segunda-feira, 29 de abril de 2013

Satanique Samba Trio "Misantropicalia" (Amplitude, 2004)





           Formado em Brasília no ano de 2000 o Satanique Samba Trio, não é samba, e sim um post rock free jazz instrumental; não é um trio, mas um quinteto. E de satânico traz apenas os títulos dos temas, num jeito bastante humorado de cultuar o tinhoso. Uma reportagem sobre o SS3 publicada na revista Bizz define bem o trabalho do quinteto "enoja fãs de jazz, irrita roqueiros e causa asco nos eruditos".

                  O disco abre de modo aleatório como "Teletransputa" que lembra alguns experimentos sonoros do Tom Zé nos anos 90. Segue com o ato II da tenebrosa e climática "Canção para atrair má sorte". A sequência com o samba rock torto de "deus odeia samba rock" quebra a divisão atmosférica que leva ao ato III de "Canção para atrair má sorte". O disco ainda traz as boas "Gafieira bad vibe" e as 6 canções emendadas "Seis temas tropicais para Mestre Lúcifer". Não dá para levar muito à sério o SS3, e a criatividade dos arranjos é admirável.
Bizz, edição 199

           "Misantropicalia" tem um projeto gráfico muito bem construído em embalagem digipack, capa bonita e um título que é um achado poético, casa muito bem com o disco lançado pelo selo Amplitude.

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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Nonato Luiz "Nonato toca Beatles" (Kuarup, 1999)



            O respeitado violonista cearense Nonato Luiz fez no seu 18º disco uma visita ao repertório do quarteto de Liverpool. Depois de atualizar o repertório de Luiz Gonzaga e Milton Nascimento, Nonato escolheu 14 temas do The Beatles para construir um disco que passeia entre o erudito e o popular.

            Acompanhado apenas pelo seu elegante violão, Nonato escolheu canções conhecidas, clássicos irretocáveis como "Blackbird", "Here, there and everywhere", "In my life", "Eleanor Rigby", "Yesterday", dentre outros, e aproveitou para adaptar momentos de improviso no qual percebe-se referências de citações incidentais próprias do cancioneiro brasileiro e outros momentos mais eruditos, contudo, nada que desvirtue os arranjos originais, facilmente reconhecíveis. 

                Lançado pelo selo Kuarup, conhecido como a experiência fonográfica independente mais longeva, de 1977 até os dias atuais, o disco tem um projeto gráfico eficiente e simples, traz textos de apresentação assinado por Eugênio Leandro e Raimundo Fagner, conterrâneo de Nonato Luiz que já teve a honra de dividir palcos e gravações. 

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domingo, 21 de abril de 2013

Yellowfante "Greatest Hits 2" (Cogumelo, 1994)


            Yellowfante é um trio de Belo Horizonte que deixou um único registro, o "Greatest Hits 2". Como o próprio título aponta, trata-se de um trabalho irreverente nas músicas e letras. Mas, o resultado é pífio. é muito ruim escrever um texto e se amparar numa comparação, aqui isso é inevitável, a referência ao trabalho do Pato Fu torna-se inevitável. Digo o Pato Fu do disco "Rotomusic de Liquidificapum", e mais precisamente do "Tem mas acabou", afinal, tanto este "Greatest Hits 2" como o terceiro disco do Pato Fu são mal resolvidos. Por sinal, a referência não surge à toa, foi John Ulhoa o produtor do trabalho.

Bizz, edição 117

        Das 14 canções pouco podemos tirar de positivo, as tentativas de fazer piada não funcionam, e mesmo as músicas descompromissadas com citações incidentais não dão bom resultado, pelo menos o disco é curto, em 33 minutos tudo acaba. E melhor canção, "Spaceballs, the ballad", foi aproveitada pelo Pato Fu no disco Televisão de cachorro". Das pavorosas: a versão para "Do you wanna dance", a sem graça "Tão só" e piada tipo Praça É Nossa de "A história da baleia", esta quase um pedido de ejeção do disco.

            Agora, se é para falar mal de um disco, porque escrever? Um disco pode ser ruim e estar no Disco Furado, naquela condição de que a banda é boa, ou se trata de um trabalho experimental, ou 'do começo', ou raro. Não é o caso de "Greatest Hits 2" que não entra em nenhuma das especifidades de trabalhos pouco recomendáveis. Eles só está aqui por que é ruim demais. 


Revista General, edição 09
              Mais que isso, o disco foi lançado pela Cogumelo, um selo especializado em bandas de metal extremo, mas que na primeira metade dos anos 90 lançou trabalhos pouco convencionais no catálogo, os chamados "Alienígenas da Cogumelo", que deram bons discos como o primeiro do Pato Fu, o "Kinzobullshitbackinfulleffect'92" do DeFalla, e mais trabalhos do Gothic Vox, Chemako, Baratas Tontas, a coletânea "Flying music 4 flying people", dentre outros. Pela promoção mostrada na foto ao lado dá para perceber que o disco do Yellowfante encalhou, e, com o perdão do trocadilho, foi um elefante branco no catálogo do respeitado selo mineiro.

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Os Cascavelletes (EP) (Independente, 1988)


Bizz, edição 19
           O quarteto formado em Porto Alegre em 1986 por Nei Van Sória e Flávio Basso, egressos do TNT, teve uma curta duração, apenas 5 anos, mas o suficiente para cravar o nome do Cascavelletes na história doo rock nacional, e do rock gaúcho. Se existe realmente este tal de rock gaúcho, a fórmula está aqui: letras irônicas e debochadas, com boa dose de sexo e sacanagem, sonoridade de referências sixties, do rock inglês e da jovem guarda. Além de Nei e Flávio, completam a banda o baterista Alexandre Barea e o baixista Frank Jorge.

          Nos cinco anos de vida deixaram três registros, uma rara fita k7 lançada pelo selo Vórtex em 1987, que traz o clássico "O dotadão deve morrer", o EP independente que ilustra esta postagem, e o primeiro álbum, "Rock'a'ula",, lançado pela EMI, em 1989.

             O EP traz apenas 6 canções, suficientes para transformar o álbum no melhor disco de rock brasileiro de todos os tempos. Não há exagero e se o disco tivesse apenas o lado A, ainda assim levaria fácil o posto de discoteca básica.

Bizz, edição 58
       Cada lado traz 3 canções, no lado A tem "Carro roubado", "Morte por tesão" e "Menstruada". Três hits imperdíveis, "Menstruada" rendeu um processo à rádio Ipanema FM, pois a canção havia sido censurada nas rádios de Porto Alegre; O Cascavelletes sofreu outras censuras, como no verso 'punhetinha de verão' do hit "Nega bom bom", que entrou na trilha sonora da novela Top Model, mas que era sabotado nos playbacks que a banda fazia nos programas de TV para promover o álbum. No Labo B tem o punk'a'billy "Ugagogobabagô", "Jessica Rose", a única que foi aproveitava para o disco "Rock'a'ula" e a linda balada "Estou amando uma mulher". Um disco perfeito.

          O disco surgiu a partir da ideia comercial de um lojista, que cansado de receber pedidos de clientes em busca do disco inexistente do Cascavelletes, entrou em contato com a banda que topou em registrar as 6 músicas. O resultado foi bom para todo mundo e o disco vendeu muito na capital e interior do Rio Grande do Sul.

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Coke Luxe "Rockabilly Bop (LP) + É Rockabilly!" (Compacto) (Baratos Afins, 1983/1984, 2001)


            Em 2001 o selo paulistano Baratos Afins relançou em CD o compacto "É Rockabilly!" e o LP "Rockabilly Bop", os dois únicos registros do quarteto Coke Luxe, a principal banda de neo rockabilly brasileira.

             Liderada por Eddy Teddy, um incansável e apaixonado roqueiro empunhando sua guitarra em outras bandas desde a década de 60, pelo Coke Luxe passaram outros integrantes em sua curta duração, de 1982 a 1985, se revezando no formato básico de bandas de rockabilly: guitarra, baixo acústico e um kit simples de bateria, além de backing vocais de refrãos estratégicos.

     A edição em CD abre com as duas músicas do compacto simples, "Rock 'O azarado'" e "Não beba, papai", e segue com o LP "Rockabilly Bop", não apenas um clássico do rockabilly nacional, mas um dos discos mais importantes da discografia independente nacional. O LP traz 9 canções bastante divertidas, dançantes e bem gravadas. As letras divididas entre Eddy Teddy, o baixista Little Piga e o baterista Jipp Willis funcionam como crônicas do cotidiano paulistano, como acontece em "Buzum", "Gata gatuna" e "I.N.P. Rock", e retratam personagens pitorescos como o mal humorado "Espírito de porco". Tem duas versões, a impagável "Bobão" de Elpídio dos Santos, o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, e "20º andar" versão de Albert Pavão para "Twenty flight rock", de Eddie Cochran, e um pioneiro rock gravado no Brasil por Albert Pavão.
           De presente o CD carrega mais 10 canções bônus, resgatadas de fitas K7 do acervo de Eddy Teddy. Algumas foram registradas nos dois discos do Coke Luxe, outras surgem inéditas e em nada devem ao repertório gravado, destaque para "Moça do sapato grande", "Adorável vagabunda" e "Promete". A baixa qualidade das gravações não incomoda, afinal, são gravações raras.

            O projeto gráfico do relançamento é muito caprichado, traz a arte original dos discos somada à fotos de arquivo, descrição de músicos que passaram por mais tempo pela banda, e um texto biográfico do jornalista e pesquisador de música Ayrton Mugnaini Jr. sobre Eddy Teddy, que em 1997 partiu para o plano superior. Eddy tinha 46 anos.

            O trabalho do Coke Luxe foi bastante reconhecido na época em que a banda esteve na ativa, ao longo dos anos a banda ganhou homenagens e seu repertório não foi esquecido - Kid Vinil que o diga, pois sempre recorreu às canções do quarteto. Os discos originais estão cada vez mais raros, mas esta imperdível reedição em CD pode ser encontrada no site da Baratos Afins. Para quem gosta de procurar bandas e discos importantes perdidos na história da música brasileira, conhecer Coke Luxe é obrigação.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

V.A."Cemitério de Elefantes" (Vinil Urbano, 1989)



             
Bizz, edição 48

            A primeira coletânea de bandas da capital paranaense reuniu cinco nomes importantes para quem quer conhecer um pouco sobre o que aconteceu no rock curitibano na segunda metade da década de 80. O clima sombrio e gelado de Curitiba criou uma atmosfera facilmente observada no disco, mesmo nas bandas mais new wave não há nada de ensolarado ou alegre. 

                   O Beijo Aa Força (BAAF), uma formação já veterana em 1989, abre o lado A com o ‘hit’ “Homem de ferro”, letra do escritor e poeta Marcos Prado (1961-1996), no lado B “Diário de um palestino” traz referências de funk branco, algo como o A Certain Ratio, entre o pop e a vanguarda. De todas as cinco bandas, o BAAF foi a única a lançar discos próprios, além de participar de outras coletâneas. “Cemitério de Elefantes” marcou sua primeira inserção em disco e trouxe bons resultados à banda.


BAAF na rodoviária de Curitiba (foto de Peter Lorenzo)
   

"Lembro que foi feito na melhor das intenções pelo Rolando Castelo Junior, o batera da Patrulha do Espaço, com as condições disponíveis na época, sob muita pressão e sem muita grana. Gravamos num estúdio em São Paulo, o Quadrophenia, e foi o técnico, conhecido como Chimbau, quem deu a triste ideia de gravar "mooooooorrrrrrrttttteeee" no meio da música "Homem de Ferro".  A mixagem e o corte do vinil não ficaram muito bons, é verdade, mas vale pelo registro histórico de uma época do rock curitibano. "Diário de Um Palestino" ficou bacana com um dobro gravado em overdub e um rolo de timbales, num clima funk bluesy. A capa foi feita na brodagem pelo Roberto Jubainski e acabamos indo divulgar o vinil até no Mario Vendramel com suas vendrametes  (risos)"
                               (Luiz Ferreira, guitarrista do Beijo Aa Força)
"Detesto este disco!"        
                                        (Rodrigo Barros, guitarrista e vocalista do Beijo Aa Força) 

             O Ídolos de Matinée é a única banda da coletânea a trazer uma garota na formação, a vocalista e tecladista Debora Daroit. A história do Ídolos de Matinée se confunde com a história do BAAF e nos leva ao começo dos anos 80 com a Contrabanda, umas das primeiras bandas punk de Curitiba. Entretanto, o Ídolos de Matinée está mais para a new wave sombria, que os próprios membros preferiam chamar de trendie. Uma característica curiosa da banda é a sua preocupação com o visual, que trazia sobretudos forrados com estampas floridas, cabelos desgrenhados e armados que os aproximava do estilo darkwave, ouça “O inimigo” e comprove.

    "Éramos uma grande turma, na qual todos se conheciam, os shows reuniam muitos amigos. Alguns até se tornaram parte da minha família. Trendie para nós era algo como "estar à frente do seu tempo", e também era uma identificação com as bandas inglesas que nos influenciaram"
                  (Debora Daroit, vocalista e tecladista do Ídolos de Matinée)

         "A Produção das músicas foi realizada pelo Ídolos de Matinée e por Marcos Carneiro, no Estúdio Bidon, em São Paulo. Fizemos uma pré-produção aqui em Curitiba, em um porta-estúdio de 4 canais. Levamos um dia gravando e não tivemos problemas. Dias antes da gravação tivemos um problema com o vocalista Mauro Mueller que deixou a banda. O vocal foi assumido pela tecladista Debby, que permaneceu até a dissolução da banda, em 1991. 
      Na época nós não gostávamos da definição que nos deram: éramos chamados de Pós Punk. Achávamos que limitava demais o nosso som, por termos diversas influências: punk rock, música eletrônica, música clássica e etc. Então resolvemos nos chamar de Trendie, que é um estilo de som que busca estar sempre na frente. E na época, nós tentávamos.
Ídolos de Matinée no Graciosa Country Club em 1985 

        O Ídolos de Matinée foi a maior banda de 1985 a 1991. Tocou nos templos sagrados do rock brasileiro. Se apresentou para plateias de seis mil pessoas no Rio de Janeiro e de 80 mil no Paraná. As músicas que fizeram com que a banda fosse respeitada no underground brasileiro foram "Rock Marciano" e "Vamos Separar os Estados Unidos da América". 
            As letras não eram convencionais e isso ajudou para que o público desse valor som para o IDM. A marca registrada da banda sempre foi a combinação do teclado e da guitarra, que trocavam notas e não se limitavam a uma marcação rítmica. O baixo era derivado do punk rock e fugia da marcação tradicional, misturando ora sequências melódicas, outras retas. 
          Outra preocupação do Ídolos era o visual. Então visual + música + letras irreverentes levaram o IDM ao posto de maior banda da segunda metade dos anos 80. Tínhamos facilidade em conseguir shows graças a essa tríade"
                          (Fernando Tupan, baixista do Ídolo de Matinée)




Bizz, edição 47
              O Bons Garotos Vão para o Inferno tem um ótimo nome e sonoridade, a lembrança de Joy Division é imediata, mas não se trata de mera cópia, a banda mostra personalidade e boas letras, “Alice não mora mais aqui” e “Nunca adormeço” estão entre as melhores canções do álbum. 
    "Na aquela época tudo era bem mais difícil de se realizar. E este disco, para nós (e creio que para os outros envolvidos também) foi um marco. A repercussão do disco foi restrita, restringido-se às pessoas que acompanhavam as bandas locais, não atingiu um público mais abrangente. Consequentemente, não houve retorno financeiro, e pouco tempo depois do lançamento do disco, o Bons Garotos Vão Para o Inferno se desfez, com cada integrante tomando rumos diferentes na vida, como foi o caso do Sérgio, que foi embora do país, e eu, que abandonei completamente o cenário musical. O que ficou é o fato de o disco ter sido, talvez, um divisor de águas no rock local, um precursor, e por isso é lembrado tanto tempo depois, mesmo sem ter tido a devida, e merecida, repercussão na época em que foi lançado"
 (Danilo Silveira, baixista do Bons Garotos Vão Para o Inferno)

               O Tessália faz um som etéreo e introspectivo, algo entre Cocteau Twin, Felt e bandas do selo 4AD, característica que chamou a atenção do público e faz do Tessália uma das bandas mais cultuadas da história do rock curitibano até os dias de hoje. Arranjos muito bem elaborados em “Melilla” e “Falset”.


Bizz, edição 49
              "Eram os anos 80 e Curitiba tinha as estações bem definidas. O frio era uma delícia e nos sentíamos em Londres,  com toda aquela revolução de Cure, Siouxsie, Bauhaus, Joy Division, A Certain Ratio, Cocteau Twins e tantas bandas "góticas", cheias de climas.  Meu irmão tocava bateria em uma banda cover destas bandas, o Operação Valquíria. Eu já tinha participado de um festival de música usando roupas como no vídeo "Atmosphere", do Joy Division. Decidimos nos juntar e compor.  Os ensaios eram todos no escuro, pois queríamos nos envolver pela música. Foi tão perfeita para os shows. Queríamos que as pessoas se deixassem levar pelo som e não quem os fazia.
              Os shows eram loucos, as músicas tinham alguns temas, mas a maior parte era improviso. Ensaiávamos pouco pra deixar boa parte para os shows. E não tocávamos muito, que é pra não perder a graça. Os shows eram marcados em cima da hora, com divulgação feita no boca a boca. Criamos essa atmosfera de banda misteriosa. Não queríamos cair na mesmice ou pegar menininhas, muito menos beber. O lance era o som, criar um momento mágico. Acho que por isso ainda lembram da gente. Fomos pra São Paulo e mais tarde nos mudamos para Londres. Fizemos contato com o pessoal dos selos 4AD,  One Little Indian, do Sugarcubes,  Rough Trade e Real World, do Peter Gabriel. Só que acho que o resto da banda ficou com medo, Não acreditaram que era real. E voltamos para o Brasil. Chegamos na cara do gol. Foi bom, continuo na música até hoje por causa disso. Gostaram da gente em Londres. Talvez o fato de não termos um disco próprio também aumente a "lenda". Quem viu, viu, mas eu ainda espero retomar o projeto"
 
                (Luciano Cordoni, vocalista do Tessália) 

             O Pós Meridion foi a última banda a entrar no disco, quando o mesmo estava todo gravado. O som é carregado de percussão pesada e groove, de todas as bandas é a que mais se aproxima de uma produção já ousada por outras bandas brasileiras.


Bizz, edição 24

          “Cemitério de elefantes” saiu pelo selo paulistano Vinil Urbano, propriedade de Rollando Castello Jr, baterista da Patrulha do Espaço. Cada banda produziu suas próprias canções que foram gravadas em estúdios de Curitiba e São Paulo.

          O projeto gráfico é simples, não traz encarte, nem fotos ou letras, apenas a ficha técnica na contracapa. Lançado unicamente em LP o disco teve excelente repercussão local, e, reza a lenda, se esgotou nas lojas curitibanas em rápidos 15 dias. Não houve reedições, assim como todo o catálogo do selo que lançou pequenas tiragens de seus discos.

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sexta-feira, 12 de abril de 2013

PB "Songbook Vol. 1" (Inker, 2003)




               O quinteto paulistano PB foi formado em 1991 e desde então lançou muito material que ficou reunido em fitas demo e EPs, até chegar a "Songbook vol. 1" material que compila boa parte da produção registrada anteriormente, mas também traz canções inéditas.
             A sonoridade do PB segue o caminho aberto pelas bandas do rock nacional dos anos 80. As letras em português trazem à mente compositores importantes da década de ouro do BRock (será que é permitido usar a expressão sem autorização do Arthur Dapieve?!)  como Renato Russo e Cadão Volpato, mas a banda segue outros rumos e volta meia surgem reminiscências de momentos mais pop do REM, Teenage Fanclub, Pixies e outros.
Bizz, edição 169, Agosto de 1999

        "Songbook Vol.1" traz 12 músicas em 51 minutos, e é cheio de baladas pop que poderiam tocar no rádio, tal como "Ana solidão" e "Gasofúria". Os arranjos bem elaborados também mostram o cuidado com a banda em soar acessível, mas com conteúdo. Há momentos com influência country'a'billy, muito pelo som da gaita de boca tocada pelo vocalista Piu, como em "Luz" e "Trágica-Boogie"

            O álbum produzido pelo jornalista José Flávio Junior e lançado pelo selo Inker teve uma repercussão mediana e não alçou o PB a vôos maiores. O projeto gráfico cheio de informações, letras, agradecimentos e ficha técnica, é eficiente, mas bastante poluído, a capa é uma das piores do rock nacional e não condiz ao conteúdo do disco.

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

V.A."Don't be afraid my son" (Independente, 1997)



           Uma coletânea de guitar bands brasileiras com 11 bandas de 6 estados diferentes. Esta é "Don't be afraid my son" um disco compilado e idealizado por Alcides H. Junior que passou quase despercebido quando lançado e permanece desconhecido.
            
             Cada banda apresenta duas canções que seguem aquele jeito guitar band do Brasil, letras em inglês, bateria levada na caixa e prato de condução, guitarra com efeitos saturados, vocais enterrados, baixo marcado e nenhuma novidade. 

              O fato de não haver novidade não causa desmerecimento ao trabalho ou bandas, isso faz parte da estética do trabalho, as referências às guitar bands inglesas e norte-americanas não deixa espaço para buscarmos algo de original nas bandas, e mesmo as influências nacionais estão voltadas aos porões e discos cultuados no underground brasileiro.

           "Don't be afraid my son" abre com o quarteto de Florianópolis/SC Victoria X. Segue com uma das bandas mais ativas do indie rock brasileiro, o Moonrise, de São Vicente/SP, capitaneado pelo incansável César Zanin. O álbum traz também bandas cultuadas como os sergipanos do Snooze e os carioca do The Cigarettes. Outras bandas que chamam a atenção são UV Ray, de Curitiba/PR, e Twilight Gods, de São Paulo/SP. A coletânea também tem a participação do Johnson's, de Luiziânia/GO, que é uma das poucas bandas do disco que chegou a lançar um disco próprio. Tem mais Sleepwalkers, de São Paulo/SP, Gutta Percha, de Florianópolis/SC, e duas totalmente desconhecidas:  Comespace e Dead Birds Wanna Fly, ambas de Osasco/SP, sendo que a última traz o mentor da coletânea na formação.
Rock Press, edição 8, julho/agosto de 1997

           O disco lançado de maneira independente não traz nome de nenhum selo. O projeto gráfico é simples, traz nomes das bandas, formação, contatos e ficha técnica. A capa charmosa e a quantidade limitada de informações dão beleza ao trabalho.

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domingo, 7 de abril de 2013

Pin Ups "Lee Marvin" (Spicy Records, 1998)




                  Umas da mais cultuadas bandas do underground brasileiro e a principal do gênero guitar band nacional. Em 1998 o Pin Ups completou 10 anos e lançou "Lee Marvin", seu quinto disco.

Bizz, edição 156, julho de 1998
           O quarteto formado por Zé Antônio (guitarra), Alexandra (baixo e vocal), Elaine (guitarra) e Flávio (bateria) se deu muito bem com o trabalho, revezando momentos acústicos com canções mais rápidas.

                  "Lee Marvin", que segue a 'trilogia' de títulos que usam nomes de atores do cinema, iniciada no álbum anterior, "Jodie Foster", de 1995, e completada no EP "Bruce Lee", de 2000. Abre com a balada acústica "Weather" e segue com as barulhentas e melodiosas "Loneliness" e "Resting time". A influência de Superchunk, banda que o Pin Ups acompanhou em shows pelo Brasil, é indissociável.

           "It's your turn" e "Putting things together" ganharam video clipes. "It's alright for you" é a única canção não composta pela banda, o cover do The Police surge como uma surpresa. "Guts" e "You shouldn't go away" são as duas não inéditas, pois foram registradas no compacto "Guts", lançado em 1997. "Fast cars" tem participação vocal de Farofa, Garage Fuzz e Safari Hamburguers. O álbum tem duas canções, sem títulos e não creditadas, escondidas nas faixas 35 e 36.

   
Rock Press, edição 15, agosto de 1998
             O projeto gráfico de Rafael Lain também segue uma linha de discos do Superchunk, tanto na diagramação como na pequena foto da banda no encarte, que traz todas as letras e ficha técnica. Lançado pelo selo paulistano Spicy Records, o disco foi bastante elogiado e trabalhado pela banda. Logo saiu de catálogo.

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sábado, 6 de abril de 2013

Diagonal "Detouring track" (Highlight Sounds, 2001)


               

             O quarteto paulistano Diagonal segue a linha de bandas como Fugazi, Minutemen, Jawbox... faz um som barulhento e experimental com letras em inglês que não querem dizer nada, mas que caem bem na proposta da banda.

              Seus membros se escondem no disco e não dá para saber quem toca o quê, mas sabemos que estes já passaram por bandas como IML, Againe, Small Talk, Echoplex e outras.

              Os arranjos das 12 canções são bem elaborados e o trabalho de guitarras e bateria se destacam. "Detouring track" é seu primeiro disco, com 12 faixas registradas em sessões semi ao vivo no estúdio El Rocha. O álbum abre com "Locomotiff" que ganhou video clipe. Segue com outras canções muito boas, como o jazzcore "Shuttlecock", e os post-hardcores "Siphoned off" e "Triumvirate", e a  instrumental "Téléphéerique detournée". No final o disco dá impressão que poderia ser um trabalho apenas instrumental e ainda assim traria excelente resultado.

              Produzido por Fernando Sanches e lançado pelo selo paulistano Highlight Sounds, especializado em hardcore, o disco teve uma boa repercussão nos zines, mas permaneceu restrito a um público pequeno, infelizmente. O projeto gráfico é simples e completo, traz ficha técnica, letras e foto.

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Plato Divorak "Calendário da Imaginação" (Baratos Afins, 2005)

                           



               O rock gaúcho tem muitos heróis. Alguns com reconhecimento nacional, outros cultuados em nichos específicos, e os que transitam entre os dois polos, e é aí que está Plato Divorak. Não tão reconhecido quanto alguns de seus parceiros, e nem tão obscuro para ficar restrito à poucas pessoas.

Gazeta do Povo, 3 de agosto de 2005
               Plato Divorak tem uma produção constante entre bandas e projetos desde a segunda metade da década de 80. "Calendário da Imaginação" é uma compilação de gravações que vem desde o final de sua banda, o Père Lachaise em 1995, até 1998. No disco participam mais de 10 pessoas se revezando em vários instrumentos, dentre elas: Thomas Dreher, Regis Sam, Edu K, Marcelo Fornazier, Júpiter Maçã, o trio Arishóteles de Ananias Jr, dentre outros.

          "Calendário da imaginação" tem 19 canções em 74 minutos. Extremamente psicodélico e nada convencional, o álbum pode até assustar o ouvinte despercebido, não há uma característica própria e toda experimentação é bem vinda, tal como Plato afirma: "música do tempo e do espaço cíclico". Ainda assim traz canções conhecidas como "Antiglitter", também gravada pelo trio paulistano Momento 68, que foi a banda de Plato Divorak por um curto tempo, e canções instrumentais curtas.

     Apesar das experimentações, barulhos e ruídos produzidos no estúdio, as canções são acústicas e conduzidas pelo violão de Plato, outros destaques do álbum são: "Roni", "Telling everybody" "Siga (meu brother diamond)" e "O charme de fumar no escurinho". "Scratching Strings" tem voz de Júpiter Maçã. 

           O álbum compilado foi lançado em CD em 2005 pelo clássico selo paulistano Baratos Afins, quem conhece um pouco do catálogo do selo vai sacar que "Calendário da imaginação" tem a cara das produções de Luiz Calanca. O projeto gráfico traz muitas ilustrações e fotos, não há letras. Trata-se de um destes trabalhos raros de uma daquelas figuras do rock que você precisa conhecer.   

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