sábado, 12 de outubro de 2013

Fellini "Você nem imagina" (Brsounds, 2010)



               Principal nome do pós-punk brasileiro, o cultuado grupo paulistano Fellini já decretou algumas despedidas, na verdade pode-se afirmar que a banda já começou declarando sua passagem meteórica, vide o título do primeiro álbum, "O adeus de Fellini" (Baratos Afins,1985).

             No começo da década de 90 após lançar seu disco mais cultuado e melhor produzido, "Amor Louco" (Wop Bop, 1990), o Fellini enfim se afastou dos discos e palcos, mas não foi esquecido, pelo contrário, durante a última década do século passado o quarteto ficou cada vez mais conhecido a ponto de atingir um status cult que coube muito bem à sua proposta estética e musical. A volta só veio em 1998 com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. 

            Em 2000 o Fellini foi convidado para tocar no Festival Rec Beat, em Recife, cidade na qual o grupo paulistano exerceu influência tão intensa a ponto de ser citado como referência para o movimento Mangue Beat. Chico Science disse em matéria publicada na revista Bizz que comprava os discos do Fellini pelo reembolso postal da Baratos Afins. Em 2002 foi lançado, pelo selo carioca Midsummer Madness, o álbum "Amanhã é tarde" um inesperado disco que trouxe o Fellini reduzido ao núcleo Cadão Voltado & Thomas Pappon + Tascam de quatro canais (este praticamente o 5º Fellini), assim como aconteceu no segundo disco "Fellini só vive duas vezes" (Baratos Afins, 1986).

         No ano seguinte foi a vez da banda tocar no Tim Festival, em São Paulo, desta vez a volta foi anunciada como o "último adeus" na capa do caderno Ilustrada na Folha de S. Paulo. Mas o adeus não foi definitivo e o Fellini desencanou de se abandonar, afinal a distância dos palcos só alimentava a vontade dos fãs, velhos e novos, de ver o quarteto ao vivo.

        Em 2009 o Fellini retornou para uma nova "tour" de 3 shows, dois em SP, um em Curitiba. A ocasião rendeu ensaios com uma formação nova, com Thomas e Jair Marcos nas guitarras e o baterista convidado Clayton Martin. As canções continuaram com os mesmos arranjos, agora um tanto acelerados. Um formato de banda semelhante ao que fora registrado no primeiro disco e no terceiro, "3 lugares diferentes" (Baratos Afins, 1987).

Fellini no Rock de Inverno, Curitiba 2009 (Foto ruim: Marcelo Mara)

        "Você nem imagina" foi registrado depois da "tour", no último encontro de 2009 no Studio Paris sob os cuidados de Rainer Pappon, e traz um repertório muito bem escolhido. Ficou de fora músicas do discos em que o Fellini se limitou à dupla Thomas Pappon & Cadão Volpato. Assim ganharam espaço verdadeiros hits, "Rock europeu" e "Teu inglês", e outros "sucessos" como "Zum zum zum zazoeira", "Nada" e "Funziona senza vapore". 

        O álbum abre com "Massacres da coletivização", um dos melhores momentos do terceiro disco que também deu a releitura de "Pai" e da belíssima "Ambos mundos". Do "Amor louco" vieram "LSD", "Chico Buarque song" e "Clepsidra", esta beirando a perfeição. principalmente ao vivo com os vocais de apoio de Thomas, tão emocionante quanto no disco.

         O álbum foi lançado pelo selo criado pela banda, o Brsounds numa tiragem de mil cópias. O projeto gráfico tem capa assinada por Fabio Spavieri, uma novidade para o Fellini que sempre teve o vocalista e letrista Cadão Volpato como autor das ilustrações. O encarte contém todas as letras e texto do Cadão relembrando as primeiras semanas da banda. Na única foto há o mesmo cartão que acompanhava como encarte o disco "O adeus de Fellini".  

          Quer ouvir? Download aqui!

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