segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Living in the Shit "Chá Magiológico" (Rec Beat Records, 1996)


              O Living in the Shit foi formado em Maceió/AL no começo da década de 90, as primeiras demo-tapes da banda traziam um som pesado, meio metal e punk, com letras em inglês de títulos bastante explícitos como "Carrot in the ass" e "Expectorate in you". Com o passar dos anos a banda foi adicionando novas influências em seu som, notadamente do manguebeat, mas também do rap e hardcore.
Bizz, edição 130, maio de 1996
              O fruto destas transformações no som do quinteto está presente em seu primeiro e único disco, "Chá magiológico". O álbum gravado entre 1994 e 1995 traz 16 canções com letras em inglês e português em quase uma hora de duração. A influência do manguebeat está na percussão e nos arranjos de guitarras, cheias de peso e groove. Por sinal groove é o que não falta em "Chá magiológico", com destaque para "Rojão", "Chá magiológico" e a instrumental "Awinthila dreams". O disco também traz punk rock sem letra, "B line"; reggae, "Raputenga" e ska, "Cabelo é bom pra descabelar". Assim como seus contemporâneos, a maconha também é reverenciada nas letras, "Ganja yeah!" e "Eu quero charlar", esta uma das melhores canções do álbum.

             "Degustação" é a única exceção às próprias, e também a mais escatológica de todas, autoria de Rita Lee e Roberto de Carvalho. "Pessoas bad comunication" já havia sido apresentada na coletânea "Brasil Compacto" (Rockit!, 1996) e conta com a participação de Lucio Maia (Nação Zumbi) na guitarra e Stela Campos nos vocais.

          "Cha magiológico" foi lançado pelo selo de Recife/PE Rec Beat Discos e teve excelente repercussão. O projeto gráfico e bastante completo com letras, ilustrações, ficha técnica e endereços de fanzines fundamentais para a cena roqueira do nordeste como Escarro Napalm, de Aracaju/SE, e Bio Arte, de Maceió.

           Provavelmente o Living in the Shit tenha sido o nome mais conhecido do cenário roqueiro alagoano de projeção nacional nos anos 90. Entretanto, tal recepção ao trabalho não foi suficiente para manter a banda em atividade nos anos seguintes. Depois do fim da banda, e 10 anos após o lançamento de seu único disco, o Living in the Shit voltou para uma ocasião comemorativa no Festival de Música Independente, em Maceió.
        
                    Quer ouvir? Download aqui!

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