domingo, 20 de outubro de 2013

Grinders (Ataque Frontal, 1987)



               Principal nome do skate punk brasileiro, o Grinders foi formado no ABC Paulista em 1984 por jovens punks que andavam de skate. A proposta inicial era fazer um som, punk rock/hardcore, cujas letras não fugissem dos temas do cotidiano, mais precisamente do cotidiano das pistas de skate.

            A primeira gravação em disco aconteceu no ano seguinte à formação da banda, na coletânea "Ataque Sonoro", que reuniu 10 bandas punks de Sâo Paulo e Rio de Janeiro. Da coletânea saíram dois clássicos do Grinders, "Skate gralha" e "Como é que pode?". "Skate gralha" foi cantada em pistas do Brasil todo, atravessou gerações e tornou conhecidos os autores daqueles versos que enxotavam o mau skatista que "tesourava" e atrapalhava os outros, "vai prá casa animal!". "Skate gralha" é entoada em picos de skate até os dias de hoje.

Bizz, edição 28, novembro de 1987
           A gravação do primeiro disco aconteceu em 1986, 12 canções com produção de Redson Pozzi (1962-2011), o lançamento só veio no ano seguinte pelo selo Ataque Frontal. O som era punk rock com influência de surf music que já se esboçava nas bandas de skatepunk norte-americanas, como Agent Orange, TSOL e Boneless Ones. O disco abre com a canção instrumental que dá título à banda, segue com o clássico "Skate gralha", o tema skate também ganha as letras de "Ande de skate ou morra" e "Minha vida". Uma versão, também instrumental, para o tema do "Homem Aranha" comprova a aproximação do punk rock com surf music. Outros temas caros às bandas punks também dão as caras aqui como o anti-nazismo, "Destrua um monstro nazista", militarismo, "Serviço militar", e miséria, "Ruas de Soweto".

           O álbum fecha com "Como é que pode?" e "Puta vomitada", esta última é outro clássico do Grinders, também gravada pelo DFC e sempre presente no repertório de muitas bandas punks brasileiras, como os curitibanos do Ovos Presley que sempre incluem a música em seus shows.

                O álbum teve excelente repercussão e levou o Grinders a se apresentar em muitos festivais. A capa de George G, sob idealização do baterista Tuka, tem muita identificação com o trabalho sonoro do quarteto e está entre as melhores capas de discos brasileiros.

               O Grinders se manteve até na ativa 1993 e retornou em 1996 para shows. Em 2000 o primeiro disco foi relançado em CD, pela mesma Ataque Frontal e com o acréscimo de mais 16 faixas incluídas como bônus. A volta foi comemorada e incentivada por fãs da banda como Marcelo Donald (Gritando HC), Chorão (Charlie Brown Jr.), Tatola (Não Religião) e Renato Martins (Ataque Frontal). No final da primeira década do novo milênio o disco ganhou nova edição em CD no formato digipack, numa parceria da Ataque Frontal e Thirteen Records, mantendo todos os bônus da primeira edição em CD e com o título "Skatepunkmusic".

             Quer ouvir? Download aqui!

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