terça-feira, 24 de setembro de 2013

V.A. "Pushing the stone - A homage to Rot" (Rotten Foetus/DFL Productions, 2011)



            O grindcore é um estilo niilista que tem paternidade tão desconhecida como questionada. Reivindica-se ao brasileiros do Brigada do Ódio o título de criadores por fazerem um som rápido, sujo e um tanto minimalista num LP-Split dividido com o Olho Seco em 1985. Outros afirmam que o grindcore surgiu com o LP "Scum", lançado pelos ingleses do Napalm Death em 1987. Se o grindcore é brasileiro ou não, o certo é que o Brasil teve durante 18 anos seu principal nome, o quarteto do ABC Paulista Rot.


             Três anos depois de decretado o fim de suas atividades, o Rot ganhou um disco tributo. Não se trata exatamente de um tributo e sim de uma homenagem, ou como diz o texto do encarte "um tributo não-oficial" a banda que conquistou espaços e notoriedade puramente por seu som e por seus muitos discos, EPs, splits, fitas cassete, VHS e fanzines.

             O Rot não apenas levou o estilo a um nível de profissionalismo sonoro, no Brasil, como também ajudou a construir uma cena grind/gore/splatter fortalecida nacionalmente através de correspondências e trocas de material durante a década de 90. Era comum ver discos do Rot em catálogos de distribuidoras de várias partes do país, principalmente as do interior de São Paulo. A banda também fazia uma quantidade razoável de shows, sempre nos lugares mais improváveis e com ingressos acessíveis. Ter contato com o Rot também era a porta de entrada para conhecer muitos outros nomes importantes do grindcore no Brasil e  no mundo.


           "Pushing the stone" traz 41 bandas, nem todas são de grindcore, há bandas punk/hardcore, outras levam o grindcore a níveis mais extremos como o noise core, e tem muita banda grind e crust. 29 bandas são brasileiras, muitas são contemporâneas e chegaram a dividir discos com a banda homenageada, caso do Cruel Face, Death Slam e C.H.C. Outras 12 são de várias partes do mundo, algumas de influência explícita para o Rot, como Jan AG & The Cadja que traz à frente o líder da lenda grind/mince core belga Agathocles; ainda tem nomes conhecidos como Unholy Grave, Ulcerrhoea e Malignant Tumour. Curiosamente, no disco não há bandas norte-americanas. 

          O grindcore tem esta característica descentralizada de produção, as bandas mais conhecidas, ou que ganham projeção, são muitas vezes de lugares desconhecidos, ou, em princípio, improváveis como Salvador/BA e Presidente Prudente/SP. Isto também se aplica às bandas espalhadas pelo mundo, não é sempre que se tem contato com bandas de Cingapura, África do Sul ou do leste europeu.

               Na homenagem muitas bandas aproveitam para gravar duas canções, outras emendam e conseguem colocar quatro sons numa mesma faixa, proeza conquistada pelo New York Against Belzebu em apenas 17 segundos, mas NYAB é noise core, portanto, é outra história. Alguns sons se repetem, mas nada que comprometa o bom resultado final. Tem muitos destaques e vale ouvir atentamente as versões das bandas C.A.D., Demisor, Moléstia, Syndrome of Terror e Grandma, esta última com um gore/splatter bastante técnico para "Cruel face of life". Só para citar, as bandas estão em ordem alfabética, o que ajuda na hora de procurar aquele som ou banda específica.

             "Pushing the stone" foi lançado numa parceria dos selos brasileiros Rotten Foetus e Deranged For Leftovers Productions e pode ser comprado nos sites das gravadoras. O projeto gráfico traz informações de contatos das bandas e nome das cações, além de um pouco sobre a história do tributo não-oficial além de uma breve apresentação do Rot.

               Quer ouvir? Download aqui!

2 comentários:

  1. ESSA É A PICA QUE MATOU O CAZUZA!
    :)

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    1. hahahahahahah... confesso que não entendi, mas achei engraçado. Já pensou um tributo grind ao cazuza? hehehehe

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