domingo, 29 de setembro de 2013

Willy Verdaguer "Informal" (Medusa Records, 2003)


             Em qualquer enciclopédia de rock brasileiro que se preze um verbete para o baixista Willy Verdaguer é obrigatório. Argentino radicado no Brasil, Willy chegou no Brasil em 1967 com sua banda Beat Boys. 

             Abraçados por Caetano Veloso, os Beat Boys ajudaram-no a defender "Alegria, alegria" no Festival da Record do mesmo ano. A introdução da canção ficaria marcada para sempre na história da MPB, assim como o uso da guitarra elétrica, até então um "quase demônio imperialista" na tradição da música popular brasileira. O mito elétrico quebrado pelos tropicalistas deve muito a participação daqueles argentinos cabeludos.

        Willy Verdaguer gostou do que viu e criou residência no Brasil. No início dos anos 70 mais uma vez sua mão ajudaria numa nova revolução musical tupiniquim, desta vez como baixista e arranjador do Secos & Molhados. Willy também se dedicou à pesquisa e manutenção da música folclórica latino-americana no grupo Raíces de América, se o resultado mercadológico não pode ser comparado à experiência com o Secos & Molhados, pelo menos rendeu muitos discos.

           Nos anos 90 foi a vez do projeto Humahuaca de trajetória curta e apenas um registro em disco. Os anos seguintes levaram Willy Verdaguer a produção musical de espetáculos teatrais e criação de óperas, além de acompanhar artistas de produção bissexta, como Walter Franco.

        Em 1999 surgiu o convite dos músicos Alberto Vanasco e José Carmo Fren para a gravação de um trabalho descompromissado, algo como uma "jam" na qual os músicos acompanhariam as ideias criadas no baixo elétrico de Willy. A gravação do álbum não foi concluída naquelas sessões que geraram apenas duas canções, as primeiras que abrem "Informal", sendo recomeçadas em 2003, momento em que a ideia de recuperar o trabalho iniciado quatro anos antes renderia o primeiro disco solo de Willy Verdaguer.

         "Informal"  tem 6 canções instrumentais nas quais Willy desfila seu total controle sobre o instrumento de quatro cordas. O álbum sem guitarras não é um disco fácil, tem uma grande variedade de improviso, temas e climas, poderia ser chamado de um disco de post-rock se fosse esta a intenção.

  Lançado pelo selo argentino Medusa Records numa tiragem de apenas 500 unidades, o álbum é quase desconhecido no Brasil. O projeto gráfico é bastante informativo com textos biográficos sobre Willy Verdaguer, além de dados precisos sobre a gravação e o contato com os músicos, um dos textos é de autoria de Willy. Um trabalho que busca dar vez a um dos principais nomes da música brasileira, ainda que nem sempre reconhecido.

        Quer ouvir? Download aqui!

Um comentário:

  1. Vi num doc recente sobre a guitarra baiana...dizendo que ela ajudou a guitarra elétrica entrar na música brazuca...na tropicália...

    ResponderExcluir