quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Wander Wildner "Baladas sangrentas" (Fora da Lei/Tinitus, 1996)



             Em 1996 Wander Wildner já tinha uma extensa trajetória no punk rock e na música brasileira. Depois de quase dez anos, e três discos, dedicados ao Replicantes, experiências como iluminador e diretor de palco, e vocalista das bandas Máquina Melequenta, Sangue Sujo e Los Encarnados, todos criados depois que se tornou um ex-Replicante. Enfim, chegou a vez de Wander reunir suas baladas compostas ao violão, garimpar canções de amigos, como Frank Jorge e Flávio Basso, e assinar o primeiro rebento da carreira solo.

              O começo da história de "Baladas sangrentas" remonta a um período melancólico da vida do autor. Wander Wildner fora buscar sua namorada no aeroporto e no momento do reencontro recebeu a notícia de que o relacionamento do casal chegara ao fim. O pé na bunda virou motor para uma série de canções de exacerbado romantismo, como "Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo", e outras facilmente caracterizadas como bregas.

         
Bizz, edição 150, janeiro de 1998
 O estopim havia sido dado e o caminho foi formar o repertório, ainda no esquema punk-romântico-brega vieram "Freira desalmada", parceria com Thedy Corrêa, "Bebendo vinho" e "Lonely boy" versão da canção dos Sex Pistols, presente na trilha sonora do filme "The Great Rock'n'Roll Swindle", que havia sido gravada por Wander com o Sangue Sujo, presente na coletânea "Assim na terra como no céu" e na demotape "Punk rock que matou a modelo". "Burguês", parceria com a banda punk de Porto Alegre ORTN, também faz parte da mesma demotape, único registro do Sangue Sujo.

           "On the road" foi pinçada da banda Los Encarnados e chegou inclusive a ganhar um vídeo clipe raramente exibido pela MTV Brasil. "Lugar do caralho" foi retirada da excelente demotape do Júpiter Maçã e os Pereiras Azuis. "Empregada" saiu do repertório da Graforréia Xilarmônica, mas ganhou versos adicionais retirados da balada, legitimamente brega, "Quarto de empregada" de Luiz Carlos Magno, não creditado no disco. 

          Para gravar as canções Wander Wildner recebeu o apoio do amigo, guitarrista e produtor Tom Capone, que abriu as portas do AR Estúdio, no Rio de Janeiro, e produziu o álbum. Tom ainda participou da idealização do selo que lançou "Baladas sangrentas", assim surgiu o Fora da Lei, que apesar da curta trajetória inicial de apenas três discos - "Na fé" do Baia & Rockboys, um ao vivo do Replicantes, com Carlos Gerbase de volta ao microfone, e "Baladas Sangrentas" -, conseguiu levar o disco ao público interessado. 

           


  Pelo Fora da Lei "Baladas sangrentas" recebeu duas tiragens, cada uma com uma capa diferente. No mesmo ano o disco chegou às mãos do produtor Pena Schmidt que negociou a re-prensagem do álbum pelo selo Tinitus com outra capa e mudança na ordem das músicas. Pelo novo selo "Baladas sangrentas" teve melhor distribuição, feita numa parceria da Tinitus com a Velas, mas nada bom o suficiente para dar o reconhecimento merecido.


            Tal reconhecimento até que não demorou tanto tempo para chegar. Logo o primeiro trabalho solo de Wander Wildner ganharia status de álbum cult e suas canções gradativamente ficaram mais conhecidas, mesmo que com outros intérpretes.

              Atualmente "Baladas sangrentas" está entre os principais discos brasileiros. Em 2013 ganhou uma reedição, de novo com outra capa, e pode ser encontrado em CD no site do Wander Wildner. O punk brega nunca foi renegado pelo seu autor, tanto que depois virou nome do selo de Wander Wildner para o terceiro disco, "Eu sou feio mas sou bonito". A alcunha define bem o trabalho, afinal, quem disse que para ser punk não pode ser apaixonado? Altamente recomendável para quem ouve Waldick Soriano e Ramones. 

                 Quer ouvir? Download aqui!

2 comentários:

  1. Muito bom texto, sem duvida um dos meus discos favoritos, serviu de porta de entrada por muitos para cenario do rock gaúcho. Recomendo.

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    1. LeZkUaCk!
      "Baladas sangrentas" é dos meus discos preferidos. Até que demorou para entrar aqui no blog. É daqueles que eu gosto tanto que poderia escrever um texto enorme para dizer simplesmente que o disco é altamente recomendável.

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