quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Projeto Peixe Morto "Metrofire" (Terceiro Mundo, 2001)


            Bastam os primeiros segundos da canção "Tim Maia", que abre "Metrofire", para matar a charada: por trás do Projeto Peixe Morto estão integrantes do Dead Fish.

      "Metrofire" é mais experimental do que os discos do quinteto capixaba, mas tem características que rapidamente identificam as duas bandas, a voz e interpretação de Rodrigo, aqui sob o pseudônimo Rubão, e a bateria veloz de Nô, ou Led Noronha.

            Algumas letras são narrações do cotidiano do Dead Fish no começo de milênio, vale até observar no tempo em que os rapazes tiveram para produzir o disco do Projeto Peixe Morto, afinal só em 2001 o Dead Fish chegou a fazer 100 shows pelo Brasil, uma marca histórica para uma banda totalmente independente. Assim, "Carta de Goldmund a Narciso" descreve situações da banda em turnê, "Tim Maia" rouba versos de canções do rei do soul brasileiro adaptados ao hardcore rápido e nervoso, nenhuma música passa do primeiro minuto. As letras não se preocupam com métrica ou rimas, os versos niilistas correm livres assim como os temas: consumo, "Miojo"; religião, "Novo mártir... na cruz"; exploração, "Trajetória"; arrependimento, "O soco racional"; cerveja, "Another beer", a única com letra em inglês.

             Lançado pelo próprio selo Terceiro Mundo Produções Fonográficas, o único álbum do Projeto Peixe Morto teve repercussão restrita aos fãs e pessoas que acompanham o Dead Fish, não foi relançado e não faz parte da discografia do grupo de hardcore mais conhecido nacionalmente. O projeto gráfico traz quase todas as letras - com exceção para as canções "Atenção" e "Atenção (Versão II)" que têm letra composta basicamente por palavrões (serão direcionados a alguém?) - e fotos de estações de metrô de São Paulo em chamas. Por sinal, no álbum há muitas referências ao transporte público de sub-solo da capital paulistana.

            Quer ouvir? Download aqui!

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