segunda-feira, 21 de outubro de 2013

V.A. "Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga" (YB/Candeeeiro, 2000)


              Em 2000 o Velho Lua completaria 88 anos, mas "Baião de Viramundo" não se trata de um disco comemorativo, e sim de um tributo com vários nomes brasileiros, grande maioria pernambucanos, afirmando (ou não) a influência que o rei do baião tem em seus trabalhos próprios. A seleção é bastante abrangente e os arranjos nem sempre são levados à risca. Pelo contrário, dos 16 nomes selecionados poucos são os que mantém suas versões próximas do originais.

             O disco abre com o encontro dos rappers Black Alien & Speed Freaks com Rica Amabis para recriar o lamento "Vozes da seca". DJ Dolores, acompanhado de vozes das meninas da Comadre Florzinha e mais samplers desconstrói "A dança da moda". Otto injeta pandeiro e eletrônica pé-de-serra em "Orélia". Stela Campos desacelera "Sabiá". Um dos maiores clássico de Gonzagão, a linda "Qui nem jiló", não perde tanto na voz de Andrea Marquee, ainda que a canção merecesse um melhor tratamento. O mesmo acontece com os arranjos finos do Nouvelle Cuisine para "Acauã", descaracterizando completamente a toada composta especialmente para o "William Hearst canastrão" Assis Chateubriand. O Sheik Tosado desce a lenha frevo-hardcore em "Assum preto" outro grande sucesso de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Anvil FX em companhia do canto narrado de Lex Lilith - aka Alex Antunes - despejam esquisitice noise-eletrônica na homenagem "LG - tu'alma sertaneja". A Nação Zumbi imprimiu sua personalidade no forró viajante de "O fole roncou". O Eddie, que é bom de ritmo, quebrou o balanço de "Retrato de um forró". A percussão infinita de Naná Vasconcelos e as cordas de João Carlos transformaram o lamento de "Juazeiro" numa canção instrumental, densa e detalhista. 

              Dos que fazem do "Baião de Viramundo" uma homenagem sem interferir tanto nos xotes, baiões e forrós, vale destacar a bela interpretação do Mestre Ambrósio para "Cacimba nova", na qual Siba se mostra como um dos herdeiros da melancolia do filho de Exu. O mundo livre s/a reinterpreta bem o divertido debate-embolada "Dezessete e setecentos". O Cascabulho segue a mesma linha do Mestre Ambrósio e levantam a poeira 'for all' em "De Juazeiro a Crato", a canção não deu trabalho para a voz Silvério Pessoa, altamente influenciada pelo menino de Exu. Chão e Chinelo mantém o peso no baião de retirante "Marimbondo". O quarteto de vozes femininas Comadre Florzinha resgatam o baião "Minha fulô" num arranjo econômico de percussão.

         "Baião de Viramundo" foi lançado pela união dos selos YBrazil?Music, de São Paulo/SP, com o selo candeeiro, de Recife/PE. O projeto gráfico, a cargo de Valentia Trajano e Jorge Du Peixe, é caprichado e bastante completo, traz ficha técnica dos participantes e texto do jornalista Xico Sá para todas as canções. O disco teve uma repercussão razoável e logo tornou-se um trabalho de difícil alcance de público, que em sua maior parte não viu homenagem alguma nas 16 versões de sucessos de Luiz Gonzaga.

              Quer ouvir? Download aqui!

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