vídeo clipe razoavelmente exibido na MTV - , as belas guitarras de "O aviso",  e mais "Someone you" e "O que vem depois?".

            Mesmo lançado por conta própria, "A calma da alma" trouxe bons resultados de mídia e público, contam-se mais de 3 mil cópias vendidas, algo muito difícil quando se trata de um trabalho independente. O projeto gráfico é simples e bastante completo, traz todas as letras, ficha técnica e foto. Em 2001 a banda lançou seu segundo disco, "Aquele que tem", pelo selo Tamborete e seguiu fazendo shows e angariando público e respeito no underground nacional.

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Garage Fuzz "Turn the page... the season is changing" (Stand/One Foot, 1999)


             O quinteto de Santos/SP Garage Fuzz começou em setembro de 1991 com uma proposta que se manteve até seus dias atuais, fazer hardcore com letras em inglês e absorver as influências de bandas skate punk e do hardcore melódico norte-americano, tais como Descendents, Rites of Spring, Down By Law, Embrace e outros. Obviamente é mais que isso e o Garage Fuzz ainda traz um som novo sem fugir daquilo que encaminhava em shows e discos. 

              "Turn the page... the season is changing" é o terceiro disco do Garage Fuzz, contando o EP "Confortable dimensions for suitable structures", de 1997. Neste álbum a banda traz 14 canções inspiradas, mostram que a banda já acumulava experiência e um cuidado grande com arranjos, interpretações e letras. Inclui alguns hits que não podem faltar em shows, como "Replace", Observant" e "Pitiable". A produção chama muito a atenção, duas guitarras combinando partes, por Wagner Reis e Fernando Zambeli, bateria com quebradas e velocidade precisa, por Daniel Siqueira, o baixo marcado de Fabrício de Souza e o vocal de Alexandre 'Farofa' Cruz, que também assina a parte gráfica do disco.
Bizz, edição 170, setembro de 1999



           O álbum foi lançado pelo próprio selo da banda, Stand Records, e recebeu edição norte-americana pelo selo One Foot Records, com distribuição também na Europa. Algumas canções, como "Replace" e "After the rain" ganharam vídeo clipes razoavelmente exibidos pela MTV Brasil. O disco teve uma boa repercussão na mídia underground, tais como revistas de circulação restrita e fanzines, esta uma mídia na qual a banda sempre teve espaço. "Turn the page..." não ganhou relançamento. 
        
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Os Catalépticos "Morto Ao Vivo - Grande Garagem que Grava" (GGG, 2005)



Bizz, edição 200, abril de 2006
            Possivelmente a banda de psychobilly brasileira mais conhecida no mundo é o trio curitibano Os Catalépticos. Formado na capital paranaense em 1996 por Vladimir Urban (guitarra e vocal), Coxinha - aka Mutant Cox (bateria e vocal) - e Gus Tomb (baixo), o trio conseguiu muitos feitos com seu som psycho brutal e a excelente performance ao vivo, sem deixar nada a dever aos grandes nomes de psychobilly mundial, indo além, pois adicionavam peso e velocidade numa formação bastante econômica.

            O registro ao vivo no projeto Grande Garagem que Grava, em 1º de abril de 2005, foi o último disco d'Os Catalépticos, quase um bootleg para os fãs do estilo, pois a banda deixou apenas dois discos oficiais, somados de mais dois EPs, que completam a curta discografia do trio. "Morto ao Vivo" é rápido, tem 6 canções em apenas 14 minutos, privilegia somente a fase final da banda, não traz músicas do primeiro disco, "Little Bits of Insanity", de 2000. Contudo não deixa nada a perder, com exceção do hino "Psychobilly is all around", aqui esquecido. Quem gosta não vai se decepcionar, "Hot rod funeral", "You must die" e "Psychopath fever", esta que dá nome ao EP lançado num raro picture 7" e em CD acrescido de bônus não menos raros, garantem uma diversão tão mórbida quanto alcoólica!

             "Morto ao Vivo" foi gravado e lançado no projeto Grande Garagem que Grava, que tinha a característica de levar bandas para tocar e lançar o registro da apresentação, comercializada logo após o final dos shows, algo no mínimo surpreendente e que gerou mais de 20 discos de bandas curitibanas cujas cópias voavam. Atualmente registros como este d'Os Catalépticos são raros. Se Curitiba é reconhecida hoje como a capital brasileira do psychobilly e a principal cidade da América Latina com festivais dedicados ao estilo, 53% é por culpa d'Os Catalépticos, o restante ficam para os não menos importantes Os Cervejas, Missionários, Krappulas e Ovos Presley. Wrrrreeeeckkk!

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terça-feira, 21 de maio de 2013

V.A. "Baladas do Bom Fim - Tributo Nei Lisboa" (Orbeat Music, 2002)



                Nei Lisboa é uma das vozes mais típicas de Porto Alegre. O compositor que sempre cantou a noite e os amores na capital gaúcha ganhou uma justa homenagem de bandas de Porto Alegre em 2002.


              "Baladas do Bom Fim" traz à tona o nome do bairro boêmio porto-alegrense para batizar o trabalho que reúne 14 bandas em torno do repertório conhecido de Nei Lisboa. Não há predominância de algum estilo e esta é a melhor parte do trabalho, que deixa livre os intérpretes para recriar alguns clássicos a partir de suas próprias influências. Assim se dão bem Planet Roots, com a versão reggae para "Dirá, dirás"; Da Guedes faz uma intervenção rap em "Síndrome da síndrome da abstinência"; Irmãos Rocha! senta o braço em "Zen"; Marieti Fialho empresta sua bela voz para a não menos bela "Telhados de Paris"; Groove James reinventa o hit "Hein?!..."; Gramophones pouca altera a balada rock "Romance"; Montanha Azul trouxe blues para a divertida "Mônica tricomônica" e Plato Divorak & Os Analógicos revisita um dos primeiros sucessos de Nei Lisboa e que dá título ao seu primeiro álbum "Pra viajar no cosmos não precisa gasolina". E tem mais Frank Jorge, Egisto Dal Santo, Tom Bloch, Bataclã F.C., Sopa e Six Machine.


             Lançado pelo selo gaúcho Orbeat e produzido por um dos mais prolíficos músicos de Porto Alegre, Egisto Dal Santo, "Baladas do Bom Fim" teve apenas repercussão local. O projeto gráfico é simples, mas traz ficha técnica e foto de todas as bandas, acompanha o CD um adesivo com o título do trabalho.

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domingo, 19 de maio de 2013

Dr. Cascadura (WR Discos, 1997)



               Formado na capital baiana em 1992, o Dr. Cascadura, depois conhecido somente como Cascadura, movimentou o cenário rock'n'roll de Salvador na década de 90. Também chamou a atenção da mídia, que via na banda um representante brasileiro do revival setentista ocorrido na primeira metade dos 90's a partir do sucesso do Black Crowes e do renovado interesse de parte do público roqueiro para os discos do Led Zeppelin, Deep Purple e Lynyrd Skynyrd.

             E era por aí mesmo. Ao ouvir este, que é o primeiro registro do Dr. Cascadura, nota-se a influência que os rapazes sofreram do southern rock norte-americano e por nomes brasileiros como Tutti Frutti, Casa das Máquinas e Made in Brazil.

           O disco tem 14 canções próprias com letras em português e excelentes arranjos, um órgão bem sacado e arrebatador, nada de novidade ou mesmo original, mas tudo feito com bastante capricho. A produção é primorosa e não deixa dúvidas que o vocalista Fábio Cascadura sabia o que queria ao escrever as letras, assim como a banda, um quinteto, sabia construir muito bem arranjos. Destaque para as canções "Cantor de jazz", "Telepatia". E as típicas odes ao rock, vide "Tão velho quanto o rock'n'roll" e "O batismo", esta dedicada a um dos heróis do rock nacional, Eddy Teddy.. Tem baladas também, ouça "O homem velho", "Gloriosa" e "Mesmo sem merecer" e comprove.

       O álbum demorou muito tempo para sair, já aguardava dois anos na espera do lançamento que veio depois da iniciativa do Governo da Bahia em parceira com o selo WR Discos, que também dá nome ao estúdio em que foi gravado o álbum, em registrar discos de bandas baianas que aguardavam algum "$uporte" para chegar ao público.
Bizz, edição 116, abril de 1996

            O tempo que o álbum levou para sair foi prejudicial para o Dr. Cascadura, que passava por um momento de transição quando houve o lançamento. O trabalho foi bem recebido pela crítica e público, a pequena tiragem se esgotou rapidamente e não houveram novas prensagens, assim como aconteceu com todos os discos da série patrocinada pela parceria Governo da Bahia/WR Discos. 

           O álbum foi o terceiro lançamento da série que inicialmente seguia o mesmo projeto gráfico para todos os discos, apenas isso pode justificar a péssima capa do quinteto numa montagem de mal gosto com um dos cartões postais de Salvador, o Elevador Lacerda, ao fundo. Pode até deixar em dúvida o ouvinte desconhecido que se depara com o trabalho, não se engane, aqui tem rock'n'roll!

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Anjo dos Becos "Funny fluxo" (Primal Records, 1995)



               O octeto paulistano Anjo dos Becos era uma das bandas que mais chamavam a atenção da mídia e público na primeira metade dos anos 90. A sonoridade da banda, que misturava funk, metal e hardcore com um trio de metais, mostrava bastante energia ao vivo, mas não transmitia a dimensão das apresentações nas demotapes.

               O mesmo aconteceu na hora de registrar o primeiro disco. "Funny fluxo" sofreu com as letras ruins e a mixagem que não privilegiou um equilíbrio de volume entre os instrumentos, neste caso os metais aparecem com volumes no talo, o que é até um fator positivo, pois os arranjos de ska, funk e hardcore são a melhor parte do álbum. 
BIzz, edição 127, fevereiro de 1996

               O disco traz 11 canções próprias, incluindo os hits que o público conhecia antes mesmo do álbum chegar ao mercado, tais como "Na noite somos todos iguais" e "Funny fluxo". O problema maior está nas letras e na interpretação do vocalista Pirata, os 'pa pa pa ru ru pa pa' de "Própria lei" são desnecessários quando se tem um trio de metais em brasa. Outros maus exemplos estão em "Stop" e na faixa título, uma letra que diz "só quero diversão mesmo que eu não tenha permissão" não tem nada a dizer. O refrão de "Faça coisa certa" segue o mesmo caminho. Dos momentos bons do álbum, temos o hardcore "Mancha negra" e o belo arranjo jazz de "Crianças", cuja letra não salva. Se fosse um disco instrumental, seria perfeito!

              O clima circense da capa está presente no disco que se encerra com citações incidentais de trilhas de circo. O projeto gráfico traz fotos de palhaços, e da própria banda como artistas de circo. A parte gráfica é caprichada e bastante completa, com todas as letras e ficha técnica. Lançado pelo selo paulistano Primal, "Funny fluxo" teve uma boa repercussão na mídia e a banda pode fazer muitos shows. Não é um disco bom, mas a banda é reconhecida com este trabalho.

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sábado, 18 de maio de 2013

Os Atonais "Em amplitude modulada" (Independente - CDr, 2000)



         
             Marcelo Birck é gênio. Sim, já foi dito isso noutro disco presente neste mesmo blog. Mas, e daí? Acontece que aqui ele aprontou mais um belo trabalho. O disco registrado apenas em CDr foi lançado após o fim do Arishóteles de Ananias Jr, e reuniu Birck a Leandro Blessmann (guitarra), Thomas Dreher (bateria) e Felipe Petry (baixo).

            "Em amplitude modulada" tem 15 canções daquele jeitão do Marcelo Birck, arranjos anarquistas, volumes no talo, guitarras malucas, barulhos e ruídos vindos de surpresa não sei de onde, rock sessentista e experimentos em estúdio. O disco abre com o arrasa ouvidos "Chamas do inferno", um clássico dos refrões perfeitos. Segue romântico com o ié-ié-ié "És fundamental" e na beleza absurda de "Volta", uma das mais belas canções que a Jovem Guarda não fez, assim como "Gosto de você" "Não quero mais saber de você" e "Garota dos meus sonhos". Outras boas canções foram resgatadas posteriormente no primeiro disco solo do Birck, tais como "O meu cigarro" e "Sei que vou chorar".

            Apesar de não ter sido mandado para a fábrica, o disco d'Os Atonais teve uma boa repercussão e muitas cópias circularam entre os interessados por rock gaúcho, fãs da Graforréia Xilarmônica e das produções do Birck. O projeto gráfico segue o padrão de um trabalho demo, todo feito em xerox preto e branco e apenas ficha técnica. Ainda é possível conseguir cópias com o próprio Marcelo Birck.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Vulgue Tostoi "Impaciência" (Net Records, 2001)




           Primeiro disco do trio carioca Vulgue Tostoi é um tesouro perdido do rock brasileiro. A banda, formada em 1995 por Marcello H, Jr. Tostoi e Victor Z, levou 5 anos para lançar seu único registro, tempo suficiente para pensar em detalhes de produção e pesquisar timbres, o que deu resultado, o disco beira à perfeição.  

           O álbum tem 12 canções eletrônicas e orgânicas, uma característica fundamental no trio que sabe muito bem usar programações eletrônicas e efeitos para construir os arranjos. As letras de Marcello H também chamam atenção e por vezes parecem poesias musicadas. O Vulgue Tostoi foi associado ao Trip Hop, aquele estilo eletrônico viajandão que tornou-se 'hype' na segunda metade dos anos 90 e que deu notoriedade a nomes como Portishead, Tricky, Massive Attack... A ligação é justificada, vide "Vozes", "Vegetal"; em "Deleta" e "Mudo" o peso lembra mais a influência de Roni Size/Reprazent. Momentos mais orgânicos mostram a face mais brasileira da banda, como em "Terrorismo feliz" e "Guri zumbi". O disco é muito bem construído e produzido, as guitarras Jr Tostoi prendem o ouvinte.

             A única regravação fica por conta da versão Trip Hop para o clássico "Vapor Barato" de Jards Macalé e Wally Salomão, sucessos nas vozes de Gal Costa - presente no não menos clássico LP "Fa-Tal", de 1971 - O Rappa e Zeca Baleiro. Inclusive quando saiu o disco "Impaciência" o Vulgue Tostoi foi quetionado sobre um possível aproveitamento de situação, na cola do grande sucesso que "Vapor Barato" teve na gravação d'O Rappa. O caso é que aconteceu uma coincidência de as duas bandas revisitarem a canção quase ao mesmo tempo, contudo, O Rappa registrou primeiro, no disco "Rappa Mundi", de 1996, enquanto o Vulgue Tostoi registrou a canção numa demo tape do mesmo ano e também num video clipe, que concorreu na categoria Democlip no Video Music Brasil da MTV de 1998.
Bizz, edição 192, julho de 2001

              Gravado em 6 estúdios diferentes, e com produções de Tom Capone, Plínio Profeta, Álvaro Alencar e pela própria banda, o disco levou muito tempo para chegar ao mercado, o que não trouxe riscos da parte estética, afinal a proposta da banda em soar ao mesmo tempo orgânica e eletrônica não envelheceu, mesmo agora, dez anos após o lançamento. Boa parte da demora para "Impaciência" chegar ao mercado se deve ao contato com algum selo/gravadora que se dispusesse em lançar o disco como ele estava concebido, o que só mudou quando surgiu o pequeno selo carioca Net Records, especializado em distribuição de discos em bancas de jornais, e que já trazia em seu pequeno catálogo trabalhos de boa repercussão como os discos "Estamos adorando Tóquio", do Karnak, e "A vida é doce", do Lobão. O projeto gráfico é caprichado e completo, traz ilustrações de Marcello H, que também é artista plástico, letras e ficha técnica.



               O disco do Vulgue Tostoi teve uma boa repercussão na mídia especializada e a banda foi pra estrada com o trabalho. Contudo, trabalhou menos do que nos anos anteriores, quando teve oportunidade de mostrar seu som em festivais importantes como Porão do Rock, em Brasília, Free Zone, em Curitiba, e Abril pro Rock, em Recife, momentos que deixaram a banda conhecida nacionalmente.

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Vaca de Pelúcia (Guruh Records, 2002)




              Primeiro e único disco do Vaca de Pelúcia. Projeto de Clayton Martin, baterista de várias bandas paulistanas (Os Ostras, Detetives, Flaming Salt, Huntingtown Bitches, Crow King & The Hardfingers) e que já se emprestou seus dotes com as baquetas para outras tantas,como Cidadão Instigado, Fellini, Júpiter Maçã... Acompanha Clayton a voz de Keila, que também assume o baixo e as maracas.

             O álbum traz 10 canções em 32 minutos, todas autorais e representantes do mais lisérgico fuzz garageiro brasileiro, parece sixtie, mas é da segunda metade da década de 90. Impossível não referenciar influências de trilhas sonoras de filmes de aventura automobilística e de discos como "Nuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era,1965-1968", "Sonic Boom", do Sonics, sons de Link Wray, Cramps, Fuzztones e mais...

               No disco do Vaca de Pelúcia quase tudo é obra de Clayton Martin, das composições às execuções de guitarras, baterias, órgão e todo tipo de barulhos. Vale ouvir as excelentes "Br para o espaço", "Mr. Paranóia", "Eu não quero falar com você", e as instrumentais "Vaca surf", "Bandolero fuzz".

              Todo o disco foi gravado pela dupla Clayton & Keila num porta estúdio de 4 canais em fita k7. Ao vivo o Vaca de Pelúcia se completava com a bateria de Rodrigo Lobato, do Os Skywalkers, e pela guitarra de Alex, do Effervescing Elephant.

              Lançado pelo selo inventado Guruh Records, o álbum teve suporte financeiro do Sebo 264, que no começo dos anos 00 ajudou alguns discos criados no underground paulistano a ganharem o "mercado". O projeto gráfico é simples e com poucas informações, apenas umas ilustrações malucas e ficha técnica.

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

V.A. "Heavy 25 anos" (Heavy Discos, 2009)



            Rio de Janeiro, 1984.
   
          José Nilton é um jovem roqueiro que frequentemente vai para São Paulo atrás de discos de Heavy Metal. O estilo inglês, criado na década anterior, atrai uma quantidade considerável de jovens espalhados pelo Brasil fascinados pelo peso de guitarras distorcidas em velocidade acelerada, letras sobre violência ou mitologias e estética heavy - aquela de cabelos compridos, jaquetas de couro com rebites, patches, braceletes de pregos e nomes agressivos como Judas Priest, Iron Maiden, Slayer, Metallica, Sodom, Exciter... Era um ano anterior ao Rock in Rio e da criação do termo 'metaleiro', que denominaria a geração headbanger para a população nacional.

          No Rio de Janeiro não havia lojas de disco especializadas em rock e São Paulo era um pólo onde se encontrava discos nacionais e importados. Numa destas viagens José Nilton teve uma ideia, formar a primeira loja especializada em Heavy Metal na capital carioca. Assim surgiu no fim de 1984 a Heavy Discos, localizada no bairro da Tijuca, que logo nos primeiros dias reuniu muitas pessoas, que assim como José Nilton, também procuravam discos de Heavy Metal. Desnecessário afirmar que o empreendimento deu certo e assim permaneceu por mais alguns anos.


      Era uma época favorável na qual a indústria fonográfica faturou aos tubos e o rock brasileiro era a bola da vez que enchia a programação das rádios, TVs e estampava capas de revistas. Foi neste cenário que José Nilton teve uma nova ideia: lançar um LP do Dorsal Atlântica. Até então a banda carioca, liderada pelo incansável Carlos 'Vândalo' Lopes, tinha um split-LP dividido com outra banda do Rio, o Metalmorphose. No momento de idealização do selo Heavy Discos a Dorsal estava em São Paulo e se preparava para lançar seu primeiro disco, "Antes do fim". Foi então que José Nilton optou por outra banda metal do Rio, o Azul Limão. O LP "Vingança" chegou na loja Heavy em 1986 e esgotou-se rapidamente, o que exigiu tiragens até então inesperadas.

      O LP da Dorsal Atlântica veio em seguida. "Dividir e conquistar" era um projeto audacioso, o rock pesado brasileiro já chegara aos ouvidos europeus e norte-americanos, lançar discos apenas em português deixou de ser o suficiente para buscar um mercado maior. O segundo álbum da Dorsal ganhou duas versões e foi bastante elogiado na época.


           Assim a Heavy seguia seus melhores dias e já se programava para novos lançamentos, principalmente da Dorsal Atlântica, indiscutivelmente uma das bandas preferidas de José Nilton.

      Em 1987 o mercado de discos nacional já não era dos melhores, a queda brusca provocada pela recessão econômica, troca e instabilidade da moeda. Resultado: a Heavy Discos já não recebia a mesma quantidade de clientes e fechar as portas tornou-se solução. Era o fim da loja, mas o selo seguiria em frente com a Dorsal Atlântica.

         Que longa história, não? Era para falar sobre a coletânea de 25 anos da Heavy Discos ou era para resumir alguns pontos importantes da história so selo? Agora já não sei, mas contar um pouco sobre desta história pode ajudar a ouvir seu compilado comemorativo.

       Como podemos observar, a história da Heavy se pauta em parte da história da Dorsal Atlântica e na coletânea isso é óbvio. Das 11 canções selecionadas, 4 são do trio de Carlos Vândalo, uma de cada disco - incluindo uma do "Divide and Conquer". As demais são retiradas de outros álbuns de bandas cariocas lançadas pela Heavy, como Azul Limão ("Satã clama metal"), Tubarões Voadores ("Nada na cabeça"), X-Rated ("Blue heart"), Calibre 38 ("psicose fatal"), Metralion ("Porcos da lei"), Extermínio ("Anti-herói") e Eros ("Road to wisdom").

         Porém, a coletânea está incompleta, se é para ter um fonograma de cada disco lançado, como afirma o texto do encarte, então José Nilton se esqueceu que no catálogo da Heavy também consta o único do Urge, provavelmente o único disco não-heavy do selo. Não deveria ter ficado de fora.

       O saldo da coletânea é negativo, a maioria das canções ficaram datadas e envelheceram mal. Salvo alguns bons momentos como a balada hard rock do X-Rated, o punk rock do Tubarões Voadores e o thrash metal do Extermínio. Os momentos horríveis ficam para Calibre 38, Azul Limão e Metralion, vale conferir!


       De positivo mesmo, além do fato de em 2009 o selo ter completado 25 anos e anunciar sua volta, é o projeto gráfico do disco que conta parte da história que reproduzi nos primeiros parágrafos, além de fotos, cartazes e recortes de publicações da época em que os discos foram lançados. Tá certo que a maior parte das páginas é dedicada para a Dorsal Atlântica, mas ainda sobra espaço para outras, poucas, histórias.

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domingo, 12 de maio de 2013

Sex Noise "Uno Palmo d'Lacraya" (Tambotete Entertainment, 1997)



         Formado no município de Campo Grande, no Rio de Janeiro, em 1992, o quarteto punk rock Sex Noise lançou demo tapes, participou de coletâneas e fez muitos shows pelo circuito underground nacional, inclusive participando de festivais importantes na segunda metade dos anos 90. A banda chamava a atenção pelas letras e pela interpretação divertida do vocalista Larry Antha. "Uno palmo d'Lacraya" é seu único disco, mas a banda lançou também um home vídeo, que ficou perdido no catálogo do estreante selo Deck Disc.
   
Bizz, edição 142
           O álbum tem 14 canções curtas e diretas, todas de autoria Larry Antha, algumas impagáveis como "Hi! Society" e seu lindo verso inicial -  "A sociedade branca não aceita o meu nariz de batata (...)" -, "Franzino Costela" tornou-se um clássico e foi regravada pelo Inocentes no disco "O Barulho dos Inocentes", acabou virando hit da lendária banda punk paulistana. O disco é cheio de músicas boas como "Papai não me dava papá", "Pré-Dingo", "Consumo" e a versão da bossa novística "O barquinho" rebatizada de "O talquinho". Outras valem só pelo título, ou você não quer ouvir uma música chamada "Hoje é o dia d'eu ficar na frente de uma bicicleta"?

RockPress, edição 08, agosto de 1997
            "Uno palmo d'Lacraya" foi o segundo lançamento do selo carioca Tamborete Entertainment, produzido por Rafael Ramos e masterizado por Rick Bonadio. O projeto gráfico é caprichado e bastante completo, traz todas as letras, fotos e ilustrações. O disco teve uma boa repercussão na época, ainda que isso não se refletisse nas vendas. 

              Posteriormente o Sex Noise lançou mais algumas demo tapes e deu alguns intervalos em sua atividade, mas volta e meia ainda é possível pegar alguma apresentação comemorativa da banda. Larry Antha escreveu parte de suas 'memórias não póstumas" em dois livros altamente recomendáveis "Memórias não póstumas de um punk" e "Tropicalismo selvagem"

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sábado, 11 de maio de 2013

Wandula (Gramofone, 2002)




            O trio curitibano Wandula foi formado em 1999 pela suíça Edith de Camargo (voz e acordeão), Marcelo Torrone (piano) e Cláudio Pimentel (violão) logo nas primeiras apresentações chamou a atenção da mídia e atraiu um público considerável na capital paranaense. 

            A proposta artística e estética traz uma sutileza nos arranjos e uma interpretação delicada de Edith. Nas referências, climas de cabaré, minimalismo, música brasileira erudita popular, tudo somado com uma diversidade criativa.

Gazeta do Povo, 22 de janeiro de 2003
            Em 2002 o Wandula lançou este, que é seu primeiro álbum. O disco que levou quase dois para ser gravado tem 13 canções que se revezam entre temas instrumentais, como "Paisagem progressiva#1", que abre o CD e algumas com letras, tais como "Love tears", "Wymborska" . Contudo, são os temas instrumentais saltam aos olhos, "Tenho os olhos abertos no escuro", "L'homme aux tâches de rousseur" e "Moedas de açúcar" são belas canções. Na última faixa ainda há três bônus perdidos e não intitulados.

           O Wandula fez muitos shows com este disco, participou de festivais importantes. O trabalho foi premiado no concurso Saul Trumpet, que elegeu o Wandula como banda revelação de 2002. Em 2003 o grupo fez uma "turnê" européia, tocou em 5 datas na Suíça, isso sem ter agendado nenhum show previamente.       
    
         Lançado pelo selo Gramofone numa pequena tiragem o álbum logo esgotou-se. O projeto gráfico numa embalagem digipack é simples e eficiente, não traz muitas informações, nem letras ou fotos. Aguarda relançamento.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Rica Amabis "Sambadelic" (YBrazil?, 1999)



          O disco que inaugurou o produtivo selo paulistano YBrazil?, também conhecido como YB Music, também é o primeiro registro solo do produtor Rica  Amabis. Até então não era muito comum ter discos de produtores no mercado, algo que nos Estados Unidos, por exemplo, não causa estranhamento. Atualmente já nos acostumamos com o trabalho próprio de profissionais que estão mais acostumados a conduzir discos dos outros.

        Rica Amabis se escudou de uma grande quantidade de parceiros de produção, tais como Tejo Damasceno, Maurício Tagliari, Jorge Espírito Santo, Black Alien e Speed, dentre outros, e mais intérpretes e músicos: Paula Lima, Andrea Marquee, Céu, Guga Stroeter e integrantes da Nação Zumbi são alguns nomes convidados.

        "Sambadelic" tem 11 canções que fazem um amálgama, uma fusão, de música brasileira com programações eletrônicas e outros ritmos, como o baião, na versão de "Vozes da seca" (Luiz Gonzaga/Zé Dantas); e samba, nas interpretações de "Mulata Assanhada" (Ataulfo Alves), com voz de Andrea  Marquee, e na belezura de "Falsa baiana" (Geraldo Pereira), voz de Céu. O samba é o forte do disco, tanto que entre as canções há samples de definições do samba nas vozes de Oswaldo Sargentelli, Paulo Vanzolini, Fred 04 e Tobias da Vai-Vai. A linda voz de Paula Lima embala a boa versão para "Marcio Leonardo e Telmo", de Tim Maia.

        O álbum tem projeto gráfico simples e caprichado, com destaque para a bela foto na capa, que retrata uma partida de futebol de adolescentes de unidade de sócio educação. O encarte traz longa ficha técnica dos participantes. O disco teve uma boa repercussão na mídia especializada, mas nenhuma apresentação ao vivo, vide a característica do projeto de experimentos em estúdio. "Sambadelic" fortaleceu as produções do drum'n'bass nacional, a cara mais brasileira da produção de DJs que ganhou bastante notoriedade na segunda metade dos anos 90. Um trabalho bem brasileiro (e paulista). 

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