segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Grenade (Slag Records, 2004)


            A capa com foto das quatro faces dos integrantes da banda em tom azul sob o fundo vermelho no qual se lê o nome Grenade na margem superior centralizada entrega, estamos diante do quinto disco da banda de Londrina/PR.

          O quinto trabalho do Grenade é também o primeiro. O primeiro a trazer o Grenade no formato banda, pois nos trabalhos anteriores quem assumia a banda era apenas o vocalista/guitarrista Rodrigo Guedes e seu porta-estúdio de quatro canais responsável pela gravação dos discos que fizeram do Grenade a one-man-band mais cultuada no underground brasileiro no final da década de 90.

           Grenade, o álbum, não tem título, o que mostra que o disco trouxe realmente uma guinada musical na vida de Rodrigo Guedes, do lo-fi à Guided By Voices, que deixou pelo menos um clássico - o disco "Grenade Is an Out of Body Experience" (Ordinary/Duckweed, 1999) - para o rock estradeiro de pés fincados nos anos 60/70.

               O álbum abre com a curta vinheta "Turn the page" que remonta aos tempos do porta-estúdio e logo em seguida, com "Old wish", já atira para longe a primeira das demais 15 canções próprias de arranjos caprichados e letras em inglês, num caso raro de banda que sabe compor e cantar na língua de Paul McCartney sem parecer um aluno do CCAA.

              As guitarras puxam canções como "Rainmaker", "Erase your head" e "Secret trick" e alternam momentos mais acústicos e bucólicos - "Gooday", "For her" - com riffs distorcidos que remetem ao Crazy Horse de Neil Young, influência mais que assumida de Rodrigo Guedes. O disco é repleto de lindas canções e aconselha-se ouvi-lo todo. Contudo, vale destacar algumas pérolas como a delicadeza alt-country de "Moving on", o 'crescendo' blues hipnótico de "Tonight" e a psicodelia de "Leave me alone" que fecha o álbum, impossível ouvir o fim do tema com barulhos de guitarra sem se lembrar do primeiro álbum do Killing Chainsaw.
Revista Zero, edição 11

         O formato banda foi fundamental para as canções ganharem pungência, mas a produção, feita toda num pequeno estúdio em Londrina, e, principalmente, a masterização a cargo de Steve Fallone - que tem no currículo trabalhos com Luna, Strokes, Sonic Youth, dentre outros - são responsáveis pelo som equilibrado do álbum, ainda que as guitarras sempre se sobressaiam.

            Gravado em 2002 o disco só chegou ao mercado em 2004 pelas mãos do selo paulistano Slag Records. A repercussão na mídia especializada foi excelente e o álbum figurou nas listas dos melhores discos do ano em várias publicações, também foi lembrado como um dos melhores discos nacionais lançados na primeira década do novo milênio. Há muito fora de catálogo, assim como os demais raros trabalhos do Grenade. Altamente recomendado!

                 Quer ouvir? Download aqui!

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